TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Nofa!



Nani

cap-tirado do Blog de Roberto Romano




Petrolina Juazeiro

Sublime!





SOLDA


Newton da Silva


Iotti


Quem diria?

Pires



Duke, Minas Gerais


Nani


Pelicano

Filosofias...

Imagem: Diógenes, o cínico. Cap-tirada da internet Blog A vida é foda, mas é a vida.

ROBERTO ROMANO:



Os cinicos eram santos. Já os nossos parlamentares não são cínicos. São outra coisa, outra...


Roberto Romano

Em Defesa do Cinismo


O autor é filósofo e professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp. Artigo publicado na "Folha de SP":

Nos últimos tempos da República brasileira, os eventos políticos atingiram um grau inédito de corrosão. De momentos assim, só me lembro os que antecederam o golpe de 1964. Mas hoje as coisas são mais graves. Não é o Executivo nem são os quartéis a ameaça ao Parlamento, mas a sua autocorrosão. Os analistas que procuram descrever os costumes de nossos representantes no Congresso sempre repetem uma palavra mágica. A atitude e a fala dos parlamentares e dos agentes do governo, para não falar nas togas, tem sido alcunhadas de "cínicas". Em defesa da verdade factual e histórica, é preciso dizer que isso é uma injustica gritante. Os cínicos receberam tal apelido (do latim "cynicus", de origem grega, para designar o cachorro) porque mordiam como cães ferozes os hipócritas e os poderosos. O modo cínico de agir é o exato oposto do empregado pelos senhores do Parlamento. O bom padre Vieira, no atualíssimo "Sermão do Bom Ladrão", elogia o cínico Diógenes, "que tudo via com mais aguda vista do que a dos outros homens", quando ele, apontando o dedo para os "ministros da justica" que levavam à força uns ladrões, "começou a bradar: "Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos" ". Quem vive em tempos de Nicolau dos Santos Neto percebe a justeza dessas frases do jesuita austero, inspiradas na conduta cínica. Aqueles filósofos ensinavam que a alma humana é imortal, sendo preciso bem administrá-la, pois a sua estrutura, embora mais elevada do que a do corpo, possui uma imensa fragilidade. O autoconhecimento mostra-se estratégico, bem como a vida em perfeita amizade ("um amigo é uma só alma em dois corpos"). Dentre os empecilhos à boa amizade, ensinam os cínicos, estão a lisonja, a inveja, a ignorância e as humilhações recíprocas. Contra elas, o treino ascético é fundamental. Quem se acostuma a bajular o próprio corpo logo estará apto, na alma, a ser bajulado pelo primeiro inimigo disfarçado. A felicidade só pode ser atingida se resultar da mais rigorosa justiça e da mais rigorosa liberdade. Não depender dos confortos ilusórios trazidos pela riqueza e pelo mando político é o modo de ser livre e de conquistar a plena autarquia, o domínio sobre si mesmo. Sem ela, a escravidão ronda as almas e os corpos. Assim falavam os cínicos. Disso resulta a franqueza da lingua. A palavra livre, segundo os cínicos, é a mais bela das conquistas humanas. Nem preso aos ricos e poderosos nem sujeito à multidão, o verbo consciente recusa a lisonja pessoal e a demagogia. Do mesmo cínico Diógenes é a frase famosa: "Quando sou aplaudido por muitos, certamente devo examinar-me para saber se não disse uma bobagem". A liberdade assim percebida se baseia na ascese (leia o belo texto de Goulet-Caze', M.O: "L'Ascèse Cynique"). A virtude ascética fez o filósofo jogar longe o seu caneco ao ver um menino bebendo da fonte com a palma da mão. Apenas o necessário à vida, sem luxos, sem pedantismos e sem laureis. Essa é a doutrina cínica. Os cínicos ajudam-nos, até hoje, a romper com a hipocrisia da fala "politicamente correta". Tamanha potência da virtude fez o pensador gritar ao poderoso Alexandre: "Saia daí. A tua presença me retira a luz do sol". Ah, se os nossos políticos e "democratas" fossem de fato cínicos! Todos os ensinamentos dessa escola resistiriam ao tempo e aos regimes políticos. O prisma negativo que essa escola recebeu foi dado justamente pelos ardilosos donos do poder, político ou religioso. A calunia perdura até os nossos dias, em proveito dos inimigos da disciplina, da liberdade de atos e palavras e dos que amam a riqueza (sobretudo a pública) para seu conforto e ostentação. O cachorro é símbolo, na cultura grega, da amizade política mais nobre. Platão afirma que os dirigentes da república devem ser como os cães: gentis e leais para com os de casa; ferozes contra os inimigos. E o tirano seria como o lobo que devora os bens dos cidadãos em proveito próprio. Daí a tese de Jean Bodin sobre a tirania: "Tirano é o que usa os bens dos súditos como se fossem seus". Vivemos em continua tirania neste país. Tudo entre nós está invertido e pervertido. A começar pelo tom errado que damos à uma das mais rigorosas éticas filosóficas do Ocidente, a cínica. Os políticos, lobos que dominam o picadeiro de Brasília, se distanciam dos cínicos. Eles são hipócritas e corruptos, amolecidos nos costumes e luzidios de riqueza roubada. Se não temos a coragem dos cínicos, pelo menos não aceitemos as calúnias contra eles, que apenas servem para absolver os seus alvos, os relaxados na moral que enodoam as instituições públicas brasileiras. (Folha de SP, 25/4)

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Os vendilhões da filosofia...
No site Fapesp na Mídia, http://www.bv.fapesp.br/namidia/noticia/17262/ateu-virtuoso/


republicação do jornal Correio Popular (CIDADES) em 20 de Maio de 2003

O ateu virtuoso
Roberto Romano - Filósofo e professor de Ética e Política na Unicamp

"Por que, nas teses acadêmicas, existe o materialismo vulgar, se ninguém fala em espiritualismo vulgar?" A pergunta foi-me endereçada por um colega erudito e refinado, em conversa livre após nauseante reunião departamental. As melhores perguntas surgem assim, quando as pessoas se cansaram das taxinomias e das análises estereotipadas, ou dos seminários onde a disciplina proíbe questões impertinentes, as únicas necessárias. No mundo dos "especialistas" ocorre uma divisão territorial inabalável. Nele, indivíduos são donos dos espaços. Na filosofia, itens foram postos num fichário onde ficam presos os teóricos, como borboletas de entomologista. Os donos do idealismo proclamam virtudes de seus heróis. Os que vendem produtos na bolsa acadêmica de valores celebram a cotação diária, que significa aumento no montante de bolsas, ajuda à pesquisa etc. O sucesso do investimento requer golpes baixos e não pode ser ignorada a técnica que desvaloriza as ações adversárias. Essa via responde a dúvida do meu colega.

