TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Loucoléxico!


Cap-tirado do Blog da Maria Helena (no ano passado).

Na Má-ringa...


Estou sonhando? Delirando? Pirada? Ou vi mesmo este símbolo de luta e prevenção contra o HIV/Aids transformado em símbolo da deputada maringaense? Rosinha, cor de mulher feminina (sic) ´pregado no carro... Usurpação? Ou um novo virus?

Na Má-ringa!


Akino no Blog do RIGON, da Má-ringa

O freezer do Pinga Fogo II
O apresentador Pinga Fogo, sócio de Ricardo Barros em sua emissora de rádio, disse em seu programa de TV que colocaria no ‘freezer’ deputados que não colaborassem com suas campanhas de ajudas. Sem dúvidas são meritórias as ajudas que promove através de seus programas, mas questiono se essas não acabam sendo anuladas pela concessão de espaços em rádio e televisão para ‘entrevistas’, que na verdade são propagandas políticas e servem para enganar seus ouvintes e telespectadores menos esclarecidos, passando uma imagem positiva de políticos que não merecem e que depois utilizam indevidamente recursos públicos que poderiam ajudar os mais carentes. É impressionante como o povo é enganado. Como as ‘entrevistas’ são dirigidas e políticos, principalmente, ligados á família Barros são endeusados. A administração municipal atual é uma maravilha. Tudo está perfeito, o que não é verdade. Os mais religiosos diriam que o ‘freezer’ de hoje pode ser a fogueira no futuro. Muitos arderão, dizem os experientes, por terem sido tão falsos hipócritas, enganadores, e abusado da ingenuidade de um povo que é facilmente manipulado por ‘ajudas’. Sei de muitos telespectadores que migraram para o Canário, e o Léo Junior, que são mais discretos e mostram pelo menos algumas coisas erradas e não abusam das tais ‘entrevistas’.

Akino Maringá, colaborador

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Uau, Akino, elle é sócio do Pinga?

Tem hora que ...



Foto: René Maltete
Roseli Fischmann, sobre pecados e pedofilias.

Do Blog do Roberto Romano
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2903201002.htm

A íntegra de meu artigo, incluindo citação ao NEDH/FAHUD/Metodista:

São Paulo, segunda-feira, 29 de março de 2010


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OPINIÃO

De pecados e crimes
ROSELI FISCHMANN
ESPECIAL PARA A FOLHA

O noticiário sobre pedofilia, atingindo religiosos da Igreja Católica, inclusive da alta hierarquia, traz tantos dados que chocam, que o Vaticano publicou editorial atacando a imprensa internacional por cumprir seu papel, qual seja, o de informar. Acostumada a tratamento diferenciado, muitas vezes privilegiado, por parte da mídia, com desvantagem para os demais grupos religiosos, a hierarquia católica reage de forma hostil à impossibilidade que teve a imprensa de postar-se como cúmplice de crimes inaceitáveis, por omissão.

É certo que as relações das religiões com os poderes terrenos são assunto delicado e polêmico. Investidos de aura suprahumana, para os que crêem neste ou naquele culto, com facilidade pode ocorrer de buscarem transbordar, para o plano meramente político, o poder espiritual que lhes é atribuído pela religião, como instituição humana.

Decorre daí a facilidade de, em nome da divindade, fazer acordos internacionais (como a concordata com a Santa Sé a que se curvaram políticos do Brasil), desenvolver articulações políticas e facilmente ganhar espaço, onde outros dependem do voto e da legitimidade. O uso do poder espiritual para obter benesses humanas é tanto mais perigoso, quanto mais confunde argumentos que invocam caridade, para alcançar privilégios materiais, suprimindo direitos de outros.

Ao potencializar o poder espiritual pela união ao poder político, mera e complexamente humano, a expectativa é de reunir os benefícios das duas esferas. Engendrada nas altas hierarquias, repercute em outros níveis de forma imprevisível. Enquanto alguns religiosos tomam o compromisso de defesa dos direitos, outros enveredam por caminho oposto. Copiando a má prática humana na política, esperam a máxima visibilidade dos méritos e a completa impunidade dos erros. Quando ocorre alguma "escorregada", que em outros seres humanos, "comuns", será chamado de crime, considera- se "natural" a invisibilização e o silêncio, garantindo a impunidade, pelo desconhecimento público.

Vale lembrar que a Igreja Católica, por sua associação milenar, desde Constantino, ao poder terreno, tem digerido mal a independência e autonomia laica dos Estados em relação aos cultos, processo fortalecido a partir da Revolução Francesa - e conseqüentemente, digere mal a autonomia da cidadania e a soberania do Estado.

Por ser instituição burocratizada altamente complexa, a diversidade interna da Igreja Católica lhe permite um portfólio de exemplos de religiosos com atuação religiosa e social impecável, para contrapor aos abusos agora denunciados. O reconhecimento do drama vivido pelas vítimas, mesmo a indenização pecuniária, nada retira do caráter irreversível do dano causado a quem sofreu a violência sexual, em particular sendo criança, que perdeu o direito à inocência, pela ação de quem supunha ser seu guia. O uso da au toridade como forma privilegiada de cometer o abuso é aviltante para as relações de autoridade e para o próprio sentido educativo dessas relações.

A lentidão em reconhecer os casos de abuso e pedofilia, em diferentes países, como o Brasil, é a outra face da moeda, que credita à Igreja Católica o poder de a tudo julgar e tudo determinar na vida humana, inclusive interferindo em políticas públicas. É o caso das pressões sobre o 3º PNDH, para os temas de retirada dos símbolos religiosos de estabelecimentos públicos, reconhecimento da autonomia das mulheres, em caso de aborto, e das uniões homoafetivas, incluindo adoção de filhos. Ignora que seus fiéis, se convictos, não serão obrigados a coisa alguma que contrarie sua doutrina, por uma lei que se proponha como possibilidade.

Porque a lógica do interesse público precisa pautar-se por atender a toda a cidadania, sem discriminação, cabendo às denominações religiosas convencer se us membros a que atendam as determinações morais que pregam, definindo o que é pecado, e não ao Estado, que lida apenas com o que é crime. Quem for convicto seguirá os ditames da religião sem titubear, ainda que as leis ofereçam possibilidades a si vetadas pelas normas religiosas. Se uma denominação religiosa proíbe o álcool, não será a existência de bares que convencerá o seu adepto a provar da bebida.

Ao tomar conhecimento de infratores em suas fileiras, e imediatamente encobri-los, o que o Vaticano reitera é sua disposição de ser soberano por sobre a ordem humana, que é plural do ponto de vista religioso e de consciência, mesmo quando os atos cometidos - pecados ou não - são terrível e simplesmente enquadráveis como possíveis crimes, cabendo, pois, ao Estado investigar e julgar, de forma pública e transparente, o que apenas engrandecerá a instituição religiosa por abrir-se com coragem, prevenindo semelhantes situações.




