TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Nofa!


Do Blog de Roberto Romano: Se o articulista também criticasse a tolice dos jornalistas, o texto seria mais do que perfeito. Como está, é perfeito.

"O jornalismo dos especialistas", Carlos Brickmann, para o Observatório da Imprensa Edição de 29 de março

"Especialista é quem sabe cada vez mais sobre cada vez menos, e no fim acaba sabendo tudo sobre nada".


A definição de George Bernard Shaw hoje é incompleta: especialista também é aquele sujeito que aparece na TV com os botões do paletó explodindo, braços cruzados no peito, olhando bravo para os telespectadores (ou, pior ainda, com condescendência) e dizendo tudo, de lugares-comuns a bobagens, com ar professoral, como se fossem pensamentos originais e profundos. Outro dia, na TV, um desses especialistas com o armário cheio de diplomas e pós-graduações pontificava a respeito da Líbia.

Em sua opinião, melhor do que atacar as tropas de Kadafi seria armar os civis rebeldes, para que pudessem defender-se. Claro: e qualquer cavalheiro que até o mês passado era advogado, jornalista ou professor saberia pilotar um caça supersônico, não é verdade? Ou até mesmo dirigir um tanque pesado.


Pois, se fosse para dar-lhes fuzis e revólveres, a coisa seria diferente: 1 - eles têm fuzis e revólveres, comprados no mercado negro, ou apreendidos nos quartéis que, no inicio da rebelião, conseguiram tomar;

2 - armas leves não adiantam nada, enfrentando blindados e ataques aéreos.

Essa história de chamar os universitários funciona bem no Show do Milhão. Mas sem o Sílvio Santos, fica mais difícil, perde o charme.


Outro dia, uma especialista, professora numa das mais conceituadas universidades do país, disse que o problema da Líbia eram os soldados da vizinha Arábia Saudita que lá estavam para derrubar Kadafi e evitar que os xiitas dominassem os sunitas. Seria uma boa explicação, se pudéssemos esquecer alguns fatos:


1 - Na Líbia, se houver xiitas, são pouquíssimos;

2 - lá não há soldados sauditas;

3 - a Arábia Saudita tem fronteiras com Iraque, Jordânia, Omã, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen e Kuwait, não com "a vizinha" Líbia;

4 - a Líbia fica na África e a Arábia Saudita na Ásia


É ótimo quando o pessoal deixa de inventar e faz apenas o que deve. As explicações de William Waack são normalmente claras e precisas. E, ao contrário de alguns especialistas, não confunde Líbia e Líbano.


O Diário de S.Paulo apresentou duas páginas impecáveis sobre a crise líbia - feitas por jornalistas.

Durante algum tempo, este colunista achou que talvez estivesse implicando demais com os universitários.

Afinal de contas, entre eles há um Mário Sérgio Cortella, divertido, culto, sorridente, capaz de esclarecer sem ser prepotente.

Mas eis que Ricardo Kotscho, sempre direto, matou a charada: ele também não aguenta mais ouvir frases feitas como se fossem gotas de suprema sabedoria distribuídas aos boquiabertos telespectadores. E cita Ivan Lessa, que também não aguenta: a praga da sapiência chegou ao Reino Unido.


As equivalências Há pouco tempo, ainda irritado com a decisão brasileira de apoiar as investigações sobre direitos humanos no Irã, um Mestre (dos mais antiimperialistas) desferiu aquela frase que imagina definitiva, comparando a situação iraniana àquela coisa horrorosa da PM, que jogou spray de pimenta numa criancinha.


Claro, a situação de direitos humanos no Brasil é terrível; só que o desrespeito aos direitos humanos não é política de Governo. Pode haver, e há, agressões a gays - mas não há leis que determinem a pena de morte aos homossexuais. Também não há, entre nossas autoridades, quem diga aquela besteirada iraniana de que lá não existem homossexuais. Pode haver, e há, assassínios cometidos por agentes governamentais, mas são crimes, e não estão amparados pela lei. Os idiotas bárbaros que jogaram spray de pimenta na criancinha (bem como os selvagens que atiraram no garoto, em Manaus) são criminosos, sujeitos a processo, e não heróis nacionais.


Há mulheres agredidas (e a Lei Maria da Penha, para vergonha nossa, é ainda recente), mas Sakineh é um evento iraniano, não brasileiro. Aqui não existe pena de morte nem de lapidação. E sexo entre adultos, de comum acordo, não é um assunto de Estado.

Talvez alguém despreparado possa confundir as situações. Mas um professor universitário, com todos os MBAs e PhDs que as universidades podem oferecer?


As profissões


O problema é que os meios de comunicação estão confundindo as coisas: professores e especialistas têm de ser utilizados sempre que possível, mas para que o jornalista ganhe precisão e conteúdo na matéria que está preparando. Não pode haver uma substituição. Repórter não é o sujeito que sabe tudo: ele precisa apenas ter o telefone de quem sabe e dispor de cultura geral suficiente para entender as explicações técnicas.

Raríssimo é o repórter que pode escrever sobre física quântica sem assessoria especializada; e mais raro ainda é o especialista em física quântica que consegue traduzir seu conhecimento para que seja entendido pelos consumidores de informação. E é preciso tomar cuidado para evitar que o espaço noticioso seja monopolizado por quem sabe tudo sobre o Kama-Sutra, mas nunca viu gente pelada.


A ficha do Supremo


Muita gente ficou indignada com a decisão do Supremo segundo a qual a Lei da Ficha Limpa não poderia ter entrado em vigor nas últimas eleições, por desrespeitar o artigo da Constituição que impede que modificações nas leis eleitorais entrem em vigor a menos que a eleição seguinte ocorra no mínimo um ano depois. Há dois fatos a analisar: primeiro, o dispositivo constitucional; segundo, a tentativa de tutelar o voto da população. Acusa-se o Supremo de, por um voto de vantagem, desrespeitar a vontade do eleitorado.


Só que o Supremo não tem de respeitar ou desrespeitar a vontade do eleitorado: tem de verificar se a lei está ou não de acordo com a Constituição. Segundo, que história é essa de desrespeitar a vontade do eleitorado? O eleitor votou em Jader Barbalho, sim; esta foi sua vontade.

A opinião deste colunista sobre Jader Barbalho não tem a menor importância: importante é a opinião da maioria do eleitorado do Pará. João Capiberibe, no Amapá, teve mais votos do que Gilvan Rocha; a vontade do eleitorado local, certa ou errada, é tê-lo no Senado, enquanto Gilvan perdeu as eleições.


Os meios de comunicação jogaram para a arquibancada. Colocaram-se como paladinos do combate à corrupção, com a Constituição ou contra a Constituição.


Faltou noticiar o fato principal: havia, na Constituição, desde 1988, um dispositivo que provavelmente faria com que a Lei da Ficha Limpa fosse viável apenas nas eleições de 2012. Esquecer este fato foi faltar ao compromisso jornalístico com Sua Excelência, o consumidor de informações.


Perguntar não ofende 1 - Por que, numa manifestação pacífica, com ampla presença de crianças, a PM fluminense tinha à disposição sprays de pimenta?

2 - Por que, no caso de barbárie explícita ocorrido em Manaus, a notícia de que um jovem de 14 anos sem qualquer antecedente foi alvejado várias vezes, ficou alguns meses na gaveta? Por que o caso escandaloso demorou tanto tempo a ser divulgado?

3 - Por que os meios de comunicação, até o momento em que esta coluna era escrita, não levantaram as estatísticas de "mortes por resistência à prisão", diante da evidência de que, pelo menos no caso deste garoto, a alegação era falsa?

4 - Em outubro do ano passado, a Rota, polícia de choque da PM paulista, distribuiu títulos de Amigo da Rota a uma série de empresas, "por sua colaboração". Entre elas, quatro grandes cervejarias: Ambev (Brahma, Antarctica, Skol e outras), Schincariol (Schincariol e Devassa), Femsa (Kaiser) e Heineken. Esta coluna perguntou, várias vezes, que colaboração foi essa que mereceu um gesto público de gratidão. Terá sido alguma doação em dinheiro? Tudo bem: faz parte do jogo, desde que esteja legalizada.

Fardamento, armas, veículos? A Secretaria de Segurança Pública paulistana, a Polícia Militar e a Rota jamais responderam. Agora, que a Secretaria tem um serviço eficiente de assessoria de imprensa, profissional e bem-feito, que tal contar que colaboração foi essa?


