TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Mãe é a vóvozinha!




Fonte: fabio Guibu in Folha de São Paulo, 29/7/2010.


Gabriel García Márquez, no belíssimo discurso proferido em 8 de dezembro de 1982 perante a Academia Sueca de Letras, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura, falou sobre a praga das ditaduras na América Latina. Em determinado momento, disse assim:

“Nossa independência da dominação dos espanhóis não nos pôs fora do alcance da loucura. O general Antonio López de Santana, três vezes ditador do México, providenciou um magnífico funeral para a perna direita que ele perdera na chamada Guerra dos Pastéis. O general Gabriel García Moreno governou o Equador por 16 anos como um monarca absoluto; em seu velório, o corpo ficou sentado na cadeira presidencial, vestido com o uniforme completo e decorado com uma camada protetora de medalhas. O general Maximiliano Hernández Martínez, o déspota teosófico de El Salvador, que teve 30 mil camponeses aniquilados num massacre selvagem, inventou um pêndulo para detectar veneno em sua comida, e mantinha as lâmpadas das ruas envolvidas em papel vermelho para vencer uma epidemia de escarlatina. A estátua do general Francisco Morazán, na praça principal de Tegucigalpa, é na verdade do marechal Ney, comprada num depósito de esculturas de segunda mão em Paris.” (tradução de Gilberto G. Pereira).
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Lutar contra essa súcia, essa malta, esse bando de fascínoras e assassinos sempre representou um divisor de águas entre gente de bem – independente de ser “de esquerda” ou “de direita” – e gente do mal. Acontece que, por razões históricas, a “esquerda” acabou por se tornar proprietária dessa bandeira – e com ela fez revoluções, com ela venceu eleições. O problema é contar a história dos governos “de esquerda”. Um dos melhores historiadores de nossa época, Tony Judt, faz isso maravilhosamente bem nos indispensáveis capítulos V e VI de sua obra seminal, “Pós-Guerra” (ed. Objetiva, 2008, pp.143-236). Lá está a frase-síntese do líder comunista da Alemanha Oriental, em 1945: “É muito claro – a coisa deve parecer democrática, mas precisamos ter tudo sob o nosso controle” (p. 145). Aí está o orgasmo do totalitarismo de “esquerda”, “ter tudo sob o nosso controle”. É a mais perfeita substituição de Deus pela Estatal – a fé continua. Esse “tudo” é revelador dessa estratégia! Isso é puro George Orwell, puro “1984”. E lá está também a frase magnífica (p. 186) do escritor Lawrence Durrell, em uma carta escrita de Belgrado a um amigo grego no final da década de 1940: “As condições aqui são bastante deprimentes – é quase uma situação de guerra, superpovoamento, pobreza. Quanto ao comunismo, meu caro Teodoro, uma breve visita aqui será o bastante para fazer qualquer pessoa concluir que vale a pena lutar pelo capitalismo. Por mais negro que seja, com todas as manchas de sangue, é menos deprimente, menos árido, menos desesperador do que este Estado policial inerte e pavoroso”. Estado policial inerte e pavoroso. Epifânico resumo!
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Tudo isso para dizer o seguinte: quando uma candidata à presidência da República declara desejar ser uma mãe para o povo brasileiro, há algo mais pavoroso do que isso? Quem é que precisa de um Estado-brontossáurico-controlador-policialesco-Mãe? Onde há Mãe demais, não florescem apples. Será que alguém em sã consciência consegue imaginar Bill Gates sendo atendido pelo paquidérmico BNDES? Desculpe, senhora candidata, tenho profundo respeito por seu passado de luta por um país melhor, decente, agora, Mãe não dá. O que começa na Mãe em política, acaba em ditadura. Basta citar Cuba, Venezuela, China, Rússia, Irã, Arábia Saudita, Egito, só para citar alguns, não por acaso apoiados e idolatrados pelo partido da candidata e seu líder supremo, certamente o PAI dessa triste história. Por outro lado, não é necessário viajar para tão longe para se saber isso. Quem puder passar um mês dentro de qualquer estatal, seja municipal, estadual ou federal, terá uma idéia muito precisa sobre o que significa o Estado-Mãe: gastos sem limite, endividamento elefântico, nenhum controle sobre nada, multiplicação gigantesca de cargos de chefias, diretorias, licitações falsificadas, salários absurdos, o pior da política interferindo 24 horas por dia em tudo, contratos leoninos de terceiros, e assim por diante. Mãe? Nem pensar. Está na hora desse país começar a desmamar.

