TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A ex-querda...



Charge: SOLDA


Correio da Cidadania. A democracia não é cantochão, uníssimo. É polifonia. Escutemos.
Esquerda não pode mais tergiversar frente às dificuldades do atual período histórico
Do Blog de ROBERTO ROMANO



Escrito por Valéria Nader
Sexta, 02 de Setembro de 2011

No mês de agosto de 2011 veio à tona o esperado repique da crise econômica internacional que explodiu em 2008. Como é tradição nestes momentos de aguçamento da conjuntura, reaparecem as velhas discussões. O caráter da crise, os limites do modelo de desenvolvimento e crescimento ora em curso, as incógnitas sobre a sobrevivência do capitalismo, a atualidade dos ideários marxista e neo-keynesiano e as possibilidades que se colocam para as esquerdas e os movimentos populares voltam a povoar o imaginário de setores retrógrados e progressistas em seus prognósticos sobre um futuro carregado de incertezas.


Para os setores mais progressistas, o significado e o futuro da esquerda talvez seja um dos temas que apareçam com maior ímpeto em momentos de aprofundamento da crise do capitalismo. Foi com a preocupação de discutir a esquerda no Brasil, mediante o atual cenário internacional, que a revista Caros Amigos promoveu um importante debate. A discussão ocorreu no Tuca, o anfiteatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC-SP, no dia 30 de agosto. Compuseram a mesa o jornalista e chefe do departamento de jornalismo da PUC-SP, José Arbex; o cientista político, jornalista e secretário de Relações Internacionais do PC do B, José Reinaldo Carvalho; o também cientista político e jornalista, presidente da Fundação Perseu Abramo, Nilmário Miranda; e o coordenador nacional do MST João Paulo Rodrigues. Coordenando a mesa estava o professor do departamento de jornalismo da PUC-SP e editor da Caros Amigos Hamilton Otávio de Souza.


Refletir sobre o transcorrido nesse debate reveste-se aqui de interesse pela importância e oportunidade do tema que se levanta e, não menos essencial, pelos artifícios e impasses a que este tema pode conduzir.


Em cena, um dèjá vu


Muitos são aqueles que já se colocaram em uma postura de inclemência para com o governo Lula, encerrado no final de 2010. Enterraram já há algum tempo o ‘sonho’ de que o mandato do ex-operário do ABC alcançaria boa parte das transformações verdadeiramente estruturais de que se ressente nosso país. Para estes, as discussões que presenciaram no Tuca trouxeram, com evidência marcante, sentimentos profusos e ambíguos.


De certa forma, perpassava a impressão de se estar diante de uma cena do começo dos anos 2000, um momento em que imperavam e prosperavam as polêmicas sobre o ‘caráter’ do governo Lula. Ainda que a famosa Carta aos Brasileiros, já em 2002, tenha deixado claras as concessões da candidatura Lula a imposições do setor financeiro – naquele momento ainda muito temeroso com a chegada de um petista e ex-sindicalista ao poder -, predominava a forte apreensão de que a ‘esperança havia finalmente vencido o medo’. O governo passaria por dilemas e dificuldades, mas permaneceria sendo um governo em constante disputa. Para os setores ávidos por uma etapa de mudanças efetivas em nossa economia e sociedade, não havia espaço para desconfiar do entusiasmante bordão sob o qual se elegera Lula.


Enquanto o assunto esteve circunscrito ao aprofundamento da crise capitalista, ao grau de agressividade do imperialismo no mundo contemporâneo, ao controle exercido pelos grandes grupos financeiros em escala mundial, bem como às estrondosas reações populares que estão se espalhando pelos quatro cantos do globo, não havia espaço para discordâncias entre os debatedores. Afinal, trata-se de fatos por demais patentes para que provoquem polêmica entre grupos que partem de um olhar progressista em direção à realidade. Porém, na medida em que se deslocou o foco para o Brasil, especialmente para a atuação passada e futura da ‘esquerda’, Arbex foi o único a confrontar de modo contundente a ‘era Lula’.


Arbex é veemente em sua afirmação de que a ‘correlação de forças’ não pode definitivamente ser pretexto para se fazer uma série de concessões, a exemplo do que fez Lula, em um dos governos que se erigiram como um dos maiores sustentáculos do capital financeiro da América Latina. Além disso, no atual contexto mundial, ser de esquerda, para o jornalista, tem um significado bastante complexo. Implica, em primeiro lugar, em exigir o impossível, sob pena de se cair no oportunismo. Indo além, ser de esquerda exigirá postura contrária a uma esquerda chamada de ‘auto-legitimadora’, que se teria como iluminada para traçar os destinos dos trabalhadores.


Neste sentido, Arbex avança ainda mais a discussão, tendo também como alvo as próprias correntes mais à esquerda no espectro político. Lança um claro chamado à reflexão sobre as posturas formadas à luz do leninismo, e que apregoam a necessidade de se construir um acúmulo de forças a partir da ‘consciência de classe’. Segundo o jornalista, seria preciso aprofundar a reflexão a respeito de tal conceito, ao lado de reforçar a ótica marxista segundo a qual a consciência revolucionária seria fortemente determinada pela prática revolucionária.


Nilmário e José Reinaldo são bem menos impiedosos com os mandatos presidenciais petistas, antigo e atual. São igualmente críticos do capitalismo, especialmente no atual estágio em que caminha a passos largos para a destruição planetária e a corrosão generalizada de direitos humanos, beirando a barbárie. Vêem, no entanto, com bons olhos os rumos tomados pelos governos petistas, o de Lula e, agora, o de Dilma Rousseff.


José Reinaldo acredita que um programa consistente, aliado a lutas e tarefas cotidianas, constitui-se no ingrediente básico para o acúmulo de forças e a maior consciência do povo, abrindo caminho para a estratégia socialista. Deste modo, ter apoiado o governo Lula e apoiar agora o governo Dilma, governos em disputa, em sua opinião, seria um caminho conseqüente, ao passo que agir de outro modo poderia conduzir a uma perspectiva de ‘seita’, sectarista e obscurantista.


Para Nilmário, a revolução se caracteriza por ser um processo sem fim, em construção permanente, e deve ser radicalmente democrática e sustentável. A partir desta concepção, ao lado da noção de que a correlação de forças é decisiva neste processo, o cientista político crê que o Brasil estaria recompondo a soberania nacional, a retomada de direitos sociais básicos para parcelas expressivas da população e o planejamento estratégico desde a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder. Um partido que, segundo Nilmário, permanece, sem dúvidas, à esquerda, não aceita o neoliberalismo e optou pelo socialismo e a revolução democráticos, com respeito pelo Estado de Direito.


A correlação de forças e os fatos


Não é o caso de, nesse espaço, adentrar as bases teóricas e motivações, assim como em eventuais racionalizações ou retóricas, que estão a embasar cada uma dessas concepções. No entanto, se é necessário tomar a correlação de forças como fundamental na avaliação das possibilidades de qualquer governo, conforme afirmam os próprios debatedores, é também imprescindível não se desprezarem os fatos proeminentes e emblemáticos que se desenrolam sob a direção de um governo. Desprezar estes fatos seria afastar qualquer tentativa séria de fazer a discussão a que se propõe, qual seja, o caráter e as possibilidades da esquerda. Desprezar tais fatos implicaria, ademais, em tornar as tão corriqueiras e aclamadas aspirações de uma possível ‘união das esquerdas’ em algo meramente protocolar e inócuo.


E aí nem seria preciso ir muito longe, com uma retomada prolongada da administração de Lula e de todas as ponderações que substanciam a avaliação de que não se avançou no que era efetivamente possível para se ultrapassarem, em muito maior escala, as políticas assistencialistas dirigidas aos mais pobres; para impedir a reprimarização de nossos padrões comerciais a partir do privilégio inequívoco ao agronegócio; e para evitar regressões injustificáveis na área ambiental - processos estes que correram em paralelo à desarticulação da esquerda e à desmobilização social, em função do prestígio histórico do presidente-operário e da forte capacidade de aglutinação via Bolsa Família. Basta que se tenha como parâmetro os primeiros meses da nova administração petista de Dilma Rousseff - afinal, um governo gestado pelo anterior e que carrega todas as marcas de continuidade. Não é razoável desprezar alguns acontecimentos notórios que têm se acumulado em 240 dias de mandato, alguns deles concentrados apenas na última semana. Trata-se de fatos tão ou mais relevantes para a cidadania do que a ‘faxina ética’ que a presidente vem promovendo, com quatro ministros e vários auxiliares já fora do páreo. Mas que, lamentavelmente, não recebem nem um décimo dos holofotes que se dirigem aos estridentes atos de caça e demissão dos acusados de corrupção.


