TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Angeli

...

Dá o que pensar!

...



SOLDA!

Burocracia...



... chamada eufemisticamente de administração.

Pós-modernidade...

Uma colega perguntou-me nesse aniversário como me sinto. Respondi: na pós-modernidade. No meio da sacanagem geral. Ninguém se salva.

Psiu! Conselho reunido!



Oh, bama? Aos pobres, as batatas....



Chantagem em Washington do Blog de Joana Lopes, aqui

Não será a maneira mais simpática de festejar o 50º aniversário de Obama, mas aconselho a leitura deste artigo de Serge Halimi no último número de Le Monde Diplomatique (versão portuguesa).


A disputa sobre a redução da dívida norte-americana que opõe o presidente Barack Obama e a maioria republicana no Congresso esconde o essencial: cedendo à chantagem dos adversários, Obama aceitou logo à partida que mais de três quartos do esforço orçamental dos próximos dez anos, ou seja, 3 biliões de dólares, sejam provenientes de cortes nos orçamentos sociais. A direita americana podia ter ficado satisfeita com a vitória, mas quer sempre mais. Mesmo que a sua intransigência possa prejudicar-lhe a popularidade.


Em Dezembro de 2010, cedendo uma primeira vez à pressão da direita, o presidente dos Estados Unidos prolongou por dois anos as muito desiguais diminuições de impostos decididas pelo anterior presidente, George W. Bush. Quatro meses mais tarde, falando desta vez como Ronald Reagan, Obama congratulou-se com a «mais importante redução anual das despesas da nossa história». A seguir deu início aos ciclos de negociações com os parlamentares republicanos, anunciando o seguinte: «Estou preparado para ser repreendido pelo meu partido se for para ter resultados». Resultado: novos recuos na Casa Branca…


A direita opõe-se a qualquer redução do endividamento que passe por um aumento de impostos
. Esta condição prévia pode parecer estranha num país em que a avalancha de privilégios fiscais concedidos aos mais ricos gerou o mais baixo nível global de contribuição fiscal dos últimos cinquenta anos. Mas o que os republicanos na realidade querem, além de um endividamento que só se foque nas despesas, é «emagrecer o monstro» − isto é, para retomar a expressão de um dos seus estrategos, querem «reduzir a dimensão do Estado para a seguir ele poder ser afogado na banheira».


Ora, como explicar o recente disparo da dívida pública americana? Em primeiro lugar, pela crise económica, em grande medida provocada pela desregulação financeira das últimas décadas. Em seguida, pelo prolongamento regular das diminuições provisórias de impostos aprovadas em 2001 (ficando por recolher 2 biliões de dólares). Por fim, pelas guerras do pós-11 de Setembro no Afeganistão e no Iraque (1,3 biliões de dólares). O partido de Reagan e de Bush quer agora resolver o problema do endividamento protegendo ao mesmo tempo os mais ricos, a que chama os «criadores de empregos», e o orçamento do Pentágono, que em dez anos aumentou, em termos reais, 67%.


No passado dia 5 de Abril, Paul Ryan, presidente da Comissão Orçamental da Câmara dos Representantes, apresentou aliás de forma detalhada os projectos dos republicanos para as próximas décadas. O seu plano prevê que as despesas públicas, que actualmente representam 24% do produto interno bruto (PIB), não representem mais do que 14,75% do PIB em 2050, passando a taxa máxima de contribuição de 35% para 25% (o nível mais baixo desde 1931). Todos os nichos fiscais dos privilegiados serão preservados, mas serão congelados os reembolsos com despesas de saúde destinados aos idosos e aos pobres.


Se Obama continuar a fugir a este combate, as funções sociais do Estado americano podem muito em breve assemelhar-se ao cadáver na banheira.


terça-feira 2 de Agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Ressentimento...

Ressentimento
Por Carlos Alberto Alves e Silva DAQUI

Não podemos negar o quanto a relação com o outro nos afeta. As relações humanas são marcadas consciente e inconscientemente, entretanto muitas vezes não nos damos conta o que determinados sentimentos nos provocam e nossa postura diante deles. Shakespeare teve o dom de nomear e expressar nossos sentimentos com muita destreza em suas 38 peças, 154 sonetos, 2 poemas e várias poesias e não me parece que o tempo tenha modificado nossos sentimentos da forma com que ele descreveu no século XVI. Nossos sentimentos se mostram sempre ambivalentes: Amor, Ódio, Compaixão, Agressividade, Entusiasmo, Timidez, Alegria, Tristeza, Altruísmo, Ambição, Generosidade, Avareza, Humildade, Vaidade, Inveja….

Mesmo diante de todos estes sentimentos e muitos outros que considero serem a maior expressão da natureza humana, o Ressentimento é algo que tem me chamado muito a atenção, na clínica e nas minhas relações. Ressentimento não é sinônimo de raiva, arrependimento ou vingança, mas a impossibilidade de se esquecer ou superar um agravo.

Maria Rita Kehl, em seu livro – Ressentimento (Editora Casa do Psicólogo) escreve logo na introdução que “ressentir-se significa atribuir a um outro a responsabilidade pelo que nos faz sofrer. Um outro a quem delegamos, em um momento anterior, o poder de decidir por nós, de modo a poder culpá-lo do que venha a fracassar”. Neste caso, o ressentido estabelece uma servidão inconsciente, se demite subjetivamente e não se implica como sujeito do desejo.


Maria Rita Kehl e seu livro – Ressentimento

A pessoa ressentida, ao se sentir ofendida, agredida, submetida ao outro, não se manifesta no ato, mas mantém a cena viva remoendo (ruminando) a ofensa repetitivamente. Maria Rita Kehl menciona que o “ressentido não é alguém incapaz de se esquecer ou de perdoar; é um que não quer se esquecer, ou que quer não se esquecer, não perdoar, não deixar barato o mal que o vitimou”.

