TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cotidiano com o peçoal do RH....


18/11/2010

Da MARY em A feminista AQUI


Daí o médico me deu a licença e eu levei na faculdade. E a moça do RH disse que de jeito nenhum, que ele precisava dizer que tinha feito cirurgia, não bastava colocar o CID. E aí eu fui no médico. E ele tava terminando uma consulta e eu entrei e falei pra ele o problema. Aí ele fez aquela cara de preguiça do mundo. Eu tô gamada nesse médico. Ele dá diagnóstico por exame clínico. E faz uma cara de ai, mas faz um ultrassom também. E ele não erra nada. Saí resultado de exame e ele faz cara de galvão, eu já sabia. Aí ele fez cara de preguiça e me explicou que não pode mais colocar procedimento. Que nem o CID deve ser colocado. Por problemas éticos, claro. Esse papel vai rodar muito, ele me explicou. E todo mundo vai saber que eu não tenho vesícula, eu emendei. E ele disse yeah, veja se tem cabimento. Aí ele falou mais um tempo sobre isso. Eu gosto dele e então adorei que ele curta dar uma filosofada a respeito de, etc. Aí eu fui de novo no RH da faculdade. Ele preencheu pra mim o lance dizendo A PACIENTE FOI SUBMETIDA A UMA CIRURGIA. Era bem o que a moça do RH queria. Aí ela fez uma cara de ufa, até que enfim esses médicos fizeram alguma coisa que preste. E eu fiquei naquela de debato ou não, o assunto. Ela continuava reclamando. Aí ela falou aquilo que seria o fim da discussão. Ela disse: "outro dia apareceu aqui uma professora com um atestado sem CID". Aí eu resolvi contar pra ela. Que não podia mais por CID nem descrever procedimento, que isso estava sendo implementado e estava sendo tolerado, mas que ia desaparecer. Eu falei que era informação privada e que o paciente que decide se divulga ou não suas informações médicas. E ela dizia coisas tipo "mas como eu vou saber o que a pessoa teve?!?" e eu respondia dizendo que pois é, ela não precisava saber. Ela foi ficando bem brava e entrando na vibe isso não é um país sério se eu não posso ter detalhes das intercorrências médicas dos funcionários da faculdade. Nesse exato momento, eu decidi dar um exemplo*. Pra mostrar pra ela. Que isso poderia prejudicar a pessoa. Eu disse assim que o empregador poderia em alguns casos ter preconceito por causa da doença. Tipo que alguém poderia resolver não me contratar ou não me manter no emprego porque eu não tenho vesícula. E que isso poderia prejudicar minha vida. Rapaz. Nesse exato momento ela achou que tinha definitivamente ganhado a discussão. Porque alguém te demitiria por isso? Vesícula não serve pra nada. Ninguém demite ninguém por causa de vesícula. Aí eu falei "que bom", levantei e fui embora. Porque, né?


*Eu pensei em falar de AIDS. Se eu tivesse AIDS e quisesse que não fosse divulgado. Pela vibe eu notei. Que ela ia responder "mas não é AIDS, pelo CID, K80 é vesícula!". Não tinha futuro essa conversa.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

...


A Mary tinha abandonado o Blog dela. Eu gosto muito de ler o que ela escreve. Não pensamos da mesma maneira, mas a Mary tem a performance de trazer a gente pro debate. Além disso, ela diz coisas bacanas. Aqui ela comenta o debate com os presidenciáveis com o BO(M)nner, da Globo. O Bonner é irritante demais. Tão claramente serrista que faz ex-querda petista querer votar na Dilma. O jornalista (sic) não deixou a Dilma falar. Nem a Marina. Tucanou e irritou. Desse jeito a Dilma nem precisa fazer campanha. A opozissão faz pra ela.