Reveses na estruturação de projetos básicos e tentativas de retrocessos legais na garantia de direitos sociais não têm faltado desde que a presidente Dilma assumiu o poder. No que se refere aos projetos básicos, ocorreu já há meses o anúncio da privatização de três dos principais aeroportos do país, entre eles Guarulhos em São Paulo e Viracopos em Campinas, com o intuito de garantir os dois grandes eventos esportivos que terão lugar no Brasil. O que certamente trará a reboque contratos polêmicos com empreiteiras e obras conduzidas a toque de caixa. A idéia de ressuscitar a Telebrás para avançar na expansão da internet para camadas populares também já fez água, e quem vai ficar com o filé na condução dessa empreitada certamente serão as concessionárias privadas. Duas situações emblemáticas para o partido sob o qual se elegeu a presidente Dilma, que tem adotado como bandeira eleitoral nos últimos pleitos uma crítica dura às privatizações tucanas.


No que se refere aos retrocessos em direitos sociais, nesta semana mesmo os mandatários econômicos do governo declararam que pretendem viabilizar o processo de votação e aprovação do fundo de pensão dos servidores públicos. Em outras palavras, trata-se da conclusão da privatização da previdência pública iniciada por Lula. O que poderia ser mais simbólico de uma reviravolta nas convicções políticas do partido que cresceu ancorado na defesa dos direitos dos trabalhadores do que o ataque à previdência dos servidores públicos?


A velha desculpa de que medidas como estas são imprescindíveis em decorrência do elevado déficit público não é nada razoável para aqueles que se dizem situados no campo popular e que, outrora, eram críticos contumazes de argumentos deste naipe. Seriam variadas as citações oportunas para contra-restar justificativas do gênero, mas basta uma referência à proposta orçamentária recém divulgada pelo governo federal para 2012 para se chegar à conclusão de que a questão passa bem ao largo da disponibilidade de recursos. Quase 48% dos recursos do orçamento de 2012 serão destinados à conta de juros e amortizações da dívida, enquanto todos os outros gastos sociais ficarão com 36%, os investimentos novos com cerca de 3% e os servidores públicos, sempre acusados de ‘vilões’, com cerca de 10%. Como constata o economista Paulo Passarinho, em artigo publicado no Correio da Cidadania, “a presidente e o ministro da Fazenda divulgam que reforçarão em 10 bilhões de reais, nesse ano, o superávit primário, eufemismo para designar a parcela do Orçamento da União destinada ao pagamento de juros (...) Basicamente, portanto, o que Dilma pretende viabilizar é ‘trocar’ a ditadura dos juros altos pelo garrote vil do controle dos gastos públicos”.


Estes são apenas alguns dos exemplos que, a depender de como se dirige o olhar para a realidade, desmontam factualmente e incisivamente a idéia do ‘governo em disputa’. E mesmo que algumas dessas medidas pudessem ter justificativas pontuais, o ‘conjunto da obra’ muito dificilmente teria condições de ser explicado por aqueles que ainda acreditam que haja chances de disputar os rumos do governo.


Sem confundir as saídas


Dentre os presentes no debate acima mencionado, esteve também o coordenador nacional do MST, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Paulo Rodrigues. Como um dos porta-vozes do movimento de maior alcance e relevância no Brasil atualmente, João Paulo fez colocações que apontam para as dificuldades impostas não somente pela atual conjuntura mundial conturbada e de descenso na luta de massas, mas também, e principalmente, pela ambigüidade a que foram conduzidas as esquerdas e as massas após a chegada de Lula ao poder.


Sem chegar a descrever mais especificamente quais seriam as alternativas atualmente pensadas pelo MST em sua relação com o governo, o dirigente é incisivo em afirmar que o governo Lula criou uma confusão significativa na esquerda. Ela estaria hoje cindida entre um adesismo que beira o oportunismo, e que dificulta a organização autônoma dos trabalhadores, e um esquerdismo pequeno-burguês, próximo à ‘esquerda auto-legitimadora’ citada por Arbex, e que se acharia a ‘dona da verdade’. O caminho de ‘melhorismo social’ trilhado pelo governo é ainda destacado como um empecilho ao enfrentamento do capital por parte dos movimentos sociais.


Estes seriam ingredientes essenciais do atual período histórico avaliado por João Paulo, originários de uma esquerda e de um movimento social altamente fragmentados e da ausência de um projeto comum, uma vez ‘defasado’ o Projeto Democrático Popular. Cair no adesismo, ou no sectarismo, constituiriam ambas péssimas alternativas.


Apontar saídas não é mesmo algo fácil, e não poderia ser este o objetivo aqui. De todo modo, em um momento histórico em que se aguçam as contradições, não pode haver espaço para se criarem confusões, mistificações, fugindo à devida e pertinente colocação dos pingos dos ‘is’. Neste sentido, o debate mencionado neste texto parece trazer, em parte, uma dissonância um tanto estéril, uma vez mediante idéias que, se ainda apresentam nuances de proximidade, podem estar há muito caminhando para pólos opostos. Uma impossibilidade lógica de conexão entre elas não deve, portanto, ser desprezada.


Ao mesmo tempo, e paradoxalmente, o debate se reveste de relevância na medida mesma em que trouxe à tona uma realidade que poderia estar esmaecida para aqueles que, há algum tempo, já enterraram suas ilusões com os governos petistas. Reaviva-se a estes a memória para uma vertente de pensamento que ainda vige com vigor em mentes progressistas e/ou à esquerda no espectro político. Algo que, no mínimo, pode ajudar a fugir do etéreo, e também da postura a la ‘arquitetos teóricos de estratégias de mudança’, distante do que ocorre no dia a dia de estudiosos, movimentos e instituições imprescindíveis a qualquer avanço na realidade.


Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.

Inquisições ...



De Roberto Romano



A santa inquisição, ou nada santa, mas inquisição, que ainda hoje acende fogueiras, na calada da noite, à socapa...
Para quem deseja estudar a questao laica no Brasil, segue um trecho de minhas memorias.
A visita de Sua Santidade pode ser uma ocasião para se pensar um pouco sobre o papel dos intelectuais na vida pública. Em 1980, a Teologia da Libertação e a Igreja Católica eram unanimidade nas esquerdas nacionais. Oportunistas de todos os partidos cortejavam as batinas e as sacristias, vendo nelas um caminho para chegar às massas que, dirigidas por “tema errados” (religiosos) poderiam ser aproveitadas para a revolução socialista. “Esquecendo” que a instituição eclesiástica exigira e apoiara o Golpe de 1964, e depois também jogara agua benta sobre o Ato Institucional número 5, militantes e acadêmicos estranhos ao catolicismo, além de comungar para enganar os padres (eram ateus, mas a Revolução, para eles, bons seguidores de Henrique 4, valeria uma missa) eles redigiram calhamaços expondo uma suposta colusão entre teologia e marxismo. E a “teoria”, ou “mediação sócio-analítica” bateu firme nos cérebros, definindo inclusive empregos na universidade pública. Na lua de mel entre católicos e marxistas de várias seitas, pobre de quem ousasse negar as verdades estabelecidas pelas direções partidárias !

