TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.
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quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Aqui no grotão...


O pensamento dualista opera com oposições simples e dogmaticas. Se uma proposta reforça “o nosso lado”, ela é vista com plena complacência. Se ruma em sentido diferente, deve ser estimagtizada.
Nem sempre, no entanto, as coisas são límpidas. É possível criticar um governo por várias causas. Muitas criticas, caso tomadas abstratamente, podem trazer argumentos com aparente identidade teórica e prática. Mas a sua base e pressupostos não se identificam. É de urgente prudência negar o dito de Churchill : "Se Hitler invadisse o inferno, eu me aliaria ao diabo". Mais saudável é ir contra Hitler e contra as tropas de Lucifer. A aliança estratégica, estabelecida entre os que defendiam a democracia e as legiões de Stalin, serviu no plano imediato, mas gerou frutos amargos nos campos de concentração administrados pelo Partido totalitário. Não sou conviva de oligarquias brasileiras. Mas a paulista, conheço bem. É do seu interior que atitudes nobres (de alguns setores) foram geradas e muita coisa hedionda foi produzida. Não posso —não sei e não quero— andar pelas ruas em protesto, seja lá contra quem for, com setores que financiaram a Oban (quem ignora o significado da sigla, leia os livros de Elio Gaspari sobre a ditadura) e a repressão do período militar. Entre os cansados da rua Oscar Freire, surgem pimpolhos de muita gente que fez aquilo. Dinheiro generoso de bancos e de empresas (bem conhecidas) circulou nas veias do organismo repressivo. As oligarquias brasileiras repetiram (ainda repetem, à socapa) as teses de Nina Rodrigues e de outros, sobre o povo como caso de teratologia. Dado o “fato científico”, seguiu-se a tese da pretensa incapacidade popular para o exercício da soberania política. E surgiram, à direita e à esquerda, os tutores do povo. Estes se abarrotam de privilégios (econômicos e sociais) e açambarcam os bens públicos para os seus cofres privados. Em tal faina, para fazer o serviço sujo, os verdadeiros poderosos usam os politicos como estafetas. Eles, os privilegiados, vivem no mundo Daslu, Louis Vuitton, Tifanny, Ferrari, etc. Se o ministro Marco Aurélio Garcia foi pornográfico, não esqueçamos a pornografia do luxo ostentado pela pretensa elite paulista. Não considero golpista, como faz crer a máquina fascista de propaganda governamental, o happy few que vai hoje às ruas contra Lula. Que vivesse tranqüilo no seu universo onírico e custoso, próprio dos “Beautiful and Damned”, sem exigir melhorias na Casa Grande, seu habitáculo normal, à custa dos dinheiros estatais. Eles lucram muito com o governo, dele são os maiores sócios. E não cabe a gente séria, sobretudo a que amarga as dores da senzala, apagar lágrimas de dondocas e dondocos com lenço de seda. Basta ler as proclamações de a-politicidade emitidas pelos líderes dos cansados. Face a um governo que usa os piores truques em currais eleitoreiros e mobiliza uma chusma de amigos em cabides de emprego (a Folha de São Paulo trouxe o rol dos "companheiros" nas agências reguladoras), só a má fé pode proclamar a-políticidade. São inaceitáveis os gestos “indignados” das mesmas pessoas que aplaudem contingenciamentos na educação, na segurança, ciência e tecnologia, em todas as políticas públicas, pois tais cortes engrossam as suas burras (com a polissemia da palavra), mas depois se abraçam às vítimas dos seus lucros indecentes, lágrimas de crocodilos nos olhos. Se o referido movimento defender mudanças econômicas que assegurem o desenvolvimento do país, com o fim da atual ortodoxia financeira, se exigir aberta e políticamente o defenestramento dos companheiros incompetentes e arbitrários das agências de controle e demais orgãos do Estado, se defender a prestação de contas do governo, se exigir que a Justiça coloque na cadeia boa parte da "base aliada" de apoio, etc. conte comigo. Caso contrário, arrume uma boa poltrona.

