TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Un amigo de verdad ...

Andreas Doeswijk No Parque de La Plata
Estátua de Gardel. Andreas morou 4 anos em La Plata e sempre pensou que esta escultura era de santos Dumont. Esse é o Andreas.

Andreas e mi hija aem trem para La Plata


Restaurante universitário que foi fechado durante a ditadura argentina para que os estudantes não se encontrassem mais. Hoje o prédio abriga a facultad de ondontologia.



Essa é a réplica do dinossauro argentino. Nome: gigantossauro caroliniis. Encontrado no sul da Argentina. Segundo Andreas no EUA encontraram 5 dinossauros. Na Argentina, um. Mas esse dino argentino é maior do que os 5 dos EUA e era um bebê... ah, ahahahahah





Entrada do Museo de Historia Natural




Casa desenhada por Le Corbusier, 1949. Foto Máite, hija de Andreas.






Entrada de la Constituicion. Beunos Aires. Donde saem os trens.


Ontem, um dos dias mais felizes aqui em Buenos Aires. Reencontrei meu amigo Andreas Doeswijk, que não via a alguns anos. Andreas foi professor na Universidade em que trabalho. Historiador. Excelente professor. Dono de um humor sarcástico, de um humor que faz broma de si mesmo. Ao lado desse humor negro, Andreas é querido, delicado e me gusta ouvir as histórias que conta desse país que ele adotou pequeno quando seu pai, holândes, veio morar em Los Toldos. Chamamos Andreas de holândes voador. Já morou em vários países, trabalhou em vários empregos antes de estudar História/Ciências Sociais e se tornar um professor muito decente. Quando no Brasil Andreas, viajou a muitos lugares para conhecer e entrevistar pessoas comuns e compreender a história do Brasil. Foi para Canudos, do Antonio Conselheiro, em uma de suas férias. Com sua máquina fotográfica e um caderno para desenhar e anotar dados da região ficou um tempo sensivelmente capturando a atmosfera de Canudos. Pois esse Andreas me levou a La Plata de trem. Um trem que vai de Buenos Aires a La plata, capital da província de Buenos Aires. O governador de La Plata é Dualhde, ex-presidente da república, antes de Nestor Kirchner. São 60 Km de Buenos Aires até Las Plata. Passamos por cidades pequenas Quilmes (antes um lugar para onde os espanhóis levaram indígenas da região norte da Argentina e estes nunca foram domados; eram muito valentes), Avezaneda, Sarandi, Dom Bosco, Andén, W. Hudson e outras. Duas horas de trem entre paraguaios, bolivianos, ninõs, jovenes, adultos que imigram à Argentina e encontram uma atmosfera xenófoba (os uruguaios não sofrem desse mal como os outros povos). Reconhecemos paraguaios e outros pelo som do castelhano e pelas comidas que vendem dentro do trem. Entram e saem também músicos, vendedores de meias, chocolates, chicletes. Uma outra Argentina. Sinto-me bem nesses lugares. Respira-se vida mesmo quando ela é escassa economica e socialmente. Vida de pessoas comuns. O transporte público na Argentina é muito barato. É subdisiado pelo Estado. Ônibus: ARG $1 (um peso, 0,50 no dinheiro Brasil). Subte: metrô: ARG$1,10 (um peso com dez centavos). Trem para La Plata: ARG $4,00 (quatro pesos, dois reais no Brasil). ATENÇÃO PREFEITO DE MARINGÁ: AQUI TRABALHADORES PODEM ANDAR DE BUS, METRÔ E TREM. Os trens foram privatizados pelo lastimável Menen. Empresas espanholas compraram os trens e , é claro, abandonaram muitas estações. Sobrou algo razoável para as pessoas comuns.
Em la Plata Duahlde terminou as torres da catedral. Tem os olhos voltados para o retorno político em Buenos Aires. Prefeitura, faculdades, casa do bispo e de políticos foram arquitonicamente desenhadas em estilo clássico italiano ou espanhol. UMA SUPRESA: no meio dessas casas clássicas há uma casa desenhada por Le Corbusier em 1949. Fomos ao Museo de História Natural. Fundado em 1884, por Francisco Pascasio Moreno, cientista que estudava geologia, história natural e as condições de solo, paleontologia da Argentina, esse museo chegou a ser um dos dez do mundo; agora é um museu com menos destaque. Vale a pena ver.