O materialismo é "vulgar" para que os espiritualistas do mercado no setor "ético" tenham lucro. Fichas em "ismo" levantam a suspeita: é propaganda em favor desta ou daquela mercadoria, no armazém filosófico? Nada que já não tenha sido esculhambado por Luciano de Samosata em A Feira dos Filósofos. Ali, o satírico gargalha com a venda das vidas filosóficas que forneceriam aos compradores um modelo curricular para... subir na vida! O fracasso levanta novas ondas de riso, prêmio da tolice. Falar em materialismo na universidade é arriscado. O bom tom exige o estudo de Rousseau, sem Diderot, Kant, sem La Mettrie, Hegel, sem Marx. Autores como o gênio da Enciclopédia foram desprezados, pelos vulgares espiritualistas, como "literatos" sem relevância filosófica. Uma reação se esboça. Estudos sobre Diderot ressaltam o peso de suas posições epistemológicas (I. Prigogine e I. Stengers); os nexos do materialismo e da estética mais refinada (G. Stenger); as inflexões da atitude materialista sobre a ética moderna (F. Salaün); a liberação dos sentidos (lógicos e somáticos) numa filosofia que brinca e joga no mundo das artes e da política (Eric-Emmanuel Schmitt). Tais análises unem ateísmo e moral, considerados como antiéticos pelo cristianismo.

No Brasil, Paulo Jonas de Lima Piva publica belo ensaio sobre a ética diderotiana. Em O Ateu Virtuoso, Materialismo e Moral em Diderot (Fapesp/ Discurso Ed.), ele apresenta uma análise original do tema. As principais obras do imaginário entram no seu debate sobre o materialismo. A escolha dos romances, pelo autor, não foi aleatória. Diderot inscreve-se no horizonte que, desde o Renascimento, valoriza as letras e as artes como as mais belas flores do trabalho humano. O programa de Diderot amplia a Instauratio magna baconiana: todos os poderes do intelecto e do corpo se concatenam. Assim, as minuciosas e bem sucedidas análises de Lima Piva sobre A Religiosa, O Sobrinho de Rameau e outros livros, levam à tese de que as virtudes éticas, no mundo pós-cristão, podem ser viáveis, desde que a ciência e as artes cumpram seu alvo civilizador.

As ambigüidades do programa iluminista são exploradas por Lima Piva, em páginas bem fundamentadas, a partir de comentadores competentes. Importantes, sobretudo, as passagens que discutem A religiosa, uma das fontes mais ricas para o estudo da mentalidade social, mística, política do século 18. Ali, o materialismo diderotiano atinge dimensões sublimes, ao contrário do esquematismo idealista e transcendental. A freira encarcerada reúne, na alma e no corpo, os tormentos de uma sociedade onde domina a hipocrisia e a má fé, onde a vida sexual, o lesbianismo por exemplo, não pode dizer seu nome e se esconde sob a máscara das "virtudes". Leo Spitzer, o mais fino analista dos textos do bom Diderot que eu conheço (a ignorância é o meu limite), diz ser apenas "um pretenso conhecedor do estilo diderotiano" (The Style of Diderot). E depois nos brinda com soberbo exame do filósofo. É insuperável sua descoberta de que o ritmo da frase, em Diderot, materializa os mais delicados e violentos atos do ser humano, do beijo à cópula. A modéstia de Spitzer nos choca quando lemos, em resenhas jornalísticas, elogios a notórios remendões da escrita, bem postos nas cátedras acadêmicas e nos comitês que distribuem benesses e bolsas de estudo.

No caso do jovem Lima Piva, fica ao leitor a certeza de que o mundo universitário, apesar dos ridículos, merece confiança. Se nele surgem trabalhos como O Ateu Virtuoso, as taxionomias não dominam absolutamente, as fichas que dividem o mundo intelectual perdem o sentido.

Discursos...



Recebo email sobre os cursos na Casa do Saber em São paulo. Agora em agosto, o curso é sobre os discursos mais contundentes da história. Será ministrado pelo professor Leandro Karnal, doutor em História Social pela USP.

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Do site da Casa
Um homem sobe à tribuna e começa a falar: com ou sem grandes gestos, comunica uma ideia e muda parte da história com a fala. O poder da retórica e dos discursos é vivido de muitas formas ao longo dos séculos, e o curso analisa três grandes momentos da retórica ocidental: a luta de Cícero contra a conspiração de Catilina; a reflexão de Lincoln sobre a democracia e a guerra civil em Gettysburg e, por fim, o raciocínio sombrio de Churchill sobre a dureza dos anos de guerra pela frente.

Até quando, Catilina,
abusarás da nossa paciência?
1/ago, das 17h às 19h

O governo do povo, pelo povo
e para o povo
3/ago, das 17h às 19h

We shall fight! (Lutaremos!)
8/ago, das 17h às 19h

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Lembro-me de outras frases:


I have a dream - Martin Luther King (frase do discurso Que a liberdade ressoe).


e... ainda outros...


Eu não sabia - Lula, no Mensalão (muito usado em escolas, universidades ....)


Votei no Serra - Ministro Nelson Jobim do governo Dilma.

terça-feira, 26 de julho de 2011

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Texto enviado pelo Zé de Arimathéia, Londrina UEL
Imagem: do Solda


Tese da USP aponta para possibilidade de comportamento antiético na publicação de artigos científicos brasileiros
Agência Brasil
Tese de doutorado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) alerta para a possibilidade de problemas de conduta ética na publicação de artigos científicos de pesquisadores brasileiros, tais como coautorias forjadas e citações de fontes não consultadas na bibliografia dos trabalhos acadêmicos.
O autor da tese, Jesusmar Ximenes Andrade, cita entre os problemas mais comuns a citação de mais livros e artigos na bibliografia além dos realmente usados, o que aumenta a credibilidade do estudo, e a coautoria, que aparece como favor trocado. Nesse último caso, os falsos parceiros assinam dois artigos em vez de um e, assim, aumentam sua produtividade, quesito que é avaliado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no processo de classificação dos programas de pós-graduação. Ligada ao Ministério da Educação, a Capes é uma das agências de fomento à pesquisa científica e acadêmica do governo federal.
A suspeita de ocorrências de conduta antiética na produção de artigos científicos veio a partir da aplicação de 85 questionários, respondidos por participantes do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, realizado em 2009, em São Paulo. Segundo a pesquisa, a maioria das pessoas afirmou não conhecer nenhum caso de má conduta, mas elas acreditam que tais práticas seja comuns.
Andrade estranhou o resultado. “As pessoas conhecem pouco, mas acreditam que ocorrem [problemas antiéticos] mais do que acontecem? Eu presumi que quem estava respondendo sobre as suas crenças também estava respondendo sobre os seus próprios hábitos”, disse o autor da tese, que é professor adjunto da Universidade Federal do Piauí (UFPI). A tese foi defendida em abril, no Departamento de Contabilidade da FEA/USP.
Andrade destaca o fato de os resultados de sua pesquisa dizerem respeito à “má conduta na pesquisa das ciências contábeis”, mas avalia que “não encontraríamos resultados muito diferentes se fôssemos para um censo”, incluindo todos os campos científicos.
Para ele, o Brasil mantém o foco na quantidade, critério que fez o país ocupar o décimo terceiro lugar na produção científica internacional, e não se preocupa com a qualidade. “Por que o Brasil não tem um [Prêmio] Nobel?”, pergunta ao afirmar que “a quantidade que nós estamos buscando é infinitamente desproporcional à qualidade dos estudos que estamos produzindo”.
A busca por quantidade é almejada por todos os pesquisadores, de acordo com Andrade. “Seja para conseguir recursos ou para obter status dentro da academia.” Em sua opinião, “para buscar essa quantidade, esse volume, termina-se utilizando certos artifícios que, segundo foi observado, não são condutas livres de suspeita. São condutas impregnadas de comportamentos antiéticos”.
O autor da tese diz que a Capes dispõe de “métricas” de avaliação mais voltadas à qualidade do trabalho do pesquisador do que à quantidade de artigos gerados. “O sistema de avaliação chamado Qualis pontua os artigos conforme a revista científica de publicação”, lembrou.
A Agência Brasil procurou pela Capes desde a última sexta-feira (22), mas foi informada hoje (25), por e-mail, que o diretor de Avaliação, Livio Amaral, “precisa de uns dias para ler a tese”.
O professor de metodologia do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Medeiros, não concorda com o conceito de que a busca por quantidade seja prejudicial. Segundo ele, a pressão da Capes por aumento da produtividade “é mínima”. Em sua opinião, “opor quantidade à qualidade não é correto”. “Nas ciências em geral, os melhores pesquisadores são também professores que têm bom nível de publicações. Publica muito quem pesquisa muito."

