TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.
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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Privatize-se...



Privatize-se
Por Joana Lopes, Portugal, Blog ENTRE AS BRUMAS DA MEMÓRIA AQUI


«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago - Cadernos de Lanzarote

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CONTINUO....


Privatize-se a escrita de nossos textos universitários (ditos de pesquisa) em revistas especializadas quantificadas por numerólogos privatistas que publicam ad nauseum para ninguém ler (porque estamos todos privatizados a cada dois anos). Privatize-se as consciências, as que ainda não estão privatizadas ... faz mal ter gente fora da casinha. Privatize a sua sala, seu corredor. Vigie os que não estão privatizados. Nada de conversas alegres. Nada de encontros na cantina, ela pode parecer pública. Não ria. Não converse, não se alegre. Estão chegando os putos, hijos de las putas.

quarta-feira, 21 de julho de 2010


Do Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba

“Essa linha de trem que segue ao lado da estrada parece de brinquedo, ou o que restou de uma solene antiguidade. O viajante, cujo sonho de infância era ser maquinista, teme que a locomotiva e os vagões não sejam mais deste tempo e sim peças de museu nas quais o vento que chega das montanhas não consiga sequer sacudir as teias de aranha.” (José Saramago in Viagem a Portugal).

Fotografia de Navia em algum lugar de El Alentejo, Trás-Os-Montes, Lisboa, Mafra ou Granada in El País, 18/7/2010.

A Espanha tem dessas coisas. O indispensável El País pediu à maravilhosa Pilar del Río (do Rio!!) que escrevesse sobre José Saramago em sua edição de hoje. E aí, Pilar pintou, Pilar esculpiu, Pilar moldou, Pilar fez das tripas coração, Pilar pariu uma lágrima nova, linda, querida, que deu por título Viagem por Saramago. É de chorar de tão lindo. Não está lá e está lá o modo como Saramago conclui o livro “Viagem a Portugal” (no Brasil publicado pela Cia. das Letras):

“A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o viajante se sentou na areia da praia e disse: ‘Não há mais que ver’, sabia que não era assim. O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.”

José Saramago in Viagem a Portugal.

Uma maneira direta de dizer: até amanhã.

sábado, 19 de junho de 2010

Sara e é mago, Saramago!


Foi-se ontem. Saramago.
Dono de letras
palavras
flores
sonhos
Sarando gente
Como mago que é.
Imagem: cap-tirada do blog de Carla Maia de Almeida

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Obama or not Obama



Da Mary, Blog A Feminista
Saramago, sempre, se posicionando. Obrigada.
Israel
Dezembro 31, 2008 by José Saramago
Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a "relação especial" que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta. Outros presidentes colegas seus o fizeram antes sem precisarem de outra justificação que a tal "relação especial" com a qual se deu cobertura a quantas ignomínias foram tramadas pelos dois países contra os direitos nacionais dos palestinos.
Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas...) E não se surpreenda se uma das suas filhas, ou as duas em coro, lhe disserem: "Não te canses, papá, já sabemos o que é uma relação especial, chama-se cumplicidade no crime".

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