TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.
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sábado, 11 de agosto de 2007

Contra o pensamento Tico e Teco

Imagem: Bitterness
Chega de maniqueismo! por Roberto Romano
Aos que pensam segundo dicotomias, sem maiores cuidados com a lógica:Ser contra o movimento Cansei (olhaí a contradição nos termos!) NÃO significa apoiar o petismo ditatorial ou o governo que dele resulta. Se criticar o Cansei fosse sinônimo de apoio à situação atual do país, certamente não haveria saída além do apoio aos que, no dito movimento, APOIAM LULLA INTEGRAL E FANÁTICAMENTE. Eles sabem o que fazem. É mais fácil e mais rendoso soltar alguns gemidos contra um governo tirânico que é sócio dos bancos, sustentador da pior corja de políticos já surgida no Brasil e, agora, autor do pior atentado aos direitos humanos, com a negação rápida do direito de asilo. Quando Tilden Santigado afirmou, em Cuba, que se alguém desejasse desestabilizar o Lulla, o "remédio" seria o Paredón, NÃO LI, NÃO ESCUTEI, NÃO VI NENHUM MEMBRO DO CANSEI SE LEVANTAR CONTRA O ABSURDO TERRORISTA. Salvo melhor informação, foi gente "ingênua" como este professor, ou algum "idealista" que não janta no Fasano ou em outra espelunca de luxo, que reclamou. Criticar os Finzi Contini não fez de nenhum escritor apologista de Mussolini. Pelo contrário. Repito: não apoio os cansados paulistas, habitués da Daslu e que tais. E peço aos que julgam esta atitude um apoio a Lulla, as provas de sua assertiva. A arte dos matizes é fundamental em política, como na vida. Só apoia absolutamente um pensamento, quem não pensa. Aliás, este é o mote dos que, nos anos 30 do século 20, diziam que um "jornal é uma verdadeira benção para o leitor, pois lhe entrega todas as manhãs idéias limpidas e puras, dispensando-o da tarefa de pensar". Os curiosos procurem a fonte. Se encontrarem, ganham um retrato de Lulla e Dona Marisa para sua alegria. Quanto às pressões sobre o comediante Jô: seria bom saber quem faz pressão, quando e de que modo. Sempre é possível, também, pressionar as mesmas empresas patrocinadoras: se retirarem seu apoio por imposição petralha, saibam que também nós deixaremos de comprar seus produtos. Falar genericamente em pressão, etc. é um desserviço ao combate contra o petralhismo boçal. Quanto a mim, gosto muito de uma cena (já contei este passo, mas repetir não cansa) de um filme B, "Cabaré". Um gordo nazista lê seu jornal diário, o Völkischer Beobachter. Certo instante, ele exclama algo assim: "o mundo está ameaçado pela conspiração dos banqueiros e do comunismo". O personagem que o escuta, responde irritado: "a única conspiração que existe, agora, é a conspiração dos burros". A resposta serve para os petralhas e para os que aplaudem todos os que os criticam. No caso dos cansados, criticam a superfície, não a base do poder fascista instalado em terras brasílicas. É assim ou assado. This is this, and that is that. Ou então, na fórmula do grande lógico petista, "uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa".Bom final de semana.

Roberto Romano

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Casa-grande e senzala, de Cony




Casa-grande e senzala por Carlos Heitor Cony FSP 7/8/07
RIO DE JANEIRO - Para quem já nasceu cansado, como o cronista, participar do movimento daqueles que se declaram cansados é, além de um esforço suplementar, um esforço inútil. Durante os oitos anos do governo de FHC, quase diariamente eu me declarava cansado -e não adiantou. Antes mesmo da posse de Lula, eu já estava exausto de saber que nada iria mudar, o que acaso mudasse, mudaria para pior.Há espanto entre os entendidos sobre a taxa de aprovação do atual governo, apesar dos escândalos, da corrupção, da inércia, da embromação oficial. Aos poucos, estão brandindo a dicotomia de pobres e miseráveis contra ricos e remediados. A luta de classes é explorada agora pelo próprio presidente, que não entende como os ricos que ele beneficiou estão contra ele. Para os pobres, prometeu o Fome Zero, que fracassou, e o Bolsa Família, que alguns receberam e a maioria ainda espera.
Mas não é por aí que se explica a charada. Quem ganha menos de R$ 1.500, acredito que a maioria dos brasileiros, se identifica com Lula de uma forma que transcende a realidade e o raciocínio. É uma química de vísceras, de tripa, "ele é um dos nossos". Atribui os problemas que todos sofremos à maquinação dos patrões, dos bem nascidos que não deixam Lula fazer o que prometeu e continua prometendo.Também eles estão cansados das maquinações das elites, das classes dominantes que não assinam carteiras de trabalho, demitem para enxugar a folha, exploram o suor escravo, a clássica divisão entre a casa-grande e a senzala.Acontece que estou realmente cansado de tudo isso. Já citei aqui uma estrofe genial do Orestes Barbosa num velho samba que nunca esqueci: "Meu avô morreu na luta, o meu pai, pobre coitado, fatigou-se na labuta, por isso nasci cansado".

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