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Enviado pelo Zé de Arimathéia, Londrina, UEL



Especialista faz ressalvas ao uso de tablets em escolas


FOLHA DE S. PAULO 26/jlho de 2011


O uso de tablets no lugar de livros didáticos pode até piorar o aprendizado dos alunos caso os professores não mudem a maneira como trabalham os conteúdos.
Essa é a opinião do professor da Escola de Educação e da Escola de Engenharia da Universidade Stanford (EUA), Paulo Blikstein, 39, que desenvolve projetos com foco em tecnologia de ponta para uso em escolas.
Em entrevista à Folha, ele defende a exclusão de conteúdos curriculares, especialmente nas áreas de matemática e ciências, e diz ser positivo o fim da obrigatoriedade do ensino da letra cursiva nos EUA.
Formado em engenharia pela Escola Politécnica da USP, mestre pelo MIT Media Lab e doutor pela Northwestern University (Chicago), Blikstein estará no Brasil nos dia 17 e 18 de agosto, quando participa da Sala Mundo Curitiba 2011 --encontro internacional de educação que reúne educadores do mundo todo.
Folha - Você conhece experiências com o uso de tablets em sala de aula?
Paulo Blikstein
- Aqui em Stanford teve um projeto com o apoio da Apple onde eles queriam substituir livros didáticos na faculdade por iPads. Foi feita uma pesquisa com professores e a conclusão geral é que a tecnologia ainda não está à altura do que se precisa numa escola.
O tablet é muito pequeno, é muito difícil de fazer anotações, de visualizar várias coisas ao mesmo tempo. Por enquanto, o livro didático, pelo menos para nível superior - onde muitas vezes você trabalha com várias fontes ao mesmo tempo, precisa fazer anotações e cruzar informações de várias fontes - você precisaria de um equipamento muito mais avançado para isso poder realmente substituir o livro didático.
Folha - E em níveis mais básicos de ensino?
Em todos os programas que eu conheço, todo mundo sempre subestima a questão logística e a questão do custo de propriedade. Por exemplo, uma empresa que tem 1.000 funcionários e 1.000 computadores tem um departamento inteiro para cuidar daquilo. As pessoas acham que você vai dar 1.000 computadores para as crianças, e não tem ninguém para tomar conta disso, para consertar, atualizar, dar orientação. A questão logística é importante.
As pessoas acham que o problema da educação é falta de acesso a tecnologia, e não é. O problema é que querem usar os tablets exatamente do jeito que se usa um livro didático. Querem que as crianças sentem nas cadeiras e, em vez de o professor chegar lá e falar "abram seus livros", é "abram seus tablets". Usar um tablet, que é um material que custa caro, que é difícil de dar manutenção, que quebra, que tem uma série de problemas, do mesmo jeito que você vai usar um livro é um desperdício enorme de dinheiro. O que você precisaria é pensar quais são as novas formas de aprendizado que os tablets, os computadores permitem.
Folha - Algumas empresas dizem que haverá gráficos, tabelas dinâmicas e toda uma interatividade com o conteúdo e que isso seria diferente do livro didático. Mesmo nesse caso, você não vê uma mudança significativa?
Já tem muita interatividade em materiais online que já existem e nem por isso eles melhoraram significativamente o aprendizado. Você pode olhar uma animação num computador e entender aquele fenômeno de uma forma errada.
A gente tem a ideia de que o visual é melhor do que o textual. Mas isso não é necessariamente verdade. Tem muitas pesquisas mostrando que às vezes o visual confunde mais do que o textual.
Agora, tem coisas que são boas. Você pode demonstrar vários conceitos em ciência, física ou química melhor quando se tem essa ferramenta.
Folha - O que muda para o professor com o uso dos tablets?
A aula tradicional fica cada vez mais difícil de ser dada com esse tipo de tecnologia. Para o professor, os tablets vão trazer uma grande mudança de mentalidade porque você precisa dar aula de um outro jeito. Se não, vai ser como em várias escolas brasileiras, em que a aula na sala de informática às vezes é mais repressora do que na sala de aula, porque os professores ficam preocupados porque as crianças podem quebrar [o computador] ou começar a jogar um jogo.
Folha - Como deveria ser uma aula nesse novo formato?
Eu conheço, por exemplo, um projeto na Tailândia que um colega meu coordenou. O jeito que ele usou essas tecnologias lá foi: primeiro criar projetos relevantes para as crianças. Projetos ambientais ou urbanos. Ele levava as crianças, por exemplo, para um estudo do meio onde você tinha um problema ambiental, ou uma espécie que estava sendo extinta, ou uma espécie invasora que estava chegando, ou um problema de qualidade da água.
As crianças usavam os computadores para documentar o lugar, tirar fotos onde tinha o problema. Usavam sensores para medir as coisas e tentar entender cientificamente o que estava acontecendo. Depois levava tudo isso para a sala de aula e discutia com os alunos as hipóteses. Esse é um tipo de protótipo de projeto que acho superinteressante de fazer com tablets.
Folha - Você acha que o uso dos tabletes pode melhorar o aprendizado dos alunos?
Isso é mais ou menos como se eu perguntasse assim: "será que o uso de canetas na sala de aula pode melhorar o aprendizado?". Sem dúvida que pode, mas eu posso também usar as canetas de um jeito tão ruim que não faça nenhuma diferença.
Agora, colocar o tablet numa aula tradicional, sem nenhuma adaptação do jeito que se ensina, sem nenhuma adaptação do material didático --que seja um pouco melhor do que simplesmente colocar umas animações dentro de um livro didático-- é um desperdício. Não vale a pena.
A questão fundamental é desenvolver atividades em sala de aula e conteúdos que efetivamente usem as novas qualidades desse material. Isso é o que vai fazer os tablets valerem a pena. A questão é que essa é a parte difícil de fazer e é a parte que sempre não é feita.
Folha - Como você vê o Brasil em relação ao uso de tecnologias na educação?
Tem uma tradição no Brasil que vem desde o Paulo Freire de ouvir o aluno. Isso é uma coisa importante que em outros países simplesmente não existe.
Eu tenho vários alunos de pós-graduação que vêm da Coreia, por exemplo, ou de outros países da Ásia, onde a preocupação com o aluno é muito diferente. A questão [nesses países] não é se o aluno está feliz aprendendo, se ele está gostando do que aprende, se está se interessando; é muito mais um regime de alta pressão para resultados, mas resultados que muitas vezes são vazios.
O Brasil tem essa grande vantagem, que eu acho que a gente realmente se importa com o aluno, com o interesse do aluno, muito mais do que em outros países. O problema é que muitas vezes você não tem as ferramentas e o treinamento para fazer isso acontecer na sala de aula.
Em relação a tecnologia, a minha percepção é que o foco ainda é muito no hardware, no equipamento, e muito pouco em treinar os professores para usar isso de uma forma interessante na sala de aula.