É muito interessante o quanto a nossa psique nos rege e que não podemos garantir que uma criança se desenvolva subjetivamente de uma ou outra maneira mesmo que a mãe (pais) tome todas as medidas nos primeiros momentos da vida. O bebê, a criança e posteriormente o adulto podem ter vivido experiências subjetivas que o fizeram assimilar de maneira muito particular. Desta forma, muitas vezes quando fazemos o possível para proporcionar amor, apoio, ajudar psicológica, financeira e emocionalmente ou de qualquer outra natureza pensando estar fazendo o melhor ao outro, na experiência de quem recebe tudo isso pode ser assimilado não com gratidão, mas sim, como uma dívida que deve ser paga. Cada ajuda adicional no decorrer da vida o faz sentir pior e mais endividado (mais empobrecido). É como se cada ato de afeto e ajuda faça com que aquele que recebe fique mais pobre, desta forma ao invés de demonstrar espontaneamente a gratidão, este se volta contra aquele que oferece algo com muita violência.

Melanie Klein em um de seus principais trabalhos psicanalíticos, Inveja e Gratidão, descreve de maneira clara os processos primitivos dos bebês. As emoções e ansiedades manifestas por mecanismos de projeção e introjeção na relação do seio bom e seio mal – amor, ódio, fantasias e defesas. Klein descreve as ansiedades persecutórias nos impulsos destrutivos dirigidos a pessoa amada (mãe), que posteriormente na posição depressiva aparece a culpa relativa à destruição dos objetos amados internos e externos. Eu penso que o ressentido fixado na posição esquizo-paranóide se ocupa de uma certa persecutoriedade, como se houvesse uma conspiração contra si próprio que não o permitisse sentir o amor do outro e demonstrar gratidão. Em sua vida mesmo adulta, vive uma reedição das cenas primitivas.



Melanie Klein e um de seus principais trabalhos psicanalíticos – Inveja e Gratidão

Um adulto que demonstra constantemente ressentimentos é como se fosse uma vítima e Maria Rita Kehl descreve muito bem os ganhos subjetivos deste. “Talvez seja possível afirmar que o derrotado só se torna um ressentido quando ele deixa de se identificar como derrotado e passa a se identificar como vítima, sobretudo de vítima inocente de um vencedor que, nesses termos, passa a ocupar o lugar de culpado. É no lugar da vítima que se instala o ressentido, cujas queixas e acusações silenciosamente a um outro funcionam para reassegurar sua inocência e para manter sua passividade. A manutenção ativa do ressentimento faz par com a posição passiva que ele ocupa diante do Outro; com isso, a suposta vítima obtém o ganho secundário de desincumbir-se moralmente de qualquer responsabilidade pela situação que o ofendeu”.

O ressentido se sente no direito de reclamar o tempo todo e se isenta de qualquer responsabilidade do que acontece na sua vida. Tudo de mal que acontece ou aconteceu na sua vida é de responsabilidade dos outros, por ter sido injustiçado ou por ter sido tratado de maneira desprivilegiada, desta forma, ao invés de tomar cabo de sua vida, se ocupa de uma vitimização pueril.

Maria Rita continua: “O ressentimento seria, neste caso, o avesso do arrependimento; é uma cobrança indireta de um bem cedido ao outro por submissão ou covardia. Instalado no lugar de queixoso, o ressentido não se arrepende: acusa. Sua reivindicação não é clara: ele não luta para recuperar aquilo que cedeu e sim para que o outro reconheça o mal que lhe fez. No entanto, não espera obter reparação: o que ele quer é uma espécie de vingança. Uma vingança imaginária, escreve Nietzche. Uma vingança sempre adiada, que ele prefere gozar na fantasia a executar.

Acho particularmente esclarecedor quando ela diz que não devemos confundir o ressentimento com as expressões de mágoa e da raiva. A mágoa, como Kehl define, é a dor de uma ferida narcísica que ainda não deixou de sangrar. Desta forma o ressentido é aquele que renuncia a seu desejo em nome da submissão a um outro (identificado desde seu lugar do superego), mas depois vem cobrar, insistentemente, pelo desejo negado. Ele não se arrepende – ele acusa. “O vingativo que não Se vinga, que espera ser ressarcido pela justiça divina sem se implicar com seu desejo de vingança está condenado ao ressentimento”.

Jurandir da Costa Freire, Psiquiatra e Psicanalista, em uma de suas palestras organizadas pelo CEP – Centro de Estudos Psicanalíticos, proferiu sobre o tema da pueridade, sintoma apresentado por pacientes não somente na sua clínica, mas também nas nossas, cuja pessoa assume uma posição de vitima infantil frente as questões do mundo adulto. Acredito que ambos os temas ressentimento e pueridade são correlatos e podem ser abordados conjuntamente pela psicanálise, embora nem Freud nem seus seguidores abordaram como Maria Rita Kehl e Jurandir Freire. Sigmund Freud em Estudos sobre histeria (1893-1895) nomina ressentimento como “covardia moral” no caso “Miss Lucy R.”.

É muito difícil lidar com o ressentimento do outro, uma vez que este se mostra sempre ético, correto e legítimo na sua posição de vítima inocente de uma injustiça, uma ofensa, um complô a qual somos responsabilizados, entretanto o ressentido não pode ser ético e suas reclamações não podem ser legitimadas uma vez que ele se demite subjetivamente não se responsabilizando por suas escolhas. O ressentido sempre encontra uma forma de demonstrar que está coberto de razões através de suas desculpas verdadeiras e atrai simpatizantes por demonstrar uma superioridade moral inquestionável.

Todos nós ainda vamos nos sentir culpados diante do silêncio acusador dos ressentidos que nos rondam.

Quero encerrar este texto com uma música de Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Guilherme de Brito que ouvi na voz de Beth Carvalho – A Flor e o Espinho.

Universidade Estadual de Maringá....RESSENTIMENTOS ACADÊMICOS!



A Resolução do Conselho de Administração da Universidade Estadual de Maringá de aliviar os professores nobres que dão aulas na pós-graduação e dar mais aulas aos que "ficam" só na graduação, já disse aqui neste Blog, que demonstra a soberba de brejo a que estamos submetidos numa Universidade periférica. Apontei a clássica divisão de trabalho manual x intelectual, que JÁ submeteu os professores da rede pública de ensino fundamental e médio às mais profundas humilhações sociais, na Universidade. E isso o Conselho fez sem que o patrão mandasse. Pasmem! O conselho é mais punitivo que o governador. A isso meu colega M. da Filosofia chamou de ressentimento. RESSENTIMENTO? Sim, disse-me ele. As pessoas trabalham no pós-graduação sentem-se muito importante, têm aulas, têm que buscar recursos, têm que orientar, têm que despejar mestres a cada dois anos e doutores a cada quatro, têm que publicar ... e SENTEM QUE aqueles que não trabalham no pós, ou como eles dizem SÓ na graduação, não fazem nada disso. ORA, ressentem-se de fazer "MUITO" e os outros "NADA" (na visão deles) e então...PAU NA MOLEIRA DOS COLEGAS! É incrível ver colega com 50 anos de idade ficar ressentido com os colegas porque ele trabalha mais do que o outro (na visão deles). Em vez de pensar na escravidão imposta pela CAPES, CNPq ele vira-se contra o colega, impedindo-o de estudar, de obter mais estudo, ir a eventos. A casta. Quem diria que íamos chegar nesse ponto em que nem sindicato, nem partido político dá conta ... só divã mesmo!