Tarda mas não falha


Embora, como dirá qualquer especialista, Justiça que tarda já falhou. Veja este caso, que interessante: o Superior Tribunal de Justiça decidiu por unanimidade que as alíquotas da Resolução CIEX 02/79 podem ser adotadas para o cálculo do crédito-prêmio do IPI. Até aí, tudo bem. Mas a questão foi levada à Justiça em 1969 e resolvida em 2011. A definição demorou 42 anos!


A propósito, este colunista certamente fez uma pesquisa falha. Não encontrou nenhuma crítica nos meios de comunicação à demora em decidir o caso. Loucura geral Um anúncio via Internet chama a atenção: uma empresa chamada ImportBR oferece "o melhor programa de gravação de conversas em celulares", em que "nada fica registrado ou aparece no celular espionado".


A empresa aponta, como CNPJ, o número 00.873.512/0001-62. Anúncio falso ou não? Este colunista não tem a menor idéia e não vai colocar seu computador em risco de vírus tentando comprar um programa ilegal. Mas anunciar isso é uma pouca vergonha, na melhor das hipóteses. Alô, Polícia!


Enxerimento


Mais uma reportagem inteiramente baseada nos rendimentos de um técnico de futebol - e o técnico palmeirense, Luís Felipe Scolari, explosivo, diz que vai caçar "até no inferno" quem divulgar seu salário.

Os colegas jornalistas que desculpem este colunista, mas Scolari está coberto de razão.

Ele não recebe dinheiro público. Como cidadão, fez um acerto com uma entidade privada e, tirando ele, o clube e as autoridades da Receita, ninguém tem nada com isso.

Se ganha mais do que o time inteiro do Xaxupiranga, isto não é problema nem do consumidor de informação nem do repórter: no máximo, do Xaxupiranga e seus jogadores. Felipão, campeão do mundo com a Seleção brasileira, técnico com boa campanha na Seleção portuguesa, amplamente vitorioso na profissão, é um astro, e tem de ganhar mais do que quem não é astro. Quanto? Quanto conseguir; quanto um clube ou federação estiver disposto a pagar. Ninguém é obrigado a contratar um técnico do nível salarial de Felipão, ou de Mano Menezes, ou de Muricy Ramalho, ou de Vanderlei Luxemburgo. Há outros técnicos no mercado que, por uma série de circunstâncias (até por não terem ainda atingido o estrelato, custam menos.


O Corinthians já foi bicampeão paulista com Rato, técnico dos juvenis, no comando do time profissional; e também com o estreante Eduardo Amorim. O Flamengo foi campeão com o estreante Andrade. É questão de opção, apenas isso. Quanto às matérias sobre salários, além da invasão da intimidade do assalariado, trazem um risco extra: expô-lo, e expor sua família, à ação de criminosos. E para que: para defender uma tese ridícula a respeito de custos, tão científica quanto aquelas que provam que determinado time perde sempre que enfrenta outro cujo goleiro tem o nome iniciado pela letra M? Não esqueçamos: a mãe de Robinho foi sequestrada exatamente quando a imprensa começou a divulgar que os salários do jogador estavam crescendo.


Gringo é rei


A imprensa deu quase sem críticas o estupro à soberania brasileira que foi a ação dos seguranças americanos na visita do presidente Obama. Mas aí ainda se pode encontrar alguma explicação - esdrúxula, mas existente. Duro mesmo é o caso Shakira: a Polícia brasileira, em massa, protegendo o hotel paulistano em que se hospedava a cantora colombiana. E protegendo do que? De quinze ou vinte fãs que queriam vê-la e pedir autógrafos, essas coisas perigosíssimas. OK, a gente entende, é mais confortável ficar parado na porta de um hotel de luxo do que fazer ronda nas perigosas ruas da cidade. Mas isso tem de mudar. São Paulo, imagina-se, é uma cidade cosmopolita. Se a cada gringo ilustre que a visitar a população tiver de mudar seus hábitos e evitar lugares bloqueados, as coisas na cidade vão ficar cada vez mais difíceis. Como...


De um grande jornal: "Eagle que caiu na Líbia lançou antes duas bombas de 500 toneladas". O problema é que o peso máximo de decolagem do Eagle é de 31 toneladas - o que inclui armamento, o avião, o combustível, os pilotos. Como colocar mil toneladas de bombas aí dentro é um mistério! ...é... De uma nota oficial do Ministério da Justiça:


"Prorrogado prazo para participação em prêmios sobre tráfico de pessoas" Antigamente essas coisas não davam prêmio, não: davam é cadeia. ...mesmo?


De um grande jornal regional: "Teve início nesta terça-feira as aulas do curso em malha para bebê" Lembra quando havia concordância e o predicado concordava com o sujeito?


Mundo, mundo


É uma notícia inacreditável: trata normalmente de uma tentativa de burla à lei do país, como se nada houvesse de estranho; e, como o título não cabia, foi cortadinho até entrar no espaço. Mais ou menos como o Crime da Mala.


Primeiro, o título: "Primeira-dama Guatemala pede divórcio para disputar presidência"

Agora, a tentativa de burla: Como esposa é parente, a primeira-dama não poderia ser candidata à Presidência da República. Então, forja-se um divórcio e, como ex-primeira-dama, talvez consiga convencer o Judiciário de que está agindo de boa-fé. Não parece um país mais ao Sul, que conhecemos tão bem?


E eu com isso?


Maremoto, tsunami, Líbia, terrorismo - tudo pesado demais. É preciso saber de coisas mais leves. De Maísa, por exemplo, ou de Charlie Sheen (Charlie Sheen, leve? Vá lá). Ou ainda de um vídeo de casamento que rendeu processo.

1 - Menina Maisa cozinha brigadeiro na TV e fala da carreira

2 - Ex-namorada de Lindsay Lohan é vista aos beijos com outra garota

3 - Fotógrafo flagra casal de sapos em ato sexual

4 - Cinegrafista é condenado após fazer "pior vídeo de casamento do mundo" Ele caprichou: todo mundo de costas, filmados da cintura para baixo. Até que vai pagar pouco: R$ 1.600 de multa.

5 - Revista italiana flagra beijo de Pato e filha de Berlusconi Se ela puxou o pai, ele não terá preparo físico para jogar bola.

6 - Amy Winehouse é clicada descalça na rua em Londres

7 - Croatas esquiam montanha de cueca

8 - Ivete Sangalo vai casar com pai de seu filho em abril

9 - Charlie Sheen perdeu a virgindade com prostituta 10 - Eu fazia sexo 20 vezes por semana", diz Russell Brand

Dizem que ele também mentia muito.


O grande título


Há dois excelentes títulos nesta semana - mas o vitorioso é óbvio. É impossível concorrer com ele. Comecemos pelo segundo lugar: Comida: País deve passar EUA em consumo de café Este colunista é do tempo em que café se bebia. E o grande, imbatível título: Embaixador dos EUA requerido pré-posicionado de Armamento para ajudar golpistas; Reconhecido operações encobertas apoio as manifestações de rua, as forças cívicas e grupos de resistência Eis uma legítima Tradução do Google Doido, só que foi publicada como título normal. Haverá alguém que consiga entender o que está dito? (e-mail: carlos@brickmann.com.br)
Imagem: Glosblau
Segue o teu destino,

Rega as tuas plantas,

Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra

De árvores alheias.

A realidade

Sempre é mais ou menos

Do que nós queremos.

Só nós somos sempre

Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre

Viver simplesmente.

Deixa a dor nas aras

Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.

Ela nada pode

Dizer-te.

A resposta

Está além dos deuses.

Mas serenamente

Imita o Olimpo

No teu coração.

Os deuses são deuses

Porque não se pensam.


Ricardo Reis, 1-7-1916

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sob os céus da Africa, Miriam Makeba


Salve, Chico Cesar!




Mama Africa ... Grande Chico César!



DUKE

Nani

Foto de Orlando Pedroso, do Blog do SOLDA

Marco Jacobsen

Do Solda aqui

Apontamento malaguenho

por Rui Bebiano, Portugal, Blog A terceira noite AQUI


Queridisimos intelectuales (del placer y el dolor) é um documentário que obviamente não vi, estreado ontem no Festival de Cinema de Málaga no qual certamente não estive. Dele retenho, por isso, apenas os ténues ecos, frases soltas, que chegam com as leituras em roda livre das três da madrugada. Eles contam que o filme cola intervenções avulsas, aparentemente incoerentes, de intelectuais espanhóis contemporâneos. Guardo duas. A primeira é de Carlos Moya, não o ex-tenista de sucesso mas o sociólogo emérito, que declara ter sido o haxixe, durante os anos sessenta, «a quinta coluna do Islão» no Ocidente. Fica a boutade, para reflexão eventual e memória futura da mesma.