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ROSELI FISCHMANN é professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da USP, coordena o Núcleo de Educação em Direitos Humanos da Faculdade de Humanidades e Direito da Universidade Metodista de São Paulo. Publicou, entre outros, o livro "Estado Laico" (Memorial da América Latina).

sexta-feira, 26 de março de 2010

Freud

Do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba
Era para ser uma festa. Não foi. A nova tradução das Obras Completas de Freud trazida à luz pelo senhor Paulo César de Souza, em edição belíssima da editora Companhia das Letras, que me caiu nas mãos ontem à tarde, é uma decepção. Quando abri o tão esperado volume 12 (capa vermelha) e me deparo com “O Instinto e seus Destinos”, não acreditei. Tanto tempo esperei e...nada. Aí vem uma nota “introdutória” do tradutor que afirma a seguinte baboseira: “ao ler essas traduções [os leitores e psicanalistas que empregam termos diferentes], apenas precisarão fazer o pequeno esforço de substituir mentalmente “instinto” por “pulsão” ”. Ora, mas se é para substituir mentalmente, para que nova tradução? Aos leitores que ainda não compraram, recomendo então o trabalho de Luiz Hanns da terrível editora Imago. Infelizmente são apenas três pequenos volumes, mas são três valiosos volumes, pois lá está “Pulsões e Destinos da Pulsão”. Bravo. Não se pode levar a sério um tradutor que confunda “trieb” com “instinkt”. Não é preciso fazer pós-doutorado em alemão na USP para saber que são palavras e sentidos completamente diferentes. Minha querida bisavó Otília, que nunca pisou em uma universidade, me dizia, trazendo seus bolinhos e rosquinhas, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Mas e o resto da tradução? Desculpem. Mas, quando se troca a lâmina e o cabo de uma faca, não dá para continuar chamando isso de faca. Lá vou eu para Buenos Aires de novo, com a belíssima tradução da editora Amorrortu. O Brasil não terá uma tradução digna das Obras Completas de Freud. Paciência. Terá textos avulsos, pequenos volumes, um ali, outro aqui, enfim. Ao espanhol, queridos leitores, ao espanhol.

quinta-feira, 25 de março de 2010





Livro foca vida de mulheres vítimas do regime militar
Governo publica histórias de 27 sobreviventes e de 45 mortas ou desaparecidas

Publicação será lançada hoje, seis dias antes de o golpe completar 46 anos, e é a terceira da série "Direito à Memória e à Verdade"

ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA

Em meio à tensão gerada dentro do próprio governo com a criação da comissão da verdade para investigar torturas, mortes e desaparecimentos durante a ditadura militar (1964-1985), as secretarias de Direitos Humanos e de Políticas para as Mulheres lançam hoje o terceiro livro da série "Direito à Memória e à Verdade", desta vez focado nas mulheres vítimas do regime.
Sob o título "Luta, Substantivo Feminino", a publicação intercala as histórias de 45 mulheres mortas ou desaparecidas e os relatos de 27 sobreviventes de diferentes organizações de resistência à ditadura, armadas ou não. Algumas estavam grávidas, outras amamentavam, todas foram torturadas e, não raro, estupradas.
O primeiro livro da série era sobre as vítimas em geral e foi lançado pelo presidente Lula no Planalto, em agosto de 2007, gerando reações nas Forças Armadas. O atual será divulgado na PUC-SP, seis dias antes de o golpe de 31 de março de 1964 completar 46 anos.
Entre os depoimentos, não consta o da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que também foi militante da esquerda armada, presa e torturada e hoje é candidata à Presidência pelo PT. A explicação é que os autores quiseram dar um caráter suprapartidário ao trabalho, sobretudo em ano eleitoral.
Na apresentação, o ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), que é o principal responsável pelo 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, faz um apelo velado às Forças Armadas, ao dizer que a publicação "pode mudar opiniões de quem ainda resiste à elucidação profunda de todos esses episódios como passo necessário a uma reconciliação nacional".
Em seguida, a ministra Nilcéa Freire (Mulheres) defende ampla apuração da verdade: "A superação dos fantasmas que ainda assombram nossa história recente exige confrontá-los. Para exorcizá-los, será preciso retirá-los dos lugares onde estão escondidos, nomeá-los, olhá-los nos olhos e compreender os mecanismos que os permitem surgir".
As mortas e desaparecidas são divididas em três grupos: de 1964 a 1974, incluindo o período agudo da repressão; de 1974 a 1985, já no processo classificado de "distensão"; e a Guerrilha do Araguaia, no final da década de 1960 e início da de 1970, na região do rio Araguaia.
Todas são acompanhadas de fotos mostrando rostos jovens, alguns quase infantis, como o de Aurora Maria Nascimento Furtado (1946-1972), que estudava Psicologia na USP e militava na UNE (União Nacional dos Estudantes) e na ALN (Ação Libertadora Nacional).
Conforme o livro, "Aurora foi submetida a pau de arara, choques elétricos, espancamentos, afogamentos e queimaduras, além da "coroa de Cristo", fita de aço que vai sendo apertada aos poucos e esmaga o crânio. Morreu no dia seguinte". Seu corpo, porém, foi encontrado no subúrbio do Rio crivado de balas.
Entre os depoimentos de sobreviventes, há o de Damaris Lucena, que hoje vive em São Paulo. Era feirante e militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) . Foi presa quando seu marido foi morto a tiros à queima-roupa, em 1970.
"Minha boca ficou toda inchada, cheia de dentes quebrados (...). Minha vagina ficou toda arrebentada por causa dos choques. Meu útero e minha bexiga ficaram para fora. Eu tive de fazer operação em Cuba, levei 90 pontos e estou viva por milagre", relata.
O livro é mais um esforço para apuração e divulgação da verdadeira história da repressão política na ditadura, enquanto o governo expande a procura de restos mortais de desaparecidos para além da região do Araguaia.

Loucoléxico...

Foto: Cortazar e seu gato

veja aqui (manual de Instrução do livro História de Cronópios Famas de Julio Cortazar)
Instruções para chorar

Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um pranto que não ingresse no escândalo, nem que insulte o sorriso com sua comparação e torpe semelhança. O pranto médio ou ordinário consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e ranhos, estes últimos ao final, pois o pranto acaba no momento em que alguém se assoa energicamente.

Para chorar, dirija a imaginação para si mesmo, e se isto lhe resulta impossível por haver contraído o hábito de acreditar no mundo exterior, pense em um pato coberto de formigas ou nestes golfos do estreito de Magalhães nos quais ninguém entra, nunca.

Chegado o pranto, tapará com decoro o rosto usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão com a manga da blusa contra o rosto, e de preferência num canto do quarto. Duração média do pranto, três minutos.


E o salário, ó!


Ai, eçes pais!


Ui, que tesão, ter um bonsaizão!

No Paraná...
recebi via internet o clamor do movimento em defesa às falas do FHC. Cada vez que o narciso sociólogo fala, o Serra desce no Ibope.
Por outro lado, o noço presidente tem falado muito também. Ai, meu português!

Uiiii, que tesão, roubar televisão!




Postado no Blog Acerto de Contas por Zeka Lima


Foi muito interessante o programa CQC exibido nesta segunda, 22, na BAND. Para quem não viu o Youtube dispõe das Partes 2, 3 e 4, que estão no final do post. Mas é possível entender o que aconteceu na história, mesmo sem ver os vídeos, embora recomendemos uma espiada, vale a pena.

A história foi a seguinte: o pessoal do CQC fez a doação de uma TV de Plasma para a Secretaria Municipal de Educação de Barueri.

A TV estava equipada com um GPS, e ele notaram que o aparelho havia sido desviado para a casa de uma funcionária de uma escola municipal. Após os funcionários tentarem encobrir o desvio (sem sucesso), a prefeitura entrou com um processo na justiça a fim de censurarem a veiculação da matéria e a televisão foi devolvida.