Os professores que rebelaram com isso, inclusive eu, têm que mostrar essa incoerência dos colegas, têm que cobrar política pública e DAR um NÃO ao RESSENTIMENTO

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Recebi e repasso...

Resumo da Reunião de Professores, em 03/08, e da Audiência com o Reitor

Prezados Colegas do Departamento de Fundamentos da Educação

O movimento dos professores contra a alteração na Resolução 41/2009 conseguiu uma vitória parcial, conforme será exposto no Resumo que segue. No entanto, aqueles que são contrários a Proposta de mudança na referida resolução devem fircar atentos e preparados para mobilizar-se e mobilizar outros colegas. Não se trata de alarmismo, mas sim de precaução diante dos acontecimentos que envolvem a alteração em questão.

Acredito que o conteúdo da proposta de alteração e a forma do seu encaminhamento constituem uma unidade muito ruim para a maioria dos docentes. Não só para aqueles que são diretamente afetados por ela de maneira discrimitarória e arbitrária, mas também para todos os que não aceitam o caráter das suas proposições e a forma restrita e nada transparente do seu encaminhamento. Uma das compravações cabais disso é que a maioria dos professores não estava sequer informada que seria votada no CAD uma mudança significativa para todos. Por isso, acredito que esse assunto tem que ser discutido nos departamentos. Esse foi um dos compromissos dos partícipes do Movimento, ou seja, pedir a inclusão desse tema na pauta.


Segue o resumo.

"No dia 03/08/2011, os docentes que iniciaram o movimento contra a alteração da carga horária mínima dos professores que não atuam na pós-graduação, reuniram-se novamente no Bloco I-12, às 14h para organizar os encaminhamentos contra a proposta de alteração da resolução 041/2009-CAD. Após as discussões, o grupo contendo representantes dos departamentos DCE, DFL, DPI, DFE, DEF, DPI, DLE, DTP, DFI, DIN, DET, DEC, DCS e PRH, dirigiu-se à reitoria para entregar ao reitor o abaixo-assinado, contendo 254 assinaturas, que foram coletadas em apenas dois dias.
Durante a breve reunião com o Reitor, os presentes fizeram questionamentos sobre os motivos que levaram os membros do CAD a formular tal proposta. O Reitor manifestou-se dizendo que não conhecia as reais motivações que levaram à construção dessa, uma vez que a mesma não foi encaminhada ao CAD pela reitoria, haja vista que o reitor informou não participar das reuniões informais do CAD, e que o assunto não foi tratado em nenhuma reunião formal. No entanto, na segunda-feira, após receber telefonema da comissão representante do Movimento Docente Independente, agendando horário para a entrega do abaixo-assinado, imediatamente conversou com a relatora do assunto no CAD e retirou-o da pauta da reunião de quinta-feira (04). O reitor garantiu que o assunto só retornará ao CAD após intensa discussão na Instituição, iniciando pelos departamentos. Após esta breve discussão, o Professor Ademir Quintilio Lazarini, representando o grupo, entregou o abaixo-assinado ao reitor.
Depois da saída do reitor, realizou-se uma avaliação do Movimento. Os docentes presentes entenderam que os objetivos foram parcialmente atingidos e que devemos continuar acompanhando os próximos acontecimentos para realizarmos novas mobilizações, caso sejam necessárias.

Parabéns a todos os participantes da Mobilização.
Movimento Docente Independente"

Saudações fraternais.

Ademir.

Segredo$

Leia no Blog de Roberto Romano aqui


Uma entrevista importante, a ser lida e meditada na terra dos João Santana, o primeiro ministro de Lula e da atual Chefe de Estado brasileira.
OpenSecrets Blog: How often do you think money has a corrupting influence in politics?


Potter: The more money you have, the greater potential you have for that. The more reliant candidates are on needing to raise money, the greater potential [for it to have a corrupting influence].

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Grata!



Grata, Professor Romano!

Socialismo para os ricos e mercado para os pobres!




Do Blog de Roberto Romano


Correio da Cidadania. Para ler, anotar, pesquisar, pensar, discutir, analisar, verificar, etc. etc. etc.
Um assalto de 16 trilhões de dólares

Escrito por Atilio A. Boron
Quarta, 03 de Agosto de 2011

A atenção da opinião pública internacional está centrada no acordo pírrico firmado entre Barack Obama e o Congresso mediante o qual o presidente se compromete a aplicar um duro programa de ajuste fiscal, baseado no corte de gastos sociais (saúde, educação, alimentação) e infra-estrutura de 2,5 trilhões de dólares, porém, preservando, como exige o Tea Party, o nível atual do gasto militar e sua eventual expansão. Em troca disso, a Casa Branca recebeu a autorização para elevar o endividamento dos Estados Unidos até 16,4 trilhões de dólares, cifra superior em cerca de 2 trilhões ao PIB do país. Com isso se espera – confiando na “magia dos mercados” – superar a crise da dívida pública e reativar a exaurida economia norte-americana. Essa receita já foi implementada a sangue e fogo na América Latino e não funcionou; e tampouco na convulsionada Europa desses dias. Com tal acordo, a única certeza será o agravamento da crise, e, por tabela, a acentuação da belicosidade estadunidense no cenário mundial.