Tive a infelicidade de escrever uma tese de doutoramento, em Paris, sob o clima dogmático e ideológico mencionado. Já na elaboração do texto, meu orientador, Dr. Claude Lefort, procurou me decidir a retirar dois capítulos, um sobre a reforma agrária defendida pela Igreja e outro sobre as Comunidades Eclesiais de Base. Com a minha recusa, deixei naturalmente de ser chamado como “tu” e fui posto no tratamento reservado ao “vós”. O professor Lefort ressaltou a excelente qualidade dos demais capítulos, mas disse-me que os dois referidos eram, além de excessivos, óbvios em demasia, visto que eu desejava provar algo muito conhecido, a saber, que a Igreja não era socialista ou revolucionária. Não valeria a pena gastar tempo do leitor, e da banca, como algo assim. Minha briga com o orientador foi mantida até as vésperas da defesa. Na noite anterior da defesa, telefonei para ele tendo em vista saber o seu juízo sobre o todo do trabalho. Ouço novamente que os demais capítulos eram excelentes, mas que eu teria problemas com os dois que ela indicara para serem cortados. No dia seguinte, compareci ao exame mais tenso do que o costume. O leitor que deseja ter uma idéia da situação, faça a experiência de recusar a orientação de corte em seu trabalho de doutoramento, estando no exterior.

Na França, nos atos de defesa fala primeiro o candidato, depois o orientador, depois a banca. Apresentei o trabalho no seu todo, mostrando as suas articulações teóricas. Na sua vez, o orientador retomou a idéia de que os demais capítulos eram excelentes, mas que os dois referidos —reforma agrária e comunidades de base— eram demais na economia do texto, além do fato de que eu, neles, mobilizava demasiada erudição para demonstrar algo “evidente para todo mundo, ou seja, que a Igreja não era socialista e revolucionária”. Na réplica, só disse que ele pensava daquele modo, eu pensava de outro e que, no meu entender, o estatuto de revolucionária ou socialista, longe de ser negado por todos os analistas e militantes brasileiros, era uma certeza na mesma esquerda e na escrita da maioria dos intelectuais empenhados. A palavra foi dada à Professora Dra. Maria Isaura Pereira de Queiroz, a qual, em termos de Brasil, “fait autorité”, como afirmou várias vezes o professor Lefort. Em uma argüição primorosa, na qual construiu todo um quadro com a estrutura inteira da tese, a professora Queiroz disse à Banca, dirigindo-se em especial ao Dr. Lefort, que a minha análise era a mais correta, que a maioria dos comentadores via na Igreja uma força revolucionária no Brasil. E que o meu trabalho traria muitos debates, justamente porque navegava em sentido contrário à corrente dominante. Ela salientou ainda o rigor lógico e a quantidade de elementos empíricos, sobretudo documentos originais, agenciados por mim.

O examinador seguinte foi o Dr. Alain Touraine, que fez questão de me parabenizar porque era a primeira vez, foram estas as suas palavras, que ele teve diante dos olhos um doutoramento que unia com perfeição o lado teórico e o campo social. Ele também discordou do Prof. Lefort, em relação aos dois capítulos indigitados. Terminada a sua fala, e após minhas respostas, eu estava tão tenso que agradeci à banca, como se o exame estivesse no fim. Neste momento toma a palavra….o presidente da banca, Dr. François Bourricaud, que me disse, em tom risonho, que eu não tinha direito de lhe retirar a palavra, só porque ele presidia o exame. Ele também elogiou o trabalho inteiro, apenas reclamando do meu excesso de cautela lógica, e dizendo que eu abusava às vezes da maestria lógica, com a minha navalha de Ockham. Mas disse que aprovava a tese com muito prazer. Após sua fala, e minha resposta, o Dr. Lefort disse que revia sua opinião inicial, dadas as exposições dos colegas. Que de fato a sua atitude tinha sido dura em excesso. Novamente repito que ele tinha direito à sua posição e eu, à minha. Tudo termina bem, segundo o dito francês : “tout est bien, qui finit bien”.


“Tout est bien?”…doce ilusão ! Ao regressar da Europa, fui cassado na USP pela esquerda católica e marxista, com base na tese referida. Aqueles docentes que viveram a juventude na JEC e na JUC, imaginavam que a revolução passara pelo quintal de sua casa. E que minha heresia, se não estava mais em voga a fogueira física, merecia a fogueira moral. Assim, fui jogado para longe da USP, com a desculpas contraditórias entre si de que eu seria “marxista enragé”, ou “reacionário”. Preso por ter cão, preso por não ter cão…Mas quem espera coerência lógica de repressores ? Como não tinha nenhuma clique ou seita, ou partido para me proteger (o que agradeço aos deuses, pois me levou ainda mais à independência intelectual e moral diante da máquina de dobrar espinhas chamada Partido) a minha cassação ficou sem registro. Os inquisidores da USP fizeram o “sale boulot” para a esquerda e a Igreja “progressista”, livrando-se ao mesmo tempo de uma pessoa que não servia para os propósitos uspianos de espalhar a lisonja entre pares da USP e das suas hordas próximas. Acho hilariante o barulho feito pela mesma gente quando, pouco tempo depois, a PUC mandou embora professores ligados à constelação progressista. Mesmo assim, assinei manifestos, escrevi artigos contra a posição intolerante da cúpula da PUC… Achei ainda mais ridícula a reação indignada aos processos vaticanos contra Leonardo Boff. Quando se tratou de me cassar, todas a bençãos foram dadas. No caso da pimenta em seus olhos, a santa maravilha revolucionária achou ruim. Ocorre que, justamente, o livro indigitado prevenia a exatíssima e mesma esquerda católica e laica, sobre o que estava ocorrendo na ordem burocrático-política eclesiástica. Mas o dogma falou mais alto, o dogma ideológico, diga-se. E como diz uma pessoa mais do que intima em minha vida, “ideologia emburrece”. E como!
LEIA MAIS brilhante texto no blog do Professor Roberto Romano AQUI

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A língua podre ... e a caravana passa

... cap-tirada do Blog da Joana Lopes.


Corruptos do Braziu uni-vos!








Tesão: vencer a repressão!



O anônimo seboso escreveu aqui, Ferd, que o nosso abraço é cheio de tesão e que nós somos amantes rsrsrsrsrsrsrs Ui! Ai! Uia, que tesão receber e dar um abração!

Anônimo: leia Reich, encoste o Mao.

...



José de Arimathéia enviou:



Isso passou na TV há dias. Por que só encontrei na Internet hoje?
Ah: para o pessoal da minha lista que não sabe, o caso Tuskgee, citado na matéria, e que virou filme (Cobaias Humanas), é o que levou ao termo BIOÉTICA.
É curioso que o país que tenha condenado os nazistas por experiências médicas faça exatamente a mesma coisa, não?
Estados Unidos encontravam cobaias humanas na Guatemala na década de 1940
Le Monde
Entre 1946 e 1948, guatemaltecos foram inoculados com infecções sexualmente transmissíveis por médicos americanos
É um dos episódios mais terríveis que a medicina conheceu depois da Segunda Guerra Mundial. Esse caso que envolve as maiores instituições médicas americanas mobilizou o Comitê de Ética situado junto ao presidente dos EUA. No último dia 29 foram reveladas as linhas gerais do relatório que o comitê entregará proximamente a Barack Obama sobre um estudo escandaloso realizado de 1946 a 1948 na Guatemala, e pelo qual o presidente americano apresentou em 2010 desculpas oficiais a esse país.
Médicos do Serviço de Saúde Pública (PHS na sigla em inglês) dos EUA conduziram experimentos humanos nesse país da América Central, durante os quais eles conscientemente inocularam centenas de detidos, soldados e pessoas internadas em hospital psiquiátrico, no total 696 indivíduos, com os agentes responsáveis por infecções sexualmente transmissíveis (sífilis, blenorragia, cancro mole). O estudo teria provocado 83 mortes. Cinco sobreviventes acabam de ser identificados pelas autoridades locais.
O caso só foi descoberto em 2009, mais de 60 anos depois dos fatos, durante a publicação por uma universitária, Susan Reverby, professora no Wellesley College em Boston, de um livro dedicado à "experiência de Tuskegee". Tuskegee é uma cidade do Alabama onde, entre 1932 e 1972 os médicos das mesmas instituições públicas acompanharam 700 afro-americanos pobres, dos quais dois terços tinham sífilis, sem informá-los de sua doença e sem lhes propor tratamento ou prevenção.
Explorando na Universidade de Pittsburgh os arquivos de John Cutler, um dos médicos que participou desse estudo, Reverby revelou documentos sobre o programa, até então desconhecidos, que esse médico havia realizado na Guatemala, com o aval de seus superiores e a participação de responsáveis da Guatemala. A sugestão de realizar o estudo partiu do doutor Juan Funes, responsável pelo departamento de controle de doenças venéreas dos serviços de saúde pública da Guatemala.
Para os criadores do estudo do PHS, tratava-se de saber se a penicilina, descoberta alguns anos antes, "poderia ser utilizada para prevenir e não somente tratar a infecção sifilítica precoce, se poderíamos aperfeiçoar testes sanguíneos para diagnosticar a doença, quais eram as doses de penicilina que realmente curavam a infecção e compreender o processo de reinfecção depois do tratamento", relata a doutora Reverby.
A Guatemala oferecia uma vantagem: a prostituição lá era legal e as prostitutas eram até autorizadas a oferecer seus serviços aos presidiários. Foi portanto com as mulheres portadoras de uma infecção sexualmente transmissível que a experiência começou.
Primeiro junto a prisioneiros, depois soldados e internos no hospital nacional de saúde mental. O doutor Cutler e seus colegas depois passaram às inoculações diretas dos agentes infecciosos (às vezes várias bactérias diferentes) no pênis de suas cobaias humanas, ou no antebraço e no rosto. Quando esse procedimento não era suficientemente eficaz para provocar a infecção, os médicos não hesitaram em raspar a pele antes de recomeçar a inoculação.
Ao contrário do que ocorreu em Tuskegee, os médicos deram penicilina, considerada desde 1947 como o tratamento de referência da sífilis, para pacientes guatemaltecos deliberadamente infectados. "Não sabemos claramente se todo mundo foi curado, e parece que nem todas as pessoas receberam o que era considerado o tratamento adequado na época", escreve a doutora Reverby em 2010.
Se o estudo foi realizado e financiado por instituições públicas que se tornaram os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e os Centros de Controle de Doenças (CDC), ele se desenrolou longe de qualquer publicidade. Em uma carta dirigida ao doutor Cutler em 1948, seu superior, o doutor R. C. Arnold, do laboratório de doenças venéreas do Serviço de Saúde Pública dos EUA, escreveu: "Estou um pouco - na verdade mais que um pouco - desconfiado sobre a experiência feita com os doentes mentais. Eles não podem dar seu consentimento, não sabem o que acontece, e se uma organização conservadora soubesse do trabalho ela causaria confusão".
Outro correspondente relata em 1947 ao doutor Cutler esta frase do chefe do serviço de saúde do exército americano, Thomas Parran, a propósito do estudo realizado na Guatemala: "Vocês sabem, não poderíamos fazer tal experiência em nosso país".
Os trabalhos nunca foram publicados em uma revista científica. Durante a reunião do Comitê de Ética presidencial, Barbara Atkinson, vice-reitora da faculdade de medicina da Universidade de Kansas, salientou: "Havia relatórios secretos destinados aos que financiaram os estudos, mas não às revistas. Seria preciso reconhecer que esses estudos já apresentavam problemas éticos que causariam horror no público se fossem conhecidos". Não havia dúvida, portanto, sobre o fato de que os responsáveis do PHS sabiam pertinentemente que infringiam os valores da ética médica.
Durante a reunião do Comitê de Ética americano, em 29 de agosto, sua presidente, Amy Gutman, declarou: "Continuo fazendo a pergunta: 'Como puderam fazer isso?' Minha conclusão, devo dizer a contragosto, é que os médicos não trataram esses seres humanos como se merecessem respeito ou consideração". A história reteve as experimentações humanas praticadas durante a Segunda Guerra Mundial nos campos de concentração por médicos nazistas e, em menor grau, as também graves praticadas na mesma época por seus homólogos japoneses.
Elas conduziram à redação do código de Nuremberg em 1947, a primeira carta de ética médica internacional, depois a da carta de Helsinque em 1964, paralelamente ao reforço das legislações nacionais. Outras pesquisas médicas contrárias à ética foram praticadas depois da guerra em países democráticos, onde seres humanos foram tratados como animais de laboratório. Somente nos EUA, contam-se entre outras irradiações secretas (1946-1974), a inoculação de sífilis em detidos na prisão de Sing-Sing (1953-1954), as do vírus da hepatite em crianças deficientes mentais em Willowbrook (1963-1966) ou a de células cancerosas em pacientes de doença crônica no Hospital Judeu de Nova York (1966).
Na França, não houve revelação de um caso da mesma amplidão, mas a experimentação com protóxido de azoto, realizada em 1985 pelo professor Alain Milhaud do CHU de Amiens, em um jovem em estado de morte cerebral provocou grande comoção. Processado por "golpes e ferimentos", o médico se beneficiou de um arquivamento em 1989. A lei Huriet-Sérusclat sobre a proteção de pessoas que participam de pesquisas biomédicas foi aprovada em 1988 depois desse caso.
Site Brasileiros

O Brasil do futuro está pintando aqui
“Esse era doido varrido”, brinca Miguel Nicolelis diante de uma foto de Santos Dumont, na entrada do Centro de Saúde Anita Garibaldi, em Macaíba, dois visionários que são ídolos do neurocientista. Pois aquilo que até pouco tempo atrás parecia mera utopia de um cientista maluco – a implantação de um centro de pesquisa de ponta no Nordeste, com o principal objetivo de promover o desenvolvimento de comunidades carentes – já está mudando para melhor a vida de centenas de famílias em Natal e Macaíba, no Rio Grande do Norte.
Fomos ver de perto essas mudanças e conversar com alguns personagens-chave do grande projeto científico-social que está sendo implantado na região pela equipe do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), um exemplo bem-sucedido de parceria público-privada.

texto Ricardo Kotscho fotos Hélio Campos Mello
Ver texto aqui

Poetando...

Foto: Richard Avedon

de A. C.

marta meu amor chegou a nossa hora, vamos .. começar a discutir democracia nessa bodega. estou farto de intimidações e ameaças e acredito que boa parte de nossos colegas também. o fato de muitas pessoas silenciarem não significa que acham que está tudo bem, mas sim que não querem se indispor com o rei. ora, e quem foi que disse que nós servidores públicos e concursados e com estabilidade não podemos nos manifestar e opiniar livremente. ... temos que derrotar esse medo velado que paira há décadas nessa universidade, precisamos fazer nossa comunidade entender que é mais que necessário resguardar as pessoas independente de suas opiniões políticas e pessoais.

Lançamento em Curitiba!


Do Fábio Campana
Fábio:
nesse mês estarei aí em Curitiba e vou comprar um livro seu, com maior prazer!
abraços
Marta

Poetando ...



Oi Marta! Tudo bem?
Inspirei-me na sua luta ... Grande abraço.
Sergio


A FALSIDADE



A falsidade é muito simpática

E está sempre a sorrir

Em público nunca ataca

Ainda finge se divertir.



A falsidade age discretamente

Revela-se nos bastidores

Do mal planta a semente

Às más línguas inventa rumores.



A falsidade é “muy amiga”

Consegue a muitos enganar

Ilude a quem não consiga

Por trás da máscara enxergar.



A falsidade cria intrigas

Maldiz e depois abraça a vítima

Da mentira é grande amiga

E da soberba é íntima.



A falsidade se faz popular

Tem seguidores a crescer

E uma intenção peculiar

Manipulação e poder.



SERGIO FAJARDO

http://www.recantodasletras.com.br/poesias/3201115


Prof. Dr. Sergio Fajardo
_______________________________________________
Doutor em Geografia - FCT/UNESP
Chefe do Departamento de Geografia - UNICENTRO
Guarapuava-PR
"Um homem que quer reger uma orquestra precisa das as costas à platéia." (James Cook)

Poetando



Agoniza, mas não morre.
Um dia eu voltarei.
Um dia ela voltará.
Mas quantas vidas precisaremos morrer para o reencontro?
Um dia, quando acordei na pele de um monge velho tibetano, quase morri de tédio.
Depois aprendi a esperar, de tanto observar uma rocha do mar virar areia.
Passaram-se mil anos e alguns meses.
E então eu era mulher de malandro, sofredora, que toma e gosta de tapa na cara
Arduamente aprendi a me amar, também.
E então mais duzentos anos separaram vidas.
Estou aqui, hoje, sem ver o mar, sem tomar o tapa.
Amando demais quem não deveria,
incluindo-me no primeiro lugar da lista,
ao lado de deus,
egoísta.
Numa sala de espera sem fim, sem remédios para o tédio
e sem acreditar que um dia eu apanhei
que um dia eu esperei o grão de areia nascer da montanha.