O programa voltou ao município e conversou com o prefeito, que é IRMÃO do Secretário Municipal de Educação. O prefeito ficou extremamente exaltado e soltou algumas pérolas importantes, após afirmar ter lutado pela redemocratização deste país, ele fez um comentário “interessante”:

“Por causa da democracia é que babacas como você pode fazer essas besteiras…”

Vale muito a pena conferir. Os vídeos foram ao AR com uma semana de atraso por causa da ação ajuizada pela prefeitura, mas acreditamos que serão muito divulgados pela internet.
Veja e divulguem.

Ai, ai, ai, meus sais! Amei, Solda!








O Akino tem razão
"O que faz o MPF em Maringá? do Messias Mendes, na Má-ringa


A propósito da postagem ‘Que fim levou?’, concordo com o Rigon que é muito discreta a atuação do Ministério Público Federal em Maringá. Depois do escândalo na gestão Gianoto, pouco se ouviu falar sobre a atuação da sua atuação na apuração de denúncias de má aplicação de recursos públicos. Há também aquela caso da operação de fraudes contra o INSS que envolveria gente grande e que, salvo engano, não andou e caminha para a prescrição. O que está acontecendo? Falta de pessoal? Depois na marcante atuação da Procuradoria da República, no caso Arruda, esperamos mais da instituição em Maringá".

Akino Maringá, colaborador do site do Rigon

PS: a observação é procedente e nos leva a pensar sobre casos como o "PAC Santa Felicidade", "O superfaturamento no Novo Centro" , A "casinhas do PAC", que ameaçam desabar antes de serem concluídas. São projetos executados com verbas federais e que caminham a passos lentos eivados de senões éticos. Não seria o caso do Ministério Público Federal atuar? Se estiver atuando, o povo tem o direito de saber sobre o andamento das investigações.

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COMENTÁRIO: Pensei que o MPF tinha se mudado de cidade.

Na Má-RINGA: Aqui a gente vê, aqui a gente NÃO faz!




Ética e transparência. A gente vê por aquí


Do Messias Mendes, Má-ringa



"A Controladoria Geral da União (CGU) encontrou indícios de irregularidades em 14 obras e licitações da Prefeitura de Maringá que utilizam recursos federais. Os problemas, que se referem à compra de materiais de construção com preços acima da média, planilhas de custo mal detalhadas e má conservação de obra, teriam causado prejuízo de R$ 538,5 mil. As infrações foram detectadas durante visita dos técnicos da CGU entre 21 de maio e 14 de julho de 2009".

. Jornal O Diário

Perguntar não ofende: Cadê o Observatório Social?


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FOI AO OCULISTA, MESSIAS!

Ui, que susto me deu o augusto!

Do Blog do Messias Mendes, na Má-ringa
Caraca, Messias. Dessa vez você se superou! É a notícia do ano! O padre Manzotti em Cruzeiro do Sul, Paraná, de amarelo ouro, rezando pelo Zeca do PT. Afe! que tesão! Ai, nem consigo me equilibrar nos saltos de meus sapatos. Zeca! Zeca! Zeca! Manzotti, manzotti, Manzotti! Ui, ui, ui.....

Ui, que tesão, lamber o chão!

Foto: Roberto Romano
Publicada em 24/3/2010

Tirania e bajulação Por Roberto Romano, Correio Popular de Campinas

No fundo de toda pessoa, jaz uma porção de ridículo e trágico. Tais marcas se revelam em instantes decisivos da vida individual ou coletiva. Em situações risíveis e lamentáveis, dois personagens mostram o poder maléfico do riso e das lágrimas. Eles são o governante e o dominado. Plutarco, na obra dedicada ao discernimento do amigo e do adulador, mostra o quanto é hilariante toda corte na qual um manda e todos obedecem. Bem antes da fábula sobre o garoto que enxerga o rei pelado, quando todos os bajuladores o notam sob belos planejamentos, o filósofo mostra a miséria resumida no verbo “cortejar”. Cito um caso relatado em Como distinguir o amigo do adulador (existe tradução da Editora Martins Fontes, 1997). Dionísio, o tirano, envelhece, está prestes a morrer (como todos os tiranos, por mais que os chaleiras os intitulem “imortais” ou “nosso guia”). Com a cegueira, ele dá topadas em tudo e em todos. Para agradar o dirigente, os capachos fingem encontrões, vista fraca etc.

O xeleléu, adianta Plutarco, é camaleão que adquire todas as cores. Se um partido está no poder, ele “sempre pertenceu” às suas hostes, mostra maior zelo na defesa da agremiação do que os próprios fundadores. Os zumbaieiros formam o pior tipo quando a ditadura se instala: delatam até a mãe para adquirir simpatia, cargos, dinheiro. Seu caráter foi de tal modo corroído, que eles assumem todos os papéis, sem apego a nenhum. Na sua mente não existe termo nem coisa que recorde “dignidade”. Todo seu ser exala ódio (real ou fingido) contra os adversários dos poderosos. Se forem necessários zumbaias e rapapés, ele os comete em favor ou contra amigos e adversários. Sua espinha tortuosa está ligada à língua (ou teclado do computador) na qual se deposita a perfídia. Plutarco chama o sabujo de “personagem trágico”: nele se unem ridículo e tristeza política. Útil aos tiranos, ele gera calúnias, joga insinuações sobre os que têm a espinha e o discurso em posição reta. O padre Vieira intitula os caçambeiros de “pegadores”. O grande orador visa os peixes pequenos que limpam a pele dos grandes, comem vermes e deles se nutrem.

No zoológico humano, como no acadêmico, habitam animais de variadas formas e hábitos. Uns resistem às jaulas, morrem de melancolia nos espaços restritos. Outros se acomodam, bem ou mal. M. Weber descreve o mundo moderno no qual a burocracia é “máquina sem vida, espírito coagulado. E apenas porque é assim, ela tem o poder de forçar os indivíduos a servi-la e determinar o curso cotidiano de seu trabalho vital (…). Como espírito coagulado, aquela máquina viva representa a organização burocrática com sua especialização do trabalho profissional aprendido, sua delimitação das competências, seus regulamentos e relações de obediência hierarquicamente graduados. Unida à máquina morta, a viva trabalha para forçar a jaula (Gehäuse) daquela servidão do futuro a que talvez os homens sejam obrigados a se entregar, impotentes, como os felás do antigo Egito”. (Economia e Sociedade).

Mas nenhuma dominação se instala nas mentes e controla os corpos sem os escova-botas. Se a burocracia é imenso e impiedoso maquinismo, seu lubrificante se encontra na bajulação e no sorrabador. Nela, existe o mérito, mas o adulão do chefe tem maiores oportunidades de o suceder; a ordem dos processos é rígida, numerada, mas o derrengado acha um jeito de, por intermédio de favores, colocar seu caso em condição favorável. Na burocracia, o Estado ignora privilégios. Mas o mesureiro, ao fechar os olhos diante dos abusos cometidos pelos superiores, consegue sinecuras, como ocorreu na URSS, nas formas nazi-fascistas, em todas as ditaduras de esquerda ou direita.

No Brasil, os lambeteiros inundam gabinetes, grassam nas assessorias, vicejam na imprensa e nos partidos políticos, sobretudo nos que apoiam o governo. Hoje, o que sempre existiu no Estado nacional, torna-se lei. Aqui, só merece respeito o capacho. A missão dos lambeteiros, de esquerda ou direita, é destruir toda república, em favor de qualquer tirania.
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COMENTÁRIO: Professor Romano, eu não sei mais como categorizar os bajuladores. minha última tese: é um problema de distorção libidinal. Orgasmos múltiplos orientam os lambeteiros. Só pode ser esse prazer. Não vejo outro.