Socialismo para os ricos e mercado para os pobres

O debate sobre o possível calote dos EUA eclipsou por completo um escândalo financeiro de inéditas proporções: em 21 de junho passado, conheceu-se o resultado de uma auditoria integral realizada pelo Escritório Governamental de Prestação de Contas (Government Accountability Office, GAO, na sigla em inglês) no Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, a primeira que se pratica sobre a citada instituição desde que foi criada, em 1913. Os resultados são assustadores: em um prazo de pouco mais de dois anos e meio, entre 1º de dezembro de 2007 e 21 de julho de 2010, o Fed concedeu empréstimos secretos a grandes corporações e empresas do setor financeiro de 16 trilhões de dólares, uma cifra superior ao PIB dos EUA, que em 2010 foi de 14,5 trilhões de dólares, e mais elevada que a soma dos orçamentos do governo federal nos últimos quatro anos.


E não só isso: a auditoria revelou também que 659 bilhões de dólares foram dados a algumas das instituições financeiras beneficiadas arbitrariamente por este programa para que administrassem o multimilionário pacote de salvação dos bancos e corporações, oferecido como mecanismo de ”saída” da nova crise geral do capitalismo. Desse gigantesco total, cerca de 3 trilhões foram destinados a socorrer grandes empresas e entidades financeiras na Europa e na Ásia. O resto foi orientado para o resgate de corporações estadunidenses, encabeçadas pelo Citibank, o Morgan Stanley, Merrill Lynch e o Bank of America, entre as mais importantes.


Tudo isso enquanto a crise aprofundava a níveis desconhecidos a desigualdade econômica dentro da população local, ao passo que afundava crescentes setores sociais na pobreza e vulnerabilidade social. Obviamente, essa informação mereceu apenas um espaço completamente marginal na imprensa financeira, tanto internacional como a norte-americana, ou nos grandes meios de comunicação dos EUA. São notícias que, com lembra Noam Chomsky, não têm por que serem conhecidas pelo grande público.


As assombrosas revelações deste informe deveriam propiciar uma discussão sobre vários temas de grande importância. Primeiro, a extremamente desigual distribuição dos esforços necessários para enfrentar a crise. Até agora, eles foram aportados pelos trabalhadores, enquanto que as grandes fortunas pessoais ou corporativas, assim como os fenomenais rendimentos dos mais ricos, se beneficiaram da redução de impostos e resgates multimilionários dados por George W. Bush e ratificados por Barack Obama no novo acordo.


Em segundo, sobre os inexistentes – ou enormemente débeis e ineficazes – mecanismos de auditoria e controle democrático sobre as políticas e decisões de uma instituição crucial para a economia norte-americana e o bem-estar de sua população como o Fed.


Em terceiro, sobre a duvidosa compatibilidade existente entre uma ordem que se auto-proclama democrática e o estatuto jurídico e institucional do Fed como entidade autônoma que não tem obrigação de prestar contas a nenhuma instância de controle democrático. Em relação a este último ponto, o Fed manifestou sua predisposição de “considerar muito seriamente” as recomendações do GAO, mas, ao não se tratar de uma instituição governamental, não pode ser forçado a aceitá-las. Em que pese seu caráter privado, o presidente do Fed e os sete membros de sua diretoria são designados pelo presidente dos Estados Unidos e sujeitos a posterior confirmação pelo Senado.


Porém, contrariamente ao que pensa a esmagadora maioria da população estadunidense, o Fed não é uma agência federal de governo, mas uma corporação privada. Em termos políticos, é o partido do capital financeiro. Sua autonomia é tão grande que não seria ilegal nem por um milímetro se suas autoridades decidissem desacatar as recomendações do GAO ou rebelar-se abertamente contra elas.


Não existe, para o Fed, a prestação democrática de contas diante da comunidade e, por ser uma entidade de direito privado, não tem de acatar nem sequer o disposto na Lei de Liberdade de Informação, cuja jurisdição se estende tão somente às instituições públicas. Situação aberrante, folga dizer: uma cifra equivalente ao total da dívida pública estadunidense que colocou o país à beira do calote foi desembolsada em resgates fraudulentos, secretos e muito favoráveis aos destinatários e lesivos ao contribuinte, com cujo dinheiro um banco central “independente” como o Fed financiou toda essa operação. Cabe perguntar: independente de quem?



Conspiração de silêncio


O escândalo revelado pela auditoria não teve quase nenhuma repercussão nos Estados Unidos. O presidente do Fed, Ben Bernanke, se fez de desentendido e expressou que em momentos como o que se temia o calote nacional o importante era resguardar a credibilidade do Fed e do sistema monetário estadunidense.


Apesar de o GAO ser um órgão de apoio aos trabalhos do Congresso, as reações de representantes e senadores à divulgação foram do mais absoluto e imoral silêncio. Até onde podemos destacar, uma das únicas vozes dissonantes foi a do senador Bernie Sanders, do estado de Vermont. Sanders é uma rara avis, não só no Congresso, como na política estadunidense: é um político que se declara socialista e que foi eleito como candidato independente em aliança com o Partido Democrata, única maneira de superar o asfixiante bipartidarismo imperante nos Estados Unidos. Eleito senador em 2007 com 65% dos votos, uma brisa eleitoral raríssima neste país, foi apoiado por diversos movimentos sociais e pequenas organizações políticas de Vermont. Sanders reagiu duramente quando tomou conhecimento do informe. Transcrevemos a continuação de alguns dos parágrafos mais destacados da declaração emitida pela sua assessoria de imprensa, que praticamente não foi levantada por nenhuma mídia dos EUA, e que diz o seguinte:


21 de julho, 2011.


“A primeira auditoria integral do Federal Reserve (Fed) descobriu novos e assombrosos detalhes sobre como os EUA disponibilizaram a quantia de 16 trilhões de dólares em empréstimos secretos para resgatar bancos e empresas estadunidenses e estrangeiras durante a pior crise econômica desde a grande depressão. Uma emenda proposta pelo senador Bernie Sanders, a lei de reforma de Wall Street – aprovada há exatamente um ano nesta semana –, havia ordenado ao Escritório Governamental de Prestação de Contas (Government Accountability Office) levar a acabo esse exame. ‘Como resultado de tal auditoria, agora sabemos que o Fed aportou mais de 16 trilhões de dólares em assistência financeira total a algumas das maiores corporações e instituições financeiras dos Estados Unidos e do resto do mundo’, disse Sanders. ‘Isso é um claríssimo caso de socialismo para os ricos e desatado individualismo do tipo salve-se quem puder para os outros’”.


