ANDA O POVO...
Fernando Pessoa
Anda o povo a passar fome
E quem o mandou para a França
Não tem barriga para o que come
Nem mãos para o que alcança.
Os ladrões já não andam na estrada,
Moram na pele dos ministros.
Pobre era Jesus Cristo
E ainda o puseram na cruz.
Dentro de mim avisto
O princípio de uma luz.
Não é português quem come
À custa do português pobre.
Nasceram aqui porque tinham
Que nascer em qualquer lugar.
Ninguém odiava o alemão.
Mais se odiava o francês.
Deram-nos uma espada para a mão
E uma grilheta para os pés.
Podiam vender negócios
Sem vender a nossa pele.
É inglesa a constituição,
E a república é francesa.
É d´estrangeiros a nação,
Só a miséria que é portuguesa.
Venderam a Portugal
Para terem dinheiro em notas.
Meteram-nos na guerra a mal
Só para termos derrotas.
Não nos davam de comer,
Nós que éramos a comida,
Para eles poderem viver
Que lhes estorvava a nossa vida?
Metade foi para a guerra,
Metade morreu de fome.
Quem morre cobre-o a terra.
Quem se afoga, o mar o some.
Meu coração está a estalar,
Minha alma diz lhe não,
Vejo o Encoberto chegar
No meio da cerração.
Fernando Pessoa
Anda o povo a passar fome
E quem o mandou para a França
Não tem barriga para o que come
Nem mãos para o que alcança.
Os ladrões já não andam na estrada,
Moram na pele dos ministros.
Pobre era Jesus Cristo
E ainda o puseram na cruz.
Dentro de mim avisto
O princípio de uma luz.
Não é português quem come
À custa do português pobre.
Nasceram aqui porque tinham
Que nascer em qualquer lugar.
Ninguém odiava o alemão.
Mais se odiava o francês.
Deram-nos uma espada para a mão
E uma grilheta para os pés.
Podiam vender negócios
Sem vender a nossa pele.
É inglesa a constituição,
E a república é francesa.
É d´estrangeiros a nação,
Só a miséria que é portuguesa.
Venderam a Portugal
Para terem dinheiro em notas.
Meteram-nos na guerra a mal
Só para termos derrotas.
Não nos davam de comer,
Nós que éramos a comida,
Para eles poderem viver
Que lhes estorvava a nossa vida?
Metade foi para a guerra,
Metade morreu de fome.
Quem morre cobre-o a terra.
Quem se afoga, o mar o some.
Meu coração está a estalar,
Minha alma diz lhe não,
Vejo o Encoberto chegar
No meio da cerração.
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