Sarney, the retorno


25/03/2010 - 03h41
Suíça bloqueia conta de filho de Sarney
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da Folha Online

O governo da Suíça encontrou e bloqueou conta de US$ 13 milhões controlada por Fernando Sarney, filho mais velho de José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, informa reportagem de Leonardo Souza e Andreza Matais, publicada nesta quinta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL),

Os depósitos foram rastreados a pedido da Justiça brasileira. Segundo a Folha apurou, o dinheiro não está declarado à Receita. O bloqueio ocorreu quando Fernando tentava enviar recursos da Suíça para Liechtenstein, paraíso fiscal.

A medida é administrativa; se comprovado que o dinheiro tem origem ilícita, o bloqueio passará a ter caráter criminal, e os recursos poderão ser repatriados.

Fernando Sarney disse que soube do assunto pela Folha e afirmou que não falaria do que não conhece. Procurada, sua defesa não ligou de volta. Segundo o senador Sarney, "Fernando é maior de idade e tem advogado constituído".

Leia a reportagem completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.

terça-feira, 23 de março de 2010


Por Helena Damião, Portugal, Blog Rerum Natura


Nas última décadas, o investimento material e humano tem aumentado nos sistemas educativos ocidentais: os edifícios escolares melhoraram, os equipamentos sofisticaram-se, a formação de professores generalizou-se, a investigação educacional proporcionou dados sobre os mais diversos aspectos, a acção social esteve e está presente, novos especialistas surgiram…

Porém, inúmeros estudos que incidem nesses sistemas, realizados nas últimas décadas, denunciam problemas graves em muitos deles, no que respeita a aprendizagens académicas (conhecimentos e competências cognitivas) e a comportamentos dos alunos.

Alguma coisa está, portanto, errada. Mas o quê?

Vários teóricos que têm reflectido sobre o assunto afirmam que o erro está na renúncia a educar.

Educar é um dever inalienável que as gerações mais velhas têm para com as mais novas, dado que as crianças e os jovens não se educam a si próprios, precisam de ser educadas.

Parecendo uma verdade óbvia tem sido negligenciada pelos pais e família, por decisores de políticas de ensino, por directores de escola, professores, auxiliares de acção educativa, por outros elementos da sociedade.

Referindo-se à realidade norte-americana, a filósofa Hannah Arendt escrevia em 1957:


"Deste modo, o que faz com que a crise da educação seja tão especialmente aguda entre nós é o temperamento político do país, o qual luta, por si próprio, por igualar ou apagar tanto quanto possível a diferença entre novos e velhos, entre dotados e não dotados, enfim, entre crianças e adultos, em particular, entre alunos e professores. É óbvio que este nivelamento só pode ser efectivamente alcançado à custa da autoridade do professor e em detrimento dos estudantes mais dotados. No entanto, é igualmente óbvio para quem alguma vez esteve em contacto com o sistema educativo americano que esta dificuldade, enraizada na atitude política do país, tem também grandes vantagens, não apenas do ponto de vista humano, mas no plano da educação. De qualquer forma, estes factores gerais não podem explicar a crise em que nos encontramos no presente nem as medidas que a precipitaram.

Estas medidas catastróficas podem ser esquematicamente explicadas por intermédio de (...) ideias-base, porventura demasiado familiares. A primeira é a de que existe um mundo da criança e uma sociedade formada pelas crianças; que estas são seres autónomos e que, na medida do possível, se devem deixar governar a si próprias. O papel dos adultos deve então consistir em limitar-se a assistir a esse processo. É o grupo de crianças ele mesmo que detém a autoridade que vai permitir dizer a cada criança o que ela deve e não deve fazer. Entre outras consequências, isso cria uma situação na qual o adulto, não se encontra só desamparado face à criança tomada individualmente, como fica privado de todo o contacto com ela. Quanto muito pode dizer-lhe que faça o que lhe apetecer e, depois, impedir que aconteça o pior. As relações reais e normais entre crianças e adultos – relações que decorrem do facto de, no mundo, viverem em conjunto e simultaneamente pessoas de todas as idades – se encontram portanto hoje quebradas (...)

Uma crise na educação suscitaria sempre graves problemas mesmo se não fosse, como no presente, o reflexo de uma crise muito mais geral e da instabilidade da sociedade moderna. E isto porque a educação é uma das actividades mais elementares e mais necessárias da sociedade humana a qual não permanece nunca tal como é mas antes se renova sem cessar pelo nascimento, pela chegada dos novos seres humanos. Acresce que, esses récem-chegados não atingiram a sua maturidade, estão ainda em devir. Assim, a criança, objecto da educação, apresenta-se ao educador sob um duplo aspecto: ela é nova num mundo que lhe é estranho, e ela está em devir. Ela é um novo ser humano e está a caminho de devir um ser humano. Este duplo aspecto não é evidente (...). A criança só é nova em relação a um mundo que já existia antes dela, que continuará depois da sua morte e no qual ele deve passar a sua vida (...)

Que a educação moderna, na medida em que tenta esclarecer um mundo próprio das crianças, destrói as condições necessárias para o seu desenvolvimento e crescimento, é algo que parece óbvio. Porém, é de facto estranho que esse pernicioso procedimento possa ser o resultado da educação moderna, tanto mais que essa educação declarava ter por único objcetivo servir a criança (...) O século da criança, como lhe podemos chamar, pretendia emancipar a criança e libertá-la dos padrõesde vida retirados do mundo dos adultos. Como foi então possível que as mais elementares condições de vida, necessárias ao crescimento e desenvolvimento da criança, tivessem sido ignoradas ou, simplesmente, não tivessem sido reconhecidas como tal?


Referência completa:
Original: Arendt, H (1957). The crisis in Education. Partisan Review, 25, 4.
Tradução portuguesa: Arendt, H (1957). A crise na Educação. In Entre o passado e o futuro: oito exercícios sobre o pesamento político. Lisboa: Relógio D´Água, 183-206.

Na imagem: Hannah Arendt

Hoje a coisa será assim...

Richard Avedon


Ui! que tesão, gastar o dinheiro do povão!


Loucoléxico...


Julio Cortazar e seu gato.

Vi essa foto do Cortazar. Lembrei-me de um dos meus livros favoritos: Histórias de Cronópios e Famas.
Cronópios são essses seres errantes. Nunca fazem reserva em hotel quando viajam e, por isso, nas férias na praia ficam na chuva. Famas. Talvez o nome já diga: fama. São os seres bem diferentes dops cronópios. Arrumadinhos. fazem esquemas de tudo. Gostam do poder. E no livro há as Esperanças.
Além dos três seres esquisitos, parentes dos homens, o livro traz um Manual de Instruções com uma série de prescrições para nós:
- como jogar um fio de cabelo pelo ralo da pia e seguir sua trajetória esgoto abaixo (lembrem-se de dar um nó em seu fio de cabelo para não confundi-lo com outros fios de outras cabeças);
- como matar formigas em Roma;
- como ensinar alguém a chorar;
- como sentir medo;
- como dar cordas em relógio....
O livro é tão bom, tão fascinante! A gente se vê nos pequenos seres. Gosto mais dos cronópios. Ah, foi escrito entre 1954-1959, creio.
É um livro bom de ler quando se está infestado por muitos famas.
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INSTRUÇÕES PARA SUBIR UMA ESCADA

[…]