Esclarecimento: o GAO é uma agência independente e não partidária que trabalha para o Congresso dos Estados Unidos. Sua missão é pesquisar a forma pela qual o governo federal utiliza os dólares de seus contribuintes. O chefe do GAO é o Procurador Geral dos Estados Unidos e é designado por um período de 15 anos pelo presidente a partir de uma lista de candidatos elaborada pelo Congresso. Seu chefe atual é Gene L. Dodaro, que havia sido nomeado pelo presidente Barack Obama em setembro de 2010 e confirmado no cargo em dezembro do mesmo ano pelo Senado.


Entre outras coisas, a auditoria estabeleceu que o Federal Reserve “carece de um sistema suficientemente abrangente para tratar de casos de conflitos de interesses, apesar de existirem sérios riscos de abuso nesse sentido. De fato, segundo essa auditoria, o Fed emitiu dispensas de conflito de interesses a favor dos funcionários e contratistas privados a fim de que pudessem manter seus investimentos nas mesmas corporações e instituições financeiras que recebiam empréstimos de emergência”.


“Por exemplo, o CEO do JP Morgan Chase cumpria funções na diretoria do Fed em Nova York, enquanto seu banco recebia mais de 390 bilhões de dólares em ajuda financeira por parte do Federal Reserve. Além do mais, o JP Morgan Chase atuava como um dos bancos de compensação para os programas de empréstimos de emergência do Fed”.


“Outro achado perturbador do GAO é o que refere que no dia 19 de setembro de 2008 o senhor William Dudley, presidente do Fed de Nova York, recebeu uma dispensa para que pudesse conservar seus investimentos na AIG (American International Group, líder mundial no campo dos seguros) e na GE (General Eletric), enquanto essas companhias recebiam fundos de resgate. Uma razão pela qual o Fed não obrigou Dudley a vender suas ações, segundo a auditoria, foi porque tal ação poderia ter criado a aparência de um conflito de interesses”.


“A investigação também revelou que o Fed terceirizava a contratistas privados, como o JP Morgan Chase, Morgan Stanley e Wells Fargo, a maioria de seus programas de empréstimos de emergência. Essas mesmas firmas também recebiam bilhões de dólares do Fed por empréstimos concedidos a taxas de juros próximas de zero”.


Os principais beneficiários desses empréstimos – concedidos entre 1º de dezembro de 2007 e 21 de julho de 2010 – são os seguintes:


Citigroup: $2.5 trilhões
Morgan Stanley: $2.04 trilhões
Merrill Lynch: $1.949 trilhões
Bank of America: $1.344 trilhões
Barclays PLC (Reino Unido): $868 bilhões
Bear Sterns: $853 bilhões
Goldman Sachs: $814 bilhões
Royal Bank of Scotland (Reino Unido): $541 bilhões
JP Morgan Chase: $391 bilhões
Deutsche Bank (Alemanha): $354 bilhões
UBS (Suíça): $287 bilhões
Credit Suisse (Suíça): $262 bilhões
Lehman Brothers: $183 bilhões
Bank of Scotland (Reino Unido): $181 bilhões
BNP Paribas (França): $175 bilhões
Wells Fargo & Co. $159 bilhões
Dexia SA (Bélgica) $159 bilhões
Wachovia Corporation $142 bilhões
Dresdner Bank AG (Alemanha) $135 bilhões
Societe Generale SA (França) $124 bilhões
Outros: $2,6 bilhões


Total: 16.115 trilhões de dólares.


Atilio Borón é doutor em Ciência Política pela Harvard University, professor titular de Filosofia Política da Universidade de Buenos Aires e ex-secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO).
Tradução: Gabriel Brito, jornalista, Correio da Cidadania.

Hoje as 15h na Reitoria da Universidade Estadual de Maringá

Hoje as 15h, CONTRA o autoritarismo e ELITISMO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO VÁ LÁ!

AQUI, na Má-ringa!

Tentando entender Maringá
Da professora Ana Lúcia Rodrigues, Universidade Estadual de Maringá, do Observatório das Metrópoles:
Estou tentando entender essa cidade. Aqui tem 4 das 1000 maiores empresas do Brasil mas, a maior fatia de imposto é produzida pelo IPVA e não pelo ICMS; aqui é o lugar onde existe a sociedade civil dita mais atuante e a democracia mais avançada (como o prefeito divulgou no Fórum Social Mundial) mas essa mesma louvada sociedade democrática faz campanha para que o seu Legislativo não tenha peso representativo, como se não fosse um importante pólo regional; a Dallas brasileira é aqui mas 33% dos chefes de família não conseguem comprar a casa própria e moram de aluguel; aqui tem sempre um braço de todas as operações da Polícia Federal; o preço não é critério de concorrência em licitação; aqui Estado e Igreja ainda não se separaram; aqui empreendedor supermercadista vira banqueiro e deputado vira loteador; não há favela aqui mas a cidade ganha R$ 25 milhões para projeto de desfavelização.


Aqui o trânsito não flui, mas mata; o contorno não contorna, o Horto não abre, o teatro, não se freqüenta, o público não se permite e o governo não governa para todos.


Aqui é um lugar em que as pessoas só acreditam porque não sabem que os que dominam, como dizia La Boétie “…só tem dois olhos, só tem duas mãos, só tem um corpo, e não tem outra coisa que o que tem o menor homem do grande e infinito número de vossas cidades, senão a vantagem que lhe dais para destruir-vos. De onde tirou tantos olhos com os quais vos espia, se não os colocais a serviço dele? Como tem tantas mãos para golpear-vos, se não as toma de vós? Os pés com que espezinha vossas cidades, de onde lhe vêm senão dos vossos? (…). Decidi não mais servir e sereis livres.”


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Comentário:


Ana e Paulo (que me enviou o texto da Ana): chamo isto aqui de SOBERBA DE BREJO. O que aterroriza é a OBEDIÊNCIA NOSSA, DO POVO ... parece que em Maringá só entra e mora quem tem atestado de boa conduta e de obediência tirada no DOPS.

Quem chega aqui e é obediente, tem logo uma cadeira cativa com a elite. E a elite é a menina dos olhos dessa cidade. Putas, favelados, negros, pobres só se forem limpinhos ... e bonzinhos. Aqui a gente gosta de ser acolhido pelos ricos. Dar as mãos aos maiorais, aí daquele que é diferente!

O Mal em pedaços grandes...










