TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2007

sábado, 11 de agosto de 2007

João Capiberibe escreve para Renan, o homem dos bois, cerveja e música


Do Blog do Spyk


Amapá, 17 Julho de 2007

Ao SenhorPresidente do Senado Federal, Senador RENAN CALHEIROS, BRASÍLIA – DF
Carta Aberta ao senador Renan Calheiros.


Caro Renan,

Não se aborreça e nem me leve a mal, mas bateu uma vontade incontida de falar um pouco da vida cotidiana do Brasil da planície, que já o aguarda com certa ansiedade.Continuo tocando com entusiasmo minha militância política. Agora, sem as atribuições inerentes ao mandato de senador, que você ajudou a retirar de mim com bastante empenho.Tendo em vista a situação inusitada da instituição que você preside e levando em conta os acontecimentos nos quais você figura com destaque e excepcional desenvoltura, me pergunto se não seria o caso de agradecer o mal que você me causou. Talvez você, em função da estressante e diversificada responsabilidade política, empresarial e familiar, tenha apagado da memória qualquer registro a meu respeito.Portanto, permita, em poucas palavras, dizer em que momentos nossos caminhos se cruzaram. Sou aquele senador que, antes de completar o 3º ano de mandato, foi expurgado do Senado sem direito a defesa e substituído, com pompa e circunstância, por um senador do PMDB, o seu partido. Lembra-se deste episódio?Pelo sim pelo não, melhor garimpar os labirintos da memória. O PMDB, vinte dias após as eleições de 2002, impetrou recurso junto ao TRE pedindo a cassação do meu mandato e de minha companheira Janete, pela compra de dois votos por R$ 26,00 cada, pagos em duas suaves prestações. Acusação sustentada por duas testemunhas, que até hoje sobrevivem por conta deste processo. O feito não prosperou e fomos declarados inocentes. Mas o PMDB recorreu ao TSE. Entrou com um recurso dito “especial” que foi cair nas mãos do então ministro Carlos Veloso. Este senhor, como juiz relator, agindo mais como advogado de acusação e menos como juiz, convenceu seus pares de que eu e minha companheira Janete éramos culpados, reformando a sentença do TRE do Amapá, provendo, por inteiro, o recurso proposto pelo candidato derrotado Gilvam Borges. Por último, relembro um momento raro na história da Casa que você ainda preside e à qual um dia pertenci. Refiro-me a sessão do dia 25 de outubro de 2005. Naquele dia, você avocou para si os poderes da Mesa, do Regimento Interno, da Constituição Federal e do Plenário, fazendo ouvido de mercador aos apelos de cinqüenta e dois senadores e senadoras que se revezaram na tribuna clamando para que eu tivesse respeitado o direito constitucional de defesa, garantido até mesmo aos que cometem crimes hediondos com requintes de crueldade. Você manteve-se inflexível e cassou o meu mandato, para em seguida, em clima festivo e triunfante, dar posse ao seu então assessor de gabinete Gilvam Borges. Decisão revertida em menos de 24 horas pelo STF, que considerou sua decisão uma afronta à Constituição Federal e determinou minha reintegração. Você acatou a decisão, mas pressionou a Mesa Diretora a criar um rito sumário de cinco dias para a minha defesa, um prazo inexeqüível para uma mínima investigação. Bem, agora, com tudo fresquinho em nossas memórias, vamos ao assunto que gostaria de compartilhar com você.Não resta dúvida, que se trata de um sentimento que poucos ousam confessar, entretanto, como sou franco, admito que sinto uma ponta de inveja ao comparar sua situação de desassossego, com a que tive de enfrentar.Não pretendo descer no varejo dos sentimentos, falemos do que é fundamental para esclarecer as acusações que lhe atingem para comparar com as que me atingiram.

A diferença é que você ganhou o direito de ser investigado pelo Conselho de Ética, pela Polícia Federal e, sobretudo, pela imprensa. É sobre esses aspectos que não posso esconder que realmente invejo a sua situação, pois tudo que queria era ser investigado. No entanto não me foi dado esse direito. O Ministério Público Eleitoral não investigou por que, segundo ele, não havia crime, o TRE, por isso, declarou nossa inocência e a imprensa não procurou contar o nosso rebanho, para saber se teríamos bois suficientes para pagar os dois votos, que supostamente eu e minha companheira compramos para nos eleger. No nosso caso, bastou a acusação do candidato derrotado do PMDB para nos cassarem os mandatos. É por isso que o considero um homem de muita sorte, pois dispõe em abundância de tudo aquilo que você me negou: os meios necessários para provar minha inocência. Para finalizar, me surpreendo pensando em voz alta - se diante daqueles absurdos, cometidos por você, contra mim, tivesse o Senado agido como determina o exercício do poder republicano, certamente não chegaríamos à situação caótica do presente.