As escadas se sobem de frente, pois de costas ou de lado tornam-se particularmente incômodas. A atitude natural consiste em manter-se em pé, os braços dependurados sem esforço, a cabeça erguida, embora não tanto que os olhos deixem de ver os degraus imediatamente superiores ao que se está pisando, a respiração lenta e regular. Para subir uma escada começa-se por levantar aquela parte do corpo situada em baixo à direita, quase sempre envolvida em couro ou camurça e que salvo algumas exceções cabe exatamente no degrau. Colocando no primeiro degrau essa parte, que para simplificar chamaremos pé, recolhe-se a parte correspondente do lado esquerdo (também chamada pé, mas que não se deve confundir com o pé já mencionado), e levando-a à altura do pé faz-se que ela continue até colocá-la no segundo degrau, com o que neste descansará o pé, e no primeiro descansará o pé (Os primeiros degraus são os mais difíceis, até se adquirir a coordenação necessária). A coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. Deve-se ter um cuidado especial em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)



Cap-tirado do Passira News

domingo, 21 de março de 2010



Mentiras da história
do Blog RERUM NATURA
Informação recebida da editora Temas e Debates / Círculo de Leitores:

Mentiras da História de David Aaronovitch
Edição: 2010
Páginas: 455
Editor: Temas e Debates
ISBN: 9789896440893
24,50€


Sinopse


A nossa época vive obcecada pela ideia da conspiração. Vemo-la em todo o lado, de Pearl Harbor ao 11 de Setembro, das purgas de Estaline ao assassínio de John Kennedy, da morte de Marilyn Monroe à da princesa Diana. Perde-se a conta ao número de livros que se dedicam a provar inúmeras teorias da conspiração, e nem mesmo os jornais e canais televisivos sérios resistem a dar-lhes algum crédito.

David Aaronovitch demonstra que as teorias da conspiração utilizam métodos semelhantes para reclamarem a sua veracidade: estabelecem ligações com as supostas conspirações do passado (se aconteceu no passado, também pode voltar a acontecer); manipulam cuidadosamente as provas para esconder as suas falhas; e sustentam-nas com fontes académicas duvidosas. Mas o mais importante é que classificam os seus seguidores como membros de uma elite - um grupo de pessoas com a aptidão de ver para além da realidade aparente...
Do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba
Anúncio publicado in Folha de São Paulo, 20/3/2010.

Sensacional! As editoras L&PM de Porto Alegre e a Cia. das Letras de São Paulo irão fazer pelo Brasil o que a horrorosa editora Imago, do Rio de Janeiro, jamais conseguiu – exceção ao recente trabalho de Luiz Hanns, porém boicotado pela própria editora, que lançou apenas três míseros volumes da nova tradução. Uma vergonha. O que a Imago fez com Freud no Brasil se chama assassinato. Conseguiram fazer a pior tradução do mundo, alterando, modificando e errando em todas as frases, parágrafos e páginas traduzidas. Foi um dos maiores crimes editorias cometidos contra um autor. Agora não. Freud ganha em Porto Alegre e em São Paulo duas casas dignas, duas casas honestas, duas casas de palavra. A L&PM, ao lançar Freud em sua coleção de bolso, realiza o grande sonho de Freud de que suas obras fossem de fácil acesso – lembro de uma das maiores emoções de minha vida, ao pisar na Itália pela primeira vez, em Veneza, e me deparar, numa banca de jornal, com a Interpretação dos Sonhos em edição de bolso, traduzida do alemão, ao preço de um jornal – e pensar no triste Brasil tendo que comprar os vinte e quatro volumes, encadernados em capa dura, pessimamente traduzidos do inglês, ainda por cima, para poder ter acesso aos textos. Caríssimo e, pior, com textos completamente adulterados, errados, criminosamente modificados. A Cia. das Letras convidou, para o lançamento de suas edições, o gigante José Miguel Wisnik, a alma querida da Universidade de São Paulo e Caetano Veloso. Maravilhoso! Começo a acreditar que ainda conseguirei ler as obras completas de Freud no Brasil traduzidas honestamente.

Loucoléxico:


Um 1980 ganhei do meu terapeuta o livro do Biswanger: Três formas de la existencia frustada: exaltacion, excentricidad, maneirismo. (Fenomenologia e psicologia).
Chega o tempo de reler alguns livros de psicopatologia humana.

A avó: é do Deus é Amor....


21/03/2010 - 09h41
Menina é "esquecida" no Pinel por 4 anos
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LAURA CAPRIGLIONE
da Folha de S.Paulo
MARLENE BERGAMO
repórter fotográfica da Folha

A menina 23225 --é assim que ela está registrada nos prontuários médicos-- foi internada aos 11 anos no Hospital Psiquiátrico Pinel. "Inteligente, agressiva, indisciplinada, sem respeito, fria e calculista", escreveram dela os que a levaram à instituição-símbolo da doença mental de São Paulo.

Psiquiatras, enfermeiros e psicólogos do Pinel logo viram que o caso de 23225 dispensava internação. Deram-lhe alta. Mas, como a garotinha não tem quem a queira por perto, já são mais de 1.500 dias, ou 4 anos e três meses esquecida dentro da instituição de tipo manicomial.

A menina não é psicótica ou esquizóide; não é do tipo que ouve vozes ou vê o que não existe. Uma médica do hospital resumiu assim o problema: "O mal dela é abandono".

Em termos técnicos, 23225 foi catalogada no Código Internacional de Doenças como sendo F91, que designa transtorno de conduta --desde agressividade até atitudes desafiantes e de oposição.

Miudinha, cabelos cacheados, 23225 tinha apenas quatro anos quando a avó colocou-a em um abrigo para crianças de famílias desestruturadas. O ciúme, diz a mulher, vai acabar com ela. Era só 23225 ver outra criança recebendo carinho e armava uma cena. Jogava-se no chão, chorava. Virou "difícil".

BUQUÊ NO CHÃO

Até os sete anos, a menina não conhecia a mãe, que cumpria pena por roubo e tráfico de drogas. A mulher é usuária de crack. Reincidente, enfrenta agora outra temporada de sete anos atrás das grades.

O primeiro encontro das duas foi um desastre. Uma saía da Penitenciária Feminina, a outra a esperava, vestidinho branco, e um buquê de flores para entregar. A mulher xingou a filha e o buquê ficou no chão.

No dia 8 de novembro de 2005, o abrigo conseguiu que um juiz internasse 23225 na Clínica de Infância e Adolescência do Pinel, voltada para quadros psiquiátricos agudos. Os atendimentos duram no máximo 18 dias e o paciente é logo reenviado para seu convívio normal. Se cada 18 dias contassem como uma internação, a menina 23225 já teria sido internada 86 vezes.

DEITADA NA RUA

"Essa internação contraria toda e qualquer política atual de saúde mental, além de provocar danos irreversíveis, já que [a menina] vivencia cotidianamente a realidade de uma enfermaria psiquiátrica para casos agudos e é privada de viver em sociedade e de frequentar a escola", relatou o diretor do Pinel, psiquiatra Eduardo Augusto Guidolin, em 8 de março de 2007.

À Folha, a avó da menina, evangélica da igreja Deus é Amor, disse que acaba de conseguir um emprego com carteira assinada --serviços gerais, R$ 480 por mês. "Não vou pôr a perder por causa dela".

Certa vez, em fuga do Pinel, 23225 deitou-se no meio da rua em que mora a avó --queria morrer atropelada: "Eu tinha acabado de dizer que aqui ela não podia ficar".