Braziuuuu





Alecrim
Clériton

Braziu



Ivan cabral, do Chargeonline

Roque Sponholz







O inferno...

Imagem: O inferno, Bosch

Do Blog de Roberto Romano



IMPORTANTE, REVISTA ADUSP, JUNHO DE 2011. SOBRETUDO OS TEXTOS LINKADOS ABAIXO:
Pesquisa

Plágio na produção acadêmica, vespeiro intocado. Ou não?
Antonio Biondi (503 Kb)

Exoneração de professor reaviva polêmica na USP
Beatriz Pasqualino (266 Kb)

Unicamp e UFMT investigam acusação de fraude em artigos

Antonio Biondi e Beatriz Pasqualino (184 Kb)
USP

Ci-são



Do Blog de Roberto Romano aqui


São Paulo, terça-feira, 26 de julho de 2011

Grupo de cientistas liderado por Miguel Nicolelis sofre cisão

Conflito por acesso a equipamentos está dividindo fundadores do Instituto Internacional de Neurociências
Sidarta Ribeiro, que ajudou a montar o centro de pesquisa, em Natal, está de saída para novo instituto

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

Um casamento que na década passada prometeu revolucionar a ciência brasileira terminou ontem, com um dos cônjuges literalmente pegando suas coisas e se mudando.
Os neurocientistas Sidarta Ribeiro e Miguel Nicolelis, cofundadores do IINN (Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra), estão "divorciados".
Na manhã de ontem, Ribeiro saiu do instituto com um caminhão carregado de equipamentos científicos, como centrífugas e computadores.
O material pertence à UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) e foi requisitado pela reitora, Ângela Paiva Cruz, para suprir o recém-criado Instituto do Cérebro da universidade, liderado por Ribeiro.

DE MUDANÇA
Professores da UFRN que compõem a equipe científica do IINN vão deixar o instituto. Dos dez membros da equipe científica listados no site do instituto (natalneuro.org.br), só Nicolelis e o chileno Romulo Fuentes vão ficar.
Ribeiro pediu à Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia) que transfira para a UFRN aparelhos comprados pelo instituto por R$ 6 milhões, como um microscópio caríssimo, encaixotado há seis meses.
Segundo a Folha apurou, a cisão foi causada por divergências sobre a gestão do instituto, nas mãos de Nicolelis.
O professor da Universidade Duke (EUA) preside a Aasdap (Associação Alberto Santos-Dumont), entidade privada que toca o instituto em convênio com a UFRN.
Apesar da parceria, ele teria limitado o acesso de alunos e professores da universidade aos equipamentos do IINN, irritando Ribeiro.
A gota d'água aconteceu em junho, quando Ribeiro, escolhido por Nicolelis para ser o primeiro diretor do IINN, em 2005, foi convidado a desocupar sua sala e a deixar de usar a garagem do instituto.

PATRIMÔNIO
Procurado pela Folha, Ribeiro não quis comentar a briga, mas disse que quer passar todos os equipamentos do IINN bancados com verba pública à gestão pública. "Os pesquisadores da Aasdap poderão ter acesso a tudo."
A reitora Ângela Paiva confirma que mandou retirar os equipamentos, mas nega a ruptura. "Estamos trabalhando com o Miguel Nicolelis para resolver o conflito."
O pesquisador da UFRN Sérgio Neuenschwander, que acaba de voltar ao Brasil para trabalhar no IINN após 23 anos no Instituto Max Planck, na Alemanha, tem uma visão diferente: "O Nicolelis contribuiu imensamente, mas a gestão dele foi muito destrutiva. Não tem volta."
Neuenschwander é um dos proponentes originais do instituto. Em 1995, ele, Ribeiro e Cláudio Mello, hoje na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (EUA), idealizaram uma forma de repatriar neurocientistas brasileiros.
O projeto ganhou forma após Nicolelis assumir sua liderança. Ele bancou a criação da Aasdap com US$ 450 mil do próprio bolso e obteve recursos do Banco Safra estimados em US$ 10 milhões.
A gestão público-privada, modelo usado nos EUA, daria mais agilidade à ciência, dizia Nicolelis.

Parabéns, Professor Romano!



COMITE INTERNACIONAL PARA OS 300 ANOS DE DIDEROT.
FUI CONVIDADO PARA INTEGRAR O COMITE INTERNACIONAL PARA OS 300 ANOS DE DIDEROT. ACEITEI. A LISTA DOS INTEGRANTES ESTÁ NO SITE DO EVENTO. Roberto Romano

Hoje levantei Clementina....




Clementina de Jesus...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Marie Curie

Você já imaginou uma cientista como Marie Curie dando aulas aos seus filhos e aos filhos dos amigos? Pois bem, ela deu aulas, em 1907, e esse livro mostra como ela organizaou, selecionou e ministrou as lições de física. Para ninguém botar defeito! Belíssimo! Baseado em anotações de Isabelle Chavennes, aluna de Marie Curie. Essas anotações foram encontradas pelo bisneto de Chavannes.


