TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

texto de Leonardo Ferrari, psicanalista, Curitiba AQUI
Fotografia de Ashley Gilbertson/VII Network para o The New York Times in The New York Times Magazine, 17 de outubro de 2010. No dia 21 de setembro, Ashley Gilbertson documentou um dia na vida do presidente Barack Obama na Casa Branca. Esta fotografia está em página inteira da revista dominical do The New York Times, na reportagem primorosa de Peter Baker chamada “Education of a President” [“A Educação de um Presidente”], sobre o balanço de dois anos de seu governo. A matéria é capa da revista.

Peter Baker conta um pequeno detalhe sobre Barack Obama que revela muito sobre o ódio imenso que Obama desperta em boa parte dos Estados Unidos. Obama redecorou o Salão Oval da Casa Branca e, nesse trabalho, ele substituiu o busto de Winston Churchill pelo de Martin Luther King Jr. Sensacional. Mas, para um psicanalista, tão importante quanto aquilo que um sujeito faz é o que ele não faz. Por exemplo, na maravilhosa fotografia de Ashley Gilbertson, há, à direita do presidente, a enorme escultura de um cowboy tentando domar um cavalo selvagem. Simbolicamente, no quadro acima desta escultura, um pedaço da estátua da Liberdade, a lembrar que um cavalo totalmente amestrado já não é mais um cavalo livre. Porém, e aqui arrisco uma hipótese não esclarecida na brilhante reportagem de Peter Baker, se Obama não mudou esta estátua herdada das presidências anteriores, quem sabe uma escolha do próprio Bush filho – e aqui vai um desafio para os conhecedores da Casa Branca, quem foi afinal de contas o presidente que escolheu esta estátua do cowboy? – então, é porque agora o cowboy é ele, uma imensa transgressão no imaginário norte-americano em que o lugar do negro jamais seria o de protagonista da história, mas sim o de assistente do cowboy, quando não simplesmente escravo. Esse foi o sonho de Martin Luther King Jr. – um John Wayne negro. Para Obama, seu maior problema é que o fascínora [referência ao imortal “O Homem que Matou o Fascínora”, do outro John, o Ford] a ser morto não é apenas o fascista George W. Bush filho, mas se encarna em milhões de pessoas que pensam como Bush, que agem como Bush, que fazem mal como Bush. Como matar uma América fascista, racista, atrasada, perigosa, fundamentalista e terrorista? Uma das grandes ironias de John Ford foi ter chamado o terrível pistoleiro de Liberty, liberdade. Para um homem educado pelo ideal da Liberdade, matar esses Liberties não é tarefa fácil – e eu só desejo a Obama nesta hora que não faça aqui a política do neurótico, ou seja, a de dar um tiro no próprio pé, sacrificar sua diferença enquanto os Liberty Valance vão tomar chá [referência ao movimento nefasto Tea Party]. Não foi para ficar parecido com esses brancos que ele está ali.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Obama or not Obama



Da Mary, Blog A Feminista
Saramago, sempre, se posicionando. Obrigada.
Israel
Dezembro 31, 2008 by José Saramago
Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a "relação especial" que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta. Outros presidentes colegas seus o fizeram antes sem precisarem de outra justificação que a tal "relação especial" com a qual se deu cobertura a quantas ignomínias foram tramadas pelos dois países contra os direitos nacionais dos palestinos.
Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas...) E não se surpreenda se uma das suas filhas, ou as duas em coro, lhe disserem: "Não te canses, papá, já sabemos o que é uma relação especial, chama-se cumplicidade no crime".

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Obama or not Obama.