Da Mary em A FEMINISTA


Tem algumas coisas que a gente aprende que são raras. Uma amiga me ensinou uma dessas coisas raras. Numa conversa sobre Parada Gay. Foi dito, na ocasião, que os participantes da Parada não nos representavam. Que eram folclóricos e espalhafatosos demais. E essa amiga me disse que pra eu me sentir representada, eu deveria ir. Porque aí teria, né? Uma lésbica como eu por lá. Uma aprendizagem rara essa porque me fez perceber o mundo melhor. E eu no mundo etc. O caso é que eu estou profundamente irritada com a militância petista nessa eleição. Eu votar na Dilma com uma confiança única. Há tempos que eu não voto com tanta convicção. Eu fiquei muito desapontada com o primeiro mandato do Lula. E em 2006 cheguei a pensar no voto nulo. O segundo mandato, entretanto, foi redentor. Na minha opinião. Eu concordo conceitualmente com esse governo. O foco nas políticas sociais. A política externa que tira os EUA do centro. Mesmo o conservadorismo da política econômica faz mais sentido pra mim hoje. Eu fiquei bastante impressionada com a marolinha. Vivi num país que quebrava se a Rússia quebrasse. WTF? Na minha área de atuação, tenho um monte de críticas. Mas prefiro o conceito. O governo federal voltou a investir em universidades públicas. Novas federais foram criadas. Ouvi dizer que foram 9. A impressão é de que foram mais. O financiamento para que os alunos cursem particulares também é recorde. Do ponto de vista do meu umbigo, é coisa séria. A diminuição drástica disso pode fazer com que faculdades quebrem. A minha é séria candidata a quebrar caso haja o fim dessa política. O Zé Serra, quando eleito governador de São Paulo, acabou com o Escola da Família. Esse programa do Alckmin é uma bolsa estadual pros alunos fazerem faculdade. Em troca eles trabalham pro estado no fim de semana. A gritaria foi tão grande que o programa voltou, mas bem reduzido. Eu não acho mesmo que o Brasil tem condição de enxugar o estado desse tanto que o Serra acredita. Porque eu acredito e dou aula sobre vivermos hoje a Sociedade da Informação. E que a infraestrutura é apenas o início das coisas. Existe uma esfera mais complexa que o governo precisa dar conta. O Serra, me parece, acredita que o Estado deve investir só no harware. Eu acredito firmemente que tem que investir no software também. Bolsa de estudo é software. Por outro lado, eu tenho ficado um pouco de saco cheio da campanha. Dá vontade de nem ser parte desse grupo. A gota d'água foi a boa entrevista de ontem no Jornal Nacional. A Dilma que deu a entrevista. Pro casal fofura. E depois até perdi um tempo atrás disso. E vi meus próprios arquivos sobre 2006. E assisti as entrevistas da eleição passada. Porque eu me lembrava tão bem disso. Dessa tentativa do Bonner e da Bernardes. De se tornarem relevantes na campanha. Fazerem uma entrevista que pode se tornar tradicional. Me lembro de comemorar o mau desempenho do Alckmin. De rir da Heloísa Helena chamando a Fátima de "meu amor". Daí lendo coisas, me lembrei que a Folha criticou a entrevista do Lula. Porque o Bonner o chamou de "candidato" o tempo todo. E eu tava na faculdade durante o JN. E o twitter reagiu imeadiatamente. De forma histérica, como se a Dilma tivesse sido vítima de ataques variados. E então eu assisti. E não vi nada, né? E eu vejo algumas coisas. Eu vejo que a Folha apóia a candidatura tucana. Acho mesmo que deveria explicitar. Eu noto que a Veja se tornou representante do conservadorismo "minha avó". Mas aí eu vejo o Paulo Henrique Amorim dizer que o Sergio Leo é representante do PIG. Porque questionou algumas ações do governo. Com licença, né? Eu gosto muito do Nassif, por exemplo. Mas ele não é um jornalista independente. Ele é governista. E não tem problema NENHUM nisso. O PHA eu gosto também. Leio e sigo. Mas ele erra a mão um monte. Ele faz manchetes sensacionalistas. Ele sofisma em todos os textos. Não pode ser *a* fonte de informações das pessoas. Eu tava super sem ler blog. Agora eu voltei e tals. Por conta da eleição mesmo. E porque li um post no NPTO (sobre o diploma do Serra) que me fez acreditar. Que é possível declarar voto e manter o senso crítico e tals. Daí que eu preciso me representar mesmo. Eu sou petista. Eu voto na Dilma. Mas, né? Não curto histeria. Não faço histeria. Preciso, então, cobrir a eleição eu mesma. A cauda é longa, dizem por aí.