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Comentário: esse costume brazileru é terrível. Os políticos de todas as searas (vereadores, reitoráveis, presidenciáveis ... ) vêm conversar com aquela VOZ MACIA, CALMA (lembro-me da música de meu coral: ela é a dona de tudo, ela é a rainha do lar, ela é para mim, o céu, a terra e o mar... mãe é a palavra mais linda ...). Se você discorda dele, aí, o bicho pega.

sábado, 5 de junho de 2010

Huummm ...


ELEIÇÕES 2010 por TOINHO DA PASSIRA
As entranhas da central de dossiês de Dilma

Campanha de Dilma trouxe araponga da Satiagraha para montar dossiês. Conhecido por suas apurações sigilosas, sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo aceitou missão proposta por petistas e indicou delegado para ajudá-lo; trabalho custaria R$ 200 mil mensais


Fotomontagem Toinho de Passira


Fonte: O Estado de São Paulo

A matéria de Rodrigo Rangel no Estado de São Paulo, diz que “a articulação para montar uma central de dossiês a serviço da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República contou com a participação de arapongas ligados aos serviços secretos oficiais”. “Um deles é o sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, recém-saído do Cisa, o serviço secreto da Aeronáutica. “

Conhecido personagem de apurações sigilosas em Brasília, o sargento esteve, por exemplo, ao lado do delegado Protógenes Queiroz nas investigações que deram origem à Operação Satiagraha, que levou o banqueiro Daniel Dantas à prisão.

A participação de Idalberto de Araújo remonta às origens do plano de inteligência petista. Em abril, após ter sido procurado por emissários da campanha, o sargento disse que aceitaria o serviço, mas necessitaria de apoio. Deixou claro que, para executar a missão proposta pela campanha, seria preciso chamar mais gente.

O sargento, então, indicou um amigo de longa data, o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo de Souza, dono de uma pequena empresa de segurança instalada num conhecido centro comercial de Brasília. As conversas avançaram.

Outros agentes, dentre eles um araponga aposentado do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) e um militar que já serviu à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), chegaram a ser contatados para integrar a equipe. O passo seguinte foi chegar a um valor para o serviço.

É onde começa o contato direto entre o agente e um dos principais profissionais da área de comunicação da campanha de Dilma, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta. Dono da Lanza Comunicação, empresa contratada pelo PT para fazer a assessoria de imprensa da campanha, Lanzetta marcou um encontro com o sargento e o ex-delegado.

A reunião ocorreu no restaurante Fritz, na Asa Sul de Brasília. A dupla disse a Lanzetta que, pelo serviço, cobraria R$ 200 mil por mês. O delegado justificou o preço com o argumento de que seria preciso montar uma equipe de 12 pessoas para a missão.

Lanzetta se encarregou de detalhar o serviço de que precisava. A primeira tarefa seria interna, no bunker que ele próprio montara no Lago Sul. Desconfiado de que seu trabalho estaria sendo sabotado por gente do próprio PT, o consultor queria que os arapongas descobrissem a origem do fogo amigo.

O pacote incluiria ainda investigações que pudessem dar à campanha de Dilma munição para ser usada, em caso de necessidade, contra adversários. O alvo preferencial era o candidato tucano José Serra.

A proposta para contratação dos serviços do araponga e do delegado foi levada, então, para o núcleo central do comitê de Dilma. O assunto chegou a ser discutido com o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, coordenador da campanha. Num primeiro momento, Pimentel avaliou que o preço estava alto demais. Disse que topava pagar, no máximo, R$ 60 mil.

O grupo já estava discutindo estratégias de trabalho - um dos planos era infiltrar um agente no núcleo de inteligência da campanha de José Serra - quando começaram a vazar para a imprensa informações acerca de supostos dossiês produzidos pelo bureau montado por Lanzetta na fortaleza petista do Lago Sul.

Era o que faltava para os ânimos se acirrarem ainda mais no comitê. O imbróglio realçou, no interior da campanha de Dilma, o conflito entre dois grupos: o do mineiro Fernando Pimentel, responsável por levar Lanzetta para o staff de Dilma, e o do ex-ministro Antonio Palocci.

Conspiração. Nos bastidores, Pimentel, alçado ao comando da campanha por conta de sua velha amizade com Dilma, acusa Palocci e o deputado paulista Rui Falcão, coordenador de comunicação do comitê, de tramarem para derrubá-lo. Aliados de Pimentel afirmam que foi Falcão quem deixou vazar informações sobre o dossiê, para enfraquecer o ex-prefeito na cúpula da campanha.

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*”Campanha de Dilma trouxe araponga da Satiagraha para montar dossiês” é o título original da matéria publicada no O Estado de São Paulo
**Suprimimos parte da matéria, que pode ser lida na íntegra seguindo o link da Fonte, criamos novo título e acrescentamos subtítulo e ilustração

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