TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Universidade Católica, Lisboa







.Ser, não-ser e parecer
Publicado em Actualidade, Olhares, Opinião a 19 de Julho de 2011 por RUI BEBIANO, Portugal, AQUI


A resolução do Conselho Académico da Universidade Católica sobre esse dress code mínimo pelo qual, em proveito da sua dignidade corporativa, são responsáveis professores e alunos, encerra contornos inquietantes. Ela visa banir dos espaços e instalações da instituição os «modos de trajes e formas de apresentação próprias de local de lazer e de desporto», sugerindo, como instrumento de controlo, que «todos os responsáveis pela salvaguarda do ambiente e da imagem da universidade nas suas instalações e no espaço do Campus universitário, devem chamar a atenção dos que se apresentarem de maneira imprópria». Ocorre aqui, desde logo, uma dimensão normativa que colide com a liberdade individual. Ela até pode ser aceitável em quartéis ou prisões, mas não em locais públicos frequentados por pessoas que podem entrar e sair dos espaços sob a alçada do código sem qualquer coacção. Não se percebe, além disso, a quem se aplica, dado que os cidadãos atingidos pela medida podem ser até convidados vindos de outras universidades, de outras culturas, ou simples cidadãos em viagem de férias mas interessados numa conferência ou numa exposição. Pode ainda afrontar identidades pessoais ou colectivas, ostracizadas por «impropriedade» daqueles que transportem no corpo os seus sinais «aviltantes».

O que mais importa aqui não é, porém, o caso em si, mas sim a tendência que ele sinaliza. A insinuação da cultura antidisciplinar, nascida nos Estado Unidos na década de 1950, e que dominou o ocidente por mais de vinte anos, traduziu-se, entre outros aspectos, na apropriação de estilos de vida, modalidades de gosto, padrões de vestuário, códigos de comportamento, cambiantes gestuais, linguagens, definidos como uma espécie de prolongamento, no que à vida pessoal dizia respeito, das «estradas da libertação» então abertas. De Lisboa a Praga, ela perturbou particularmente os regimes fechados e autoritários, para os quais a emancipação e a diversidade do parecer – da cor da camisa ao corte das calças e do cabelo – constituíam uma marca de intolerável rebeldia. Para os insurrectos, por sua vez, ela era um sinal identitário, um modo de perturbação da ordem cultural, social e ética que visavam contestar. Não será, por isso, por um acaso que, nestes tempos nos quais passou a ser sinal de boa política a correcção da desordem utópica produzida e propagada durante os sixties, o resgate do fato-e-gravata se imponha como aspecto de um «regresso à ordem». Alguns pedagogos do Estado Novo falavam das universidades como lugares de formação de um «escol de mandantes». Este processo de diferenciação social passava então por uma normalização rigorosa da economia do parecer. Felizmente os tempos são outros e estes círculos já deixaram há muito de deter capacidade para imporem o seu modelo de regulação. Mas teimam em cumprir o papel de difusores de uma concepção de elite – do saber e de poder – destinada a demolir a ideia de liberdade e de igualdade que fundamenta a civilidade democrática.

Roque Sponholz!







terça-feira, 19 de julho de 2011

Nota



Procurando um novo livro para ler de J. Coetzee li este texto da Livraria Cultura...aqui
O livro: Diário de um ano ruim.

15/11/2008

por Teúnes Andrade

Nota:
Bom


Todos têm direito à opinião. Desconfio que muitos pensam o que não têm coragem de declarar. Nem Coetzee, apoiado em seu nobel, derrama seu pensamento sem medo. ele se esconde atrás de seu personagem, um septagenário mergulhado na solidão, que, senhor de suas idéias, se entrega incontinenti ao deslumbramento de uma jovem e deslumbrante mulher. Difícil é ter a capacidade de autocrítica, e isso Coetzee demonstra de forma singular ao interpor sob os textos de seu pretenso auterego a antítese de seu eu.


Coetzee divide a humanidade em três. Os que se incluem num meio social e se tocam, se desonram diante das iniquidades decorrentes das diferenças sociais, os liberais, que acreditam na individualidade dos seres, onde cada um merece segundo sua capacidade, e aqueles que vivem conforme o vento, não se preocupam com as razões, os motivos para a vida, as mentes infantis e inocentes das crianças. Se os primeiros são incapazes de encontrar uma razão para a vida, e os maquiavélicos segundos acham que tudo é válido em nome do precioso lucro, a terceira ponta do triângulo dá sustento e orienta as outras duas rumo ao caminho, se não da justiça, ou da sabedoria, ao menos da singual realidade que é estar vivo e inevitavelmente morrer.