O diretor do Pinel pediu a todos os santos dos abrigos: à Associação Aliança de Misericórdia, Parque Taipas, à Associação Lar São Francisco na Providência de Deus, ao Instituto de Amparo à Criança Asas Brancas, de Taboão da Serra, ao Abrigo Irmãos Genésio Dalmônico, ao Abrigo Bete Saider, em Pirituba, à Associação Santa Terezinha, ao Abrigo Amen-4, entre outros, que arrumassem uma vaga para 23225 viver. A menina moraria no abrigo, poderia frequentar uma escola, e receberia atendimento psiquiátrico ambulatorial em um Centro de Atendimento Psicossocial mantido pela Secretaria Municipal de Saúde.

Não deu certo. Ou os abrigos alegavam não ter vagas, ou diziam não ter vagas para alguém com o "histórico Pinel". Em duas oportunidades, dois abrigos concordaram em acolher a menina. Ela quis voltar para o hospital. Outras tentativas precisariam ser feitas.

PROTESTOS

O médico Guilherme Spadini dos Santos, então coordenador do Napa (Núcleo de Atenção Psiquiátrica ao Adolescente), do Pinel, escreveu ainda em 2005, em um relatório: "O isolamento social é extremamente prejudicial aos quadros de transtorno de conduta. O hospital psiquiátrico não é local para tratamento de longa duração. A paciente precisa ser encaminhada para serviço ambulatorial especializado para continuar seu tratamento e para que se promova sua reinserção na sociedade".

Em 18 de dezembro de 2006, o diretor do Pinel informava que a menina já se encontrava em alta médica havia vários meses, permanecendo na instituição por ordem judicial. "Essa situação permanece porque a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social não consegue nos indicar um abrigo para onde se possa encaminhá-la. [A menina] está sendo privada de uma vida social e educacional a que tem direito, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente."

Em 10 de novembro de 2009, Guidolin endereçou ao procurador regional dos direitos do cidadão do Ministério Público Federal, um ofício em que manifesta "indignação desta equipe técnica que por diversas vezes acionou o Judiciário solicitando a desinternação desses adolescentes que na ocasião precisavam apenas de um abrigo para moradia e dar continuidade a seu atendimento médico ambulatorial. Cabe à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social definir o local de abrigamento."

OUTRAS CRIANÇAS

No mesmo texto, o diretor dizia haver outras crianças "nessa mesma situação".

Em 6 de agosto de 2008, o Pinel enviou ao Judiciário pedido de desinternação de 23225, e de dois outros adolescentes: L. (internado por ordem judicial em 3/2/2005, alta no mesmo ano) e A.C. (internada em 17/ 8/2007, em alta desde 12/11/ 2007).

Segundo funcionários do Pinel, até a última sexta-feira, apenas a adolescente 23255 seguia internada. Agora, a secretaria diz ter encontrado uma vaga para a menina.

Os nomes de 23255 e seus parentes foram suprimidos dessa reportagem, assim como quaisquer referências que permitam identificá-la, em atenção ao que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Outro lado

"Faltam equipamentos do Estado para acolher e fazer o tratamento de pessoas com comprometimento psíquico", disse o Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, juiz da Vara da Infância e da Juventude do Foro da Lapa, que cuida do caso da menina 23225. De acordo com o juiz, ela não tem condições de permanecer em abrigo com outras crianças, sem acompanhamento especial de um cuidador constante. "Quando está em crise violenta, não há como contê-la", disse.

"Já tentamos dois abrigos e o resultado foi muito ruim. Ela quebrou coisas, machucou a si e a outras pessoas. Por isso, foi mandada de volta para o Pinel, onde recebe tratamento segundo as possibilidades do Estado. Nas atuais circunstâncias, o Pinel é o melhor lugar para ela."

Sobre a negativa dos abrigos em receber a menina, o juiz afirmou: "Ninguém a aceita pelo histórico dela".

Ele concorda que toda a situação configura um desrespeito em relação ao Estatuto da Criança e Adolescente, "mas enquanto não houver os equipamentos ou outro lugar, ela tem de permanecer lá. Eu sou inerte. Não posso tomar a frente, tenho que esperar que algum órgão tome a iniciativa".

Secretaria da Saúde

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde, à qual o Pinel está subordinado, disse que "obedece decisão do Poder Judiciário para manter a paciente em sua enfermaria de agudos".

A secretaria e o hospital afirmam que o local indicado pela Justiça não é adequado, uma vez que o transtorno de conduta da paciente não justifica, sob o ponto de vista clínico, uma internação psiquiátrica.

"Tanto que o hospital vem trabalhando no sentido de procurar alternativas de moradia e tratamento da paciente em outros locais, como abrigos e Caps [Centros de Atenção Psicossocial]."

Prefeitura

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social disse por intermédio de sua assessoria de imprensa que a menina 23225, até 2005, estava acolhida em um abrigo. Manifestava "comportamento por vezes agressivo". "Seu atendimento passou a ser isolado, em uma edícula, acompanhada de uma mãe social."

Segundo a assessoria, a secretaria vem buscando desde 2009 atuar "com o Hospital Pinel, a Vara da Infância da Lapa e o Centro de Atenção Psicossocial Infantil", em busca de "um atendimento integral à adolescente". "A secretaria e o abrigo R. conseguiram abrir uma vaga para a menina e já se iniciou o processo de transferência do Hospital Pinel para um abrigo."

sábado, 20 de março de 2010

Arruda no médico...



O petróleo não é nosso....

18/03/2010

Da Mary, Blog A feminista, http//:beauvoriana2.zip.net

Eu não estou entendendo nada dessa discussão do pré-sal. E decerto que o projeto do Ibsen Pinheiro deve ter um monte de problema. Mas pra mim SEMPRE foi tão óbvio que os estados do sudeste tem que bancar uma parte do desenvolvimento do norte e nordeste. Pra mim sempre foi tão palavra de ordem e motivo de passeata que a FIESP tinha que deixar de ser cuzona e mandar dinheiro pra Paraíba. Eu já percebi. Que os paulistas são os mais auto-críticos do Brasil. Porque são mais ricos e daí bate a culpa etc. Pode até ser. Mas nunca pensei que a intelligentsia carioca fosse ser tão bairrista e mesquinha. Na Folha, todo mundo choramingando por conta de Olimpíadas e Copa do Mundo. E eu entendi que o Ibsen quer mudar toda a lei de royalties e tal. E eu sou a favor, claro. Menos se o petróleo for encontrado na Paraíba. Que aí eu torço pra ficar tudo entre paraibanos mesmo. É assim que funciona. O Ibsen lança a lei. O Crivella é contra. E toda essa gente bonita e progressista e estudada do Rio de Janeiro fica CONTRA o Crivella e a favor dos nordestinos que passam fome lá na seca. E junto com todo o Brasil, lançam a campanha pré-sal para um país mais justo. E etc. O rumo que a coisa tomou é totalmente descabido. A discussão, hoje, tem que ser a respeito de como o estado do RJ vai repor o que vai perder com os royalties que já existem e ver se coloca prazo e tempo e etc. Que o dinheiro do pré-sal tem que ser investido nas regiões mais pobres é totalmente indiscutível. Ah. Quanto a lei do Zé Serra. Que o ICMS do petróleo é pago onde ele é consumido. Lei véia que o povo desenterrou pra discutir. Eu sou contra também. Ué. Acho que tá mais que clara a minha posição a respeito de pra onde deve ir dinheiro de petróleo. Pra Paraíba. Etc.



ha ha ha ha Genial!


Do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba
Fonte: fotografia de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem na primeira página da Folha de São Paulo, 16/3/2010.