A segunda intervenção que retenho é a de Santiago Carrillo, e nela o velho resistente, o antigo secretário-geral do PCE, afirma que durante a Guerra Civil espanhola teve lugar «uma explosão de liberdade sexual». Esta «liberdade sexual» nas diversas frentes de combate deve ser relativizada mas foi real. Ela serviu à propaganda do franquismo, aliás, para mostrar a «imoralidade» dos republicanos, apresentados por vezes como vivendo em permanência entre Sodoma e Gomorra. Veja-se, como exemplo, a descrição dos republicanos «bolcheviques e jacobinos» traçada no conhecido filme de propaganda L’assedio del’Alcazar, rodado em 1940 por Augusto Genina.


Sem querer ser simplista, julgo no entanto poder dizer, em abono da frase de Carrillo, que uma moral sexual mais rígida, fundada na condenação de ligações múltiplas, descomprometidas e fora do casamento, foi sinal, apenas sentido a partir dos anos quarenta, de uma regressão do franquismo em relação a práticas anteriores, historicamente comprováveis, que admitiam realmente uma menor rigidez no campo da sexualidade. Algo de semelhante se passou aliás em Portugal, com o recuo imposto durante o salazarismo de uma vivência social, sob este aspecto razoavelmente aberta, que havia sido posta em prática em determinados ambientes durante a Primeira República.


Por outro lado, e esta é uma constante intemporal, a guerra intensa, e a guerra civil é uma guerra de elevadíssima intensidade, funciona sempre – como sabe quem alguma vez a viveu e os livros nos contam vezes infinitas – como um poderoso afrodisíaco. Debaixo da sua influência, os «factos da vida» acontecem então por si, mais naturalmente, por vezes violentamente, quase sempre com urgência. E nem entre os franquistas ela esteve ausente, como o comprovam diferentes testemunhos. Por isso a frase de Carrillo só pode admirar quem ande um tanto distraído ou esteja, com falta de tempo, à procura de um título para uma breve nota de reportagem. Provavelmente foi isto que aconteceu. Com êxito, pois foi ela que me chamou a atenção durante a leitura-relâmpago desta noite.

Alencar


Sublime, Joana!


Síndrome do lacaio por Joana Lopes, Portugal, Blog ENTREAS BRUMAS DA MEMÓRIA AQUI


A síndrome do lacaio é uma doença do século XXI, que explica o embrutecimento das multidões, a inércia face ao aumento das injustiças e a generalização do egoísmo social.


O lacaio tem um comportamento patológico que o faz defender sempre as classes mais favorecidas, com prejuízo daquela a que pertence. Não tem consciência política e age sempre a favor dos que o exploram, na esperança de atrair benevolência.


O lacaio não escolhe gostar dos ricos (gosta deles precisamente porque é lacaio) e considera que o dinheiro que lhe faz falta é muito mais útil nos cofres de quem os tem já cheios. O lacaio ou herda a sua condição (depois de tantos séculos de escravatura e de feudalismo, pode ser que exista já uma transmissão genética...) ou sofre de uma patologia que se desenvolve desde a infância mas se agrava quando o sujeito toma consciência da mediocridade da sua condição.


O lacaio desenvolve estratégias inconscientes para estabelecer um equilíbrio cognitivo que ajude a justificar a aceitação da subordinação e a sublimar a desilusão.


O lacaio tem um vago sentimento de injustiça, mas convence-se que está do lado correcto da barricada e encaixa maravilhosamente medidas de austeridade ou restrições de liberdades. É a favor da existência de câmaras de vigilância, mesmo que estas não o protejam do que quer que seja.


O lacaio sente-se perfeitamente seguro pela pertença a uma classe social a que é perfeitamente estranho e considera-se integrado no conjunto de 1% dos cidadãos privilegiados do seu país – tal como 20% dos seus compatriotas, lacaios como ele. (A partir daqui)

Hoje estou me sentindo ungida!


Sabe aquela noite que você chega em casa muiiito cansada, gripada e de saco cheio? Você senta no sofá, olha ao léu e quer que tudo pare? Mas, você tem um texto para enviar amanhã cedo. Tem que ler os e-mails. blá blá... E você servilmente - como um carneiro derrotado - levanta e vai ler suas mensagens. E...e ... uma alegria! Então, você lê as mensagens trocadas por pessoas que chegam à sua internet. E VOCÊ DIZ: DEUS EXISTE! ALELUIA! As vezes, a vingança vem por meios bem distantes e você somente se delicia sem por as mãos na merda.

Libia


REBELDE por Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba aqui

Fotografia Reuters in The Telegraph, Londres, 29/3/2011.


No meio do caminho em Wadi al Hamra, na Líbia, ele, um rebelde descalço, se ajoelha e ora. Lá de cima, o satélite aliado congela a imagem, a reproduz e ela vira o centro da missão. Há que substituir urgente o objeto da adoração, pagão. Que este homem seja logo convertido, ba-ti-za-do, e vire chapeiro do McDonald's. Ou como aquele brasileiro matuto cantou, empacotador das Casas Bahia. Irmão, a liberdade está chegando. Você será salvo.

terça-feira, 29 de março de 2011

Radiografia de um puxa-saco



Marco Jacobsen

Mãe é mãe!