Solda

Solda, aqui

Susan...

Susan, um pouco antes de morrer

Susan



Termino de ler o livro de SUSAN SONTAG, A doença como metáfora. Aids e suas metáforas, da Cia das Letras, Cia de Bolso, 2007.


Magnífica reflexão sobre as doenças e suas metáforas que criam pânico, culpa, resignação, vergonha, ódio nos doentes e naqueles que estão em seu redor. Cito a primeira página (p.11) do livro:


A DOENÇA É A ZONA NOTURNA DA VIDA, uma cidadania mais onerosa. Todos que nascem têm dupla cidadania, no reino dos sãos e no reino dos doentes. Apesar de nos referirmos só usar o passaporte bom, cedo ou mais tarde nos vemos obrigados, pelo menos por um período, a nos identificarmos como cidadãos de outro lugar.


Quero analisar não como é de fato emigrar para o reino dos doentes e lá viver, mas as fantasias sentimentais ou punitivas engendradas em torno dessa situação: não se trata da geografia real, mas dos esteriótipos do caráter nacional. Meu tema não é a doença em si, mas os usos da doença como figura ou metáfora. Minha tese é a de que a doença NÃO é uma metáfora e que a maneira mais fidedigna de encarar a doença - é aquela mais expurgada do pnesamneto metafórico e mais resisitente a ele. Porém é quase impossivel fixar residência no reino dos doentes sem ter sido previamente influenciado pelas metáforas lúgubres com que esse reino foi pintado. Dedico esta investigação a uma elucidação de tais metáforas e à libertação de seu jugo.


Laboratório de Licenciatura e Pesquisa sobre o Ensino de Filosofia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro UERJ












Bons textos, excelente laboratório. Do Blog de Roberto Romano.

Uia!



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sublime, Solda!





Ou sublime Solda. AQUI

Cheguei ...



.. . da viagem à casa da Rosinha, Minha Canoa. Rosa é o nome de minha mãe. Foi operária de uma fábrica de tecidos em Descalvado, SP. Casada, foi morar em Porto Ferreira, SP. 60 km de sua terra. Filha de Benedita Mendonça Duarte e Joaquim Duarte. Fará 80 anos. Dei esse apelido a ela: Rosinha, minha canoa. Em 1972, 1973 deu-me a canoa, pôs-me no barco e tocou o remo. Vá embora, disse. Eu fui.



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Rosinha, minha canoa" é uma obra de José Mauro de Vasconcelos. Conta a história de Zé Orocó, um homem simples, trabalhador, sensível, justo, vive a vida longe das cidades grandes. Zé Orocó tem um rancho às margens do Rio Araguaia e a maior parte de seu tempo sobe e desce o rio com a sua canoa, Rosinha, amiga e confidente.

...



WIKILEAKS: Suspeita de desvio de verba na sede da UNESCO em Brasília
Por Herivelto Quaresma em 08/07/2011

Em 2006, diplomacia americana suspeitou de irregularidades em convênios da UNESCO com ministérios do governo brasileiro. Por Julio Cruz Neto, especial para a Pública.

A sede da UNESCO em Brasília foi tema de vários telegramas da diplomacia americana, como mostram documentos vazados pelo Wikileaks e divulgados pela agência Pública, que até hoje permaneciam inéditos na imprensa brasileira.

São diversas denúncias que giram em torno de uso indevido de verbas, e envolveram ingredientes de peso, como a relação bilateral Brasil-EUA, os empregos de muitos funcionários da Esplanada dos Ministérios e a imagem do órgão da ONU perante a justiça e a sociedade brasileira.

A UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) tem sede em Paris.

Foi na embaixada dos Estados Unidos na capital francesa que o assunto circulou durante o ano de 2006. O primeiro dos seis telegramas a que a Pública teve acesso é de 4 de abril e diz: “Comitê executivo da UNESCO considera plano do diretor-geral para ‘reorientação’ do escritório problemático de Brasília”.

A diplomacia americana viu com gravidade as denúncias de que através de convênios com os ministérios brasileiros, a UNESCO estava subcontratando trabalhadores para esses ministérios – sem concurso público ou prestação de contas. Os americanos temiam que isso pudesse representar um risco legal, já que corria uma ação civil por improbidade administrativa contra a UNESCO, por supostamente causar danos aos cofres públicos brasileiros.

Unescoduto


No decorrer daquele ano, outros telegramas revelaram detalhes de supostas irregularidades.