Do Blog Água lisa, de João Tunes, Portugal, aqui
Para a colecção da esquizofrenia na propaganda e no internacionalismo

«A história do movimento comunista e a experiência da própria China mostrou que a construção da nova sociedade sem exploradores nem explorados é mais difícil e complexa do que há décadas supúnhamos, mas mostrou também que só o socialismo pode salvar a humanidade da barbárie capitalista, que “só o socialismo pode salvar a China”. Por isso o PCP acompanha com grande atenção a actividade do PCC. Não ignorando dificuldades e desafios que os comunistas e o povo chinês enfrentam no sempre complexo caminho do socialismo, valorizamos muito os resultados alcançados na promoção social e cultural do povo chinês, na solução de problemas de colossal dimensão, na edificação de uma grande e próspera nação.


«A China é hoje uma realidade incontornável nas relações internacionais e acompanhada com atenção por todos os povos vítimas da exploração capitalista e da ingerência e agressão imperialista, por todas as forças que lutam pela liberdade, o progresso social, a paz e o socialismo. O avanço da China pelo caminho do socialismo é do interesse, não apenas dos comunistas e do povo chinês, mas dos comunistas, dos progressistas e dos povos de todo o mundo.



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Comentário:


Ontem, ouvindo a rádio CBN nacional, um comentarista falava da China. Elogiava seu alcance produtivo (sic) e de fininho, falava dos suicídios nas fábricas chinesas. SUICÍDIOS, sim senhores. Nas fábricas chinesas os operários não podem conversar, não podem ir aos banheiros, não... não..... Nada que os comunistas ~maoístas não tenham aprendido com os capitalistas. Capitalistas do século XIX e início do XX, é claro. Os economistas elogiam os comunistas chineses; afinal são tão parecidos. O duro é falar dos suicídios. Mas no campo de concentração comunista de Mao, ou nas fábricas chinesas do século XXI a morte é a mesma. O banquete é o mesmo. Carne humana.

...



do Blog Café dos loucos aqui


li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então eu indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
?e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável, apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a paixão e eu me perdesse nela,
a paixão grega


Herberto Helder in, "a faca não corta o fogo" assírio & alvim, 2008
bica tirada por miguel.

Aniversário....

Imagem: Solda

AGORA É DEFINITIVO... envelheço para continuar VIVA .....



Essa frase - maravilhosa - do Solda me faz aceitar a velhice, o envelhecimento ... Faço aniversário hoje. Nasci dia 3 de agosto de um ano longíquo em uma casa pequena, em uma cidade pequena, em uma grande família. Nasci entre Bertinis, Bellinis, Duartes, Mendonças ... e a vizinhança. Minha mãe, Dona Rosa, ligou agora de manhã. De Porto Ferreira, SP, disse-me que pôs um vestido novo, um sapato novo, penteou os cabelos e se perfumou ... para comemorar meu aniversário. Reafirmou: você nasceu dia 3 de agosto embora na certidão de nascimento esteja dia 5 de agosto. Tá bem. Não tem problema!



A casa tá movimentada. As 9 horas telefonaram-me da reitoria, da Universidade em que trabalho, para me informar que preciso buscar uma Portaria de Inquérito administrativo. Ok, tá bom, eu vou. Ossos do ofício, mas os esqueletos não são meus!



Solicitei - por escrito - à reitoria o relatório da Comissão de Sindicância duas vezes e não obtive sequer um papel rasgado para me informar qual era a situação. O inquérito inicia-se daqui a 3 dias. Faz meses que tento ler o relatório da sindicância e não me deixaram ver. Hoje saiu a decisão da reitoria. Um colega me ligou - também indiciado - e me disse o teor. Ri. Não como a hiena. Como Marta. Vou rodar a baiana, podem crer!
Gostaria de saber se os outros 6 indiciados também serão chamados...


Apesar das tentativas de desonra a gente envelhece sem puxar o saco dos poderososo, sem bater nas costas de colegas ... e dando aulas, sem esconder aquilo que é sempre visível.



O dia está frio. Muito frio e um quentinho da vida permanece... As vezes, em forma de fogaréu!

No congresso, no senado, nas universidades, nas ruas...Braziuuuu!

SEM COMENTÁRIOS... por Roberto Romano aqui


Ex-reitor da UnB é acusado de participar de desvio de R$ 2,1 milhões
Esquema foi descoberto em 2008, quando foi revelada uma suntuosa reforma feita no apartamento no qual Timothy Mulholland residia na época
02 de agosto de 2011

Mariângela Gallucci, da Agência Estado
BRASÍLIA - Procuradores da República no Distrito Federal (DF) acusam o ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB) Timothy Mulholland de envolvimento em um esquema de desvio de R$ 2,1 milhões da instituição. Numa ação protocolada em julho na Justiça Federal de Brasília, os integrantes do Ministério Público Federal (MPF) afirmam que o ex-reitor e outras dez pessoas praticaram ato de improbidade administrativa.

Veja também:
RELEMBRE: Mulholland deixou reitoria da UnB após protesto dos estudantes


Os procuradores querem que o grupo seja condenado ao ressarcimento dos supostos valores desviados, à perda de eventuais funções públicas, à suspensão de direitos políticos e à proibição de contratação com o poder público.

De acordo com a acusação, o suposto esquema tinha como comandantes Timothy Mulholland e o ex-diretor da editora da UnB Alexandre Limao. Num primeiro momento, contratos e convênios eram firmados sem amparo em lei, segundo os procuradores. Depois, eles eram geridos como projetos cuja execução era subcontratada total ou parcialmente por fundações privadas de apoio.

Segundo os procuradores, isso permitia a transferência do controle da gestão para uma estrutura paralela, coordenada por Alexandre Lima, que movimentava os recursos de acordo com interesses do então reitor da universidade.

Postado por Roberto Romano às 16:53


Roque

Honra!



Samudaripen – o massacre dos ciganos

por Joana Lopes, Blog Portugal, Entre as brumas da memória aqui


Contributo de Jorge Pires da Conceição.


Thorbjørn Jagland, Secretário Geral do Conselho da Europa, fez ontem um apelo aos Europeus para honrarem a memória dos ciganos mortos pelo regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial, comprometendo-se a construir um futuro melhor para as gerações vindouras.


Este apelo surgiu na véspera de uma data fatídica para o Povo Cigano (os Roms ou Roma, de Romani), a noite de 2 para 3 de Agosto de 1944, em que muitos milhares ou dezenas de milhar de ciganos foram massacrados no Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau.


