TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Tunga do Estado ... no povo! Eita, cambada!


Do Blog do Roberto Romano
Charge: Roque Sponholz

No Congresso em Foco...a tunga perene do Estado, contra os cidadãos.
27/10/2009 - 23h18
Câmara: comissão especial aprova PEC dos Precatórios
Fábio GóisCom rejeição de destaques, a Câmara aprovou na noite desta terça-feira (27) o texto principal da chamada PEC dos Precatórios, que em suma reduz de 60% para a 50% a parte da conta especial que pode ser reservada aos leilões desse tipo de título. A Proposta de Emenda à Constituição 351/09, relatada pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estabelece que os outros 50% da conta devem ser aplicados no pagamento de precatório de acordo com a ordem cronológica de apresentação, obrigatoriamente, e com prioridade para créditos de natureza alimentícia (salários, pensões e benefícios previdenciários). A matéria ainda terá de ser aprovada em dois turnos no penário da Casa, e só entra em vigor depois de promulgada em sessão do Congresso.
De acordo com o texto aprovado em dois turnos pelo Senado, em 1º de abril, tal preferência era concedida apenas para pessoas idosas, sem distinção de natureza especial. A proposição aprovada hoje pelos deputados garante a primazia principalmente aos titulares idosos com ao menos 60 anos de idade, ou àqueles que sofrem de alguma doença grave.Com a aprovação da PEC, fica também definido um mecanismo de deságio segundo o qual receberá antes o valor de direito o credor que aceitar uma taxa de desconto maior do que o que ele receberia normalmente. A modalidade, no entanto, não vale para créditos alimentícios ou aqueles considerados de pouco valor.Na defesa desse critério, o relator alegou que já existe "mercado paralelo" no pagamento dos precatórios, e que seria injusto impedir que o desconto praticado na informalidade das ruas reduzisse o "endividamento público". "Se essa fosse a única possibilidade de pagamento, seria ruim, mas ninguém será obrigado a optar por receber seu pagamento com deságio", disse Eduardo, segundo a Agência Câmara.Os entes federativos (estados, municípios e Distrito Federal) terão critérios diferentes quanto aos recursos para pagamento de precatórios. O montante disponível para cada entidade devedora será definido de acordo com o tamanho do estoque de títulos e a receita corrente líquida (RCL).
No caso dos Estados e do Distrito Federal, o percentual de receita destinado ao custeio dessa conta será de: no mínimo 1,5% para os estados das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, além do DF, ou cujo estoque de precatórios pendentes das suas administrações direta e indireta corresponder até a 35% da RCL; no mínimo 2% para os estados das regiões Sul e Sudeste cujo estoque de precatórios pendentes corresponda a mais de 35% da RCL.
Já para municípios, o percentual de receita será de: no mínimo 1% para municípios das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, ou cujo estoque de precatórios pendentes corresponder a até 35% da RCL; no mínimo 1,5% para municípios das regiões Sul e Sudeste, cujo estoque de precatórios corresponder a mais de 35% da RCL."PEC do Calote" Polêmica, a matéria tramitou por cerca de três anos no Senado, tendo sido apresentada pelo então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no início de 2006 (leia). Em trâmite no Congresso, recebeu forte rejeição de entidades representativas como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que em maio deste ano entregaram ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), um manifesto contra sua aprovação.O presidente da OAB, Cesar Brito, é um dos principais críticos da proposição. Em 1º de outubro, o advogado disse ao Congresso em Foco que a PEC é "eivada de vícios" e "afronta a Constituição cidadã". "Ela expressamente diz que o governador pode tudo, o prefeito pode tudo e, se o cidadão buscar o Judiciário para reparar a lesão e ver nascer seus direitos, levará 50, 70, 80, 90 anos para ter o ressarcimento. Isso é dar uma carta branca para o abuso do estado”, disse. Leia: Cezar Britto: “PEC do Calote” é o pior golpe depois da ditadura
01/10/2009 - 18h04
Cezar Britto: “PEC do Calote” é o pior golpe depois da ditadura
Fábio GóisO presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, voltou a fazer firmes críticas à chamada PEC dos Precatórios. A matéria estabelece, entre outros pontos, a execução do pagamento de precatórios apenas na ordem cronológica de apresentação, e com observância aos percentuais anuais referentes às recentes correntes líquidas de cada ente da Federação.
Segundo Britto, que compareceu ao Senado nesta quinta-feira (1º), a proposta chegou à Câmara “eivada de vícios”. “A PEC do Calote, para mim, é o maior ataque à democracia depois da ditadura militar, porque ela expressamente diz que o governador pode tudo, o prefeito pode tudo e, se o cidadão buscar o Judiciário para reparar a lesão e ver nascer seus direitos, levará 50, 70, 80, 90 anos para ter o ressarcimento. Isso é dar uma carta branca para o abuso do estado”, disse o advogado ao Congresso em Foco.
Aprovada no Senado em 1º de abril, a Proposta de Emenda à Constituição 12/06 espera votação no plenário da Câmara, onde recebeu alterações na Comissão de Constituição e Justiça.
Britto disse que a proposição “afronta a Constituição Cidadã”, uma vez que esta não tem ênfase no poder do Estado. “Outra grave aberração da PEC é que ela cria um sistema de leilão, ou seja, vai-se leiloar a sentença judicial, em que o comprador, que é o Estado, é que causou a dor. Ele vai ditar o preço do que o outro vai dispor, e todo mundo vai ter de ceder direitos seus para não ter de esperar o resultado por décadas”, criticou. “O leilão em que o preço vai ser pautado pelo tamanho da fome e da necessidade dos cidadãos.”
Para Britto, a proposta guarda semelhanças com outra recentemente aprovada no que diz respeito ao viés eleitoreiro “Essa PEC do Calote tem uma relação com a própria PEC dos Vereadores [aprovada no último dia 22], que é querer agradar a base eleitoral. E, quando se quer agradar a base eleitoral, não se preocupa muito com a base constitucional”, acrescentou.
A matéria recebeu substitutivo no Senado com a definição da ordem cronológica dos pagamentos, com exceções: terão prioridade os débitos referentes a alimentação (com origem em salários, proventos, vencimentos, pensões, indenizações por morte ou invalidez e benefícios previdenciários). Titulares de precatórios com mais de 60 anos de idade também terão a preferência.Atualmente, as dívidas não quitadas pelos entes – União, estados, municípios e Distrito Federal – acumulam cerca de R$ 70 bilhões.