Sobre a entrevista. Foi incrível. Algumas perguntas se referiram mesmo a incômodos. Aliança com Sarney e Collor. A resposta da Dilma não foi demagógica. Precisamos deles pra conseguir governar. Mas incomoda alguns. Eu, por exemplo, me incomodo demais. Sobre a questão dela ser grossa. Que é mesmo uma construção a respeito dela. E ela disse isso. Aí ela tentou uma metáfora no estilo Lula. Eu considero boa a resposta, mas não é o que EU gosto de ouvir. Aí o Bonner falou que o Brasil cresce mas cresce menos que outros. Super pertinente. Ué. Se é nesse nível a discussão, é nesse nível. Que bom que o Brasil cresce e agora é comparado com quem cresce. A Dilma foi ótima na resposta porque, né? O governo é bom nisso. E ainda deu uma nele, no que diz respeito à Rússia. A Fátima Bernardes falou de habitação. Eu gosto de perguntas pontuais assim. A Dilma falou do censo. E nossa. Eu tenho certeza absoluta que esse censo vai ser uau. E aí explicou que os dados, embora recentes, estão defasados. Ela é uma mulher de infraestrutura, jamais cairia numa pergunta assim. O Lula é mais software que ela. Aí ela encerrou, sorriu. Ela não é fofa e acho melhor que não tente ser. O Serra tenta ser fofo e é bem patético. Vide capa da Veja ou a entrevista da gripe suína que ele ficou falando de "porquinho". Além disso, a gente vê os vídeos caseiros dele. A tentativa de fofura acaba virando cantada. Sempre fala de mulher bonita e não sei quê. Ambos são candidatos mais harware. A Marina que é a software da vez. Mas, né? No debate o Serra começou com uma pergunta que me pareceu boa. Ele falou das APAEs. Assunto software. A Dilma claramente não tinha idéia do que ele tava falando. Ela sabe quantas federais CONSTRUIU. Mas isso daí ela não tem muita idéia. Então pareceu bom. Mas ele também não sabe. Então é ridículo. Na hora que ele fez a pergunta, eu já sabia o porquê. E eu nem sabia a informação. Mas pensei. É porque a idéia é mandar os alunos pra escola ao invés de excluí-los nas APAEs. Porque eu sou uma pessoa software. Aí vira aquela bosta lá. Os dois querendo construir APAE. Eu tô no meio de um debate agora, no trabalho. Porque vai ter curso de Libras pros alunos, online. E os fonoaudiólogos da faculdade são contra. Eles acreditam mesmo que o deficiente auditivo tem que tentar falar e ouvir. Libras atrapalha o processo. Eu me interesso demais por essas discussões. A administração hardware da faculdade, entretanto, apoiada pelo MEC, já fez *o* esquema da Libras. E tem professor e material didático interativo e tals. Da parte que me toca, eu ficava conversando com uma fonoaudióloga baixinha que tem lá. E ela me explicando isso tudo. E raridade que é um caso ZERO de audição. Agora eu não converso mais com ela. Porque ela tá de licença-maternidade. Qualquer dia eu conto que fofo é o marido dela. Um dos mais fofos que eu já vi. Anyway. A pergunta da APAE ignora isso tudo aí. Toda essa discussão a respeito da inclusão e de como ela deve ser feita. E aí a gente teve que inferir o negócio. Porque nenhum nem outra deu conta de explicar pra nóis. Eu não sei se eu vi o debate inteiro. Vi trechos e tal. Porque, né? Houve a tragédia do Morumbi*.