A partir DAQUI: http://www.livrariadafisica.com.br/detalhe_produto.aspx?id=30141



AULAS DE MARIE CURIE
ISABELLE CHAVANNES
Editora Edusp (resenha da livraria da Física, USP, SP)
Baseadas em anotações de Isabelle Chavannes, aluna de Marie Curie, estão reunidas aqui dez lições de física elementar, ministradas pela cientista durante os dois anos de funcionamento de uma cooperativa de ensino, criada por ela e outros intelectuais em 1907. Na cooperativa as crianças tinham contato com várias disciplinas ministradas de acordo com uma pedagogia moderna. As aulas experimentais de Curie sobre conceitos da física estimulavam os alunos a chegar, por meio da reflexão sobre as experiências, a suas próprias conclusões. Esta obra, de valor histórico, mostra o caráter pedagógico dos ensinamentos de Marie Curie, cujas lições de ciência se inscrevem na tradição européia de privilegiar a observação, reflexão e descoberta de respostas sobre os objetos e fenômenos da natureza. Pioneiras na época, as aulas de Marie Curie são, ainda hoje, vistas como uma grande contribuição para o ensino e aprendizado da física elementar

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Foto tirada no Paraguai por Guilherme, Evelyn e Karla.


Enviado pelo Zé de Arimathéia



Grata!



Amiga de ministros do PT atua como lobista no Dnit

Teresinha Nerone, ligada a Gleisi e Bernardo, acompanhou obra suspeita no Paraná

Ela foi contratada pela Prefeitura de Maringá para captar recursos e também acompanhar projetos em ministérios

RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA

Amiga do casal de ministros petistas Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil), a consultora Teresinha Nerone atuou no governo para obter apoio do Ministério dos Transportes à construção do anel viário de Maringá (PR).
A obra é investigada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que aponta sobrepreço de R$ 10,5 milhões nos pagamentos do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
O diretor-geral do órgão, Luiz Antonio Pagot, envolveu o casal na crise do setor ao dizer a congressistas do PR que "cumpria ordens do Planejamento", chefiado por Bernardo no governo Lula, e que Gleisi era quem acompanhava as obras no Paraná.
Na semana passada, em depoimento ao Senado, ele voltou atrás e negou ter feito ameaças aos petistas.
A empresa de Teresinha é contratada desde 2008 pela Prefeitura de Maringá para "assessoramento na montagem e acompanhamento de processos para a captação de recursos".
Indagada pela Folha, a assessoria de imprensa da prefeitura admitiu que os serviços de Teresinha incluíam acompanhar a tramitação do projeto da obra viária do Dnit, além de "financiamentos" no BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] e na Caixa Econômica.
Teresinha tem uma antiga e estreita relação com o casal de ministros. Em outubro de 2009, postou em sua página no microblog Twitter que estava "na praia, tomando vinho" com Gleisi e Paulo Bernardo. Questionado sobre isso, Bernardo respondeu: "Isso não é da sua conta".
Em 2010, Teresinha organizou evento com 1.200 pessoas em Maringá, segundo texto da assessoria da campanha de Gleisi, na época, para lançá-la ao Senado.
A empreiteira responsável pelo Contorno Norte da cidade, a Sanches Tripoloni, doou R$ 510 mil para a campanha de Gleisi, que fez um ato de campanha no canteiro de obras da empreiteira.
A obra, de R$ 142 milhões, subiu para R$ 179 milhões com aditivos. O TCU vê sobrepreço de R$ 10,5 milhões.
Teresinha tem duas empresas de assessoria, a Proneje e a Anality Consultoria. Oficialmente, fazem "serviços de engenharia". Na prática, contudo, Teresinha faz lobby por recursos para prefeituras e governos.
O secretário de Relações Interinstitucionais da prefeitura, Luiz Sorvos, disse que "de uma maneira geral ela [Teresinha] acompanha todos os projetos, por exemplo, nos ministérios da Justiça, da Cultura, das Cidades".
Uma pessoa próxima da consultora disse que ela também atuou para liberar recursos do BID para um programa de mobilidade urbana de Maringá de US$ 13 milhões assinado em 2010 após autorização do Senado.
O financiamento foi acompanhado por Bernardo, na época no Planejamento.
"Tratei desse assunto com o prefeito de Maringá, Sílvio Barros, e com o então deputado Ricardo Barros", reconheceu o ministro. Ele ressaltou, no entanto, que o projeto seguiu os trâmites técnicos.
Ex-deputado pelo PP, irmão do prefeito, Ricardo disse que conhece Teresinha como "consultora", mas ela não é um nome do partido.

Notas ...



Lendo, relendo o livro CORRESPONDÊNCIA entre Dante Moreira Leite e Jorge Sena (Ed. Unicamp, 1996), destaco trecho da carta de Dante a Jorge Sena de 29 de dezembro de 1967, Araraquara, SP.



[...] A escola, sem novidades, a não ser a manifestação "oficial" dos alunos contra arbitrariedades de nosso amigo HHO. São as velhas histórias que você conhece: trabalhos absurdos, notas idem. Resultado: trabalham o ano todo para a cadeira de português, prejudicam nas outras e são reprovados com Sua Excia. Felizmente estou livre dessa briga, bem como da outera armada pela TTH: como a ERR, assistente da dita, passou para a cadeira de economia, a TTH agora "diz o bicho" da ERR e do ALL (que substitui o Paul Singer). E não diz pouco: o primeiro que a passagem era por motivos amorosos, como essa não deu certo, agora sustenta, nada mais, nada menos, que ALL é veado e que leva homens para a faculdade. Mas essas histórias só aumentam a revolta dos alunos contra TTH - e você calcula o desespero da ilustre dama, cujo prazer é dominar o ambiente.


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São os lados obsclaros das universidades - públicas e privadas -, quando algumas pessoas, homens e mulheres - resolvem ser os alfas do pedaço. Em 2011 e em 1967 também. Não sei é consolo, não. Hoje, encontrei-me com um colega que me disse que os alunos disseram e que a secretária disse. Fui até a secretária pus as coisas a limpo. Ôh, Instituto Butantã.

domingo, 24 de julho de 2011

Amy



Do SOLDA

Back...




Amy Winehouse, Back to black

Amy



Do Solda aqui

Sublime Ney!




Ney Matogrosso /Cartola

Sublime...




Marisa Monte


Preciso me encontrar

Amy



Amy Winehouse (1983-2011) por Sérgio Lavos, Portugal, Blog Arrastão




Live fast, die young... no bullshit. Grande voz, o panteão dos 27 está mais rico; mas o mundo ficou a perder. Descanse em paz.
E mais: vejo repetida por todo o lado a expressão "desperdício de talento". Depois de morta, continua a ser recriminada por levar o estilo de vida que levava. Censurada por não ter feito outro disco desde Back to Black. Condenada pelas desastrosas actuações ao vivo. Não é justo. É egoísmo puro. Queremos que os nossos ídolos sejam perfeitos? Não, pedimos apenas que nos sirvam, como cantava outro perseguido pela fama, Kurt Cobain. Serve the servants - os artistas obrigados a servirem a sua arte. E nós, como vampiros, nunca nos cansamos, queremos sempre mais. Desperdício de talento, como se deus (ou alguém por ele) tivesse desperdiçado um dom em alguém que não o merecia. Amy Winehouse não era apenas um produto consumível. No fim de contas, o que lamentamos nós? A morte de alguém, ou o fim do nosso vício? Quem será, afinal, imperfeito?