E seus "apolíticos", que descansem em paz.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Farsas inúteis


Portal Imprensa » Últimas NotíciasPublicado em: 06/08/2007
"Os intelectuais de esquerda sempre tiveram uma relação dúbia com a imprensa", diz o filósofo Roberto Romano, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA
"Deixemos as farsas inúteis". Foi parafraseando o sociólogo e cientista político F. Weffort que o filósofo Roberto Romano resumiu sua opinião sobre as recentes declarações de Marilena Chauí que, na última quarta-feira (1°/08), afirmou considerar clara a presença "da guerra civil e do Golpe de Estado" no discurso adotado pela imprensa durante a cobertura do acidente com o Airbus da TAM.Em texto publicado por Paulo Henrique Amorim, no site Conversa Afiada, Chauí deixa clara sua indignação com a "exploração da tragédia" por parte da mídia, já que, segundo ela, certos setores oposicionistas não admitem a legitimidade da reeleição de Lula por considerarem-na uma "ofensa pessoal à competência técnica e política da auto-denominada elite brasileira".
Para legitimar sua opinião sobre a existência de um "golpe de Estado", a filósofa lembra que a imprensa não deu às greves no INSS a mesma relevância que deu ao acidente da TAM, por exemplo, e que, mesmo na cobertura da tragédia, falhou ao fazer associações e constatações infundadas.
"Deixemos as farsas inúteis", repete Romano ao lembrar que, desde o século XVI, a imprensa tem como característica noticiar o que causa mais impacto. Nesta "mimesis" distorcida, onde o tempo limita e impõe o que será "representado", é natural, segundo o filósofo, que apenas um dos aspectos da realidade fique em evidência."A realidade é muito complexa e hoje a imprensa tem muito pouco tempo para dar conta de todos os seus aspectos. Isso, no entanto, não quer dizer que ela esteja fazendo um trabalho de golpismo. É apenas uma de suas características", disse Romano em entrevista ao Portal IMPRENSA.
O professor e filósofo admite que é difícil defender o governo em momentos de crise, mas que, quando isto ocorre, é preciso que haja coerência. "Para um intelectual do PT, é preciso analisar a realidade como um todo antes de emitir opiniões. É necessário ser crítico. Os intelectuais de esquerda sempre tiveram uma relação dúbia com a imprensa, basta olhar a presença de Chauí na mídia, em que ocasiões ela mais se manifesta, para identificar sua postura", disse ele, lembrando que Chauí já recebeu um voto de repúdio da comunidade acadêmica por adotar posturas diferentes perante os intelectuais e a mídia.Desse modo, a atitude de Marilena, segundo Romano, pode ser considerada um "hino à filosofia militante", baseada em um "comportamento mental clássico da esquerda". Porém, mais do que criar teorias sobre golpismo, este é o momento de pensar nas reais necessidades da população. "Não se trata de golpismo porque seria um golpe contra si mesmo. Da elite contra a elite. Está na hora de deixar estas farsas inúteis e pensar em que políticas públicas são necessárias - o que inclui a malha viária, claro. É tempo de pensar mais seriamente e com um pouco mais de respeito à população e ao leitor", conclui. Para ler o que o Portal IMPRENSA. já publicou sobre o assunto, clique aqui.
Foto: Divulgação Unicamp

Zelite


do Blog de Roberto Romano

POR Vilson Vieira Junior “As naturalidades" da imprensa"!”

Segundo o filósofo Roberto Romano, é natural que a imprensa se preocupe com um recorte, um foco da realidade. Entretanto, não são naturais os motivos que levam a essa escolha de enfoque sobre a realidade. A imprensa nunca foi tão partidária e ideológica no Brasil com está sendo nos últimos tempos. Como escreveu Karl Marx, ela é porta-voz da ideologia dominante de uma determinada época, ou seja, da ideologia capitalista e neoliberal.Marilena Chauí, como sempre, foi feliz e bastante realista em sua análise do poder político-ideológico que os meios de comunicação representam e exercem na sociedade brasileira.