Na Inglaterra


Multidão protesta em Londres contra cortes nos serviços públicos

Cap-tirado do Blog do Saraiva aqui

Mais de 300 mil pessoas foram às ruas da capital britânica neste sábado para se opor aos planos do governo de cortes de gastos públicos, na maior manifestação popular do gênero em décadas. “Eu nasci em 1945, no final da guerra, então eu cresci com educação pública e gratuita, eu fui para a universidade, eu tive acesso à saúde pública por toda minha vida e tudo isso agora está indo com os planos do governo, que são um assalto ideológico à esfera pública”, disse à Carta Maior a professora Harriet Bradley, da Universidade de Bristol. Na maior manifestação popular vivida na capital britânica em uma geração, uma multidão estimada em mais de 300 mil pessoas superlotou as ruas dos quarteirões políticos mais importantes de Londres neste sábado, três dias depois de o governo anunciar o orçamento para o próximo ano fiscal, com mais de 30 bilhões de libras em cortes nos gastos públicos. A caminhada – que durou mais de cinco horas e superou de longe a expectativa inicial dos organizadores – teve como objetivo demonstrar oposição às medidas de austeridade defendidas pela coalizão governista. A maior manifestação coordenada por um sindicato em duas décadas no país trouxe pessoas de todas as partes, em mais de 600 ônibus fretados e até mesmo trens. Estima-se que a demanda por transporte para Londres tenha superado a oferta, limitando o comparecimento dos ativistas. “Foi fantástico”, disse Paul Nowak à reportagem de Carta Maior, sentado ao lado do palco montado no Hyde Park para abrigar o ápice do evento e o fim da marcha. O dirigente da Trades Union Congress (TUC), central sindical que organizou a manifestação, comemorava a presença de “pessoas que nunca estiveram antes em uma manifestação política em suas vidas, dizendo em uma só voz que os cortes não são a cura”. Quem percorresse o percurso da manifestação poderia testemunhar os motivos da alegria de Nowak. Assombrosa em diversidade, a Marcha para a Alternativa era composta de aposentados a estudantes, passando por famílias empurrando carrinhos de bebê. Muitos deles tendo viajado horas para estar lá. Eram 4,5 mil policiais e seguranças contratados pela TUC, trabalhando mais para orientar o público do que para manter a ordem. “Tivemos um quarto de milhão de pessoas e quase nenhum problema”, afirmava uma postagem em uma página especial montada na internet pela polícia para se comunicar com os manifestantes. Às 11h da manhã, uma hora antes do combinado para o início da manifestação, os organizadores enviavam mensagens pela internet pedindo que as pessoas que ainda não tinham chegado procurassem desembarcar em estações de metrô diferentes a fim de evitar aglomeração. Eram 15h30 quando os organizadores anunciaram que as últimas pessoas estavam finalmente passando pelo ponto de partida. O peculiar senso de humor britânico permeou toda a marcha. Dois ativistas construíram uma réplica de um tanque de guerra de cerca de dois metros e meio por três. Pintaram o símbolo da paz nas laterais do carro e desfilavam, empurrando o veículo da “guerra contra os cortes” tal como Fred Flintstone e Barney Rubble, do desenho animado da Hanna-Barbera. Até música tinha a invenção, e a trilha sonora variava de temas de filmes de guerra antigos a uma sugestiva Let's Lynch The Landlord, da clássica banda punk californiana Dead Kennedys. “Estou marchando pois acredito que esses cortes vão destruir tudo de bom que existe em nossa sociedade”, disse Harriet Bradley, professora na Universidade de Bristol, a 170 quilômetros a oeste de Londres. Sentada ao pé de um monumento para recuperar o folêgo quando a manifestação já andava a mais da metade de seu percurso, ela se mostrou feliz com o a quantia de pessoas na marcha, porém temerosa com o futuro do “estado de bem estar social que foi construído depois da guerra e que é o nosso orgulho e alegria”. “Eu nasci em 1945, no final da guerra, então eu cresci com educação pública e gratuita, eu fui para a universidade, eu tive acesso à saúde pública por toda minha vida e tudo isso agora está indo com os planos do governo, que são um assalto ideológico à esfera pública”, afirmou Bradley. Assim como uma boa parte do público, que carregava cartazes propondo uma greve geral, Bradley acredita que é preciso fazer mais que isso para impedir o avanço das reformas conservadoras. Sam (que não forneceu o sobrenome), um norte-americano aposentado que mora em Liverpool e milita no Keep Our NHS Public (Mantenha o nosso Sistema Nacional de Saúde Público), segurava uma faixa em defesa do sistema de saúde britânico. “Eu sei como é quando o sistema público de saúde é destruido”, disse. “O NHS foi uma das grandes conquistas do últimos 100 anos e a idéia de os serviços de saúde serem providenciados através do mercado é uma besteira completa – eu desafio qualquer um a mostrar evidências de que o mercado pode fornecer um serviço melhor do que o setor público”, diz referindo-se ao sistema no seu país natal. Sam acredita que os movimentos populares estão começando a se organizar e essa é a única solução possível para pressionar o governo a mudar os planos de privatização do sistema de saúde. Ele vê uma relação entre os movimentos populares que começam a se manifestar nos EUA e na Inglaterra, muito em função do que ele considera uma postura do Partido Trabalhista (Grã-Bretanha) e do Partido Democrata (EUA) de virar as costas para o povo. Certamente uma opinião não compartilhada pelo líder dos trabalhistas, o oposicionista Ed Miliband, Ele subiu ao palco no Hyde Park para um discurso e atacou o governo. “Sabemos o que o governo vai dizer: que essa é a marcha da minoria. Eles estão errados”. Miliband, assim como boa parte da manifestação, usou de uma expressão cunhada pelo primeiro ministro para descrever o que irá substituir os serviços públicos quando eles se forem – A Grande Sociedade, composta por pessoas das comunidades em trabalhos voluntários. “Vocês queriam criar a “grande sociedade” - essa é a grande sociedade. A grande sociedade unida contra o que esse governo está fazendo nesse país”. A manifestação, pacífica em sua grande maioria, parecia estar pronta para um desfecho perfeito por volta do final da tarde. Manchetes de jornais estariam todas disponíveis para o dia em que a política voltou às ruas de Londres. Os problemas porém vieram. E embora não tenham relação com a marcha da TUC, certamente roubaram as grandes manchetes que os ativistas já podiam antever quando o mar de descontentamento pacífico inundou as ruas do West End de Londres a partir de Embankment. Ativistas que organizaram manifestações paralelas se reuniram no centro comercial londrino, a rua Oxford. Por volta das 15h, a concentração era tamanha que algumas das lojas que foram alvos de ativistas no passado resolveram fechar as portas temporariamente. Pouco mais de uma hora depois, funcionários seriam liberados de lojas como Top Shop, que haviam dado o dia como encerrado, diante de milhares de anarquistas e estudantes concentrados na região. Algumas lojas tiveram vidros quebrados e foram atacadas com tinta. Manifestantes da UK Unkut invadiram a Fortnum and Mason, uma luxuosa loja de departamentos próximo a Picadilly. Cantando palavras de ordem e exigindo que a empresa contribuisse com mais impostos para a sociedade inglesa, a UK Uncut obrigou a loja a fechar as portas. Embora aleguem não ter destruido nada, alguns manifestantes foram presos pelo batalhão de choque que os esperava na porta. “Isso não tem nada a ver com a marcha”, disse Nowak, defendendo a manifestação pacifica. “Esse foi um evento onde as pessoas trouxeram as suas famílias”. Perto da meia noite, a BBC ainda transmitia ao vivo da praça Trafalgar, onde uma centena de manifestantes ainda estava reunida e policiais agiam para retirá-los do local. Ao todo, ao longo do dia, mais de 200 manifestantes foram presos. By: Wilson Sobrinho, correspondente da Carta Maior em Londres

Mi(r)dia


Além do pornojornalismo sobre o Japão, é clara a outra safadeza: bancos que roubam moradores de suas casas. Terça-feira, 29 de Março de 2011

GRANDES ERROS: NUVEM RADIOACTIVA CHEGA A PORTUGAL


por Carlos Filhais, do Blog Rerum Natura aqui


O "Correio da Manhã" de hoje titula hoje na primeira página "Nuvem radioactiva chega a Portugal", afirmando que "foram detectadas" partículas radioactivas nos céus dos Açores. A notícia tem um pequeno problema: não foram detectadas nenhumas partículas! A nova "onda de medo" foi criada a partir de uma informação de um investigador da Universidade dos Açores, que fez um cálculo - uma modelação computacional com uma enorme margem de incerteza - do espalhamento de partículas do ar do Japão dizendo aquilo que ele e toda a gente minimamente informada já sabia: que há circulação do ar no planeta. Portanto, é possível e até provável que uma ou outra partícula radioactiva apareça na alta atmosfera em qualquer sítio do mundo. Podem vir de Fukushima, ou podem vir de testes nucleares, ou podem até ser absolutamente naturais. Do mesmo modo, é não só possível como provável que eu esteja a respirar neste preciso momento uma molécula de dióxido de carbono do último bafo de Júlio César depois de dizer, na versão de Shakespeare, "Et tu Brute?" (sim, já alguém fez as contas, que são muito mais simples e precisas que as do modelo açoriano!). E depois? Hoje de manhã bebi leite dos Açores e comi torradas com manteiga açoriana a vou continuar a fazê-lo tranquilamente. As notícias sobre a nuvem radioactiva nos Açores são um completo disparate: os comentários feitos on-line por alguns leitores sobre o brilho de Pauleta no escuro não passam de piadas de humor negro, ou, se quisermos. de mau gosto, pois Pauleta brilha mesmo sem ser no escuro.


Posted by Carlos Fiolhais Blog Rerum Natura, Portugal


Labels: erros, física

Nos pobres porrada, eis o Braziu!


Atitude covarde e desnecessária do Blog de Roberto Romano

Foto de Pedro Kirilos.


Capitão da PM Fluminense jogando um spray de pimenta nos olhos de uma garotinha. Rio de Janeiro, 2011. Esta imagem foi feita na última quarta-feira, dia 23 de março de 2011, pelo fotógrafo Pedro Kirilos, do jornal “O Globo”, durante um protesto contra o atraso no pagamento do aluguel social para desabrigados das chuvas de 2010 . A foto mostra bem a atitude covarde e desnecessária de um capitão da PM Fluminense, que jogou um spray de pimenta nos olhos de uma garotinha. Esse mesmo policial atingiu um homem com o jato do spray, causando uma inflamação no olho do manifestante, que deverá usar óculos escuros por uma semana, inclusive durante a noite. O policial foi afastado e responderá a inquérito.

segunda-feira, 28 de março de 2011


Son Salvador

Sponholz

Poizé!


Sponholz

Humberto

Nani

...