Saudade

João Bosco, Rancho da Goiabada

.... é goiabada Cascão...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Será?


Eles se dizem...


Vejam a resenha de 1982 no Blog do Professor Roberto Romano
Por Roberto Romano
Qual a razão de trazer à tona uma resenha feita em 1982?

É para mostrar aos sandeus do petismo, sobretudo aos que nasceram depois daquela data (estes se prestam ao ridículo quando defendem ou atacam intelectuais de quem nada sabem, porque...nada sabem) que nem sempre o "outro lado" é composto de seres iguais a eles, ou seja, de apedeutas. Quando vejo, na internet ou em revistas "acadêmicas", críticas dirigidas à minha pessoa PORQUE não aceito os enunciados em voga e discordo dos que os enunciam, sobretudo quando eles se juntam em grupos de poder que usam nomes que hoje circulam nas rodas palacianas, tenho vontade de rir. Quanto à autora da resenha, basta uma pequena inspeção nos blogs dos fanáticos petistas e próximos, para notar que meu nome é enxovalhado por erguer críticas aos seus textos e procedimentos. Alguns chegam a discutir "pedigree" de origem acadêmica, tentando desqualificar este que escreve. Basta ler o que a autora adianta sobre meu livro, aliás posto fora de circulação pelos seus auxiliares nas editoras ("Esgotado", eis a fórmula eficaz para deter a carreira de um livro) para que os seus admiradores tivessem alguma prudência com as pedradas que remetem contra mim. Não preciso que autor algum diga se tenho competência, ou não. Mas é difícil para os militantes, que mordem e não pensam, dizer que meu trabalho é insignificante (teve um, mais idiota dos que os demais, que exclamou num blog da Nonemklatura petista: "ele SE DIZ professor de filosofia na Unicamp"). Nada como viver no sertão, desconhecendo quem é quem nas grandes urbes...A resenha, portanto, apresenta aos apedeutas aliados que não leram nada que seja substancial em filosofia, ou em qualquer outro setor da pesquisa, a advertência de Spinoza: CAUTE. RR