Atenciosamente,
João Capiberibe**ex-preso político e exilado, ex-prefeito de Macapá, ex-governador do Amapá 1995-2002, ex-senador da República, 3º vice-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro.(Fonte)

A carta do ex-senador Capiberibe foi divulgada no dia 17/7, data do maior acidente aéreo da América Latina.

sábado, 28 de julho de 2007

Anac: a incompetência de todos e da oposição

Imagem: Millôr
Do Blog de Josias
Um dos mais sólidos consensos produzidos pela crise aérea é a convicção, hoje generalizada, de que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) é ineficiente. Governo e oposição, unidos no coro que pede a renúncia dos gestores da agência, são parceiros na articulação que conduziu à inoperância. Em esforço conjunto, acomodaram na agência pessoas que não tinham nenhuma afinidade com o setor aéreo.
O caso mais eloqüente é o de Milton Zuanazzi, o presidente da Anac. Embora petista, ele foi indicado por um ministro do PTB, Walfrido dos Mares Guia (à época, Turismo; hoje, Relações Institucionais). Lula enviou o nome ao Senado. Ali, o processo de nomeação foi submetido à comissão de Infra-estrutura. Obteve o referendo de um relator tucano –Leonel Pavan (PSDB-SC)—e foi aprovado em sessão presidida por um “demo” –Heráclito Fortes (DEM-PI).
Havia 17 senadores presentes. Pela lei, deveriam ter crivado Zuanazzi de perguntas. Não houve, porém, um mísero questionamento. O nome foi aprovado em votação secreta – 15 votos a favor, um contra e uma abstenção. Nada fazia crer que Zuanazzi, engenheiro-mecânico pós-graduado em sociologia, seria um bom gestor da Anac.
Ainda assim, o relator Pavan, hoje vice-governador de Santa Catarina, recomendou-o efusivamente: “A análise curricular do indicado demonstra que ele atende plenamente as disposições [...] da lei, que define os atributos requeridos para os diretores da Anac.” O currículo indicava coisa bem diferente. Antes de assessorar Mares Guia na pasta do Turismo, Zuanazzi fora secretario do governo gaúcho, vereador e suplente de deputado federal.
Durante a sessão, o futuro presidente da Anac falou aos senadores sobre seus planos. Primeiro Zuanazzi definiu a Anac de modo um tanto acaciano: “Entendo que estamos aqui tratando de uma Agência Nacional de Aviação Civil, portanto, de uma agência de aviões que deve transportar civis”. Depois, pontificou sobre “o problema do setor aéreo brasileiro”. Disse que os aviões deveriam voar, “de preferência, cheios”. E vaticinou: “Quando resolvermos o problema dos aviões não-cheios, estará resolvido todo o problema da aviação nacional”.
O nome de Zuanazzi foi referendado pela comissão de Infra-estrutura do Senado em 12 de dezembro de 2005. Era o último dia de “trabalho” no Congresso, antes do recesso de final de ano. Na mesma sessão, foram aprovados, a toque de caixa, outros três diretores: o ex-deputado Leur Lomanto (PMDB-BA), uma indicação partidária endossada por Renan Calheiros; o coronel-aviador Jorge Luiz Veloso, sobrevivente do extinto DAC (Departamento de Aviação Civil); e Denise Abreu, afilhada do deputado cassado José Dirceu.
A ata da sessão encontra-se disponível no portal do Senado. Pressionando aqui, você será conduzido a um arquivo que contém a íntegra do texto. Traz os nomes dos senadores presentes. A leitura é tão enfadonha quanto obrigatória. O texto oferece ao (e)leitor uma experiência desalentadora. Os senadores escreveram nos anais do Senado as páginas de um descalabro anunciado. Sabatina não houve. Mas ouviram-se elogios até, veja você, à Infraero de Carlos Wilson (PT-SP), hoje investigada por duas CPIs, TCU, CGU, Polícia Federal e Ministério Público.
Embora todos tentem tirar o corpo fora, a alardeada incompetência da Anac é obra suprapartidária. O alicerce é governista, mas a oposição também sujou a mão na massa. Depois de consagrados na comissão de Infra-estrutura, os dirigentes da Anac foram aprovados, em 2006, pelo plenário do Senado. De novo, em votação secreta.
Escrito por Josias de Souza às 01h47

Comentário: INCOMPETENTES!

Braziu!

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