Da Folha de São Paulo
SUCESSÃO NOS EUA / ANIVERSÁRIO
Obama não me ilude, diz Chomsky

Ícone da esquerda, pensador afirma que presidente eleito é democrata familiar de centro, como Clinton.
Aos 80 anos, que completa hoje, lingüista e teórico político americano é um dos principais intelectuais progressistas em atividade
SÉRGIO DÁVILADE WASHINGTON Noam Chomsky completa 80 anos hoje. O lingüista e teórico político do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) chega à idade redonda militando ativamente na esquerda da esquerda do espectro político dos EUA. Isso faz dele um espécime tão raro quanto foi um dia o pássaro dodô.
Outra característica o coloca na exceção: ele está desencantado com Barack Obama. Talvez desencantado não seja a palavra exata, já que ele dá a entender que nunca se encantou com o presidente eleito. Não acha que o movimento que lhe deu a vitória seja democrático.Diz que parece mais uma "ditadura por escolha".
Nascido na Filadélfia e professor emérito do MIT, onde leciona há 53 anos, Chomsky é considerado o pai da lingüística moderna. De acordo com sua teoria, chamada gramática transformacional, toda sentença inteligível contém não só suas regras gramaticais peculiares como o que batiza de "estruturas profundas", uma gramática universal que serve a todas as línguas.Na última semana, ele trocou com a Folha uma série de e-mails. Primeiro, se queixou da falta de tempo. "É com alegria que leio seu e-mail, embora com um pouco de remorso, também", diz em um. "Acontece que a época é muito difícil para mim." Noutro, se desculpa: "Sinto que terei de ser breve. Se eu não respondê-lo, a entrevista desaparecerá no caos de pedidos irrespondidos".Leia a seguir os principais trechos da correspondência:

FOLHA - Como o sr. planeja celebrar seu aniversário?
NOAM CHOMSKY - Como um dia normal.
FOLHA - Há 50 anos, quando o sr. tinha 30, esperava ver um dia um negro na Presidência dos EUA?
CHOMSKY - Não. Até há bem pouco tempo nem esperava que os dois candidatos finalistas do Partido Democrata seriam uma mulher e um afro-americano. O fato de isso ter acontecido é um tributo ao ativismo dos anos 60 e suas conseqüências, que tiveram um efeito civilizador no país. A opinião da elite européia não está inteiramente errada quando observa com espanto que "só nos EUA um milagre como esse poderia acontecer".
Pelos padrões ocidentais, a eleição de um afro-americano 150 anos após a abolição da escravidão é realmente um evento histórico, diferentemente de na Europa, que é provavelmente mais racista que aqui. As democracias sul-americanas oferecem conquistas muito mais importantes, na Bolívia e no Brasil, por exemplo. E isso vale para o resto do Sul. Mas o racismo ocidental evita o reconhecimento, mesmo a constatação, de fatos como esses.
FOLHA - O sr. acha que Barack Obama está fadado a decepcionar parte das pessoas que votaram nele -e parte da opinião pública mundial-, dadas as impossivelmente altas expectativas a seu respeito?
CHOMSKY - Aqueles que escolheram se iludir sem dúvida vão ficar desapontados. Mas não se pode culpar Obama por isso. Afastada sua "retórica altiva", que parece ter impressionado tanta gente, ele nunca se apresentou como outra coisa além de um democrata familiar de centro, mais ou menos no molde de Bill Clinton [presidente de 1993 a 2001].
A natureza da eleição é muito bem compreendida pelos chefes dos partidos. Para ilustrar, a cabeleireira de Sarah Palin recebeu o dobro do salário do conselheiro de política externa de John McCain -e ela foi decerto duas vezes mais importante para a campanha. A indústria de relações públicas, que apregoa abertamente vender os candidatos da mesma maneira que vende mercadorias, deu seu prêmio anual na categoria "melhor marketing" à venda da "marca Obama". A mídia de todas as tendências o elogia por organizar um "exército" que não contribui nada para as políticas do seu futuro governo, só espera instruções de como apoiar sua agenda, seja ela qual for.Esse modelo é, muito claramente, não-democrático, mas um tipo de ditadura por escolha, uma construção política na qual o público -"observadores intrusos e ignorantes"- são "espectadores da ação", não "participantes", conforme o defendido por teóricos progressistas da democracia [nesse caso, o analista político Walter Lippmann, 1889-1974].
FOLHA - Qual sua opinião sobre as primeiras indicações do gabinete obamista, gente como Hillary Clinton no Estado, Robert Gates permanecendo na Defesa, Timothy Geithner no Tesouro? Era esse tipo de mudança que o sr. esperava?
CHOMSKY - Eu não esperava muito, mas fiquei surpreso que as escolhas de Obama causassem tamanho desdém em seus eleitores.
Suas seleções estão tão inclinadas para a "não-mudança" e a "não-esperança" que Obama se sentiu obrigado a convocar uma entrevista coletiva, onde ele explicou que o seu governo será baseado na experiência e na visão: seu gabinete entrará com a experiência, ele dará a visão. Isso deve confortar os incréus.