Wilame Prado no A Poltrona em 9/04/2011 01:18:00 PM


Wilame Prado
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Amizade!




Meu querido amigo maringaense envia-me um presente para aliviar a aflição de minha filha Juju, a injustiça que campea o Campus da UEM contra aqueles que lutam CLARAMENTE ... e à foto linda que me brindou a Andressa Modolo!


Grata, Balestra!



ROBERTO ROMANO
Título: "A Era Lula - Risco autoritário", com Roberto Romano Data: 3/1/2005 Fonte: Correio Braziliense.


"A Era Lula - Risco autoritário", com Roberto Romano

Professor da Unicamp critica comportamento ético do governo e denuncia tentativas de controle da sociedade

O filósofo Roberto Romano , professor titular de ética e de filosofia política da Universidade de Campinas (Unicamp), 58 anos, foi mais um daqueles seminaristas que, nas décadas de 60 e 70, militavam ativamente nos movimentos de esquerda. Por conta disso, foi preso e passou por constrangimentos — mas não se abalou. Afastou-se da batina e foi continuar a luta no meio acadêmico. Lá, reciclou conceitos e hoje é um dos maiores críticos do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Acha que alguns petistas do governo — ‘‘os de origem stalinista’’ — tentam controlar o Estado. ‘‘Eles fizeram internamente no PT, com a expulsão dos radicais. E agora seguem para a sociedade e outros setores do Estado’’, avalia. Cita como exemplo o controle externo do Judiciário e as tentativas de diminuir as prerrogativas do Ministério Público.Romano também se confessa decepcionado com o comportamento ético de alguns integrantes do governo.

CORREIO BRAZILIENSE — Alguns estudiosos, o senhor entre eles, costumam dizer que o governo Lula tem estratégias para dominar o Estado e a opinião pública... Essa avaliação não é exagerada? Se não for, como se dá esse domínio? E com qual objetivo?

ROBERTO ROMANO — As tentativas de controlar o Estado e a opinião pública não se localizam em todo o governo. Mas em determinados setores formados pelo stalinismo, como o chefe da Casa Civil (José Dirceu). Outros integrantes se formaram na tradição centralista, a exemplo de ex-trotskistas como o Palocci (Antonio Palocci, ministro da Fazenda). Para os dois setores, são ilógicos o debate, a consulta, o contraditório antes de se tomar um rumo político. A direção é a única encarregada de pensar, agir, voltar atrás, etc. É a antiga estratégia de tudo dirigir do alto, da cúpula. José Genoino (presidente nacional do PT) possui a mesma formação. Ninguém muda subitamente uma forma de agir e de pensar nem arranca hábitos como se fossem paletós fora de moda. Essas alas do PT tentam enfeitar o próprio discurso com piruetas à democracia. Mas a forma de sua atividade traz a marca do centralismo. A rigidez no comando não é contraditória com a flexibilidade nas decisões, sobretudo se estas últimas favorecerem a expansão do poder dos líderes. Lembre-se que o Partido Comunista oscilava num pêndulo permanente de apoio ou recusa aos governos. A recusa a Getúlio Vargas e o apoio depois ao mesmo governante é um exemplo.

CORREIO — E em relação à população...

ROBERTO ROMANO — Bem, o controle da opiniões começa no interior do partido, com a expulsão dos ‘radicais’, e segue para a sociedade e outros setores do Estado. O controle externo do Judiciário, as tentativas de diminuir as prerrogativas do Ministério Público, o Conselho de Jornalismo, a censura aos filmes com base num conceito de ética e de valores familiares dignos da Era Vargas, tudo configura um controle gradativo das instituições pelo poder Executivo. Some-se o abuso das medidas provisórias que aposenta o Congresso Nacional (com a conivência dos parlamentares, diga-se) de sua função precípua, a de legislar, e temos a figura que está muito longe do Estado democrático de direito. Cada um dos ítens arrolados não elimina a democracia, mas a sua soma traz uma clara mensagem: o autoritarismo aumenta, sobretudo se forem adicionados o carisma do presidente e o seu vezo de se considerar pai do povo. Demagogia e centralismo dão-se as mãos, como em episódios anteriores da história mundial e brasileira. Os resultados são previsíveis, mas boa parte dos intelectuais, da mídia, do clero, prefere fazer vistas grossas. A crítica sempre é louvada depois que o furacão do poder causou danos irreparáveis. Mas ela é sempre acolhida com suspeitas pelos bajuladores da hora.

CORREIO — Então, o governo Lula tem tendências monocratas?

ROBERTO ROMANO — Os principais dirigentes do governo desejam a monocracia. Se existem teses não abandonadas pelo atual ocupante do Planalto como bravatas, uma delas é a que ele declarou em antiga entrevista: ‘‘Acho que a liberdade individual está subordinada à liberdade coletiva. Na medida em que você cria parâmetros aceitos pela coletividade, o individualismo desaparece’’. E a pérola que ainda norteia os gestos do presidente e de seus auxiliares é retratada numa entrevista dada por ele no final de 1985: ‘‘Não achamos que Parlamento é (sic) um fim, ele é um meio. E vamos tentar utilizá-lo até onde for possível. Na medida em que a gente perceber que pela via parlamentar, pela via puramente eleitoral, você não conseguirá o poder, eu assumo a responsabilidade de dizer à classe trabalhadora que ela tem que procurar outra via’’.

CORREIO — O presidente Lula foi cooptado pelas elites? Aliás, o que isso quer dizer: fazer o jogo da direita? Esquecer temas caros à esquerda, como a redução das desigualdades sociais?

ROBERTO ROMANO — O presidente, como seus auxiliares, pertence à elite sindical cujo projeto inclui a própria ascensão social no jogo das negociações com os setores da elite verdadeira, a econômica e política. Ele acostumou-se aos tratos com empresários e oligarcas, o que lhe concede a desenvoltura para as tratativas com (o senador) Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e outros representantes das oligarquias que sempre estiveram no poder, desde a Colônia. Ao mesmo tempo em que se preparou para o diálogo com os segmentos superiores, o presidente e seus partidários espalharam profusamente mitos sobre a sua origem humilde, seu período de prisão, etc. Hoje, o seu governo não faz o jogo da direita, mas o da sua própria segurança no mando. Depois de chegar ao Planalto é preciso guardá-lo por longo tempo (a receita encontra-se em Maquiavel, seguido no grupo que responde pelo governo), a partir de 2006. Daí, seguem-se todas as reformas favoráveis ao controle e negação de direitos dos que residem nos setores dominados ou na classe média. A esquerda brasileira sempre padeceu de oficialismo. Ela odeia estar na oposição, adora os gabinetes. A sua espinha é a mais flexível e o seu oportunismo é por demais evidente, sendo seu namoro com poderosos arbitrários a fonte de sua essência: ela é descartável.



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O puder, oh, o puder!








Roque, suas charges servem também aqui. Cansa essa coisa petista no poder da Universidade. Petistas e os aliados do Aldo Rebelo, o deputado da destruição ambiental no Braziu. Dinheiro faz cócegas nas mãos de anjo, dizia minha avó portuguesa, a dona Benedita.




Aos estudantes da Universidade Estadual de Maringá

Universidade Estadual de Maringá 2011 foto de Andressa Modolo

Foto: Juliana Ozaí da Silva e a turma de pedagogia 30 de agosto de 2011. Foto de Antonio Ozaí da Silva



blog do ozaí , professor do Departamento de Ciências Sociais, UEM AQUI
“Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio…” (Dostoiévski)


Aos que ousam lutar!

“Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam por anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.”
Bertolt Brecht

Ocupação Manuel Gutierrez 25/08/11 - UEM (Foto: Andressa Modolo)
Eles ocuparam o prédio da reitoria da Universidade Estadual de Maringá em 25.08.2011 e saíram nesta sexta-feira, dia 02 de setembro de 2011. Nestes dias, muito se falou deles. Nas salas dos professores, salas de aulas e corredores da UEM; nas residências, ruas, ônibus, igrejas, shoppings e comércio de Maringá e região; na mídia local e estadual; nos blogs, facebook, etc. Em todos os lugares, eles dividiram opiniões!