Blog do SOLDA aqui
Solda, Censura e Neoliberalismo, ou “El presidente y los macaquitos"

Desenho de JBosco


Quando afirmo que há menos liberdade hoje do que no tempo da ditadura militar, sempre há quem me chame de pessimista, entre outros adjetivos bem mais pesados. No entanto, aí está o “Caso Solda” prá mostrar que tenho razão. O que os militares faziam prendendo e arrebentando – na expressão consagrada de um deles, que já esqueci quem era – agora se faz por procedimentos jurídicos e econômicos, sacaneando quem ousa extrapolar da passividade generalizada, com demissão. Não lembro se o Solda foi censurado durante as quase três décadas de regime ditatorial – para agora ser vitimado, em pleno século XXI, pela mais tosca e safada das pressões: aquela que atinge o indivíduo em seu sustento. Nos anos setenta, Umberto Eco, um dos “professores da modernidade”, escreveu uma de suas muitas obras-primas que abriram a cabeça do mundo para os fenômenos da contemporaneidade. Em “Obra Aberta”, ele assinala que as obras mais importantes da História da Arte são ambíguas em seu recado. O sorriso da Gioconda, um edifício de Mies van der Rohe, um filme de Godard (exemplos meus): quem vê, conhece, assiste, atribui à obra significados que não estão necessariamente na intenção do autor, mas em grande parte – variando de zero a cem por cento – no repertório cultural, nos valores do leitor. Para além da excepcional qualidade do desenho inconfundível do Solda, que o coloca entre os maiores cartunistas brasileiros de todos os tempos, o cartum censurado contém ambigüidades, como deve ser uma obra não fechada e não hermética. E portanto, na ótica de um pensador acima de qualquer suspeita como Eco, tem a qualidade de permitir que os leitores vejam nela significados em que o próprio Solda não pensou nem poderia ter pensado, visto que dependem do acervo do leitor. A legenda, que remete ao gesto do macaco, participa dessa ambigüidade. As acusações contra o Solda são de racismo e abuso da liberdade de expressão. As duas são ridículas: liberdade de expressão, como qualquer outra liberdade, existe ou não existe; se existe é para ser usada. Lá nos tempos ditatoriais, Millôr Fernandes disse que “só jornais mentirosos, escandalosos, corruptos e caluniadores nos dão a medida da nossa liberdade de imprensa”. Quer dizer: se há limites, não há liberdade. Quanto à acusação de racismo, ai que cansaço: o Solda, se tem alguma intolerância, é contra qualquer tipo de preconceito. Acusá-lo disso é apenas mais um imbecilismo do “politicamente correto”, uma farsa, destinada a gerar causas e processos e deixar tudo igual. Ou pior. Qualquer macaco velho com a folha de serviços do Solda, sempre batalhando por uma Justiça de verdade, sabe que levar porrada faz parte do ofício de quem ousa ser contra a subserviência ao autoritarismo. Humor a favor não existe, a não ser como piada. A própria atitude do jornal, não dando explicações, é no melhor estilo autoritário, “fi-lo porque qui-lo” Ninguém se refere ao tema do cartum, que é a revolta planetária contra a facilidade com que o xerife saca seus mísseis e mariners contra os mais fracos – entre os quais nós, bananeiros. Pelo menos os que não acreditamos nessa conversa prá macaco dormir de “sétima economia do mundo”. Pensando bem, sete é mesmo conta de mentiroso... Continuamos sendo tratados com condescendência, como macaquinhos de zoológiconos dão umas bananinhas nanicas prá acharmos que a jaula é melhor que a floresta. Liberdade de expressão, liberdade de imprensa – banana prá quem acredita que isso existe em “democracia” neoliberal...


Key Imaguire Jr. (arquiteto e professor)

Isso


RUMO À ESTAÇÃO ISSO por Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba aqui


A escritora libanesa Joumana Haddad em fotografia de divulgação. No indispensável Ela do jornal O Globo do último sábado, a imprescindível Bety Orsini trouxe pela mão Joumana Haddad. Olha, eu não peço mais que imitem o Ela. Só peço que o imprimam igualzinho. Que os jornais casmurros de São Paulo o façam – afinal de contas o jornal do futuro já não traz só para os leitores da capital o suplemento The New York Times? Ora, ora, o que é este suplemento comparado ao Ela? Nada. Que meu Diário da Manhã de Carazinho o faça. Já imaginaram o que será de Carazinho com Ela? E que Curitiba um dia viva para sempre com Ela. Curitiba com Ela seria uma epifania. Para uma cidade acostumada com a importação de colunistas e artigos de São Paulo – seria o eco da antiga província em relação à capital? - imprimir o Ela inteiro não custa muita coisa, custa? No mínimo seria trocar São Paulo pelo Rio de Janeiro. Que alívio! Bom, como eu estava dizendo antes de sonhar, esta querida Joumana Haddad, esta linda libanesa, dengosa autora do recém-lançado “Eu matei Sherazade” (editora Record), falou muitas coisas. Falou de sua infância triste, do colégio de freiras em que passou 14 anos enfurnada onde ela brilhantemente resumiu todo o ensino que recebeu em uma frase: “Agora você executa as ordens, depois, enventualmente as contesta”. E aí ela fala de seu encontro com Sade, com “Justine”, e do modo como essa leitura foi seu batismo na subversão. A entrevista termina com Joumana dizendo que ser árabe hoje significa “dominar a 'arte da esquizofrenia', significa que você tem que ser hipócrita, que sua vida, suas histórias têm de ser abafadas, tolhidas e codificadas: reescritas para agradar aos guardiões vestais da castidade árabe, para que estes possam ficar sossegados em relação ao fato de o delicado hímen árabe estar protegido do pecado, da vergonha, da desonra ou da mancha”. Ela disse muito mais, mas aí remeto o leitor ao jornal. Lembrei muito de Joumana ao ler a ótima reportagem de Neil MacFarquhar no The New York Times sobre a sombra do ditador derrubado, do ditador caído, do ditador vencido no cotidiano do Egito pós-Mubarak. A reportagem veio ilustrada com essa fotografia sensacional do metrô do Cairo - ver abaixo. A pergunta que MacFarquhar lança é o que fazer da sombra de um ex-ditador? Pois eu refaria a questão de outro modo. Se para Joumana o encontro com Sade foi decisivo, para mim foi com Freud. Freud viveu atravessado, dividido, partido ao meio com a descoberta surpreendente que não basta matar Sherazade nem tampouco destruir as estátuas do ditador ou apagar seu nome no metrô. Isso é fichinha perto da tarefa árdua, difícil e trabalhosa de dobrar um outro ditador chamado Supereu. Este não habita o mundo lá fora, mas está internalizado, está nas entranhas do sujeito, é a base em que se alicerça os fundamentos de sua razão – daí Lacan ter escrito o memorável “Kant com Sade” (presente em seus “Escritos”, publicado no Brasil pela Jorge Zahar). Que a razão esteja contamidada pela radiação do Supereu, que esteja danificada, que não fique nada razoável com a presença deste corpo estranho, desses pensamentos estranhos, dessa voz implacável e muitas vezes cruel, traz para o debate algo que ultrapassa a mera revolução das ruas ou a troca de colégio ou a abertura das pernas. Há uma outra subversão à espera do sujeito. Como operar uma transformação de si mesmo longe de si mesmo? Este é o convite da psicanálise. Das ruas à análise. Não que a revolução das ruas não seja necessária. Porém, a estação análise exige outro tipo de ato. Um ato de separação, um ato de perda, um ato de adeus a si próprio. Onde Isso era, Eu devo ser. Só que este Eu que vai para a estação Isso já não pode ser chamado de Eu. Quem chegou não é o mesmo que partiu.

tô bravo!


No reino do Kung fu

E a ficha, óh, cada vez mais SUJA...


Do Site Socialismo e Liberdade. No Blog de Roberto Romano

Arruda, Delúbio e Kassab no reino da pequena política

Léo Lince

José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal e figura central do bem documentado mensalão do DEM, soltou o verbo sobre sua experiência vivencial nos labirintos do financiamento privado de campanha eleitoral. Diante da pergunta – o senhor é corrupto? - Arruda forneceu a seguinte e espantosa resposta: "infelizmente, joguei o jogo da política brasileira. As empresas e os lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo ou outros negócios vantajosos. Ninguém se elege pela força de suas idéias, mas pelo tamanho do bolso. É preciso de muito dinheiro para aparecer bem no programa de TV. E as campanhas se reduziram a isso". A entrevista explosiva na "Veja Online", estranhamente, não apareceu na edição em papel da revista. Os grandes jornais tocaram no assunto em páginas secundárias e notas pequenas. Entre os acusados de participação direta no esquema estão os presidentes anterior e atual do DEM, o presidente e o secretário geral do PSDB, além de cabeças coroadas destes e de outros partidos. Ninguém, nos partidos da ordem dominante, protestou indignado. É a lei do silêncio que decorre da "naturalização" da maracutaia. Delúbio Soares, ex-tesoureiro e figura central do mensalão do PT, outro especialista na arrecadação de "recursos não contabilizados", também apareceu no noticiário desta quaresma tão farta de desastres. A julgar pelas declarações de altos dirigentes do PT e até de ministros do novo governo, ele se prepara para voltar ao ninho antigo. Será a volta do filho pródigo, portador de habilidades especiais no "jogo que se joga na política brasileira". Gilberto Kassab, originário do malufismo, secretário do Pita e posto onde está pelo bico tucano, foi outro freqüentador assíduo no noticiário da quaresma. Apesar de colega do Arruda no abastecimento dos mensalistas do DEM, ele não foi filmado e ainda não foi preso. Carisma zero, sempre montado em máquinas de governo, ele agora é fundador de partido. Não fosse ele o prefeito de São Paulo, titular do terceiro orçamento da nossa rala república, não teria cacife para tal empreitada. Como a sigla PDB, partido da burla, explicitava por demais o conteúdo, mudaram o rótulo da manobra. O PSD, partido dos saídos do DEM, é um escárnio, mais um cambalacho explícito no jogo pequena política. Três figuras emblemáticas do momento atual, marcado pelo eclipse da grande política e pela conseqüente apoteose da politicalha. A grande política é aquela que trata das estruturas sociais e emana da livre manifestação de seus conflitos. As grandes questões sistêmicas, o embate entre projetos políticos que buscam espaços de legitimação, a emergência de movimentos e líderes que galvanizam o ativismo cidadão. A pequena política, pelo contrário, não cuida de nada disso, ela opera nos limites da conjuntura e gerencia o ocaso e as rotinas do continuísmo. É duro, mas inevitável, constatar. Estamos vivendo, no Brasil de hoje, um interregno trevoso, marcado pela hegemonia absoluta da pequena política. Uma tristeza. Áreas de sombra se avolumam sobre as instituições. O Executivo barganha cargos de "petequeiros"; o Parlamento chafurda na política de negócios; e o vértice supremo do Judiciário toma partido dos "fichas sujas". Os grandes financiadores de campanha, sempre protegidos, são os grandes beneficiários do modelo dominante. A malha de cumplicidades que articula os partidos da ordem com os pontos fortes da economia é o que sustenta o reino da pequena política.