*Eu tive um sonho assim, com esse jogo. Sonhei que eu tinha ido pro Rio de Janeiro me encontrar com uma menina. Xaveco e tals. Quando eu cheguei lá, liguei pra ela. E ela me disse que não ia poder me encontrar. Por que?, eu quis saber. Ela respondeu que o namorado gaúcho dela estava na cidade. Aí minha amiga lôra me levou pra sair. E chegou essa menina com o namorado gaúcho. E ele estava com a camisa do Inter. Aí eu briguei com o marido da lôra e fiquei no Rio de Janeiro sem ter onde dormir. Ligava pra um monte de gente e ninguém me atendia. E o cara sentado na minha frente. Com a camisa do INTER. Na véspera do jogo eu sonhei isso.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Meninos, meninas

Da Mary
É nessa coleção genial chamada Mundo da Criança que eu vi esse poema. E que minha mãe recitava pra gente. Eu e meu irmão. E eu morria de rir dele. Porque achava melhor ser menina. Hoje, não acho. Porque não consigo mais ver problemas em rãs. Antropologia saves my soul, você bem sabe.

De que são feitos os meninos?
De que são feitos os meninos?
Rãs, caracóis, rabinhos pequeninos.
Disto são feitos os meninos.

De que são feitas as meninas?
De que são feitas as meninas?
Açúcar, perfumes e outras coisas finas.
Disto são feitas as meninas

E tudo é interessante. Por exemplo. Eu gosto de perfume. Mas esqueço de passar. Esqueço de comprar. Meu irmão não. Ele toma banho de. Deixa rastro quando passa. E teve diabetes precoce. Por causa de muito açucar. E porque é muito nervoso. Não podia dar certo, esse poema. Eu já sabia. Ele já sabia. Minha mãe já sabia. Acabava sendo mais um jeito mesmo, da gente perceber. Que meninos e meninas são feitos da mesma coisa. Mas o que acontece com o pessoal que fez o comercial da Ruffles. Não tem mãe que declama poemas. Não tem a coleção Mundo da Criança. E diz que menina gosta de sapato e menino gosta de churrasco. E pronto. Pra arrepiar de vez os meninos ativistas das causas dos animais. E etc etc. O mundo mudou, hein pessoal? Que a Ruffles vire símbolo de caretice é algo que não dá pra entender. Porque escolher um caminho desse. Não dá mesmo.
Marjorie, como sempre, destrincha o negócio lá. Eu só me lembrei desse poema aí. Que é muito longo para ser twittado.
Me incomoda porque eu considero que estamos num momento tão avançado de percepção. Das construções das diferenças entre os gêneros. E aí fazem essa redução. Oh, não. É o que eu penso. Veja que mesmo a careta ciência da biologia. Já pega pra outras coisas. Embora todas nós discordemos. As diferenças são colocadas em termos de reflexos masculinos e femininos. Em relação ao som de choro e à dor do outro. E coisas assim. Essa camada aí. Que nem verniz não é. Menina gosta de sapato. Menino gosta de bolinha de gude. Isso aí é so last century. Ou retrasado. Não sei dizer retrasado em inglês. Minha prova final é na segunda-feira.

Eu gostei demais dessa foto aí que eu postei. Me lembrei dessa outra, do Jan Saudek, claro. Eu já cheguei a usar no template, a do Saudek. De tanto que eu gosto. Porque me parece assim. Se poder é uma questão de artefatos, deixa com a gente. É questão de fazer a barba? Então eu faço. E a de cima, me deu outra coisa, né? De nada a ser barbeado. E aí o artefato vira uma ameaça ao pescoço dela. Me deu um impacto mesmo, quando eu vi. Depois eu li que tem todo um lance. Uma discussão sobre como as mulheres devem ser depiladas e essa exigência tornando-se uma opressão. Diz também que as fotos devem ser vistas juntas (as outras sobre depilação). Mas eu gostei assim sozinha mesmo. Ah, claro. A foto da Blanka pode ser apenas que ela está brincando de ser menino. E eu acho genial do mesmo jeito se for isso etc. Porque, né? Enquanto ela brinca de fazer a barba, outra coisa está precisando ser urgentemente depilada etc. É, também, uma boa piada.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Leitura uau


Da Mary, sempre uma leitura uau!