Muitos os criticaram, alguns mais exaltados clamaram por repressão. “Baderneiros”, “maconheiros”, “vagabundos”, “vândalos” e outros epítetos foram lançados à face. Ironizaram a pauta de reivindicação, reduzindo-a um ou outro item. Outros críticos, quiçá moderados, quem sabe constrangidos, direcionavam suas farpas aos meios de luta utilizados e ao reiterado argumento da “partidarização” do movimento. O velho discurso da ordem foi brandido, sem a mínima análise crítica do significado desta. O clamor pela restauração da ordem tornou-se histeria na medida em que os dias passavam e os estudantes ousavam ainda mais.

A ousadia dos estudantes forçou o corpo docente a romper o marasmo e a indiferença. Pressionados pelas circunstâncias, muitos tiveram que se posicionar. Nas salas de aula, no campus, a violência simbólica assumiu ares de retórica democrática e o poder professoral revelou-se um fator inibidor do apoio e participação ativa dos alunos no movimento. Posicionar-se é um direito democrático. Não é isto que se questiona, mas sim o agir professoral, ou seja, se o(a) professor(a) exorbita em sua autoridade. Afinal, em sala de aula a relação é de poder!

Não obstante, o Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” conquistou o apoio ativo de muitos docentes e técnicos – ainda que sejam minoria no campus. O apoio de sindicatos, associações representativas e outras instituições maringaenses também foi importante.

Os estudantes resistiram e deram uma lição de política, de democracia. Eles souberam superar as divergências internas, próprias de um movimento politicamente pluralista, pela prática democrática da autogestão. Organizaram-se em comissões, sem hierarquizações e com a assembléia estudantil como órgão máximo de debate e decisão, a qual todos estavam submetidos, inclusive e principalmente os representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) – Gestão Movimente-se UEM. Eles construíram na prática a unidade que as forças de esquerdas neste país têm se mostrado incapaz de consolidar.

A ironia é que a práxis democrática estudantil teve como locus o símbolo do que em tese representa a comunidade acadêmica, o Conselho Universitário (COU). Foi na sala de reuniões do COU que os estudantes debateram e decidiram os rumos do movimento. De fato, o COU expressa o poder docente (a eleição para os seus membros desconsidera até mesmo o critério da paridade).

Os acadêmicos deram uma demonstração de responsabilidade. Cuidaram do patrimônio público de forma exemplar. Oxalá, todos tivéssemos a mesma consciência em relação à res publica! Eles navegaram na contracorrente de uma certa prática privatista que vê o bem público como se fosse uma dádiva governamental a ser apropriada privadamente, por vias tortuosas ou mesmo sob o verniz burocrático-legal.

Outra lição dos estudantes foi a superação do individualismo. Estamos tão absortos em nossos projetos pessoais, concorrência por editais, cargos burocráticos, etc., que perdemos a dimensão social do nosso trabalho, do que significa ser intelectual, do compromisso da universidade pública com a comunidade e a realidade social que a circunda. Eles agiram por demandas coletivas. As conquistas do movimento contribuem inclusive com o trabalho docente e serão usufruídas pelos futuros estudantes. Eles constroem uma universidade de qualidade de fato

Os espíritos conservadores – às vezes travestidos de liberais ou até mesmo com retórica marxista – horrorizam-se diante da ação real e concreta dos que não apenas estudam a história, mas ousam fazê-la; dos que não se limitam a memorizar textos, conceitos e teorias, mas aceitam o desafio de aprender com a prática e, assim, superar seus próprios mestres. As atitudes dos jovens estudantes desafiam-nos a repensar a nossa práxis docente e a observar com maior acuidade as incoerências existentes entre o discurso e a prática.

Todavia, talvez a maior lição dos estudantes seja o ousar lutar. A luta é uma escola de política por excelência. Os que lutaram no passado, mas se acomodaram à mesmice ou se encastelam em cargos burocráticos, talvez possam aprender algo. De qualquer forma, o aprendizado que a luta proporciona aos diretamente envolvidos têm efeitos positivos. A direção aperfeiçoou seu aprendizado político. Pedagogicamente, talvez o mais importante tenha sido a educação política das dezenas de jovens, mulheres e homens, que viveram a experiência da luta concreta. Cresceram intelectual e politicamente, tornando-se seres humanos mais conscientes e críticos. Há quem prefira que os estudantes se restrinjam a estudar e tirar nota – este modelo favorece os mais adaptados. No fundo, porque é cômodo, pois acadêmicos politizados e conscientes dos seus direitos desafiam o poder burocrático e professoral.

Ainda há muito a fazer! É preciso, por exemplo, democratizar pra valer não apenas o COU, mas também o espaço da sala de aula. No entanto, os acadêmicos do Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” deram passos importantes e foram vitoriosos em seus objetivos. Deram-nos lições e estão de parabéns. Nós, professores, podemos nos orgulhar deles e delas!

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Like this:LikeBe the first to like this post. Posted on 03/09/2011 in política, práxis docente, universidade.
8 comentários
. Sobre Antonio Ozaí da Silva
Professor do Departamento de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Maringá (DCS/UEM), editor da Revista Espaço Acadêmico, Revista Urutágua e Acta Scientiarum. Human and Social Sciences e autor de Maurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária (Ijuí: Editora Unijuí, 2008).
View all posts by Antonio Ozaí da Silva » ..8 respostas »
Marta Bellini disse:


05/09/2011 às 9:21 Parabéns pela análise lúcida e poética.

Rose Palmeira disse:
05/09/2011 às 0:17 Professor Ozaí, que alegria saber que nossa juventude está construindo um novo Brasil. Fiquei encantada em ver pai e filha juntos numa bonita e necessária luta, luta pela correção de rumos da nossa universidade que deve ser pública e gratuita, bem administrada e comprometida com a educação que merecemos para construir um novo Brasil livre da corrupção e da irresponsabilidade pública e privada.

Parabéns!
Profa. Ms Rose Palmeira,Fortaleza

Responder
José Maria Theodoro disse:
04/09/2011 às 17:39 O Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” expõe a questão que, se não é, deveria ser permanente nas universidades: o quanto e de que modo atende às demandas da sociedade, particularmente das camadas sacrificadas pela economia de mercado, por falta de acesso à informação e educação, enfim, a falta de possibilidades e melhores condições de vida. O estranhamento de alguns setores em relação à atitude dos estudantes denuncia um distanciamento entre a universidade e seus princípios que se traduzem por ensino, pesquisa, extensão. Estes pilares dizem respeito a acompanhar as mudanças (democratização), discuti-las e buscar implementá-las de modo que o conjunto da população possa usufruir de benefícios. Seria uma lista bem extensa se fôssemos enumerar aqui as reivindicações que poderiam e deveriam ser feitas para atender a direitos não respeitados no campo da educação, da saúde, moradia, transporte, saneamento, etc., e uma dúvida: Por intermédio de quem ou de quê? Por intermédio de associações de moradores, sindicatos, partidos? Cabe à universidade discussão permanente.
Os estudantes, nessa perspectiva, proporcionaram não uma, mas várias aulas, e o debate extrapolou o espaço físico acadêmico. Alvíssaras!

Responder
Vicente Mourão Landim disse:
04/09/2011 às 12:19 LUTA DE CLASSES
A luta de classes é autêntica quando se expressa nos terrenos econômicos, ideológicos e político. Ela é a força motriz por trás das grandes transformações da sociedade na história.

A sociedade civil brasileira está dividida em entidades de classes por categoria profissional. Isso já é um estágio muito avançado. Porém, as forças antagônicas se infiltraram nas entidades de classes com a política partidária para não permitir a unidade ideológica. Perceba que todas as lutas sociais são reivindicações no terreno econômico e, por melhores salários, com poucas exceções. E, quando as lutas sociais são somente no campo econômico, o capitalismo se torna mais forte, porque ganha consumidores mais fortes e, por isso inflacionam os preços com a finalidade de desorganizar a economia para obter maiores lucros e mais fáceis.

O que vemos no Brasil é uma sociedade mesclada de entidades de classes com partidos políticos…
As entidades de classes sociais organizadas deveriam ser apartidárias, e estar atenta aos interesses sociais sem esperar nenhum reconhecimento.