Calcula-se que, entre 1939 e 1945, mais de 500.000 ciganos tenham sido mortos pela Alemanha e seus aliados. Há estimativas que apontam para cerca de 680.000 mortos. Havendo mesmo quem quantifique em 1.500.000, embora tal número possa ser excessivo, atendendo a que outra estimativa indicava que a população Rom antes da II Guerra deveria rondar um milhão de pessoas. De qualquer modo são números que caracterizam tal mortandade como um Genocídio - o Samudaripen (ou Pharrajimos, ou Porajmos ou Porrajmos), palavra(s) usada(s) para mencionar o genocídio dos ciganos à mão do regime nazi.


Genocídio que em nada difere daquele que os nazis efectuaram sobre o povo judaico, como se pode constatar por algumas declarações:


Commander of Einsatzgruppe D, Otto Ohlendorf said at the Nuremberg trials : " There was no difference between the Gypsies and the Jews. At that time, the same order applied for Both. "

“It was the wish of the all-powerful Reichsfhhrer Adolf Hitler to have the Gypsies disappear from the face of the earth” (SS Officer Percy Broad, Auschwitz Political Division).

“The motives invoked to justify the death of the Gypsies were the same as those ordering the murder of the Jews, and the methods employed for the one were identical with those employed for the other” (Miriam Novitch, Ghetto Fighters’ House, Israel).

“The genocide of the Sinti and Roma was carried out from the same motive of racial mania, with the same premeditation, with the same wish for the systematic and total extermination as the genocide of the Jews. Complete families from the very young to the very old were systematically murdered within the entire sphere of influence of the National Socialists” (Roman Herzog, Federal President of Germany, 16 March 1997).


A repressão sobre os ciganos, porém, não acabou com o fim da Guerra. Em França, os ciganos (que nunca chegaram a ser deportados daqui) continuaram internados até 1946 em campos de reeducação (para serem “socializados” e “sedentarizados”…). Na Alemanha, mantiveram-se todas as medidas que haviam sido tomadas contra eles antes de 1943 e só em 1982 o chanceler alemão Helmut Köhl reconheceu formalmente o genocídio dos Ciganos.


Por isso Thorbjørn Jagland, no seu apelo a todos os Europeus, além de repetir a conhecida frase «Para que nunca mais!», exorta-nos com estas palavras: «Nós devemos criar medidas legislativas para lutar contra a discriminação e promover a integração dos Roms na Sociedade. Conhecer melhor a cultura e a história deste povo, e particularmente os aspectos mais sombrios da perseguição aos Roms, ajuda a criar uma oposição aos preconceitos e à intolerância. O Conselho da Europa quer preservar a memória pelo ensino do Samudaripen nas escolas, paralelamente com outros esforços de promoção da tolerância e da imparcialidade para com os Roms, em todos os países."

Solidariedade aos noruegueses



2.8.11
Solidariedade com a Noruega


por Joana Lopes, Blog Portugal, Entre as brumas da memória aqui

Acaba de ser lançada uma petição de solidariedade com as vítimas dos atentados na Noruega, promovida por várias organizações (lista no fim do texto), que está disponível AQUI para recolha de assinaturas individuais.

Será dado conhecimento da iniciativa a várias organizações sociais norueguesas.


Acompanhámos, num misto de choque, fúria e profunda tristeza, o horror que aconteceu em Oslo e Utoya no dia 22 de Julho. Antes de mais, pensamos, obviamente, nas vítimas, famílias, amigos e camaradas. Aceitem as nossas mais sentidas condolências e solidariedade.


Enquanto activistas de diferentes movimentos sociais e políticos portugueses, estendemos as nossas condolências à Liga dos Jovens Trabalhistas e também ao povo norueguês. E ainda a todos aqueles que, como nós, na Europa e no resto do mundo, compreendem a ameaça representada por ideologias racistas, xenófobas e fascistas, sobretudo quando encontram eco nos discursos e crenças políticas que nos entram pelas casas dentro todos os dias.


Quando se vota no ódio e na exclusão, quando líderes políticos põem em causa os valores do multiculturalismo, quando as minorias são transformadas em bodes expiatórios para os erros de sistemas políticos que promovem a exclusão e a discriminação, o ódio passa a ser aceite na política. E as armas precisarão sempre do ódio como munição.


Podia ter sido qualquer um de nós. Por isso, a maior homenagem que podemos prestar a todos os que morreram, ficaram feridos ou perderam entes queridos é o nosso compromisso com a luta pelo respeito, diversidade, justiça e paz e por uma sociedade verdadeiramente democrática e inclusiva. Responderemos com mais democracia.


Artigo 21.º * Associação 25 de Abril * Associação Abril * Associação República e Laicidade * ATTAC Portugal * Bloco de Esquerda * Convergência e Alternativa * Crioulidades - Arte e Cultura na Diáspora * Fartos/as d'Estes Recibos Verdes * M12M * Movimento Escola Pública * Não Apaguem a Memória * Opus Gay * Panteras Rosa * PES Portugal * Portugal Uncut * Precários Inflexíveis * Rainbow Rose Portugal * Renovação Comunista * Sindicato dos Professores da Grande Lisboa * União de Mulheres Alternativa e Resistência * Vidas Alternativas


P.S. – Peço aos bloggers que por aqui passarem que ajudem a divulgar esta iniciativa nos seus blogues.

Democracia!

DEMOCRACIA E TOTALITARISMOS por Joana Lopes, Blog Entre as brumas da memória aqui

O drama norueguês veio acordar os europeus para a terrível realidade do crescimento da extrema-direita, em vários países, e chovem todos os dias notícias sobre factos cada vez mais inquietantes.


Na semana passada, o jornal Der Spiegel relatou o que se passa na Alemanha, em escolas e em campos de férias, onde se educam crianças e jovens na glorificação de Hitler, do Terceiro Reich e dos seus princípios, por vontade de milhares de famílias. Vale a pena ler a notícia com atenção.