Eça em 1872:



Eça dixit: «Nós estamos num estado comparável à Grécia»
Por Joana Lopes, Portugal Blog Entre as brumas da memória AQUI

«Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.»

Eça de Queirós, Farpas (1872)

Dante...







EmRibeirão Preto, SP, enquanto cursava biologia, lia, também, tudo que me caía na cabeça, nas mãos. Um professor indicou-me Dante Moreira Leite, Do amor romântico e outros amores. Sublime livro. Para compreender Guimarães Rosa precisei ler Dante, sim. Depois comprei outros livros do Dante M. Leite. Análise do caráter nacional, sobre Psicologia diferencial, Psicologia e Literatura. Na sexta encontrei na livraria da Universidade, da Editora da Unicamp, o livro CORRESPONDÊNCIA. Registros de uma convivência intelectual. É a corrrespondência entre Dante Moreira Leite e Jorge de Sena. Leio devagar. São cartas muito belas. Na carta de 2 de julho de 1975, Dante comenta sobre a crise de seu casamento. Em 30 de julho de 1975, Jorge Sena fala de triste notícia da separação. Separam-se Dante e Miriam. Depois Dante a pede em casamento novamente. Em 24 de fevereiro de 1976, Dante tem um infarto. Faleceu aos 48 anos. Jorge Sena falece também. Em março de 1976, desgostoso da morte do amigo.

Nas cartas vemos dois grandes professores e escritores à volta com seus problemas (e soluções) nas universidades. Seus belos projetos e a situação dos salários. Jorge nos EUA e Dante na Unesp de Araraquara, SP.
Ver texto abaixo:



Psicologia: ciência e profissão
versión impresa ISSN 1414-9893
Psicol. cienc. prof. v.22 n.3 Brasília sep. 2002

BIOGRAFIA

Dante Moreira Leite


Maria Luiza Sandoval Schmidt*; Tatiana Freitas Stockler das Neves**

Universidade de São Paulo. Instituto de Psicologia. Laboratório de Estudos do Imaginário


Dante Moreira Leite nasceu em Promissão (SP) em 22 de outubro de 1927. Cursou a escola primária e o ginásio em Mogi das Cruzes, transferindo-se, posteriormente, para o Colégio Estadual Presidente Roosevelt em São Paulo, onde concluiu o chamado curso clássico, em 1946. Em 1950 formou-se em filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP), dedicando grande parte de sua vida, desde então, ao ensino universitário e à pesquisa acadêmica.

Foi docente junto à FFCL-USP entre 1951 e 1958 e responsável pelas disciplinas de Psicologia e Psicologia Educacional da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara entre 1959 e 1971. Retornando à Universidade de São Paulo, em 1971, para o recém-criado Instituto de Psicologia, foi chefe do Departamento de Psicologia Social de do Trabalho até 1974, quando assumiu a diretoria do Instituto.

Escritor e pesquisador profícuo, publicou sete livros, dentre os quais se destacam O caráter nacional brasileiro: história de uma ideologia e Psicologia e literatura. Como articulista, escreveu para jornais e periódicos pelo menos 58 artigos, nos quais abordava temas como educação, tradução e linguagem, literatura e educação, caráter nacional, preconceito racial, a ficção de Guimarães Rosa, biografia e autobiografia, a psicologia ingênua de Fritz Heider, entre outros. Livros fundamentais para o estudo básico de psicologia, bem como livros inovadores no campo das ciências humansas, tornaram-se disponíveis em língua portuguesa por meio do trabalho de tradução de Dante Moreira Leite. Atribuía à tradução um sentido didático, valorizando a possibilidade do acesso de alunos de graduação à literatura de qualidade em versões bem cuidadas.

Militante do rigor intelectual e da prática de uma ciência viva, posicionou-se contrariamente às simplificações e reducionismos de visões enclausuradas pelo psicologismo, aproximando a psicologia de outras áreas do conhecimento tais como a literatura, a antroplogia, a história e a sociologia. O modo como se moveu entre a literatura e a psicologia instituiu um campo interdisciplinar que o acompanhou durante todo o seu percurso: no croação desta interlocução, Dante pôde sustentar a tensão entre o projeito da ciência moderna que aspirava à previsão e o controle da conduta humana e os limites postos a este projeto que, de certo modo, a literatura encarnava.

Buscou em suas ações no âmbito do ensino e da pesquisa em psicologia constituir um saber enraizado na realidade social brasileira e comprometido com a construção de uma comunidade humana capaz de conviver, tolerar e aprender com a diferença.

No cenário da História da Psicologia no Brasil, Dante Moreira Leite apresenta-se como intelectual importante, tanto pelo conjunto de sua obra inaugural no campo da pesquisa em Psicologia Social, quanto por suas contribuições no estabelecimento de um padrão de ensino em psicologia.

Faleceu no dia 24 de fevereiro de 1976, aos 48 anos.

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* Docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e Coordenadora do Laboratório de Estudos do Imaginário (LABI/PSA/USP)
** Psicóloga e membro do Laboratório de Estudos do Imaginário (LABI/PSA/USP)
Coautoras do livro Dante Moreira Leite da Coleção Pioneiros da Psicologia Brasileira Volume 10. Imago/Conselho Federal de Psicologia, 2002.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tinha?

Imagem: Ada Breedveld

Do Blog O CAFÉ DOS LOUCOS AQUI



li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então eu indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
?e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável, apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela,
a paixão grega


Herberto Helder in, "a faca não corta o fogo" assírio & alvim, 2008


O Gosto de Viver por Bertrand Russel






(…) Talvez a melhor forma de compreender o que significa o gosto de viver seja observar as diferentes atitudes dos homens quando estão à mesa. Há aqueles para quem a refeição é simplesmente uma obrigação; por muito boa que a comida possa ser não lhes interessa. Tiveram sempre boa comida, provavelmente em quase todas as refeições que comeram. Nunca souberam o que é viver sem jantar o que é viver sem jantar, até que a fome se torna em paixão furiosa, e consideram as refeições como puras convenções impostas pelos caprichos da sociedade em que vivem. Como todas as outras coisas, as refeições são para eles aborrecidas mas não é razão para dar a isso muita importância, pois tudo o resto é igualçmente aborrecido. Depois, há os doentes que comem por dever, porque o médico lhes disse que era necessário tomarem algum alimento para conservar as forças. Há os epicuristas que começam cheios de esperança e depressa verificam que os pratos não estão bem preparados como esperavam. Há os glutões que se atiram à comida com verdadeira voracidade, comem demasiado e ficam pletóricos e estertorosos. Finalmente, há os que começam a comer com bom apetite, satisfeitos com a sua refeição, comem até terem vontade e param em seguida.