O objetivo fundamental e institucional das entidades de classes é o conhecimento exato e racional das necessidades da sociedade e lutar por elas. E, isso é fazer política.

Quero apresentar minha solidariedade aos bravos professores, nessa luta desigual. E um alerta: unam-se ideologicamente e apartem-se dos partidos.

Vicente Mourão Landim
04/09/2011

Responder
Rodrigo Candido da SIlva disse:
04/09/2011 às 12:12 Ozaí, seus textos sempre contundentes e emocionantes, transparecem o espírito de luta lá presente na ocupação. Um espírito de luta que não combina com “vandalismo”. “baderna” e violência. Aliás, atitudes violentas e de depredação partiram de esferas institucionais, como foi o caso do corte dos fios para o desligamento da rádio.
Os estudantes ousaram lutar, e com isso, na resistencia, no espírito democrático, na esperança de fazer de suas lutas a realidade de uma universidade melhor, e colocar uma barreira nesse espírito privatista que gradualmente vem tomando corpo na universidade e em outras instituições públicas.
Sua atitude, tanto em manifestações por texto, quanto a sua presença na ocupação, foi de fundamental importância.
Após alguns meses, achei que a questão da ocupação foi um bom motivo para reativar meu blog
Coloquei algo lá também

http://rcandidoblog.blogspot.com/2011/09/ocupacao-da-reitoria-primavera-da-uem.html

Abraços.

Responder
Pedro disse:
04/09/2011 às 9:20 Antonio
Muito bom dia
Excelente texto. Cumprimentos. (Extensivos aos que ousaram participar do Movimento).
Precisamos que as manifestações tomem corpo a exemplo da Grécia, Espanha e recentemente no Chile, Em muitos locais do Brasil movimentos semelhantes ao dos Estudantes e Funcionários da UEM estão em curso, o que além de um alento é uma esperança. No que tange aos que participam dos Movimentos com finalidades eleitoreiras o melhor enfrentamento é o que foi dado na Ação Direta na condução de todas as ações e decisões mantendo o eixo da participação de todos.
Seguimos irmanados nas lutas sociais.
Abraços
Pedro

Responder
Francisco Bendl disse:
04/09/2011 às 3:24 Inegavelmente que são nas Universidades que se formam líderes para o futuro, políticos que vão comandar um município ou estado ou país.
Aprende-se democracia; a debater assuntos pertinentes às questões acadêmicas, mas que também repercutirão na sociedade como um todo; aceita-se o diálogo; a entender pensamentos diferentes; o início de tentativas de conciliação; convicções; simpatizantes, enfim, os primeiros passos são dados nas Universidades e geralmente esses questionamentos acabam em conflitos, que também exigem sensibilidade – outro aprendizado – quando os lados antagônicos precisam ceder para atingir seus objetivos.
Uma pena que esses exercícios práticos de vida social e política terminem no próprio campus, haja vista que ao chegar à política verdadeira, aquela que elege os representantes das câmaras, assembléias e congresso nacional, a realidade é completamente diferente!
O ensino universitário é deixado de lado e passa a se praticar a mentira, a corrupção, o apadrinhamento político, os desvios de verbas, os interesses partidários, a manutenção do poder, questões que não foram discutidas e nem mencionadas na Universidade de Maringá, de modo que essas novas mentalidades levassem consigo quando assumissem um cargo eletivo, que precisam ser simplesmente honestos!
Dito isso, parabéns aos alunos que mostraram disposição para o enfrentamento em busca de seus interesses e melhoria do ensino, mas tomara que a sinceridade e a transparência de seus gestos sejam as características desses futuros líderes que um dia terão as rédeas de um governo nas mãos e ajam exatamente desta forma, e não contrários ao bem comum.

Responder
João Dos Reis disse:
04/09/2011 às 0:51 Caros Amigos não é bom ver a necessidade de alunos exigirem seus direitos? É terrível ler nos periódicos do mundo desempregados desassistidos pelo Estado Britânico serem chamados de vândalos e serem tratados como tal, quando grande parte dos programas sociais ingleses foram cortados para que o Estado honre seus débitos em bônus da rainha. Nos entristecem os gestores – do reitor aos chefes de departamento – das universidades públicas brasileiras defenderem um projeto educacional que não é nosso, dos quais tampouco participamos de sua construção. É triste ver a morbidez da Instituição Universitária Brasileira chegar a este ponto e vermos solitariamente funcionários e alunos atuarem politicamente e os professores não se movimentarem politicamente, pois estão correndo atrás de suas carreiras em vez do conteúdo acadêmico de nossos trabalhos. Por que? Há muitas explicações sem dúvida e muitos debates, contudo sempre fico com um gosto amargo na boca quando penso que talvez a hipótese de que a política tornou-se uma atividade econômica seja a mais provável. Esta hipótese ganha força com o silêncio do intelectuais e com a voracidade dos jovens professores que correm atrás de suas carreiras como os jovens executivos que tomam ritalina e acabam de entrar no mercado de trabalho nas corporações mundiais que tomaram o lugar de milhões de empresas brasileiras privadas ou estatais vendidas a preço de banana. Fico desolado em ver como a transgressão do ato de refletir, criticar e socializar a crítica para fomentar um debate sempre acabe em desqualificação de quem iniciou este legítimo e necessário movimento. Sinto vergonha quando vejo nossos alunos e nossos colegas funcionários fazerem o que nós deveríamos ter começado há muito tempo. João dos Reis Silva Júnior

Responder
Cícero \wellington disse:
03/09/2011 às 23:21 Hoje , de repente me ví absorvido pela leitura deste texto, e relembrei meu tempo de líder estudantil aqui na Bahia, quando me ví obrigado a lutar por interesses comuns numa faculdade privada, onde fui aluno. Precisamos de pessoas que realmente ousem lutar, lutar organizadamente, defendendo interesses comuns. Qém dera encostrássemos mais pessoas com esse objetivo em vários setores de nossa sociedade.

domingo, 4 de setembro de 2011

Enfim ...

Foto: Andressa Modolo

Caros leitores,

Ontem vocês leram um post sobre a situação que, as vezes, me encontro nessa cidade e na Universidade em que trabalho. Minha filha, infelizmente, sofre por mim. Ontem a noite recebi telefonema do colega que me desqualificou na cafeteria Machiato com pedido de desculpas. Aceitei-as e pedi que enviasse um email com o pedido.

Meu colega acertamente disse que temos visões diferentes da ocupação da reitoria. Sim, temos, mas visões políticas e não pessoais. Como disse a ele não sou bandida, nem safada. Sou a favor dos estudantes e sou contra o modo como a administração trata seus problemas políticos públicos. Quem me conhece sabe que não roubei nada, não infringi nenhuma regra, nem sou candidata a reitora. Os atuais administradores não precisam se preocupar com isso. O poder local não me apetece. Não precisam ter medo que não vou me meter na corrida dos atuais concorrentes. Mas vou ser contra essas candidaturas abertamente. Sobretudo se elas sairem de pessoas com cargos com função gratificada. Por que? Porque recebem para gestar suas candidaturas e lutam para que o status quo fique sempre na mesma. Não respeitam a Universidade, querem poder. Só poder.

Minha filha ficou muito revoltada. Ainda mais porque na fita gravada, o DCE é acusado de ir contra as licitações das cantinas (a mesma ladainha que escreveu um jornalista do Diário, irmão de um pró-reitor da UEM dia 31 de agosto de 2011, em sua coluna, o mesmo pró-reitor que penso, quer ser candidato a reitor da Universidade, com todo direito que lhe cabe, é claro). O DCE também é acusado de comprar carros com verbas do diretório. Tenho certeza, conhecendo meu colega como penso que o conheço, que ele ouviu isto de alguém. Circulei anos pelos partidos de esquerda e sei que eles - quando querem atingir alguém ou uma instituição - fazem isso: acusam os outros de roubo. Conheço um único caso de carro comprado com dinheiro público que ficou em nome privado. Só um, é não é dos estudantes.


ACEITO AS DESCULPAS. Convido-o a ouvir a fita na companhia das minhas advogadas para que não pense que estamos blefando. Foi mesmo uma infeliz coincidência. Sobram as 3 mulheres que o ouviam. Uma delas com uma filha que desdenhava assim o DCE: os estudantes reclamam da fila, mas não reclamam das filas das baladas. Pobre menina! Infeliz lógica!