Eu queria falar um lance sobre isso. Da vida familiar ter se tornado o foco do way of life americano. Porque eu estou completamente absorvida por essas discussões. Da ética vingente e da identidade que ela possibilita e tal. Por conta do projeto de doutorado que tô fazendo. E claro que é muito recortado e não interessa pras pessoas, projeto de doutorado. Mas eu estou fazendo sobre riot grrls mesmo. Que é o que eu queria estudar desde sempre. E acho que é um grupo que meio que sintetiza o que eu quero estudar. Que agora eu chamo de transfiguração do político, por causa do Maffesoli. Se esses grupos transfiguram o político (a ponto de podermos pensá-los como despolitizados num certo sentido) ao mesmo tempo que atuam sistematicamente, eu achei que eu precisava ter alguma coisa sobre identidade. Porque ela tá transmutada também, se a ação política está virada de ponta cabeça. Eu acredito mesmo que primeiro é a ética que muda, depois muda a identidade, depois muda o agir político. Mais ou menos assim. Daí eu peguei um livro maravilhoso, que eu já tinha tido contato, por ordem do meu co-orientador de mestrado. Eu acho que ele queria me mostrar como se construiu essa ética da pluralidade, mas eu vi outra coisa. E agora então. Tanto tempo depois. Tô lendo focada mesmo nas ativistas do feminismo contemporâneo. Mas, né? Charles Taylor não escreveu um livro. Ele escreveu um tratado de 700 páginas sobre a construção da identidade moderna. E então eu tô aprendendo muita coisa. E organizando outras que eu já sabia. Dentre as coisas que eu tô aprendendo, uma é absolutamente uau. A ponto de eu fechar o livro quando li. E ficar sentindo o meu coração acelerado. Com a sensação de "não é possível, todo mundo sabia isso, menos eu". Vamos então, ao post. Porque preâmbulo é a especialidade da casa. Ele situa o Locke como o cara da identidade moderna. Pra ele tá ali a coisa toda e tal. Mas aí ele explica. Como foi possível que assumissemos esse tipo de ética. Aí ele explicas as éticas anteriores. Porque a identidade é o resultado da configuração que a sociedade tem em determinado momento etc. Configuração pra ele é uma palavra super importante. E eu ando encantada por essa palavra. Ele diz assim. Que uma ética tem três eixos. Que são mais ou menos valorizados numa determinada sociedade. Primeiro, o respeito ao próximo. Segundo, o significado de viver uma vida que vale a pena (sentido da vida). Terceiro, a dignidade (o quanto eu sou merecedor do respeito). Ele diz que a moral orbita em torno disso aí. Ele diz que na antiguidade, existia a "Ética Guerreira". E que o mais importante nela era a dignidade. Sendo que ter uma vida plena significava ter o respeito dos demais.

O primeiro eixo era super precário na Grécia Antiga, por exemplo. O outro não merecia maiores atenções e eles jamais entenderiam o quanto o primeiro nos é caro etc. A nossa época, pelo que eu entendi, tem quatro éticas. E aqui a porca torceu o rabo pra mim. Ele diz que o segundo eixo (sentido da vida) é fundamental pra gente. Mesmo porque nós somos a época que mais diz que NÃO há sentido. O que é uma celebração desse eixo e dá mostras contínuas do quanto nos importamos com ele. Discutimos até para concluir que ele não existe. Nós temos a discussão mas NÃO temos configuração que nos dê a resposta. Os gregos tinham, eles sabiam porque deviam viver e morrer. Nós? Não. E aí ele diz algo já. Que gregos viviam pela fama. Pela imortalidade. Claro que já vem BBB na minha cabeça, né? Mas eu tiro porque não dá pra passar a vida analisando *o* programa. Ele resolve o problema da fama, mas não vai caber aqui tudo que ele fala etc.