“Começando em 1998, e acentuadamente a partir de 2003, o Ministério da Saúde driblou restrições para contratação de pessoal por meio de parcerias com a UNESCO e o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), algo que está fora da alçada da UNESCO”, informa um documento de dezembro de 2006 ..



LER MAIS AQUI

Da solidão.....



leitura recomendada... do Blog O CAFÉ DOS LOUCOS, Portugal, AQUI

«A partir da vida de empregados de escritório em Nova Iorque, de um taxista que ambiciona a imortalidade, de jovens romancistas frustados, de professores desprezados pelos alunos, de homens do subúrbio e das suas mulheres deprimidas e negligenciadas, de aperitivos e martínis e bares de jazz sem "glamour" nenhum, Richard Yates constrói um mosaico assombroso dos anos 1950, período em que o sonho americano começava finalmente a concretizar-se e, em simultâneo, a revelar um grande vazio. Publicado a seguir ao romance que o consagrou - "Revolutionary Road" -, o conjunto de onze histórias - ilustrando cada uma delas uma vertente desses Onze Tipos de Solidão - cria, para lá do retrato, uma forte atmosfera de alienação e desajustamento social.»

Richard Yates "Onze tipos de solidão" quetzal, 2011
trad. Nuno Guerreiro Josué

Theodore Roszak



Memória dos tempos que hão-de vir

Por RUI BEBIANO AQUI


Quem se interesse por perceber o percurso dos velhos sixties, superando a visão nostálgica ou aquela que se lhe opõe, tomando-os como um desperdiçado tempo de desordem e retrocesso, ouviu por certo falar de um livro chamado The Making of a Counter-Culture, subintitulado Reflections on the Technocratic Society and Its Youthful Opposition, e que foi publicado logo em 1969, ainda os sons de Woodstock ressoavam vagamente pelos ares. Nesta obra, como tantas outras mais citada do que lida, o professor californiano Theodore Roszak abordou a origem americana, rapidamente alargada aos ambientes urbanos das sociedades dos países capitalistas avançados, da contracultura como ferramenta da ruptura e da contestação cultural, e como instrumento de rejeição da tirania imposta pelo sistema educativo e pela autoridade familiar produzidos pelo triunfo histórico do capitalismo.
Ela nasceu do dropping-out, esse acto brusco e voluntário de cortar com os estudos ou com as regras habituais da vida familiar e profissional, então emergente como meio de protesto, de projecção uma vontade inquebrantável de fugir a uma organização social considerada asfixiante. Dos primeiros beatniks aos protagonistas de Easy Rider, um novo mito da estrada, da viagem, desenvolveu-se como desejo de ultrapassagem de fronteiras que já não eram meramente geográficas mas antes sociais, morais e, acima de tudo, vivenciais. O universo contracultural haveria, no entanto, de definhar rapidamente quando muitos dos seus actores passaram a conviver e a pactuar com as regras do mercado que haviam combatido. A «grande recusa» dos filhos da burguesia que lhe deram rosto não sobreviveria afinal à experiência rápida de uma geração incapaz de questionar verdadeiramente a ordem injusta da qual pretendiam escapar.

Theodore Roszak (1933-2011), que morreu no início deste mês na sua casa em Berkeley, Califórnia, foi um dos primeiros a perceber esta incoerência. Mas não viu nela necessariamente um mal ou um factor de derrota. O seu livro – e boa parte do trabalho académico que se lhe seguiu – pretendeu mostrar que a sociedade moderna dominada pela ciência se revelara monstruosa, repressiva e desprovida de alma, que a então emergente dissensão juvenil era suficientemente coerente para ser capaz de produzir uma nova ordem de valores, e que a anti-racionalista «contracultura» – termo que popularizou e provavelmente inventou também – poderia projectar, a partir da sua perspectiva visionária, a base material da sociedade do futuro. Vivemos maus tempos, sem dúvida, para fazer valer a importância desta reserva de utopia, mas como na tábua da História todas as certezas e perplexidades são efémeras, provavelmente ainda voltaremos a ouvir falar dela. Ou daquelas que a ela forem capazes de ir buscar a chispa inextinguível da crítica e da insubmissão.

Mandela, 93 anos....




A Joana Lopes lembra: hoje Mandela faz 93 anos....

Os senATORES ... DA OPOZISSÃO....



Os democráticos líderes da oposição...