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Comentário:

... esta frase "Ele se diz professor da Unicamp", revela a tremenda inveja e raiva, ressentimento... do povo citado (sic) contra os intelectuais.
klimt

Eu vou dormir assim...


Passei a tarde assim...


Hoje eu levantei assim...


Toni Frissel

Só podia ser na Má-ringa!

Imagem: Fotografia de Elliot Erwitt
Um fantasma atormenta Zebrão do Blog do Angelo RIGON, da -ringa
Já dissemos algumas vezes que há um fantasma escondido na câmara de Maringá. Trata-se da Lei Macieira oriunda do PL 11.219/2009, que foi aprovada contra a vontade esmagadora da população e até um movimento do Observatório Social. Logo após houve uma pressão para o prefeito a vetasse, ele não o fez e devolveu para o Legislativo e caberia ao presidente promulgá-la. Hossokawa, salvo engano, não o fez e caberia ao 1º vice, Zebrão, conforme o artigo 24 - II, cujo texto é o seguinte: "Compete ao 1º vice-presidente... II - promulgar e fazer publicar, obrigatoriamente, as leis, quando o prefeito e o presidente da câmara, sucessivamente, deixarem de fazê-lo, sob pena de perda do cargo da Mesa". O grande problema é que depois foi sancionada a Lei Sabóia, sem nenhum referência à Lei Macieira, enfim é um embrólio que precisa ser consertado. Akino Maringá, colaborador

Salve, Sponholz!







Um recado Roque:
Meu computador foi detonado por um relâmpago. Além disso, este trabalho...
Dias 5 e 6 de dezembro vou praí!



De volta...


Desde do dia 20/10 estou em uma maratona. Quem ganhará? Eu ou o trabalho? Gosto da frase do Vianinha: o trabalho enobrece ... o nobre. Uma assustadora onda de produtivismo em universidades faz desaparecer a noção social e dá lugar aos narcisos dos conselhos de pesquisa. Os alunos são ensinados a competir. Publiquem mais! Mas, a falta de experiência na escrita, na leitura... a falta da tradição do diálogo. Do bom debate. Dos bons encontros ... faz água na nossa vida. Enfim, estou cansada. Tento modificar o cenário.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ufa!


Uau!