O primeiro eixo ele fala que nós levamos ao limite. O Direito se ocupa de transformá-lo em lei obrigatória etc. E que a configuração mais escancarada que temos é a ausência de uma configuração comum a todos. Daí ele fala que Platão se colocou contra a "Ética do Guerreiro". E sugeriu uma "Ética Racional". Por isso eu digo que temos três éticas (ou quatro se considerarmos que a "Ética Teológica" ainda vigora pros tontos etc). Daí o sentido da vida seria a autonomia mesmo. E viver bem é viver a supremacia da razão sobre o desejo. Os estóicos etc. Ele diz que nós temos uma apropriação disso. Que é o indíviduo desprendido. Aqueles que conseguem objetificar o mundo e os próprios sentimentos. Aqueles que possuem distanciamento e autocontrole nas diversas situações e tal. Que vê o mundo desencantado, no sentido weberiano mesmo. Eu sou assim, sabe? Eu vivo essa atualização da ética platônica. Autocoerência e eficácia instrumental estão no centro dessa ética. E todo mundo a conhece. Porque ela é a ética do capitalismo. Nós também fazemos uso do altruísmo como um valor e nosso respeito ao outro é marcado por ele. Isso é atualização de ética religiosa, como é óbvio etc. Aí tem uma "Ética da Expressão". Que seria dos artistas. Porque nossa sociedade valoriza as artes como nunca antes e tendemos a considerar que viver para se expressar confere à vida um sentido. E os artistas vestem essa ética. Mesmo artista que não vinga, tem um sentido pra vida. Que seria poder fazer sua arte e se expressar etc. Nós legitimamos essa ética. Ele diz que a gente leva em conta, por exemplo, opinião política de artista etc. Eles dão norte pra todos nós e não há qualquer explicação racional pra isso. Só pode ser porque consideramos o expressar-se como algo. E aí ele chega à ética mais comum do nosso tempo. E precisamente aqui, meu queixo cai. Ele diz que a ética que mais floresce é a da afirmação da vida cotidiana. Eu noto mesmo. Que o mais importante, para um número gigante de pessoas, é a vida da produção e da reprodução. Daí trabalho e família etc. O sentido da vida está aí. O respeito ao outro está aí (a gente vê as pessoas sempre dizendo "e se fosse meu filho", sempre, pra justificar respeito ao outro). E a dignidade também. Você é respeitado por ser pai de família e um funcionário exemplar. Eu sou um pai de família é *a* evocação para exigir dignidade. Então nós temos. A "Ética da Vida Cotidiana". A "Ética Guerreira" e a "Ética Racional" relegam o cotidiano a segundo plano. Há coisas imensas para serem conquistadas etc. E de onde vem essa valorização do cotidiano? Morra. Porque vou transcrever. Pra não parece que eu tô mentindo.
A afirmação da vida cotidiana envolve, portanto, uma posição polêmica diante dessas concepções tradicionais e de seu elitismo implícito. Isso se aplicou às teologias da Reforma, que são a principal fonte do impulso a essa afirmação nos tempos modernos.
Veja que ele diz O CONTRÁRIO do Weber. Porque a "Ética Protestante" é a ética da razão. E o Charles Taylor fica falando da vida cotidiana e chamando de "Ética da Reforma". E ele chega a citar o Weber quando fala da atualização da ética do Platão. E toda essa leitura que a gente tem? De que a ética católica vigora nos países latinos. Isso faz sentido se pensarmos em termos de encantamento do mundo. Mas vida cotidiana? Não faz nenhum. Enfim. A culpa é do Lutero. Acho que só eu que não sabia. Porque, nossa. Tá na cara.
Não é minha "área". Mas claro que eu me considero militante GLBT. Mas não entendo do assunto. Só milito mesmo. Me arrepia um pouco pensar a luta gay por essa ótica. Mas assim. Me arrepia MUITO. Nós, feministas, temos um histórico de luta estrutural que eu não vejo tão seriamente abalado por essa ética. O movimento gay me parece estar sucumbindo. Mas enfim. Não entendo mesmo do assunto.

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