Mas o que é no mínimo discutível, e também inquietante, é a possível decisão de o governo alemão retirar essas crianças às famílias. Na sua crónica de hoje, Manuel António Pina exprime exactamente a minha reacção quando li a notícia:


«Não posso deixar de pensar que tirar os filhos aos pais e pô-los sob tutela do Estado seria o que fariam (e fizeram) os nazis e de me interrogar se, como no sermão de Niemoller, a seguir aos filhos dos nazis não viriam os dos comunistas, depois os dos muçulmanos, depois os dos ateus, e por aí fora. Julgo que existem razões para temermos pelo sistema democrático quando as democracias cedem à tentação totalitária para se defenderem. Como disse o primeiro-ministro norueguês quando dos atentados de Oslo e Utoya, a resposta das democracias contra os demónios totalitários só pode ser mais democracia.»


Repita-se mil vezes, se necessário for: só de defende a democracia com mais democracia.

Dont smile....



Logo pelo fresquinho da manhã, não uma mas duas pérolas por JOANA LOPES, Portugal, Blog Entre as brumas da memópria AQUI


… nesta entrevista de Rodrigo Moita de Deus ao «i»:


«Não há nenhum país monárquico que tenha pedido ajuda ao FMI. Todos os países que recorreram à ajuda financeira são repúblicas.» (*)


«[Os políticos] estão cada vez mais sexy. (…) Uma grande diferença entre os políticos de esquerda e os políticos de direita diz respeito ao guarda-roupa e a essa capacidade de transmitir a sexualidade. A direita costuma ser melhor nessas coisas.»


Sinto-me parva porque conheço dezenas de pessoas da idade do entrevistado, mas nenhuma capaz de dizer coisas destas. Como é que a direita «transmite sexualidade»? De gravata?


(*) Alguém me recordou hoje que a Suazilândia é uma monarquia e anda às voltas com o FMI, mas isso é reino de pretos e fica muito lá muito para baixo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Direita, volver!



Na Universidade Estadual de Maringá, o CAD, Conselho de Administração faz uma proposta que dá o que pensar: é o aumento da carga horária para TODOS OS PROFESSORES (TIDE, TIDE TEMPORÁRIO E T-40) QUE NÃO ATUAM nos cursos de pós-graduação.

Ou seja, o petit comitê da intelligensia universitária maringaense faz aquilo que a direita conservadora e autoritária sempre faz em nome da divisão de classes e do trabalho. Divide os professores em: a) aqueles que dão aulas na graduação e levarão a carga de burro nas costas com muitas turmas, várias ementas e b) aqueles que dão aulas no pós-graduação e terão mais tempo para pesquisar, dar aulas para pequenas turmas (sim as turmas de pós são bem menores que as da graduação), publicar, ir aos eventos. TODOS os professores são desiguais para o CAD. Temos que levar em conta que os nossos representantes no CAD trabalham em pós-graduação. E dá lei feita para si próprios. Dou aulas em pós-graduação, mas não vou legislar em nome próprio. A divisão de trabalho manual (os que ficam na graduação) e intelectual (os que ficam no pós) mostra como estamos ficando APOLÍTICOS na universidade. É a fogueira das vaidades, a soberba de brejo e a violência. Fogueira das vaidades porque torna os professores que trabalham em pós-graduação um símbolo com mais capital, soberba de brejo porque busca a política fácil, a política de Universidade de periferia que quer ser Unicamp ou USP, e violência porque sufoca a vida intelectual dos professores que não dão aulas na pós ou porque ainda não podem ou porque NÃO QUEREM IR PARA A OPERAÇÃO OBAN das Universidades, onde a CAPES e CNPq falam mais alto do que os conselhos ou o reitor. É uma DESONRA. UM DESENCANTO. UM ENGODO.


Minha posição: a destituição do menor conselho da UEM ( e mais poderoso) e que toda decisão seja do CONSELHO UNIVERSITÁRIO!

O veneno está na mesa...



Recebi da Dominique e repasso.


Segue os links do filme "O veneno esta na mesa" do cineasta Silvio Tendler.
Documentário denuncia a problemática causada pelos agrotóxicos, e faz parte de um conjunto de materiais elaborados pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

Parte - 1 http://www.youtube.com/watch?v=WYUn7Q5cpJ8&NR=1














Divulguem.

A reprodução e multiplicação é livre. Copiem, multipliquem, distribuam nas escolas, sindicatos, igrejas, etc.

Desonra





Corrupção, desonra...

Somália....














E a Somália? por Joana Lopes, Portugal, Blog Entre as brumas da memória aqui



Noruega? O horror, sem dúvida. Aqui perto, com europeus como nós, num país rico, o inesperado que faz correr milhões de caracteres em jornais, blogues e redes sociais. Nada contra, (quase) tudo a favor.


Mas será que isso justifica a aparente indiferença perante os ecos que nos chegam de uma tragédia mil vezes maior, num país martirizado como a Somália? O que vamos sabendo passou a trivial?


– 12 milhões de pessoas ameaçadas pela fome.
– 3,7 milhões vítimas da seca, das quais 2,2 milhões ainda não receberam ajuda.
– 18.000 crianças malnutridas (em breve, serão 25.000), das quais 50 morrem por dia.

Ler: ACNUR: "Lo que hacemos en Somalia no es suficiente".

Desonra, de J. M. Coetzee






Li no sábado DESONRA, de J. M. Coetzee. É o segundo livro dele que leio nesse mês. Aguardo outros pelo correio. DESONRA, DISGRACE em inglês .. é a história de David Lurie, cínico professor de literatura em uma Universidade da cidade do Cabo, África do Sul. Um caso amoroso com uma aluna impõe-lhe a demissão. Sai da Cidade do Porto e migra para a Cidade de Leste onde vive sua filha Lucy. Lucy, hippie, adepta da agricultura orgânica, homossexual, cuida de cães, gatos ... É ajudada pór Petrus, um negro que cuida de cachorros. Um dia, os dois, pai e filha, são atacados por três rapazes negros. Lucy é estuprada e engravida. Lurie quer que ela vá embora da África. Ela se recusa. Quer ficar na África. Aceitou sua desgraça? Não sei. Não sabemos. Parece não ter saída. Muito pó, aridez de solo e de vida, cães marchando para o nada... homens marchando para ganhar algum sentido na vida. Lurie e Lucy, duas desonras. Africanos sem nada. Mais desonras. Desonras humanas. Desonras dos animais. Cães afáveis, doentes ou sãos ... são sacrificados. Não há lugar para eles, nem comida.

Coetzee apresenta um livro seco e rude. Tal como a África do apartheid. Terminei a leitura e ainda estou nessa África.

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