Rio, março de 2011.

Léo Lince é sociólogo e mestre em ciência política

domingo, 27 de março de 2011

Em todo caso,cuidem-se!


Porrada!


Uma colega de trabalho enviou-me este texto. Compartilho-o.

A Maldição do Professor Conta a lenda que, quando Deus liberou o conhecimento sobre como ensinar os homens , determinou que aquele "saber" ficaria restrito a um grupo muito selecionado de sábios. Mas, neste pequeno grupo, onde todos se achavam "semi-deuses", alguém traiu as determinações divinas... Aí aconteceu o pior!!!!!!.. ....... Deus, bravo com a traição, resolveu fazer valer alguns mandamentos:

1º - Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental.

2º - Não verás teu filho crescer.

3º - Não terás feriado, fins de semana ou qualquer outro tipo de folga.

4º - Terás gastrite, se tiveres sorte. Se for como os demais terás úlcera.

5º - A pressa será teu único amigo e as suas refeições principais serão os lanches, as pizzas e o china in box.

6º - Teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se te sobrarem cabelos.

7º - Tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes 5 anos de trabalho;

8º - Dormir será considerado período de folga, logo, não dormirás.

9º - Trabalho será teu assunto preferido, talvez o único.

10º - As pessoas serão divididas em 2 tipos: as que ensinam e as que não entendem. E verás graça nisso.

11º - A máquina de café será a tua melhor colega de trabalho, porém, a cafeína não te farás mais efeito.

12º - Happy Hours serão excelentes oportunidades de ter algum tipo de contato com outras pessoas loucas como você.

13º - Terás sonhos, com cronograma, planejamento, provas, fichas de alunos, provas substitutivas e não raro, resolverás problemas de trabalho neste período de sono.

14º - Exibirás olheiras como troféu de guerra.

15º - E, o pior........ inexplicavelmente gostarás de tudo isso...

16º Serás chamado de PROFESSOR


Deixo mais uns mandamentos:


17 - Votarás em diretor ou reitor que lhe perseguirá.


18 - Não será ouvida pelos chefes. Desligarão o telefone na sua cara. Se for à sala de seu chefe, a secretária dele virará muro.

19 - Reclamarão de suas observações administrativas. Fecharão os olhos. Os ouvidos e a boca (a tua também).


20 - Se for professora, seus chefes homens chamarão-lhe de ATRIZ . É o machismo no seu pé. Na sua vida.



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E finalizando, fica a oração: ORAÇÃO DO PROFESSOR Planejamento que estais no computador Carregado seja o Vosso Programa Venha a nós o vosso ensinamento Seja gerada a ficha de lançamento Assim no Diário como no email A contrapartida nossa de cada dia nos dai hoje, Perdoai os nossos deslizes Assim como nós perdoamos quando há deslizes Não nos deixeis cair em Auditoria E livrai-nos da Fiscalização da direção Amém.

Nas paredes de 1968


Maio de 1968

Cap-tirado daqui

Abaixo o realismo socialista . Viva o surrealismo.

Deixemos o medo do vermelho para as bestas de cornos

Abaixo o cadáver putrefacto estalinista Abaixo os grupusculos recuperadores

Abaixo a sociedade de consumo

Abaixo a sociedade especulativa-mercantil

Abaixo o crápula de Nazaré

Abaixo os jornalistas e os que os querem manipular

Abaixo o Estado

Abaixo o sumário

Viva o efémero

Juventude Marxista Pessimista

Abaixo a objectividade parlamentar dos grupusculos.

A inteligência está do lado da burguesia.

A criatividade está do lado das massas.

Não votem Abolição da alienação

Abolição da sociedade de classes

O destino de todo o pensamento é a calçada na tua goela, C.R.S.

A acção não deve ser uma reacção mas sim uma criação

A acção permite ultrapassar as divisões e encontrar as soluções

A idade de ouro era a idade em que o ouro não reinava.

A vaca de ouro é sempre feita de bosta.

O agressor não é aquele que se revolta mas sim o que afirma

O agressor não é aquele que se revolta mas sim o que reprime

Amem-se uns sobre os outros O álcool mata. Tomem L.S.D.


A arte está morta. Nem Godard o poderá impedir.

A arte está morta, libertemos a nossa via quotidiana.

A arte está morta, não consumamos o seu cadáver.

Atenção: os arrivistas e os ambiciosos pode-se travestir em "socialões".

Atenção os cretinos rodeiam-nos [nous cernent].

Não nos prendamos ao espectáculo da contestação, mas passemos à contestação do espectáculo.

"Au grand scandale des uns, sous l'oeil à peine moins sévère des autres, soulevant son poids d'ailes, ta liberté." (André Breton, "Ode à Charles Fourier")

Autogestão da vida quotidiana "Autrefois, nous n'avions que le pavot. Aujourd'hui, le pavé" Antes de escrever, aprendam a pensar

Para venda, casaco em cabedal especial para manifestação, anti-CRS, medida grande, preço 100 F

Tenham ideias

"Baisez-vous les uns les autres sinon ils vous baiseront"

Acabemos com os aplausos, o espectáculo está por toda a parte

A barricada fecha a rua mas abre as vias

O "cassetete" educa a indiferença

Bela, talvez não, mas tão charmosa.

A vida contra a sobrevivência "Bien creusé vieille taupe"

O azul continuará cinzento enquanto não for reinventado

A felicidade é uma ideia nova

Teremos um bom mestre desde que cada um seja o seu

A burguesia não tem outro prazer senão degradar-nos a todos

Esconde-te, objecto Camaradas, 5 horas de sono em 24 são indispensáveis: contamos convosco para a revolução. Camaradas, o amor também se faz na Escola de Cências Políticas, não apenas no campo.

Camaradas, linchemos Séguy !

Camaradas, se o povo fizesse como nós...

Camaradas, vós andais a enrabar moscas

Ceder um pouco é capitular muito

Todo aquele que pode atribuir um número a uma (e)moção é um canalha

"Ce n'est pas apenas la raison des millénaires qui éclate en nous, mais leur folie, il é dangereux d'être héritier"

É parando as nossas máquinas na unidade que demonstraremos a fraqueza deles.

"É por existir a propriedade que há guerras, revoltas e injustiças"

Ainda não acabou ! "

Ceux qui ferment les portes à clé sont des froussards donc des ennemis"

Aqueles que fazem revoluções pela metade apenas cavam um coval.

Aqueles que falam de revolução e de luta de classes sem se referir à realidade quotidiana falam com um cadáver na boca

Mudem a vida, portanto transformem o seu modo de uso

Persigam o chui na vossa cabeça

"Colle-tu contre la vitre. Croupis parmi les insectes"

"O combate é o pai de todas as coisas." (Héraclite)

Como pensar livremente à sombra de uma capela ?