Sensacional! O Bandido não perdoa! Alguns passam e fingem que não é com eles, vade-retro...mas essa menina da direita, que volta o rosto, está demais. Epifânica criatura!! Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso.
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Comentario:
Que meda do touro, hein?

terça-feira, 16 de março de 2010

Da Mary Blog A feminista

Eu não ia nem assistir Avatar. Eu não me interesso muito por filme de fantasia. E nem me interessava por ficção científica. Cada vez me interesso mais. A nossa sociedade foi ficando tão boba e os anseios ocidentais são tão idiotas que só filmes desse tipo dão conta de retratar toda a estupidez do imaginário.
Eu gostei demais de Avatar, esse é o ponto. Primeiro por conta desse negócio de fazer o avatar dos nativos. E toda essa construção que a gente tem de diferença e igualdade através do corpo. É sempre a partir disso que vamos montando o nosso quadro de afinidades. E aí pra ser na'vi você tem que ser azul. E depois, no final, aquilo de tentar levar a cientista e o Jake pro corpo dos na'vi pra sempre e tal. Veja que eu pensei mesmo que Shrek e mesmo A Bela e a Fera eram um marco da superação do corpo. E volta esse resgate todo e tals. Eu gosto muito disso, de olhar pra isso. Mas o melhor do filme, pra mim, foi constatado a partir de um comentário do meu irmão. Que assistiu comigo. Quando avisam os na'vi que os americanos vão invadir. E eles não temem o suficiente. Meu irmão disse "esses na'vi são uns tontos, eles tem que fugir". E eu acho que esse é o xis da gaita de todos esses filmes a respeito da eliminação sistemática do Outro. É que o Outro nunca tem a menor ideia. Do tamanho da maldade na nossa cultura. O quanto somos capazes de ser maus e de não ter escrúpulo. Acho que a gente relativiza tanto pra dar conta mesmo. Da nossa flexibilização moral. Que é quase infinita. E então ninguém é tonto. Nem na'vi nem Incas nem ninguém. Eles apenas não conseguiram imaginar o tamanho do Mal. Porque é realmente uma construção social muito bem engendrada, a nossa maldade. Ela não é da natureza humana. Nós tivemos um trabalho imenso para construí-la e isso nos tornou imbatíveis mesmo. Todos os confrontos com o Ocidente simulam algum tipo de combate inteligível, né? Então temos os EUA fazendo isso e o Iraque respondendo com aquilo. Uma coisa assim. E de repente. Degringola. Todo mundo se lembra da primeira noite de ataque dos EUA ao Iraque. Aquilo que põe fim a qualquer tentativa de interação etc. É avassalador. E com tudo é assim. A empresa vai lá e conversa com a aldeia de pescador. E o líder dos pescadores fala isso, o porta-voz da empresa fala aquilo. E aí panz. Num belo dia são tratores e motosseras passando por cima. E eu acho que é isso que mais incomoda todo mundo por aqui. A gente sabe que toda negociação, todo diálogo é uma ilusão. E aí aquele chefe dos fuzileiros no filme. Impaciente com a simulação. E ele fica num papel de vilão, mas na verdade é o herói. Porque todo mundo ali conhecia o desfecho e só ele tratava com transparência. Então eu gostei muito de toda essa construção no filme. Que a gente já sabe o desfecho e assiste ele ser adiado e tals. Como todo mundo, eu acho que o final não deveria ter sido feliz. E embora eu ache que ainda é recorrente, discordo demais do "amor pela natureza" como alternativa para a maldade. Parece ser a única que encontramos. E então o final é sempre pobre. Se eu acho que a eliminação do Outro pelo ocidente deve ser ainda discutida, considero que precisamos de outras alternativas para o incômodo. E eu não tenho ideia de qual seria. Os dois focos de resistência "humana"* também me agradaram. A cientista pelo motivo óbvio. O irmão da Phoebe chega a verbalizar. Essa merda paga a sua ciência. E isso é um ponto. Porque essa ideologia de combate à maldade através da natureza, acaba combatendo a própria ciência. A gente sabe que a ciência é o maior pilar do capitalismo e não é possível que ela seja usada para outros fins que não o da eliminação dos obstáculos para o capital. Introdução ao marxismo de boteco, eu sei. Mas é a pura verdade. O Jake porque os motivos dele são todos extremamente individuais. Primeiro ele quer andar. Depois ele se apaixona por uma na'vi. O único papel que vale a pena é o da moça que pilota o helicóptero. Ela seria a única antissistêmica. E veja que ela não fez papagaiada de vestir avatar azul nem nada. Ela apenas se opôs e tal. Como a gente pensa que faz. Nós pensamos que essa lógica da maldade acontece fora da gente e tal. Enfim. Eu gostei do filme por esses motivos. E por aqueles outros. Eu gostei da rede em que eles dormem. E dos troncos da floresta. Achei bonito.


*Na verdade, humanos norte-americanos.

No Maranhão ...

Do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba
Embaixo da ponte inacabada sobre o Rio Formiga, em Paulino Neves, Maranhão. Fotografia de Celso Junior in O Estado de São Paulo, 14/3/2010.

O repórter Marcelo de Moraes foi até Paulino Neves, no Maranhão profundo, e trouxe uma saborosa história no Estadão de ontem. Trata-se da ponte sobre o Rio Formiga, na cidade de Paulino Neves, que liga o nada com coisa nenhuma, o símbolo das obras inacabadas e do dinheiro público desviado. Pois bem. Lá no meio desse lugar comum, cheio de gente sentada à beira do caminho reclamando do governo, dos políticos, do destino, ele encontrou um homem pelo avesso. Trata-se do professor de matemática e de filosofia Camilo Reis. Esse homem não está à espera da conclusão da ponte, esse homem não está paralisado pelos não acontecimentos, esse homem não foi chorar debaixo da cama, esse homem, em suma, é único. Ele fez a travessia do clichê. Ao se deparar com uma ponte que não é ponte em meio às trevas da região, ele inventou de colocar uma mesa de sinuca debaixo do concreto armado. Sensacional! Se é proibido ou não é, se vai dar alguma coisa ou não, se é loucura ou acerto, fica para depois. E aí, sem nada esperar, caminhando nesse terreno minado, eis que o professor recebe uma graça. Chega ao município, com quinhentos anos de atraso, o Programa Luz para Todos do governo federal. E aí, com luz, esse homem levantou um pequeno bar e instalou lâmpadas, ligou uma geladeira e algumas caixas de som. Tudo isso debaixo desse telhado que não é de zinco, mas que permite, à noite, pisar nas estrelas. Sem querer ser exemplo para ninguém, lá vai esse caminhante oferecer cerveja a 3,50 a unidade. Como? Nada a reclamar. Se com a matemática e com a filosofia, vai assim assim, com a sinuca e a cervejinha, quiçá dará para passear por aí ou, nas palavras do próprio professor, “de vez em quando, de noite, o pessoal vem para cá se divertir, beber um pouco, escutar uma música ou nadar no rio”. É isso.

domingo, 14 de março de 2010

Paula Rego, da coleção aborto.

- Hoje é domingo, não é?
- O senhor está tão sério.
- Bebi um pouco. Perdi o bonde. Também a esperança. Não sei como vou chegar em algum lugar.
- Mas, não tenho mesmo com quem falar. O senhor é gente boa. Ouve minha conversa.
- Obrigado, senhor. Como é mesmo seu nome?

Parabéns para você ...

1 mês!

Glauco...