Diante do pedido de desculpas de meu colega, não vou criminalizá-lo. Mas espero que os aliados do reitor parem. Perderam essa luta. Podem ganhar outras.

Há problemas na Universidade? Há muitos, muitos e não podem ser resolvidos com fofocas e processos administrativos.

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Prezada Marta
Venho pelo presente pedir desculpas pelos comentários feitos por mim sobre você hoje à tarde.
Creio que por termos visões diferentes sobre o movimento de ocupação da Reitoria eu, talvez, tenha exagerado nos comentarios quando me referi à sua pessoa.
Quero ressaltar que sempre tivemos um contato bastante respeitoso principalmente da sua parte e em nome dessa nossa amizade solicito profundas desculpas pelo sofrimento que lhe causei com os comentários inapropriados de minha parte.
Quero também estender meu pedido de desculpas à sua filha pela minha atitude desrespeitosa em relação à mãe dela.
Atenciosamente.
E.

PS: Estou mandando de novo caso tenha havido algum problema com o email que enviei anteriormente.


sábado, 3 de setembro de 2011

No brejo

Charge: Solda


A Marta Bellini é bandida, é safada... palavras ditas agora a tarde por um professor da Universidade Estadual de Maringá no Machiatto, um lugar onde toma-se um bom café na cidade de Maringá. Mas é um lugar pequeno onde a voz desse exaltado professor aliado do reitor da Universidade, foi gravada por minha filha que lá também estava e ouviu (revoltada) a conversa do rapaz com mais três professoras e a filha de uma delas. A conversa:

- a Marta Bellini e a Angela Caniato querem tomar o lugar do reitor da UEM (como fossemos nós as golpitas de plantão, não professor E. A. de T.?).

- são duas bandidas e safadas. A Angela Caniato é mora em uma casa de um quarteirão (comprada com dinheiro de trabalho dela e do marido que é médico há mais de 40 anos).

- os alunos são baderneiros e cachaceiros que fumam ... no "meu tempo fumar era cool, era diferente... agora quem fuma ajuda o tráfico".... (oh, my god, será que o professor quer dizer que ele fumou quando era cool? Ele um dia foi cool?)

- os estudantes queriam falar muito na TV Globo...eu não, quando dei entrevista sobre o vestibular, falei tudo direitinho para que a Globo não precisasse editar ..(hum, que professor bonzinho!)... eles não...


Uma das professoras se gabava ao dizer que depois que ela fez cirurgia no joelho os alunos não gostam das aulas dela, que não está dando boas aulas.



A filha de uma das professoras (aluna da UEM) dizia: é os alunos reclamam da fila, mas na balada não reclamam.


É bem a cara da base aliada da Universidade. É bem feio. É bem da SOBERBA DE BREJO. Precisamos dar mais educação aos educadores. Gabar-se em público e difamar duas professoras que não se aliam ao estado de coisas da administração da universidade é crime.


P.S. Foi o mesmo professor que disse a um colega do mesmo departamento que eu e as pessoas que estão com processo administrativo fomos responsáveis pela extinção de uma área da capes, a área 46, e foi o reitor que comentou com ele isso. Soberba de brejo.

Universidade Estadual de Maringá, ontem (e sempre...)










Artes


Letras!



Campus de Goioerê: presente!


Campus de Umuarama: presente!


Psicologia, pedagogia, biologia, letras ....


Estudantes de Direito, arquitetura...

Na Má-ringa, os feios, sujos e malvados...

Arte: do Solda aqui

Anônimo babando derrota escreveu:

(da casa da mãe Joana)

Ainda vamos nos encontrar muito Tia Louca, e ai não seremos bonzinhos como o reitor Julio, a borracha vai queimar na tua costa e dos seus puxa-sacos cachaceiros,baderneiros,vagabundos kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

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Reitor? Bonzinho? Uia!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Hoje na Universidade Estadual de Maringá































Fotos de Andressa Modolo, estudante de Letras.

Cegueira consentida: não vamos investigar! Poupemos o nosso par!



Correio da Cidadania. do Blog de Roberto Romano
Por um novo padrão de política
Escrito por Leo Lince
Qui, 01 de Setembro de 2011

No último trimestre, temporada outono/inverno da política oficial brasileira, os escândalos desfilaram de mãos dadas na esplanada dos ministérios. Uma seqüência impressionante de abalos. Houvesse para a micro-política o mesmo rigor de medição que impera na macroeconomia ou nas catástrofes naturais, o alerta geral estaria ligado no grau máximo.

Primeiro desabou a fortíssima Casa Civil. Aquele que se supunha inamovível, alardeado como o primeiro entre os pares, teve que sair de fininho, sem tugir nem mugir. Palhoças, as secretarias das Relações Institucionais e da Pesca trocaram de titular no vácuo do primeiro desabamento.

A Casa Militar, o Ministério da Defesa, desabou em seguida. O sempre temível poder armado viu seu titular ser afastado por razões peculiares. Boquirroto, ele fez jus ao apelido sulista que carrega desde priscas eras: “Leão de Coleira”, aquele que ruge na rua e apanha da mulher em casa.

Duas jóias da coroa, gigantes por onde vazam pedaços polpudos do orçamento, desabaram com estardalhaço. O Ministério dos Transportes, manjedoura das grandes empreiteiras; e o da Agricultura, reserva de domínio e pasto do agronegócio. Como indica a sujeira revelada até agora, são dois pontos de uma mesma malha de cumplicidade, na qual se articulam o intestino grosso da pequena política e os barões assinalados da renovada oligarquia brasileira.

Outros ministérios seguem pendurados por um fio. O caso do Turismo é um escárnio. O titular da pasta, por conta daquela farra em motel paga com dinheiro público, já chegou queimado. A Polícia Federal, na sequência, completou o serviço: prendeu o alto escalão inteiro da pasta, que se tornou um valhacouto de indiciados. Na fila de espera, basta puxar o fio da meada, estão os ministérios das Comunicações e o das Cidades.
O caso do Ministério das Cidades, que parece ter encerrado a temporada, é emblemático. O titular da pasta botou a boca no trombone. Disse que iria “contar tudo”, ameaçou vazar currículos, “ou melhor, folha corrida”, de deputados de seu próprio partido e alertou para os riscos em briga de família, onde “irmão mata irmão e morre todo mundo”. São declarações que, por si só, justificariam sua demissão sumária, mas foram dadas para garanti-lo no cargo. Papo de mafioso, “omertá”, coisa de desqualificados, mas funcionou.

Casos isolados que se repetem? “Malfeitos” que se resolvem com puxões de orelha, campanhas de propaganda e rearmamento moral? Nada disso. São expressões concretas da corrupção sistêmica. Um padrão estrutural de política, funcional ao sistema dominante, do qual o governo atual, assim como os anteriores, os partidos da ordem, da base aliada ou da oposição, não conseguirão jamais se afastar.
O estigma que Pedro Simon lançou sobre o governo FHC (“não sei se o Fernando Henrique rouba ou deixa roubar, mas sei que ele não deixa investigar”) continua valendo. Valeu no governo Lula e agora paira sobre a cabeça da presidente Dilma.
Coalizão de governo nada programática, montada na base do interesse puro e alimentada no nascedouro pelas tetas gordas do mensalão, não suporta transparência nem tolera faxina ética. Os da base do governo batem cabeça, brigam pelo pirão primeiro, mas não se emendam. Com a crise batendo à porta, este será, cada vez mais, um governo de “colisões”.
Ainda assim, não sai coelho da cartola do governo. Tampouco dos partidos de oposição comprometidos com a ordem dominante. As sementes da mudança estão sendo lançadas no terreno certo, na sociedade civil. A Ordem dos Advogados do Brasil pode ter dado um passo histórico ao instituir o Observatório da Corrupção. Esperança nova para a estação primavera/verão e alento na luta por outro padrão de política.

Léo Lince é sociólogo.


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Professor Romano: A FRASE DO SENADOR PEDRO SIMON vale para todas as instituições do Braziu. TODAS, sem exceção!

Eçes zomens....





Roque:

genial!


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