Caro Roberto Romano, a imprensa nunca foi, não é e jamais será neutra e imparcial. Basta fazer uma retrospectiva dos acontecimentos políticos e eleitorais que marcaram o país, desde a famigerada disputa presidencial de 1989, para comprovarmos a tese de que a mídia é um instrumento ideológico do poder dominante.O governo Lula não representa a elite, mesmo que tenha formado alianças com setores dela. Entretanto, ela não controla diretamente o poder, fato que a incomoda e a leva, por meio de sua arma mais poderosa, a mídia, a atuar na direção de buscar resultados favoráveis através da tentativa de manipulação da opinião pública e, por conseguinte, da sociedade.Enfim, é necessário ser crítico nessas horas, não é!?

Vilson Vieira Jr. - Jornalista!

Comentário de Roberto Romano: O governo Lula não representa a elite, mesmo que tenha formado alianças com setores dela. Entretanto, ela não controla diretamente o poder, fato que a incomoda e a leva, por meio de sua arma mais poderosa, a mídia, a atuar na direção de buscar resultados favoráveis através da tentativa de manipulação da opinião pública e, por conseguinte, da sociedade. Enfim, é necessário ser crítico nessas horas, não é!?

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Odeio pobre!


No Brasil os pobres não podem ficar na frente da elite. Como dizia um humorista parodiando a elite brasileira: Odeio pobre. E não é que, em São Paulo, uma construtora deu um jeitinho brasileiro em uma favela? Veja a reportagem que saiu na Folha de São paulo de domingo, dia 17/6/07.


Daniel Bergamasco
A construtura JHSF está distribuindo cheques de R$ 40 mil para retirar cada uma das 70 famílias invasoras de um terreno que será parte do projeto de um shopping-condomínio orçado em R$ 1,5 bilhão, que terá apartamentos de até R$ 18 milhões. As casas formam parte da favela do Jardim Panorama, na zona sul de São Paulo. O custo total da desocupação, cujo acordo foi assinado após reuniões das partes para que a ação de despejo não seja levada adiante, é de R$ 2,8 milhões -a construtora não confirma valores, mas a Folha teve acesso a comprovantes de depósito. No terreno, a construtora estenderá a área verde do condomínio, que será cercada por um muro. Do lado de lá, a favela continua, em área da prefeitura, que tenta judicialmente o despejo dos barracos. Na última quarta-feira, uma fila de caminhões de mudança aportou na favela. Era preciso que a casa começasse a ser demolida para o morador receber o cheque -a maioria acertou pagar o valor da compra da moradia nova no dia da mudança. Com os R$ 40 mil, é possível comprar, por exemplo, uma casa de um quarto na Pedreira (divisa com Diadema, a cerca de 15 km da favela). O empreendimento, batizado de Parque Cidade Jardim, terá shopping, spa e 13 torres, entre residenciais e comerciais. O morador poderá trabalhar, comprar e ir ao médico sem ultrapassar os muros do local. Lambaris e preásMaria Gomes, 66, conta que chegou lá nos anos 1960. "Meu marido pescava lambari para o nosso almoço no rio Pinheiros. Essa rua toda era uma horta que eu cuidava, até que as pessoas foram chegando do Norte passando por dificuldades." Os moradores estão divididos sobre a mudança. A desempregada Leila Aparecida Suzano, 29, é favorável. "Saio de um barraco de madeira com dinheiro na mão para comprar uma casa num bairro longe, mas no meu nome. Vou finalmente ter algo para deixar para meus filhos", diz ela, que irá para o Jardim Guarujá (zona sul). Já a empregada doméstica Marluce Gomes de Lima, 44, que trabalha no Itaim, lamenta a remoção. "Comprei uma casa em Vargem Grande Paulista e agora, em vez de levar 20 minutos até meu trabalho, vou levar duas horas e meia para ir e o mesmo tempo para voltar. Rico não gosta de pobre mesmo, eles querem nos ver longe" reclama. Álvaro Puntoni, professor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da USP), critica o acordo. "Sei que o terreno é particular e que, se eu fosse favelado, adoraria ganhar os R$ 40 mil, mas a lógica é um pouco perversa. A elite blinda o carro para resolver o problema da segurança. Nesse caso da construtora, poderia se pensar em uma solução com poder público para abrigar a população no espaço onde ela já vive."
Colaborou VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO

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