De ROBERTO ROMANO:


Tucanos e petistas, primos em primeiro grau, fazem tolices e coisas piores. Agora, um diz que "pobre"entra na universidade por causa de Haddad, outro,atendendo aos interesses das "universidades privadas"(e acentuemos a polissemia de "privada", no caso)ajudam a perpetrar o "genocídio programado", como disse eu na entrevista à Caros Amigos. Idiotas afirmam que eu sou filiado ao PSDB, idiotas do PT me criticam por não aceitar a sua "linha justa", profundamente tortuosa. O fato é que os dois primos vivem de pura demagogia e contra o que existe ainda de "público"nas universidades.


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São Paulo, sexta-feira, 15 de julho de 2011

Editoriais

editoriais@uol.com.br


Educação inferior

Projeto relatado pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) elimina exigências mínimas de titulação acadêmica para professores universitários

São ainda insuficientes e tímidos os esforços para melhorar a qualidade do ensino superior no Brasil. Pode-se, entretanto, dizer que, desde o governo Fernando Henrique Cardoso, quando se introduziu o Provão, uma tendência para avaliar com mais rigor o desempenho de faculdades públicas e privadas vinha sendo mantida.
Naturalmente, o processo enfrentou resistências de todo tipo. Houve reações corporativas de parte do professorado e manifestações de sectarismo ideológico em setores do movimento estudantil. Com menos estridência, mas forte poder de pressão nos gabinetes, o lobby das faculdades particulares muitas vezes procurou, no Congresso e no Executivo, afrouxar os controles públicos.
Para algumas instituições de ensino superior, trata-se menos de construir alguma coisa relevante do ponto de vista educacional ou científico e mais de obter altos rendimentos com a oferta de produtos de péssima qualidade. É sem dúvida a esse tipo de interesses que vem atender projeto de lei na ordem do dia do Senado.
Pretende-se eliminar a exigência de 30% de doutores e mestres no corpo docente. Para qualquer padrão aceitável internacionalmente, o mínimo em vigor já seria bastante baixo: menos de um terço dos professores universitários com alguma titulação acadêmica. Não parece baixo o bastante, no entanto, para o relator do projeto, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
A modificação na lei havia sido proposta, inicialmente, pela Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado. Pretendia-se eliminar a exigência de mestrado ou doutorado para os professores em áreas de engenharia e tecnologia. O saber prático substituiria, no caso de profissionais de notória competência, os méritos da titulação acadêmica. A brecha se abriu para que, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, o princípio fosse estendido a todos os cursos.
Mesmo que se admita a eventualidade de excelentes professores, com vasta experiência profissional ou importante obra intelectual, não contarem com mestrado ou doutorado, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) já lhes abre espaço para a carreira docente. Não se determina que todos os professores universitários tenham tal titulação. Bastam 30%.
O projeto do Senado esconde mal o verdadeiro propósito:
atender aos interesses de faculdades sem compromisso com o ensino de qualidade, que poderão contratar a salário baixo professores alheios a qualquer padrão de excelência acadêmica.

Que país...



Por que os brasileiros não reagem?
Juan Arias, O Globo, 11.7.11
Enviado pelo Grozny Arruda



Grata!

O fato de que em apenas seis meses de governo a presidente Dilma Rousseff tenha tido que afastar dois ministros importantes, herdados do gabinete de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (o da Casa Civil da Presidência, Antonio Palocci - uma espécie de primeiro-ministro - e o dos Transportes, Alfredo Nascimento), ambos caídos sob os escombros da corrupção política, tem feito sociólogos se perguntarem por que neste país, onde a impunidade dos políticos corruptos chegou a criar uma verdadeira cultura de que "todos são ladrões" e que "ninguém vai para a prisão", não existe o fenômeno, hoje em moda no mundo, do movimento dos indignados.


Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam? Não lhes importa que tantos políticos que os representam no governo, no Congresso, nos estados ou nos municípios sejam descarados salteadores do erário público?


É o que se perguntam não poucos analistas e blogueiros políticos.


Nem sequer os jovens, trabalhadores ou estudantes, manifestaram até agora a mínima reação ante a corrupção daqueles que os governam.


Curiosamente, a mais irritada diante do saque às arcas do Estado parece ser a presidente Rousseff, que tem mostrado publicamente seu desgosto pelo "descontrole" atual em áreas do seu governo e tirou literalmente - diz-se que a purga ainda não acabou - dois ministros-chave, com o agravante de que eram herdados do seu antecessor, o popular ex-presidente Lula, que teria pedido que os mantivesse no seu governo.


A imprensa brasileira sugere que Rousseff começou - e o preço que terá que pagar será elevado - a se desfazer de uma certa "herança maldita" de hábitos de corrupção que vêm do passado.


