TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

E sobre Cavaco em Portugal



A água do capote por Rui Bebiano, AQUI
Publicado às 2:29 de Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011


Quando em 1963 Hannah Arendt publicou Eichmann em Jerusalém, invocando aí o tema difícil da banalidade do mal, provocou uma onda de choque em muitos dos seus leitores judeus ou em pessoas que simpatizavam com as suas causas. O escândalo derivou, como tantas vezes acontece perante uma argumentação lúcida mas complexa, de uma incompreensão profunda e renitente. Na realidade, Arendt, ela própria de origem judia, não tinha declarado ali que os judeus haviam sido cúmplices do seu próprio aniquilamento às mãos da barbárie nazi, como alguns quiseram fazer crer, mas sim que uma certa passividade, ou desinteresse, mantido por muitos perante os avanços do nazismo e do anti-semitismo, os haviam transformado em inevitáveis vítimas. Quando acordaram não tinham alternativa. Sem dramatizar em excesso os resultados das eleições de domingo e pretender, o que seria um absurdo, que a situação política que vivemos tem algo que se compare à da Alemanha durante a República de Weimar – Cavaco não é propriamente Adolf Hitler e continuamos apesar de todos os males a viver em democracia – podemos ainda assim esboçar uma analogia com a explicação da teórica alemã. Olhar para o lado, incitar à indiferença, trouxe consigo, objectivamente, uma derrota que irá lesar muitos dos que por omissão a permitiram ou amplificaram.

É que aconteceu o que aconteceu porque um largo sector da «consciência global» da esquerda – um conceito que arrepia muitos dos seus segmentos, mas que existe para além da sua vontade – não só não foi capaz de gerar as condições para produzir uma alternativa convincente e mobilizadora, como se refugiou num desinteresse, numa maledicência, numa abulia que acabaram por favorecer uma direita unida, pragmática e razoavelmente enérgica. Manuel Alegre, de facto, apenas mobilizou os partidários de uma ideia de esquerda cheia de pergaminhos mas talvez demasiado retórica, imprecisa e pouco atractiva. Já os mobilizáveis que não foram mobilizados – leia-se, um bom número de militantes e compagnons de route socialistas – refugiaram-se num rancor absolutamente cúmplice. Agora justificam-se, entre gargalhadas, com um absurdo «eu não vos disse…», mas a verdade é que é fácil afirmar que Alegre foi estrondosamente derrotado – e foi-o – quando de facto tudo se fez para que essa derrota acontecesse, ainda que à custa de uma vitória esmagadora – que o foi – do homem cinzento de Boliqueime. A sua apologia da passividade não foi a causa exclusiva da derrota de Alegre, mas foi com toda a certeza responsável pela dimensão do triunfo do candidato da direita. Que não venham sacudir para cima dos outros, aqueles que se moveram, a água do capote
.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

E com Cavaco em Portugal


Por João Tunes, Água Lisa AQUI


O defensor do come e cala que um dia proclamou alto e bom som a insustentabilidade do país


Certeiro como é seu uso e o talento ajuda, Manuel António Pina, no JN:

O "sensato" conselho de Cavaco Silva para comermos e calarmos de modo a que "os nossos credores" não se zanguem connosco e nos castiguem com juros cada vez mais altos espelha uma cultura salazarenta de conformismo que, sendo muito mais antiga que Cavaco, ele representa na perfeição, até nos seus, só na aparência contraditórios, repentes de arrogância.

Quando Cavaco nos recomenda que amouchemos pois "se nós lhes [aos 'nossos credores'] dirigirmos palavras de insulto, a consequência será mais desemprego para Portugal", tão só repete, adaptada à actual circunstância, a "sensata" e canónica fórmula do "Manda quem pode, obedece [ no caso, cala] quem deve".

Trata-se de uma atávica cultura em que a vida é vidinha, a crítica deve sempre ser "construtiva" e colaborante, os trabalhadores, por suave milagre linguístico, se tornam "colaboradores" (e se colaboracionistas melhor ainda) e servilismo e acriticismo são alcandorados a virtudes cívicas. Porque é assim que se faz pela vidinha, de joelhos.

sábado, 11 de dezembro de 2010

E em Portugal, a gafe do Cavaco


Uns mais do que outros, certo?
por Rui Rocha do blog DELITO DE OPINIÃO, Portugal VER AQUI


Cavaco Silva afirmou que os portugueses têm que ter vergonha por haver fome em Portugal. Concordo que o assunto interpela a consciência colectiva. Mas, parece-me que seria útil identificar a quota de vergonha que, neste assunto, cabe a certos portugueses. Ou não?

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