"Concours du prof le plus bête. Osez donc signer les sujets d'examen"

O conservadorismo é sinónimo de podridão e fealdade

Consumam mais, viverão menos

Construir uma revolução é também quebrar todas as cadeias interiores

"Contestation. Mais con d'abord"

Corre camarada, o velho mundo vem atrás de ti

Criai ! Gritar a morte é gritar a vida

"C.R.S. qui visitez en civil, faites très attention à la marche en sortant"

A cultura é a inversão da vida

"Numa revolução, há dois tipos de pessoas: os que a fazem eos que se aproveitam" (Napoleão)

No "décor" espectacular, o olhar apenas encontra as coisas e o seu preço

Nos caminhos que ninguém cqlcorreou, marca os teus passos!

Nos pensamentos que ninguém pensou, risca a tua cabeça!

"Deponta les damnés de l'Université

" Desabotoem o vosso cérebro tão frequentemente como as vossas braguilhas

Descristianizemos imediatamente a Sorbonne "Déculottez vos phrases pour être à la hauteur des Sans-culottes" Déjà 10 jours de bonheur proibido não afixar cartazes Desejar a realidade, é bom !

Realizar os desejos, é melhor

Sob a calçada, a praia...

Deus, decepciono-vos sendo um intelectual de esquerda

O discurso é contra-revolucionário.

O direito de viver não se mendiga, toma-se

A economia está ferida, pois que morra!

Escrevam por toda a parte !

O educador deve ele próprio ser educado "Élections pièges à cons"

A emancipação do homem será total ou não será

Abraça o teu amor sem largar a tua arma

O inimigo do movimento é o cepticismo.

Tudo o que foi realizado vem do dinamismo que decorre da espontaneidade

O enfado é contra-revolucionário

Enraiveçam-se

Em todo o caso, nada de remorsos ! "

Espérance : ne désespérez pas, faites infuser davantage"

É proletário todo aquele que não tem nenhum poder sobre o uso da sua vida quotidiana e que o sabe

E entretanto, toda a gente quer respirar e ninguém respira e muitos dizem: "respiraremos mais tarde".

E a maior parte deles não morre porque já estão mortos.

Sois consumidores ou participantes ?

Ser livre em 1968 é participar

Ser reaccionário é justificar e aceitar a reforma sem fazer florir a subversão

Ser rico é contentar-se com a sua pobreza ?

E se pegássemos fogo à Sorbonne ?

O Estado é cada um de nós

Os estudantes são crápulas

Exagerar é começar a inventar Exagerar, eis a arma

Exames = servilismo, promoção social, sociedade hierarquizada. Exploremos o acaso Toma atenção às tuas orelhas, elas têm muros

Façam amor e recomecem

façam a soma dos vossos rancores e tenham vergonha

O fogo realiza !

Fim da Universidade.

Um chui dorme em cada um de nós, é necessário matá-lo

A floresta precede o homem, segue-se o deserto

Estamos nas tintas para as fronteiras

As pessoas que trabalham aborrecem-se quando não trabalham.

As pessoas que não trabalham nunca se aborrecem Godard: o pior malandro de todos os Suíços pró-chineses !

O homem nem é o bom selvagem de Rousseau, nem o perverso da Igreja e de La Rochefoucauld.

É violento quando o oprimem, é doce quando é livre

Um homem não é estupido ou inteligente : é livre ou não é

"D'un homme, on peut faire un flic, une brique, un para, et l'on ne pourrait en faire un homme ?"

A humanidade não será feliz enquanto não enforcarmos o último capitalista nas tripas do último esquerdista

A humanidade não será feliz enquanto não enforcarmos o último capitalista nas tripas do último burocrata

Uiva [Hurle]

Aqui, em breve, ruínas charmosas

"Ici, on spontane"

É doloroso destronar os chefes, mas é ainda mais idiota escolhê-los

É proibído proibir

É proibído interromper

"É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante" (Nietzsche)

É preciso explorar sistematicamente o acaso

Não há pensamentos revolucionários mas sim actos revolucionários

Não há nada de mortal, nem de temporal, de limitado ou de exclusivo na organisação ou nas estruturas

Il n'y aura plus désormais que deux catégories d'hommes : les veaux et les revolutionaires.

En cas de mariage, ça fera des réveaulutionnaires.

Eles poderão cortar todas as flores, não impedirão a vinda da Primavera

Há em França, 38 000 comunas... nós somos a segunda [trocadilho com comunas=municípios e "comuna de Paris"]

"A imaginação não é um dom mas, por excelência, objecto de conquista" (Breton)

"L'imagination prend le maquis"

A imaginação toma o poder

A insolência é a nova arma revolucionária Proibido proibir.

A liberdade começa com uma proibição: a de prejudicar a liberdade do outro.

Inventai novas perversões sexuais (eu já não posso mais !)

Adoro escrever nas paredes

Tenho qualquer coisa para dizer mas não sei o quê

Decreto o estado de felicidade permanente

"Je joue" "Je jouis dans les pavés"

"Proponho-me agitar e inquietar as pessoas.

Não vendo pão mas sim levedura" (Unamuno)

Cago na sociedade e ela retribui-me em conformidade

Não sei o que escrever mas gostaria de dizer belas coisas e não sei

Não estou ao serviço de ninguém, o povo tera de servir-se sozinho

Não estou ao serviço de ninguém (nem mesmo do povo ou dos seus dirigentes) : o povo terá de servir-se sozinho. Eu participo Tu participas. Ele participa. Nós participamos. Vós participais. Eles lucram


"Je plane/hashich"

Tomo os meus desejos pela realidade pois creio na realidade dos meus desejos

Sonho ser um imbecil feliz

Sou marxista, tendência Groucho

Vim , vi, cri Amo-te !!!

Di-lo com as pedras da calçada

Jovens mulheres vermelhas sempre mais belas

Os jovens fazem amor, os velhos fazem gestos obscenos

Alegrem-se aqui e agora "Jouissez sans entraves, vivez sans temps morts, baisez sans carotte"

Deixemos o medo do vermelho pra as bestas cornudas... e o medo do negro para os estalinistas

As lágrimas dos Filisteus são o néctar dos deuses

A liberdade é a consciência da necessidade

A liberdade é o crime que contém todos os crimes, é a nossa arma absoluta

A liberdade é o direito ao silêncio

A liberdade começa com uma proibição.

A de impedir a liberdade do outro

A liberdade do outro estende a minha até ao infinito

A liberdade não é um bem de que tenhamos posse.

É um bem que nos impediram de adquirir com a ajuda de leis, de regulamentos, de preconceitos, ignorância... Libertem os nossos camaradas.

Lutemos contra a dependência afectiva que paraliza as nossas potencialidades. -

Comité das mulheres em via de libertação

Linchemos Séguy !

A mercadoria, queimá-la-emos !

O mandarim está dentro de vós

Comam os vossos professores

Falta de imaginação, é não imaginar a falta

A mercadoria, queimá-la-emos

! O masoquismo, nos nossos dias, toma a forma do reformismo

"Make love, not war"

A mercadoria é o ópio do povo

Mesmo se Deus existisse, é preciso suprimi-lo Merda para a felicidade (vivam)

Os meus desejos são a realidade

"Métro, boulot, dodo" [Metro, dinheiro, dormir]

Coloquem um polícia sob o vosso motor

Milionários de todos os países, unam-se, o vento está a mudar

Morte aos tédios

A morte é necessariamente uma contra-revolução

As moções matam a emoção

A mutação lava mais branco do que a revolução ou as reformas

Parede mergulhada infinitamente na sua própria glória

As paredes têm ouvidos. Os vossos ouvidos têm paredes

Não permitam mais ser / matriculados / registados / oprimidos / requisitados/ prégados / recensiados / "traqués" /

A natureza não fez servidores nem mestres, não quero dar nem receber leis

Não mudemos de patrões [employeurs], mudemos de modo de vida [emploi de la vie]

Não consumamos Marx

Não digam mais: Senhor Professor; digam : lixa-te sacana !

Não digam mais: urbanismo, digam : polícia preventiva

Não me libertem, eu encarrego-me disso

Não fiquemos pelo espectáculo da contestação, mas passemos à contestação do espectáculo

Não nos deixemos levar pelos politiqueiros e pela sua demagogia lamacenta.

Contemos apenas connosco.

O socialismo sem liberdade, é o quartel

Não tomem o elevador, tomem o poder Não trabalhem mais!