E as pessoas das ruas, por que não fazem eco ressuscitando também aqui o movimento dos indignados? Por que não se mobilizam as redes sociais?


O Brasil, que, motivado pela chamada marcha das Diretas Já (uma campanha política levada a cabo durante os anos 1984 e 1985, na qual se reivindicava o direito de eleger o presidente do país pelo voto direto), se lançou nas ruas contra a ditadura militar para pedir eleições, símbolo da democracia, e também o fez para obrigar o ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) a deixar a Presidência da República, por causa das acusações de corrupção que pesavam sobre ele, hoje está mudo ante a corrupção.


As únicas causas capazes de levar às ruas até dois milhões de pessoas são a dos homossexuais, a dos seguidores das igrejas evangélicas na celebração a Jesus e a dos que pedem a liberalização da maconha.


Será que os jovens, especialmente, não têm motivos para exigir um Brasil não só mais rico a cada dia ou, pelo menos, menos pobre, mais desenvolvido, com maior força internacional, mas também um Brasil menos corrupto em suas esferas políticas, mais justo, menos desigual, onde um vereador não ganhe até dez vezes mais que um professor e um deputado cem vezes mais, ou onde um cidadão comum depois de 30 anos de trabalho se aposente com 650 reais (300 euros).


O Brasil será em breve a sexta potência econômica do mundo, mas segue atrás na desigualdade social, na defesa dos direitos humanos, onde a mulher ainda não tem o direito de abortar, o desemprego das pessoas de cor é de até 20%, frente a 6% dos brancos, e a polícia é uma das que mais matam no mundo.


Há quem atribua a apatia dos jovens em ser protagonistas de uma renovação ética no país ao fato de que uma propaganda bem articulada os teria convencido de que o Brasil é hoje invejado por meio mundo, e o é em outros aspectos.


E que a retirada da pobreza de 30 milhões de cidadãos lhes teria feito acreditar que tudo vai bem, sem entender que um cidadão de classe média europeia equivale ainda hoje a um brasileiro rico.


Outros atribuem o fato à tese de que os brasileiros são gente pacífica, pouco dada aos protestos, que gostam de viver felizes com o muito ou o pouco que têm e que trabalham para viver em vez de viver para trabalhar.


Tudo isso também é certo, mas não explica que num mundo globalizado - onde hoje se conhece instantaneamente tudo o que ocorre no planeta, começando pelos movimentos de protesto de milhões de jovens que pedem democracia ou a acusam de estar degenerada - os brasileiros não lutem para que o país, além de enriquecer, seja também mais justo, menos corrupto, mais igualitário e menos violento em todos os níveis.


Este Brasil, com o qual os honestos sonham deixar como herança a seus filhos e que - também é certo - é ainda um país onde sua gente não perdeu o gosto de desfrutar o que possui, seria um lugar ainda melhor se surgisse um movimento de indignados capaz de limpá-lo das escórias de corrupção que abraçam hoje todas as esferas do poder.

Juan Arias é correspondente do El Pais no Brasil

domingo, 17 de julho de 2011

De Joana Lopes, blog Entre as brumas da memória aqui


Impunidade nos crimes políticos?

(Contributo de Jorge Pires da Conceição)


O que é que Zura Bitieva (1948-2003), Anna Politkovskaia (1958-2006), Alexander Litvinenko (1962-2006), Stanislav Markelov (1974-2009), Anastasia Baburova (1983-2009) e Natalia Estemírova (1958-2009), entre outros, têm de comum com a Chechénia, com Ramzam Kadyrov e com Vladimir Putin?... A Justiça internacional tem urgência em saber!!!


Por ocasião do 2º aniversário do horrível assassinato em Grozny da jornalista Natalia Estemírova (15.07.2011), militante dos direitos do homem na organização não governamental "Memorial", o Conselho da Europa tem urgência em conhecer e levar a Juízo, não apenas os quatro assassinos operacionais, mas os respectivos mandantes.


Na Chechénia e na Rússia poucos são os que terão dúvidas quanto à identidade dos mandantes: os assassinados na Chechénia (Zura e Natalia) tê-lo-ão sido por ordem expressa de Ramzam Kadyrov, o presidente, com o apoio e cobertura de Vladimir Putin. Os restantes, sobretudo a Anna e o coronel Alexander, por indicação directa de Vladimir Putin.


Um documentário passado (de madrugada) na TVI24 há menos de duas semanas dá claramente essas pistas, as quais eram, na verdade, factos já anteriormente dados como certos por muitos dos observadores.