domingo, 2 de novembro de 2008

Eleições nos EUA




O Brasil, as eleições presidenciais e a crise nos EUA.

O texto está na Revista Acim. A revista de negócios do Paraná. Autoria de Sidnei J. Munhoz e Guilherme Tadeu de Paula (bolsista Pibic e estudante o curso de Ciências Sociais) , foi publicado na sessão Penso Assim, p. 46 (última página) do n. 481, outubro de 2008.

Independente do resultado das eleições para a Casa Branca, não haverá alterações profundas na política externa dos EUA voltada à America Latina. Diferente do Brasil, onde as ações governamentais são de curta duração, por lá, desde a década de 1890, as políticas de Estado são longevas e sem rupturas marcantes. Assim, Carter, Reagan, Clinton, ou Bush, com posicionamentos ora mais, ora menos “progressistas” mantiveram as linhas gerais da política externa dos EUA. O mesmo deverá ocorrer com McCain ou Obama.
Isso não implica homogeneidade programática entre republicanos e democratas. Destaca-se que, desde o início do século XX, a política doméstica republicana baseia-se na redução de impostos, cortes nos gastos sociais e menor intervenção do Estado na economia. Já os democratas, evitam cortes tributários, sustentam políticas sociais mais amplas e maior participação do Estado na economia. No governo, ambos são protecionistas, uma vez que os EUA praticam a diplomacia de negócios – o que confronta abstrações (neo)liberais simplistas. Porém, os democratas acentuam o protecionismo, pois sua base trabalhista exige a garantia de postos de trabalho e salários. Contudo, situações específicas podem levar a alterações. Exemplo disso é o governo George W. Bush, que face à baixa popularidade e sob pressão, adotou conduta mais agressiva e protecionista. No atual contexto dos EUA, mais importante do que as eleições, são os resultados da pujante intervenção do Estado na economia, com o objetivo de estancar a crise desencadeada pela ausência de mecanismos regulatórios de mercado e pela excessiva financeirização da economia, e evitar que ela se torne sistêmica.
Para se compreender a dinâmica política estadunidense, é vital interpretar de forma crítica o atual processo histórico. Para tanto, há que se romper com a sedução dos discursos midiáticos, que, por vezes, reféns de agências internacionais, são porta-vozes de interesses de grupos. Assim, tornam-se inimigos da objetividade e funcionários da desinformação. É necessário compreender que os EUA são, de um lado, o maior parceiro do Brasil e, de outro, um rival. Os interesses ora se aproximam, ora se distanciam ou se tornam conflituosos. Estrategicamente, as relações com os EUA devem ser aprofundadas com independência e autonomia, reconhecendo-se interesses comuns e divergências. Para tanto, são necessárias políticas de Estado baseadas na diversificação e na ampliação das relações com comunidade das nações. Assim, é basilar fortalecer o Mercosul e as parcerias com o Pacto Andino, expandir as relações com a Comunidade Européia, consolidar a cooperação com o Japão e com os BRICs e retomar o espaço perdido na África. Isso não é “receita”, mas condição para o Brasil tornar-se global player, ampliar a margem de manobra nas relações com os EUA e ter voz no conturbado cenário político internacional, em que se delineia a expansão de conflitos políticos, comerciais e bélicos.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Obama

