TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.
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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Lo decido yo!

Imagem cap-tirada da net.
Vejo nos jornais, sites e nas TVs. Dilma X Serra. O aborto será a bola da vez. Já recebo emails condenando a Dilma por ser a favor do aborto. Mais uma vez o tom moral. Moral dos carneiros. O tema é difícil para as mulheres. Há mulheres a favor e há contra. São subjetividades cambiantes diante de algo desejado (ou muito odiado) pelas mulheres: ser mãe ou ter filhos. E começa o "rolo" por aí. Queremos ser mães ou ter filhos? São coisas diferentes. Há outra dimensão. Há uma minoria de mulheres que não querem os pais perto. Há uma imensa maioria que precisa ter os pais de seus filhos juntos. Outro problema: há homens que nunca se tornam pais. Há mulheres que trabalham e seus salários sustentam a família. Há outras que precisam da ajuda dos pais para criar os rebentos. Há homens que abandonam as suas companheiras e filhos e nunca mais. Há tanta coisa para pensar. Há épocas em que dá para ter um filho. Outras, não. Presumo que para ter um filho (ou mais) há a principal circunstância: desejo de ser mãe. Abdicar de algumas coisas por um tempo. Tem dinheiro? Pode alimentar seu filho? Enfim, para ser mãe há ESCOLHAS duras (talvez haja outras mais fáceis). O amor romântico que nos criou impõe ter família, ter filhos, casa, cama etc. Mas, esse amor existe? Não sei. Não creio.

Aos treze anos de idade li do Sartre o livro A idade da razão. Como eu não fazia curso de filosofia, era apenas uma predadora de livros, li o livro. Li como pessoa, adolescente, menina, mulher. Não li para analisa-lo. Li como um manual de sobrevivência. Não sabia quem era Sartre. Mas, mudou minha cabeça. Acabou com o romantismo, pelo menos isso. O protagonista Mathieu Delorme, sente-se "velho” aos 34 anos. É professor de filosofia, não tem dinheiro. Mora em Paris. Sua amante/namorada fica grávida. Ou faz um aborto e precisa de muito dinheiro ou se casa. O resto são descrições angustiantes de um personagem que vê o desenvolvimento do embrião como um monte de células que borbulham e crescem.


Li também relatos de mulheres estupradas no Brasil que não obtiveram direito de abortar. Uma delas se suicidou; outra matou o filho; outra tornou-se esquizofrênica.

O ato sexual não é mecânico para as mulheres (creio que nem para os homens). Muitas mulheres têm asco de homens. Por muitas razões. Da mais banal à mais profunda. Da falta de higiene ao estranhamento corporal, sexual. Estranhamento ... Imagino o estupro.


O argumento dos moralistas: tudo é vida.

Não parece. Não é VIDA ser violentada, e gerar algo estranho à vida. Não é vida ter um filho e condená-lo à morte por fome, ou inanição afetiva. Não é vida ficar em um casamento porque temos filhos. O que será VIDA?


Os montões de jornalistas, consultores e até economistas falarão de ABORTO esses próximos dias. Argumentarão contra o aborto tratando de saúde pública. Todos um dia (ou quase todos), pelo menos já foram em uma clinica clandestina de aborto, para acompanhar uma namorada, ou com uma amiga ...

Braziu!

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