Os responsáveis pelos estes crimes destes activistas dos direitos humanos - operacionais e mandantes - continuam impunes. Todos eles por, de algum modo, investigarem ou denunciarem o que se passava na Chechénia e por terem descoberto que os atentados em Moscovo tinham sido uma encenação concertada para justificar a intervenção russa na Chechénia, da qual resultou uma série de graves abusos dos direitos humanos. (Tema, aliás, que substanciou o livro "Um homem muito procurado", de John Le Carré).
Pelo menos mantenhamos viva a memória dos que morreram por ser solidários e por lutar pela verdade e pela justiça, ousando enfrentar os poderosos deste Mundo!

o novo...







Em tempo

Do BLOG Roberto Romano Uol noticias
Justiça da Argentina condena militares da ditadura à prisão perpétua


Em Buenos Aires

•Médico que 'sumiu' com bebês na ditadura será extraditado para Argentina
•Exame de DNA de herdeiros do Clarín com vítimas da ditadura dá negativo
A Justiça argentina sentenciou nesta quinta-feira à prisão perpétua um general e um coronel da ditadura (1976-1983) por crimes no centro de tortura por onde passaram o escritor Haroldo Conti, o roteirista Héctor Oesterheld, a alemã Elisabeth K'semann e os franceses Françoise Dauthier e Juan Soler, constatou a AFP.

O ex-general Héctor Gamen, 84 anos, e o ex-coronel Hugo Pascarelli, 81, foram "condenados a pena de prisão perpétua por homicídio qualificado, privação ilegítima da liberdade e tortura" no centro clandestino "El Vesubio".

O coronel Pedro Durán Sáenz, quem comandou esse centro clandestino durante a ditadura (1976/83), faleceu em junho, no meio do julgamento.

O julgamento foi aberto em fevereiro de 2010 e diz respeito a 156 crimes, entre eles 17 fuzilamentos.

Por "El Vesubio" passaram 2.500 prisioneiros, entre 1976 e 1978, quando o centro foi demolido, ante a iminente chegada da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

O governo alemão, representado pelo advogado argentino Pablo Jacobi, apresentou-se como querelante pelo caso K'semann, pedindo prisão perpétua para os dois militares.

K'semann, uma socióloga de 30 anos, nascida em Gelsenkirchen, filha do professor universitário e teólogo luterano Ernst K'semann, foi sequestrada em 1977 e esteve 8 semanas desaparecida até aparecer crivada de balas num terreno baldio, junto com outros 15 prisioneiros de "El Vesubio".

A secretaria de Direitos Humanos e outros querelantes pediram que esses crimes sejam considerados "parte de um genocídio".

O escritor Haroldo Conti, o cineasta Raimundo Gleyzer e o roteirista Héctor Oesterheld, que também tevem quatro filhas desaparecidas, foram vistos nesse campo, assim como Françoise Dauthier e Juan Soler, dois dos 18 franceses vítimas da ditadura.

Dauthier, nascida em 1946 na França, foi levada de sua casa, na periferia sul de Buenos Aires e trasladada a "El Vesubio" com suas duas filhas menores, Natalia e Clarisa Martínez, de 18 meses e 3 anos, entregues depois aos avós.

Soler, um ex-sacerdote e operário da construção civil, tinha 42 anos quando foi sequestrado em sua casa, em abril de 1977.

"Estávamos todos machucados, sujos, esfarrapados e mortos de fome. No dia 23 de maio (de 1977) nos chamaram um a um e nos levaram à cozinha (...) Foi a última vez que os vi", disse Elena Alfaro, uma das 75 sobreviventes do campo, ao prestar depoimento por videoconferência, a partir de Paris.

Como em muitos outros centros de extermínio, também lá houve mulheres grávidas que deram à luz em cativeiro antes de desaparecerem, como María Trotta e Rosa Taranto, cujos filhos roubados ao nascer recuperaram a identidade em 2007 e 2008, respectivamente.

"El Vesubio" funcionou num prédio da SPF na periferia sudoeste de Buenos Aires, na jurisdição do Primeiro Comando do Exército, do temido general Carlos Suárez Mason, já falecido.

A causa foi reaberta em 2003, depois que o Congresso anulou as leis de anistia de 1986 e 1987.

Cerca de 30.000 pessoas desapareceram durante a ditadura, segundo organismos humanitários.