Depois dessa viagem afetiva e cultural, penso os circuitos da Argentina, Buenos Aires assim:
Há uma Buenos Aires herdeira da oligarquia. Recoleta (onde estou) e arredores. Nessa Buenos Aires há um ar europeu. São ruas limpas, clássicos cafés, doces perfeitos. Librerias. Muitas. A vida começa depois das 10 da manhã. Há uma Buenos Aires lúmpem que vemos em La Boca. Um bairro arruinado ainda com traços históricos interessantes. A vida não começa, ela não pára. Há uma Buenos Aires tipo Miami. Na minha nada modesta opinião ela está na Calle Florida (olhe o nome, Flórida). É uma região de compras de casacos de couro e lãs, outlets (bota fora de mercadorias, no Brasil) de marcas como calvin klein e outras desse tipo. Perfumes Givenchy (muito forte para minha células cerebrais delicadas). Na região há também lojas como as que temos em São Paulo, no Brás. Os brasileiros enlouquecem nessa Miami buenosairense. Uma feira de paraguaios, bolivianos e argentinos e suas artesanias distoa da corrida às compras. Há os bairros de classe média como Palermo e seu Soho argentino. Há San Telmo. Não andei muito por lá. Há o Constituicón onde pegamos os trens. Há, aí, uma Argentina que não vi em nenhum outro lugar nem li nos manuais de turismo. O prédio da Constituicion é belo, muito lindo. Embaixo de seus tetos amplos e desenhados caminham pessoas comuns em busca da sobrevivência. Cães são tolerados em lugares públicos. São acolhidos. Isso me deu uma felicidade. Os cães não são mortos ou mutilados como vejo em muitos lugares do Brasil, inclusive em Universidades (exceção feliz para a Universidade Federal de Santa Catarina onde os cães são acolhidos e têm nomes interessantes; os da matemática são Pitágoras, Cantor etc). Voltando para casa ontem a noite depois de um dia com Andreas, de subte/metrô, vimos espetáculos de gente comum. Nos trens todos cantam, tocam e depois passam suyos gorros. No Brasil se fizessem isso no metrô de São Paulo, seriam rechaçados.
Ah, ontem de manhã, andei de taxi com uma motorista mulher muito politizada. Buenos Aires tem 38 mil táxis e 500 mulheres motoristas.
Por fim, a amizade de Andreas, apesar da distância, é um laço de afeto que me faz ver, sempre, que lhe encontro, que a vida vale a pena ser vivida.

2 comentários:

Leonardo Ferrari disse...

Querida Marta, lendo teu blog me veio de repente a linda diferença que Paul Bowles estabeleceu em "O Céu que nos Protege" entre o viajante e o turista. Enquanto o turista corre, de um lugar para outro e dali para casa, o viajante vaga, à deriva, devagar, ao léu, sem querer chegar no já sabido, já visto, já conhecido. O viajante é um estranho em terra estranha - daí seu fascínio, seu desbravar amoroso pelo estrangeiro da nossa condição. Um grande abraço, Ferrari.

JOSÉ ROBERTO BALESTRA disse...

Marta, fico muito feliz em saber que você e sua querida família estão se deliciando com as novidades da vida, e sobretudo com o encontro com o velho amigo. Afinal, tenho pra mim que encontrar um amigo em terra distante é uma das coisas mais prazerosas que se pode ter neste Plano tão materialista. Bjs a todos.

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