"Ne vous emmerdez pas, merdifiez"

Não se emerdem mais, emerdem os outros

O "não-importa-o-quê" erigido em sistema

O niilismo deve começar por si próprio

Nem mestre nem Deus. Deus, sou eu

Nem robot, nem escravo

Não à revolução de gravata

A nossa esperança só pode vir dos sem-esperança temos uma esquerda pré-histórica

Não fizemos mais do que a 1ª insurreição da nossa revolução

"Ora, férias a sério, seriam no dia em que pudessemos olhar uma parada gratuitamente, acender uma fogueira gigante no meio da rua sem que os polícias o impedissem" Harpo Marx (Harpo speaks)

Não queremos um mundo onde a certeza de não morrer de fome se troca contra o risco de morrer de tédio (uma outra fonte cita "garantia" em lugar de "certeza")

Recusamos ser H.L.M.isados, diplomados, recenseados, endoutrinados, matraqueados, tele-manipulados, gazeados, fichados

Somos ratos (talvez) e mordemos.Os enraivecidos

Ficamos cientes: 2 + 2 já não são 4

Somos todos "indesejáveis"

Somos todos judeus alemães

Queremos: as estruturas ao serviço do homem e não o homem ao serviço das estruturas.

Ter o prazer de viver e não mais o "mal de vivre"

Queremos uma música selvagem e efémera.

Propomos uma regenaração fundamental: greve dos concertos, meetings sonoros: sessões de investigação colectivas, supressão do direito de autor, as estruturas sonoras pertencem a cada um

Queremos viver

A novidade é revolucionária, a verdade também.

Ninguém poderá compreender, se a não respeita, conservando ele mesmo a sua própria natureza, a livre natureza do outro

A obediência começa pela consciência e a consciência pela obediência

Ocupação das fábricas

Oh gentis senhores da política, abrigais por detrás do vosso olhar vidrado um mundo em destruição.

Gritai, gritai, nunca se saberá jamais que fostes castrados

Há quem compre a tua felicidade, rouba-a !

Não temos... tempo para escrever!!!

Não se pode apagar a verdade (nem a mentira)

Não reinvidicamos nada, tomamos

Não reinvidicaremos nada,

Não pediremos nada, tomaremos, ocuparemos "L'orthografe est une mandarine"

Ousemos

"Ousemos! esta palavra contém toda a política da hora presente." (Saint-Just)

Esqueçam tudo o que aprenderam. Comecem por sonhar

Tomaremos as fábricas, os escritórios, os bancos, todos os meios de distribuição, far-vos-emos desaparecer sem deixar traço!

A revolução tem necessidade de dinheiro e vós também; os bancos estão aí para nos fornecer!

Uma organização, sim! Uma autoridade ou um partido, NÃO! (Bonnot and Clyde)

Abram as janelas do vosso coração

Abramos as portas dos asilos, das prisões e outras

A preguiça é hoje um crime, sim, mas também um direito

Falem aos vossos vizinhos (e às vossas vizinhas, caramba!)

Participem na limpeza de lixo. Não há aqui criadas.

Nada de liberdade para os inimigos da liberdade

Nada de retoques [replâtrage], a estrutura está podre

"A paixão da destruição é uma alegria criadora" (Bakounine)

O patrão precisa de ti, tu não precisas dele "Au pays de Descartes les conneries se foutent en cartes"

"La pègre, c'est nous"

Um pensamento que estagna é um pensamento podre Pensar em conjunto, não.

Pressionar em conjunto, sim

A perspectaiva de me divertir amanhã não me consola do tédio de hoje

Plebiscito: digamos sim ou não, faz de nós uns palermas.

"Pluie. Pluie et vent et carnage ne nous dispersent pas mais nous soudent (Comité d'agitation culturelle)"

A mais bela escultura é a calçada que atiramos às goelas dos chuis

Não mais Claudel

Quanto mais amor faço, mais vontade tenho de fazer a revolução.

Quanto mais revolução faço, maior vontade tenho de fazer amor

A poesia é na rua

A política passa-se na rua

Para se questionar a sociedade em que "vivemos", é necessário antes ser capaz de se questionar a si própri

o Desde que nos dêem tempo...

O poder tinha as universidades, os estudantes tomaram-nas.

O poder tinha as fábricas, os trabalhadores tomaram-nas.

O poder tinha a O.R.T.F., os jornalistas tomaram-na.

O poder tem o poder, tomem-no !

O poder está na ponta da espingarda (mas espingarda está na ponta do poder ?)

O poder sobre a tua vida és tu que o tens

Tomemos a revolução a sério, não nos tomemos a sério

Professores, sois tão velhos quanto a vossa cultura, o vosso modernismo mais não é que a modernização da polícia, a cultura está em migalhas (os enraivecidos)

Professores, vós fazei-nos envelhecer

Quando a assembleia nacional se transforma num teatro burguês, todos os teatros da burguesia se devem transformar em assembleias nacionais

Quando o último dos sociólogos tiver sido estrangulado com as tripas do último burocrata, ainda teremos "problemas" ?

Quando o dedo aponta a lua, o imbecil olha para o dedo (provérbio chinês)

Quando as pessoas se aperceberem de que se entediam, deixam de se entediar Como é triste amar um chui O que é um mestre, um deus ?

Um e outro são uma imagem do pai e desempenham uma função opressiva por definição Quem fala do amor destrói o amor

O reflexo da vida não passa da transparência do conseguido

"Réforme mon cul" Repara: estamos à tua espera !

Repara no teu trabalho, o nada e a tortura participam nele

Olhai em frente !!!

Os limites impostos ao prazer excitam o prazer de viver sem limites

O respeito perde-se, não vão à procura

O sonho é realidade

A revolução cessa no instante em que se torna necessário sacrificar por ela

A revolução é uma INICIATIVA.

A revolução deve deixar de ser para existir

A revolução deve fazer-se nos homens antes de ser feita nas coisas

A revolução é incrível porque verdadeira

Revolução, amo-te.

Um revolucionário é um funâmbulo [danseur de cordes]

A revolução não é a dos comités mas, antes de tudo, a vossa

Uma revolução que pede que nos sacrifiquemos por ela é uma revolução "do papá"

Um nada pode ser tudo, é preciso saber vê-lo e por vezes contentar-se

O vermelho para nascer em Barcelona, o negro para morrer (não, Ducon, para viver em Paris)

O sagrado, eis o inimigo

Sabiam que ainda existem cristãos ?

"Scrutin putain" Só a verdade é revolucionária.

Um só fim-de-semana não revolucionário é infinitamente mais sangrento que um mês de revolução permanente SEXO : é bem, disse Mao, mas não muito frequentemente.

Se for necessário recorrer à força, não fiquem no meio

Se encontrares um chui, parte-lhe a cara

Se queres ser feliz, prende o teu proprietário.

Se continuais a torturar o mundo, o mundo vai responder energicamente

Se pensais pelos outros, os outros pensarão por vós

A sociedade é uma flor carnívora

A sociedade nova deve ser fundada sobre a ausência de qualquer egoismo, e qualquer egolatria.

O nosso caminho tornar-se-à numa longa marcha de fraternidade.

Sob a calçada, a praia

Sejam realistas, exijam o impossível

Sejam sujos, não açucarados!

Sejam cruéis

Estalinistas, os vossos filhos estão conosco

Os sindicatos são uns bordéis

Tu, camarada, tu que eu desconhecia por detrás das turbulências, tu amordaçado, amedrontado, asfixiado, vem, fala connosco

Todo o acto de submissão que me é exterior apodrece-me, morto antes de ser enterrado pelos legitimos coveiros da ordem

Tudo o que discutível é para discutir

Todo o professor é aluno.

Todo o aluno é professor.

Tudo é Dada

"Toda a visão das coisas que não é estranha é falsa." (Valéry)

Todo o poder aos conselhos operários (um enraivecido).

Todo o poder aos conselhos enraivecidos (um operário).

Todo o poder abusa. O poder absoluto abusa absolutamente.

Todo o reformismo se caracteriza pelo utopismo da sua estratégia e pelo oportunismo da sua tática

Trabalhador: tu tens 25 anos mas o teu sindicato é do outro século

O vento levanta-se.

É necessário tentar viver

Vibração permanente e cultural.

A vida está alhures

A velha toupeira da história parece corroer a Sorbonne. Telegrama de Marx, 13 de Maio de 1968.

Vigilância !

Os recuperadores estão entre nós !

"Anéantissez donc à jamais tout ce qui peut détruire un jour votre ouvrage." (Sade)

Violai a vossa Alma Mater.

Depressa !

Viva o poder dos conselhos operários estendido a todos os aspectos da vida

Vivam os enraivecidos que constroem todas as aventuras

"Vive les mômes et les voyous"

Viver o presente Ver Nanterre e viver.

Ide morrer a Nápoles com o Club Méditerranée.

Vós também, vós podeis voar

"Vous êtes creux"

Estais em face de uma força.

Podeis de desencadear a guerra civil pela vossa resistência

Acabareis todos por morrer de conforto


Zelda, amo-te ! Abaixo o trabalho !

Braziu!

Braziu!

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