La famiglia bellini e bertini

Em Porto Ferreira, SP. 1959. A paternidade. Pais de meu pai, irmãos, genros, primos e o Piolim, cão paulistinha, amado de meu avô Alfredo. Ah, e o papagaio no ombro de um dos tios.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Roque Sponholz















Correio da Cidadania. do blog de Roberto Romano
A dialética do negaceio


Escrito por Leo Lince
Terça, 12 de Julho de 2011

O escritório de advocacia onde pontifica a atual esposa do governador Cabral, Adriana Ancelmo, é titular de contratos permanentes para a defesa de empresas concessionárias de serviços púbicos. Não se trata de denúncia nova ou de segredo revelado. Faz tempo que tal fato, outrora capitulado como inaceitável, chegou ao conhecimento público sem produzir grandes abalos. Todos sabem, mas, por enquanto, só os bueiros explodem.


Nos debates da última campanha eleitoral, interpelado sobre o tema pelo candidato do PSOL, Jefferson Moura, o governador contestou de maneira a revelar com clareza o seu estilo e caráter. Fingiu desconhecer a natureza da interpelação e, categórico, respondeu que a esposa fizera o Exame da OAB. Portanto, estava, sim, qualificada para advogar. Saiu pela tangente e ponto final. Ginga malandra de quem se acredita na posse plena do dom de iludir.


Apesar dos abalos provocados pelo ramalhete de escândalos desatado em Trancoso, o governador continua o mesmo. É o que se deduz da entrevista concedida ao sistema Globo, rádio CBN e jornal, na semana passada. Ele tirou licença, amargou luto, deve ter pesado cada palavra e, principalmente, a estratégia de saída para a encalacrada em que se encontra. O resultado da entrevista revela mais do mesmo. Recoloca o governador na sua rota de sempre: a espantosa dialética do negaceio.


Depois de afirmar, na entrevista, que “sempre procurei separar minha vida privada da vida pública”, ele declarou: “quero assumir o compromisso de rever minha conduta”. Lógica truncada, declarações contraditórias. Ao justificar o volume de obras públicas contratadas, algumas sem licitação, pela empreiteira do amigo, ele repetiu sem tirar nem por o que já estava na nota da empresa. Ou seja, ao tentar desmentir, reitera a mesma intimidade promíscua.


O ponto alto da entrevista, onde se localiza o objetivo para o qual ela foi armada, é a convocatória geral para o debate sobre a ética na política. Está lá, destacado no primeiro parágrafo da matéria impressa: “Sérgio Cabral defendeu ontem um amplo debate sobre ética e propôs a criação de um código de conduta para ele mesmo cumprir”. E, como laço do buquê, a célebre frase: “eu adoro direito comparado”. Sensacional. A primeira dama fez o exame da OAB e seu marido adora direito comparado. Logo, podemos dormir tranqüilos.


No desdobramento da conclamação, os melhores auxiliares do governo foram postos ao serviço da nova tarefa. “Vamos ver o que há em outros estados e no mundo”, determinou o governador. Com isso, os jornais dos dias seguintes foram abastecidos com os prolegômenos da portentosa tarefa. Ao invés de uma, já são duas as comissões a serem criadas, ambas com a composição indicada pelo governador: a CEAA, Comissão de Ética da Alta Administração; e a CEPE, Comissão de Ética Pública Estadual.


E os bilhões de isenções fiscais para empresários amigos, destes que emprestam aviões que não são de carreira? E a facilitação de duvidosas licenças ambientais? E os contratos milionários, alguns sem licitações, fechados com amigos do peito, destes que fornecem boca livre e outros divertimentos? Tudo isso é página virada, lembranças desagradáveis de um passado que é preferível esquecer. Daqui prá frente, tudo vai ser diferente. A imprensa investigativa já redireciona o seu foco. A questão fundamental, agora, é vigiar e punir com rigor os burocratas que receberem brindes com valor acima de R$ 400,00.


Oswald de Andrade, o homenageado deste ano na festa cultural de Parati, postulava a vitória do ócio contra o negócio no “Matriarcado de Pindorama”, o reino idílico da utopia ditosa. Em nossa desdita atual, o reino fatídico da máquina mercante, o governador Cabral propõe inverter os termos da consigna. Quer transformar em teoria a sua prática: o ócio a favor do negócio. O “direito” comparado será enquadrado no “feito” do cinismo incomparável, em mais uma vitória da dialética do negaceio.


Leia também o artigo anterior de Leo Lince:
A encalacrada do Cabral


Léo Lince é sociólogo.

Sublime!

Meu pai, o segundo da esquerda para a direita. Em 1958, creio. De camisa xadrez, echarpe xadrez, óculos... Octávio style. Em Porto Ferreira, SP.

terça-feira, 12 de julho de 2011

FMI, corrupção...