Do excelente Blog da Mary, A Feminista
Numa entrevista na Folha ontem, a jornalista Judith Miller disse que à medida que vai detalhando suas propostas, o Obama aliena uma parte do seu eleitorado. Por conta desse negócio. Dessa guinada à direita que ele deu, depois que conseguiu a indicação. Eu tenho acompanhado bastante isso. Editorial no NYT e no Huffington. E é sim. A pura verdade, a guinada. E ela pode ser justificada dizendo que ele precisa conseguir o eleitorado mais conservador e tals. O caso que me incomoda é ser sempre da parte alienada. Não na eleição americana, claro. Que eu nem voto. Mas meus candidatos todos fazem isso comigo. Certos do meu apoio, se esquecem das minhas prioridades. E fica assim. Como se eu não pudesse reclamar. Porque eu tenho obrigação de entender. Já que eu sei, né? Que os conservadores são fogo na roupa e tal. Me enche demais isso. E eu nem conheço muito os EUA. Mas assisti Fargo e vários filmes passados no Texas. Então eu sei. Que tem conservadores de cabo a rabo. De norte a sul. Ou pelo menos eu acredito nos filmes. Não tô no mundo pra duvidar dessa gente sensacional que é cineasta. Mas eu sei outra coisa também. Além dessas, dos filmes. Eu sei que a Obamania foi causada por um pessoal que, mesmo que não seja maioria, é quem faz o barulho. Você conhece o barulho deles, anos atrás eles promoveram a contracultura. E eram só minorias. O que eu acho é que alienar esse eleitorado pode ser muito perigoso. Porque aí eles param de fazer barulho. E não deve sobrar, então, muita coisa. Porque não importa o que o Obama diga. Fargo não vota nele nem.
Barack desafinando (a entrevista)
A Veja de hoje disse que a Marta passou dos 40%. Só peço. Não me aliena, Marta.
A capa da New Yorker. Não entendi MESMO. Oh, é uma sátira às pessoas que pensam isso. Tá. Sei.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Obama or not obama?


Do Blog da Mary

Da série: hypou
*o* tiozinho do rock se posicionando:
Escuta aqui


Álvaro Pereira Júnior
Os artistas amam Obama; coitado
ATÉ HOJE, eu me julgava incapaz de dizer não a qualquer coisa que a Scarlett Johansson pedisse. Mas agora, depois de ver um vídeo de apoio a Barack Obama -que circula na internet e do qual a deusa participa- começo a mudar de idéia.
O vídeo se chama "Yes, We Can" e tem um formato muito engenhoso. Com a tela dividida, de um lado o pré-candidato democrata faz um discurso, e do outro alguém famoso declama, simultaneamente, as mesmas falas de Obama. Aos poucos, vai entrando um fundo musical e, sutilmente, as falas vão se transformando na letra de uma canção.
A concepção musical é de will.i.am, do Black Eyed Peas, e a direção, de Jesse Dylan, filho do Bob.
Celebridades americanas como John Legend, Herbie Hancock, Common, Kareem Abdul Jabbar, Tatyana Ali e Nick Cannon, além da Scarlett, surgem no vídeo para dar força. Você pode assistir aqui: www.youtube .com/watch?v= jjXyqcx-mYY.
Apoio de famosos bem-intencionados, elogios da imprensa liberal, coleção de slogans "do bem", clima riponga nos comitês eleitorais... Sei, sei.

Você se lembra do que estava fazendo na noite de 21 de janeiro? Eu me lembro: fiquei grudado na CNN, vendo o debate entre os pré-candidatos democratas na Carolina do Sul.
Não sei se minha TV estava com defeito, mas vi um Obama inseguro, sem domínio dos temas debatidos, ser trucidado pela Hillary Clinton. Foi sangrento, nem parecia que eram do mesmo partido.
Obama saiu gaguejando. Hillary, triunfante.
Não pense que me iludo com Hillary, jeca e malandra como o marido. Mas uma coisa ela não é: amadora.
E esse Barack Obama, cercado de atores, rappers, fashionistas e roqueiros, com uma campanha rica mas que faz a linha "voluntários de boa vontade"... Desculpe, Scarlett, esse cara não dá -triste, mas política não é rock and roll.

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