Os que se sentam no banquete da vida têm reacções semelhantes para as boas coisas que lhes oferecem. O homem feliz corresponde ao último dos nossos comedores. O apetite está para a comida como o entusiasmo está para a vida. O homem que se aborrece com as suas refeições, corresponde à vítima da infelicidade byroniana. O doente que come por dever corresponde ao asceta, o glutão ao voluptuoso, o epicurista à pessoa difícil de satisfazer que condena metade dos prazeres da existência como inestéticos. Por estranho que pareça, todos estes tipos, com a possível excepção do glutão, desprezam o homem de apetite são e consideram-se superiores a ele. Afigura-se-lhes vulgar gostar de comida porque se tem fome, ou gostar da vida porque ela oferece grande variedade de espectáculos interessantes e de experiências surpreendentes. (…)

In A Conquista da Felicidade, Bertrand Russel



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Vou fazer outro texto- desta vez meu - sobre A CONQUISTA DA FELICIDADE - livro de Bertrand Russell. Pensei nesse livro depois que cheguei de minha aula hoje de manhã.
Frank

PMDB e PT: para sempre partidos...

Marco Jacobsen cap-tirado do Blog do Solda aqui



Solda aqui

...



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Polya...

Está fora de moda, pero no mucho!
Vale apena conhecer...



"Aprender, ensinar e aprender a ensinar"
Polya
Tradução de Olga Pombo






"On Lerning, Teaching and Learning Teaching", in Mathematical Discovery (1962-64), cap. XIV.



"O que se é obrigado a descobrir por si próprio deixa um
caminho na mente que se pode percorrer novamente sempre
que se tiver necessidade". Lichtenberg


Todos os conhecimentos humanos começam por intuições,
avançam para concepções e terminam com idéias. Kant

"Escrevo para que o aprendiz possa sempre aperceber-se do fundamento interno das coisas que aprende, de tal forma que a origem da invenção possa aparecer e, portanto, de tal forma que o aprendiz possa aprender tudo como se o tivesse inventado por si próprio". Leibniz

1.Ensinar não é uma ciência

Vou dar-vos conta de algumas das minhas opiniões acerca do processo de aprendizagem, da arte de ensinar e da formação de professores.

As minhas opiniões resultam de uma longa experiência. Apesar disso, enquanto opiniões pessoais, elas podem ser irrelevantes razão pela qual não me atreveria a com elas desperdiçar o vosso tempo se o ensino pudesse ser completamente regulamentado por factos e teorias científicos. Porém, não é este o caso. Ensinar não é, na minha opinião, apenas um ramo da psicologia aplicada. Não o é em nenhum aspecto, pelo menos no presente. Ensinar está em correlação com aprender. O estudo experimental e teórico da aprendizagem é um ramo da psicologia cultivado de forma extensiva e intensa. Mas existe uma diferença. Estamos principalmente preocupados com a complexidade das situações de aprendizagem, tais como aprender álgebra ou aprender a ensinar, e com os seus efeitos educacionais a longo prazo. Por seu lado, os psicólogos dedicam grande parte da sua atenção a situações simplificadas e a curto prazo. Quer isto dizer que, embora a psicologia da aprendizagem possa dar-nos pistas interessantes, não pode ter a pretensão de dar a última palavra sobre os problemas do ensino.

2. O objectivo do ensino
Não podemos julgar o desempenho do professor se não soubermos qual é o seu objetivo. Não podemos discutir seriamente o ensino se não concordarmos, até certo ponto, acerca do objetivo do ensino.

Deixem-me especificar. Estou preocupado com a matemática nos currículos do secundário e tenho uma idéia "fora de moda" acerca do seu objetivo: primeiro, e acima de tudo, ela deveria ensinar os jovens a PENSAR.

Esta é em mim uma convicção firme. Podem não concordar inteiramente com ela mas presumo que concordarão com ela até certo ponto. Se não consideram que "ensinar a pensar" é um objetivo prioritário, podem encará-lo como um objetivo secundário e teremos pontos comuns suficientes para a discussão seguinte.
"Ensinar a pensar" significa que o professor de Matemática não deve simplesmente transmitir informação, mas também tentar desenvolver a capacidade dos estudantes para usarem a informação transmitida: deve enfatizar o saber-fazer, atitudes úteis, hábitos de pensamento desejáveis. Este objetivo precisa certamente de maior explicação (todo o meu trabalho pode ser encarado como uma maior explicação) mas neste caso vai ser suficiente enfatizar apenas dois aspectos.
Primeiro, o pensamento com que estamos preocupados não é o divagar quotidiano, mas um "pensamento com um objetivo" ou um "pensamento voluntário" (William James) ou "pensamento produtivo" (Max Wertheimer). Tais formas de "pensamento" podem ser identificadas, pelo menos numa primeira abordagem, com a "resolução de exercícios". Em qualquer caso um dos principais objetivos do currículo da matemática no secundário é, na minha opinião, o desenvolvimento da capacidade dos alunos para resolver problemas.

Désappendre



De Myrtille Henrion Picco, Désapprendre



Solda aqui

Vera e Solda....



Aviso aos navegantes


do SOLDA AQUI

Vera Solda e o ex-chargista (demitido por ser negro) de um jornal curitibano. Foto de Pryscila Vieira

Alma...



Osacar Wilde, cap-tirado do Blog Amigos do Freud aqui


As pessoas cujo desejo é unicamente a auto-realização, nunca sabem para onde se dirigem. Não podem saber.


Numa das acepções da palavra, é obviamente necessário, como o oráculo grego afirmava, conhecermo-nos a nós próprios.


É a primeira realização do conhecimento. Mas reconhecer que a alma de um homem é incognoscível é a maior proeza da sabedoria. O derradeiro mistério somos nós próprios.


Depois de termos pesado o Sol e medido os passos da Lua e delineado minuciosamente os sete céus, estrela a estrela, restamos ainda nós próprios. Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma?

Telma, eu não sou gay!



Em Barretos, interior de São Paulo, terra de cowboys, o jovem Danilo Rodrigo Okasuka, homossexual, foi assassinado a tiros. Em São João da Boa Vista, poucos dias após da morte de Danilo, um homem teve a orelha decepada enquanto passeava abraçado ao filho na Exposição Agropecuária Insdustrial e Comercial. Vinte homens - desejosos e repudiando seus desejos gays - avançaram e quase mataram pai e filho. O desejo mata, só que, nesses casos, mata os outros também.

Que democracia...



Que democracia é esta? por Joana Lopes, Blog Entre as brumas da memória, Portugal AQUI

No Público de ontem (sem link), mais um importante texto de Boaventura Sousa Santos. Aqui fica (os realces são meus).


«No seu artigo no PÚBLICO de 2 de Julho, São José Almeida perguntava sobre o tipo de democracia em que estamos. A pergunta está na mente de muita gente e deve ser respondida. Como contributo para o debate, ofereço a minha resposta. É uma democracia de muito baixa intensidade, que assenta nas seguintes ideias-mestras:


1. As expectativas quanto ao futuro próximo são descendentes (as coisas estão mal mas vão ficar ainda pior) e têm de ser geridas com grande controlo do discurso do Governo e do comentário conservador ao seu serviço, de modo a excluir do horizonte qualquer alternativa credível. Desta forma, é possível transformar o consenso político eleitoral em resignação cidadã, a única maneira de manter vazias as ruas e as praças da revolta.