12.7.11 por Joana Lopes, Portugal, blog Entre as brumas da memória aqui
Mais complexo que ratings e deficits

E, de repente, foi como se a Moody’s e suas congéneres tivessem passado a ser culpadas de quase tudo (sem que ponhamos em causa a sua própria existência, mesmo que nos tivessem classificado com um belíssimo AAA…), num clamor patriótico que, como alguém lembrou, só parece ter tido equivalente recente em torno da questão de Timor (por onde andas, Luís Represas?...).


Passa-se para segundo ou para terceiro plano a nossa má integração na União Europeia e no euro, por culpa própria e não só, omite-se que vivemos numa democracia sequestrada pelo poder financeiro e que a batalha a travar é bem mais difícil e mais complexa do que reduzir o deficit aos valores desejados pela senhora Merkel e por Durão Barroso (se é que este deseja mais do que salvar a própria pele…).


Regresso ao livro de Boaventura Sousa Santos, que tenho vindo a citar (*).


«Os fundos estruturais e de coesão foram desbaratados no que constitui a história mais secreta da corrupção em Portugal. O euro, combinado com a abertura da economia europeia ao mercado mundial foi a última machadada nas aspirações portuguesas, pois tínhamos têxteis e sapatos para vender, mas não aviões nem comboios de alta velocidade.


Os termos da integração foram-nos sendo progressivamente mais desfavoráveis, o projecto europeu foi-se desviando das vontades originais e os mercados financeiros aproveitaram-se das brechas criadas na defesa da zona euro para se lançarem na pilhagem em que são peritos, agravando as condições do país muito para além do que pode ser legitimamente atribuído à nossa incúria ou incompetência. A verdade é que vivemos a hora dos grupos e classes dominantes, cujo poder parece demasiado forte para poder ser desafiado, e nunca tanta força esteve ligada a tanta ausência de projecto. A democracia, que aparentemente controla o seu poder, parece sequestrada por ele. Vivemos um tempo de explosão da precaridade, obscena concentração da riqueza, empobrecimento das maiorias e incontrolável perda do valor da força do trabalho.» (p.152)
(O realce é meu.)

(*) Portugal. Ensaio contra a autoflagelação, Almedina.

Turismo ...



De Joana Lopes, Portugal, Blog Entre as brumas da memória aqui

«Não será como Fátima por deficit de pastorinhos no distrito» (*)
… mas estão já inscritas mais de 440.000 pessoas para a Jornada Mundial da Juventude, que terá lugar, em Madrid, de 16 a 21 de Agosto, por ocasião da visita de Bento XVI.


Muitas organizações reclamaram pelos 50 milhões de euros previstos para custos (é muito dinheiro…), mas Rouco e os seus amigos já vieram explicar que nada sairá dos cofres públicos, mas sim de contribuições de empresas e dos próprios peregrinos, e que se prevê que entrem em Espanha 100 milhões de euros - «Sua Santidade como propaganda turística», até e portanto.


Há preços diferentes de inscrição, conforme a suposta «riqueza» dos diferentes países de origem, sem que se diga em que grupo se integram os peregrinos dos intervencionados pelo FMI…: [«Los peregrinos del grupo A (Italia, Qatar, Estados Unidos) pagan entre 210 euros - por alojamiento, inscripción y comida - y 45 euros si solo hacen inscripción de fin de semana. España tiene estas tarifas. En el grupo B (Arabia Saudí, Argentina o República Checa), las tarifas oscilan entre 163 y 40 euros. El grupo C (Angola, Afganistán, Macedonia o Paraguay) paga entre 122 y 30 euros.»]


Alugam-se janelas para melhor avistar o espectáculo e enumeram-se «detalhes estrambólicos» ligados á visita como, por exemplo, as sete toneladas de terços destinados às mochilas dos participantes, que um grupo de 150 mulheres está a produzir numa pequena fábrica do Equador, ou um desafio de futebol de beneficência (lá estaremos, representados pelo nosso Futre…)


Enfim: «eles» saberão se daqui virá muito bem à humanidade, ou mesmo aos jovens crentes, mas será sem dúvida o mundo do espectáculo em todo o seu esplendor. Com algum espírito de sacrifício, digo eu: deve estar fresquinho, em Madrid, em meados de Agosto…


(Fonte, entre outras)

(*) Diz a Izquierda Unida.


Braziu!



Braziu, Ouro Verde, Paraná (fonte: UOL)

Aqui em Porto Ferreira, SP, o caso é tão grave quanto.

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