Meu avô Joaquim dizia: "basta estar vivo para morrer". Foi assim que fiquei chocada com a morte do Glauco. Algumas pessoas não podiam morrer tão depressa.

sábado, 13 de março de 2010


Do Blog do Professor Roberto Romano

De Rerum Natura...dá para entender a causa de muitos pesquisadores e docentes torcerem o nariz quando ouvem o nome de Popper...Eles são o dogma !
sábado, 13 de Março de 2010
POPPER SOBRE O ERRO

Excerto do livro "Em busca de um mundo melhor" de Karl Popper (Fragmentos,1989):

"(...) Proponho, pois, uma nova ética profissional, sobretudo, mas não só, para os cientistas da natureza. proponho que ela assente nos doze princípios a seguir enunciados (...)

1. O nosso saber conjectural objectivo vai sempre mais além daquilo que um indivíduo consegue dominar. não existem pois autoridades. Isto é igualmente válido no que se refere a especializações.

2. É impossível evitar todos os erros ou sequer todos os erros em si mesmo evitáveis. são constantemente cometidos erros por todos os cientistas. a antiga noção de que é possível evitar o erro, e que portanto é obrigatório evitá-lo, deve ser revista: ela própria está errada.

3. Naturalmente que continua a ser nossa tarefa evitar, sempre que possível, os erros, mas precisamente para os evitar, temos de compreender antes de mais, muito claramente, como é difícil evitá-los e que ninguém o consegue, inteiramente, não o conseguem também os cientistas criativos, que se deixam guiar pela sua intuição: a
intuição também nos pode induzir em erro.

4. Mesmo as teorias mais bem confirmadas podem ocultar erros; cabe especialmente ao cientista procurar esses erros. a constatação de que uma teoria bem comprovada ou de que um processo de ampla aplicação prática enfermam de erro pode constituir uma descoberta importante.

5. Há, pois, que modificar a nossa atitude face aos nossos erros. É aqui que deve começar a nossa reforma ético-prática. Pois que a antiga atitude ético-profissional leva a que se dissimulem, a que se encubram os erros e a esquecê-los tão rapidamente quanto possível.

6. O novo princípio básico é o de que para aprendermos a evitar tanto quanto possível os erros, temos que aprender precisamente com eles. Encobrir os erros constitui, pois, o mais grave pecado intelectual.

7. Devemos, por conseguinte, procurar constantemente os nossos erros. Quando os detectarmos, há que gravá-los na memória, analisá-los sob todos os ângulos, para irmos até ao fundo.

8. A atitude autocrítica e a sinceridade são, por consequência, um dever.

9. Já que devemos aprender através dos erros que cometemos, devemos igualmente aprender a aceitar, ou melhor, a agradecer que os outros nos alertem para esses erros. se chamamos a atenção dos outros para os erros que cometem, teremos que ter sempre presente o facto de nós próprios cometermos os mesmos erros. E convém não esquecer que os maiores cientistas os cometeram. não pretendo certamente dizer com isto que os nossos erros são, em regra, desculpáveis. o que não podemos é negligenciar a nossa vigilância. Não obstante, é humanamente inevitável continuar a cometer erros.

10. Temos que compreender claramente que precisamos dos outros (e os outros de nós) para descobrirmos e corrigirmos os erros, e, em particular, precisamos daqueles que tenham crescido não só com ideias diferentes mas em ambientes distintos. O que também implica tolerância.

11. Convém que saibamos que a autocrítica é a melhor crítica, mas que a crítica através dos outros é uma necessidade. É praticamente tão útil quanto a autocrítica.

12. A crítica racional deve ser sempre específica - deve indicar as razões específicas por que determinadas afirmações, ou determinadas hipóteses parecem ser falsas e determinados argumentos não parecem ser válidos. a crítica racional deve ser norteada pela ideia de uma aproximação à verdade objectiva. neste sentido, deve ser impessoal.

Peço-lhes que considerem as formulações que acabo de apresentar como simples propostas. elas pretendem mostrar que, mesmo no domínio da ética, se podem fazer propostas discutíveis e susceptíveis de aperfeiçoamento."

Karl Popper

quinta-feira, 11 de março de 2010


Do Blog do Professor Roberto Romano

As artes maquiavélicas
Texto de João Boavida, na sequência de um outro, intitulado As fracturas morais.

Sobre as “fracturas morais” é bom não concluir logo que elas resultam das perfídias modernas, embora também seja. Nós até podemos dizer que a antiga moralidade assentava em bases claras, e que a nova é mais confusa. É assim, mas só em parte. O mesmo se pode dizer de outras “variáveis” do nosso tempo. A verdade, por exemplo. Poderemos pensar que ela era um conceito simples e claro e que facilmente sabíamos quem falava verdade ou quem mentia, quem merecia confiança e quem não era de fiar. Era deste modo, pelo menos, na infância, quando se tratava de saber quem ratara no pudim; o mundo parecia então dividir-se ao meio, quando apanhados nalguma, caindo-nos a culpa em cima com todo o peso. Depois, com o crescer da idade e do conhecimento as coisas complicaram-se.


Nesta questão começa-se sempre pelos sofistas, ou a arte de argumentar a favor ou contra uma tese, hoje, e contra ou a favor do oposto amanhã. E da verdade ser conforme o ponto de vista, o dia e a hora. E, claro, de acordo com quem lhes pagava. Mas veio Sócrates, no século V antes de Cristo, e pôs as coisas no seu lugar com uma descoberta determinante para o futuro da filosofia e da cultura ocidentais. E o que é que descobriu Sócrates? Percebeu o que era uma ideia e como funcionava, compreendeu que a sua natureza era abstracta e a verdade dela universal. Só assim era possível o entendimento entre as pessoas, porque não dependia das impressões de cada um. Há coisas que todos sabemos o que são e outras que dependem dos pontos de vista e dos sentimentos. Uma coisa é a opinião, cada um tem a sua, outra, os conhecimentos seguros que valem para todos.
O nosso grande problema é que quase tudo hoje funciona com base na opinião, que confundimos com a certeza, e a nossa verdade com a verdade mesma e toda, nua e crua. E, pior ainda, misturamos "direito à opinião" com opinião sem direito, isto é, ignorante, criamos uma prodigiosa nuvem de perdigotos morais, meias verdades, meias mentiras, meias tintas, invencionices, malandrices, tolices, que se cruzam, chocam, sobrepõem e substituem constantemente tornando quase impossível encontrar a verdade.

Entretanto, para complicar, desde 1532 que Nicolau Maquiavel ensina os políticos a serem modernos. Não veio ensinar o padre-nosso aos curas, porque estes já o sabiam, mas veio dar-lhes uma legitimidade que passa por cima da moral, criando, digamos, uma nova dimensão para a verdade. E é assim que temos outra vez Sócrates em cena. E uma multidão com ele, de cá e de lá, por todos os lados, porque a verdade tem uma razão política à parte. Ou a política tem uma razão moral que a moral não entende, mas que é muito forte, e sempre foi. O pior, porém, é que, com a liberdade e a massificação, aquilo que na Renascença era arte para príncipes passou a ser usado por muitos outros poderes, pequenos e grandes. Por alguma razão se diz que o poder corrompe. Talvez, mas é verdade para a política em sentido restrito e em sentido lato. Mais uma vez Portugal é um bom teatro com profissionais e amadores de todas as escolas e companhias; em suma, demasiados actores a fazer o papel do político e a usar, sem limites, as artes maquiavélicas

Braziu!

Braziu!

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