2. Uma profunda transformação subterrânea do regime político corre paralela à manutenção, à superfície, da normalidade democrática da vida política. Trata-se de um novo tipo de Estado de excepção, ou de Estado de sítio, que suspende ou elimina direitos e instituições sem ter de revogar a Constituição. Basta ignorá-la, para o que conta com a cumplicidade de um Presidente da República que paradoxalmente conseguiu atingir, sem governar, os objectivos por que lutou em vão quando governou; com a demissão do Tribunal Constitucional treinado para os baixos perfis das minudências formais; e com a paralisia de um sistema judicial demasiado desgastado social e politicamente para poder assumir a defesa eficaz da democracia.


3. A tutela internacional da troika não colide com a soberania nacional, quando o poder soberano não só está de acordo com o conteúdo político da tutela, como inclusivamente se legitima através do excesso com que a acolhe e reforça. Domina a crença de que um governo de direita de um pequeno país não tem o direito nem a necessidade de inovar. As medidas políticas para a destruição do Estado social e dos serviços públicos estão testadas com êxito nos governos de referência. Para saber o que vai acontecer na saúde, na educação, nas pensões e na assistência aos idosos, ou o modo como se vai dissimular o número de famílias que perderá a sua casa nos próximos tempos, basta estar atento à imprensa inglesa. A ausência de inovação é disfarçada pelo estilo de apresentação (de preferência, com alguma radicalidade) feita por uma classe política jovem que transforma credivelmente retrocesso político em renovação política, inexperiência em benefício da aposta, total submissão a interesses económicos poderosos (nacionais e internacionais) em garantia contra a corrupção.


4. É crucial assegurar que a oposição permaneça paralisada pela armadilha que ela própria criou e que consiste em estar limitada (por quanto tempo, é a questão) a escolher entre duas possibilidades, que são outros tantos becos sem saída. A primeira é a luta parlamentar, onde, por não ter maioria, nunca poderá provocar uma crise de governação. A segunda é a luta extraparlamentar contra a resignação através da crença racional em alternativas democráticas credíveis que, de tão incontornáveis, ou entram no Parlamento ou acampam fora dele. Neste caso, provocaria uma crise de governação, mas esta só seria produtiva se os seus custos políticos, sobretudo de curto prazo, pudessem ser assumidos em conjunto por todas as forças de esquerda, o que, como é sabido, não é possível, pelo menos, por agora. Esta ideia-mestra da democracia de baixa intensidade recomenda que os rostos desgastados dos líderes da oposição se mantenham e que os que tiverem de ser substituídos o sejam por rostos que nunca viram a realidade social senão através das janelas do Parlamento.



O novo regime pensa-se como de longo prazo. Quando for superado, Portugal será um país muito diferente e assim permanecerá por muito tempo. O problema é que as armadilhas (tal como as minas antipessoais) são cegas e não reconhecem os donos. O Governo criou a sua própria armadilha ao pensar que a tutela internacional podia ser usada em dose controlada: usá-la para realizar o projecto político que a direita, por si só, nunca foi capaz de levar a cabo, mas impedir que os condicionalismos da tutela destruam o país. A armadilha reside em que a tutela, porque é internacional, vê Portugal à escala de um lugarejo e não submete a dosagem da sua intervenção a outros critérios que não sejam os seus.


Por todas estas razões, o 25 de Abril do próximo ano será o primeiro da lembrança de uma perda irreparável. Para ter alguma força, sugiro que se fundam nele o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro. Haverá menos feriados, o que convém, e mais significado, o que convém ainda mais.»


Director do Centro de Estudos Sociais, Laboratório Associado, da Universidade de Coimbra

Universidade Católica, Lisboa







.Ser, não-ser e parecer
Publicado em Actualidade, Olhares, Opinião a 19 de Julho de 2011 por RUI BEBIANO, Portugal, AQUI


A resolução do Conselho Académico da Universidade Católica sobre esse dress code mínimo pelo qual, em proveito da sua dignidade corporativa, são responsáveis professores e alunos, encerra contornos inquietantes. Ela visa banir dos espaços e instalações da instituição os «modos de trajes e formas de apresentação próprias de local de lazer e de desporto», sugerindo, como instrumento de controlo, que «todos os responsáveis pela salvaguarda do ambiente e da imagem da universidade nas suas instalações e no espaço do Campus universitário, devem chamar a atenção dos que se apresentarem de maneira imprópria». Ocorre aqui, desde logo, uma dimensão normativa que colide com a liberdade individual. Ela até pode ser aceitável em quartéis ou prisões, mas não em locais públicos frequentados por pessoas que podem entrar e sair dos espaços sob a alçada do código sem qualquer coacção. Não se percebe, além disso, a quem se aplica, dado que os cidadãos atingidos pela medida podem ser até convidados vindos de outras universidades, de outras culturas, ou simples cidadãos em viagem de férias mas interessados numa conferência ou numa exposição. Pode ainda afrontar identidades pessoais ou colectivas, ostracizadas por «impropriedade» daqueles que transportem no corpo os seus sinais «aviltantes».

O que mais importa aqui não é, porém, o caso em si, mas sim a tendência que ele sinaliza. A insinuação da cultura antidisciplinar, nascida nos Estado Unidos na década de 1950, e que dominou o ocidente por mais de vinte anos, traduziu-se, entre outros aspectos, na apropriação de estilos de vida, modalidades de gosto, padrões de vestuário, códigos de comportamento, cambiantes gestuais, linguagens, definidos como uma espécie de prolongamento, no que à vida pessoal dizia respeito, das «estradas da libertação» então abertas. De Lisboa a Praga, ela perturbou particularmente os regimes fechados e autoritários, para os quais a emancipação e a diversidade do parecer – da cor da camisa ao corte das calças e do cabelo – constituíam uma marca de intolerável rebeldia. Para os insurrectos, por sua vez, ela era um sinal identitário, um modo de perturbação da ordem cultural, social e ética que visavam contestar. Não será, por isso, por um acaso que, nestes tempos nos quais passou a ser sinal de boa política a correcção da desordem utópica produzida e propagada durante os sixties, o resgate do fato-e-gravata se imponha como aspecto de um «regresso à ordem». Alguns pedagogos do Estado Novo falavam das universidades como lugares de formação de um «escol de mandantes». Este processo de diferenciação social passava então por uma normalização rigorosa da economia do parecer. Felizmente os tempos são outros e estes círculos já deixaram há muito de deter capacidade para imporem o seu modelo de regulação. Mas teimam em cumprir o papel de difusores de uma concepção de elite – do saber e de poder – destinada a demolir a ideia de liberdade e de igualdade que fundamenta a civilidade democrática.

Braziu!

Braziu!

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