NA MÁMA-RINGA, Do Angelo Rigon
ONDE O MENOS ESPERTO NÃO CORRE, VOA!
Desconhecimento do Regimento Interno
Na sessão de hoje ficou patente que alguns membros das comissões permanentes da Câmara Municipal de Maringá desconhecem o artigo 64 do Regimento Interno. Numa discussão entre Zebrão e Evandro, este foi acusado de dar parecer favorável a determinado projeto e votar contra. Evandro justificou que não só assinou porque foi voto vencido, no que foi corrigido por John. Ficamos sabendo que W. Andrade deu parecer favorável ao projeto da transparência, de Humberto Henrique, e em plenário votou contra. Absurdo. Reitero minha opinião que é preciso uma revisão da forma de apresentação dos pareceres e que eles sejam distribuídos a todos os vereadores junto com a entrega da pauta. Não é legal que o vereador vote sem saber o que está votando. O parágrafo primeiro do artigo 63 só faz faz sentido se os pareceres forem entregues aos vereadores, lidos e analisados antes das votações.Votar é mais que apertar um botão. Akino Maringá, colaborador
É bom para você, amor?
Ética na política, a gente vê por aqui por Messias Mendes
“As posições no partido estão distribuídas na proporção das pesquisas de intenções de votos.Temos adeptos de todas as possibilidades. Podemos conversar com o Pessuti, com o Beto, com o Osmar”. Palavras do deputado Ricardo Barros, presidente estadual do PP Vejam só: o PP está aí pra negociar com todo mundo. Seu presidente deixou claro que o “balcão de negócios” está instalado, quem chegar e der mais, leva. Nessa, quem dança é Osmar Dias e o PT, que tanto tem afagado Ricardo Barros. Lembremos que Osmar Dias entregou as articulações de sua candidatura ao deputado maringaense, que ao perceber que não terá mais como Osmar voar em céu de brigadeiro , decidiu recolher o trem de pouso. Agora, ele se insinua para as demais candidaturas, inclusive a de Pessuti, do PMDB, que tem por Ricardo a mesma simpatia que Ciro tem por Serra.
Crítica/"O Terceiro Ausente - Ensaios e Discursos sobre a Paz e a Guerra
"Bobbio vê a guerra com prudência
Reunião de ensaios de filósofo italiano que chega ao Brasil não se pauta pelo encantamento nem pelo falso idealismo
ROBERTO ROMANO
ESPECIAL PARA A FOLHA
A guerra é fato tremendo lamentado por Empédocles de Agrigento, Erasmo de Roterdã, Gandhi, Einstein. Várias outras fontes de luz ética tentaram atenuar aquele traço, talvez essencial no ser humano. Se em todas as fórmulas da Justiça devemos buscar dois elementos básicos, o fato e o direito, na carnificina bélica o primeiro ponto é indiscutível. O segundo atormenta juristas e filósofos.
Norberto Bobbio alcança estatuto universal ao pensar a guerra e a paz com prudência, sem preconceitos pacifistas ou apologia dos canhões.
A guerra é necessária? Sem um pacto entre os indivíduos, ação que instaura o Estado, ela é inelutável porque natural. A tese de Hobbes serve, ao longo das reflexões de Bobbio, como base para saber até onde a ordem política pode ser efetiva.
A resposta do mestre italiano é cheia de matizes, como em todas as demais questões por ele analisadas. Entre o fato bruto (natural) da força física monopolizada pela máquina do Estado e o direito, é preciso cautela para não cair nas ilusões da sonhada paz perpétua.
Nas lições sobre a "Filosofia do Direito", Hegel afirma que, para garantir a soberania do Estado, os indivíduos devem sacrificar seus bens e suas vidas, opiniões e tudo o que integra a sua existência na defesa do coletivo ao qual pertencem: a guerra evoca "um poder natural" comparada ao direito superior que o gênero possui diante dos indivíduos. O Estado é o correlato da "natureza" ou de "uma natureza da vontade".
Esse juízo tem origem hobbesiana. Os Estados estão entre si numa relação própria à luta de todos contra todos. Entes artificiais, os Estados não encontram artífices cosmopolitas para fabricar um superestado máquina para lhes manter limites "razoáveis". Hegel amplia a tese de Hobbes: guerras ocorrem por qualquer motivo, vingança ou vantagem, não é possível julgá-las pelo justo ou injusto.
Elas também significam explosões de vitalidade, como nas hordas bárbaras contra os romanos, fortes externamente mas apodrecidos na vida civil.
Esse é o núcleo de todos os conflitos. "Muitas guerras surgem porque os homens se entediam na paz" ou porque a política deslancha para o exterior o impulso (Trieb) do agir que, de outro modo, voltar-se-ia para o interior do país.
Na "Filosofia da História", Hegel indica uma ausência: não existe entre o Estado e os cidadãos, entre ele e os demais Estados, um juiz imparcial, justo, honesto. A diplomacia, além de prolongar a guerra por outros meios, se caracteriza (para usar a frase de A. Kojève) como "o reino dos ladrões roubados".
É a semelhante problema que Norberto Bobbio dedica "O Terceiro Ausente". O elo que falta, basta ter lido Hobbes e Hegel, é o juiz do universo.
Antes da Segunda Guerra Mundial, a Sociedade das Nações não desempenha tal mister, pois ela representa apenas os que derrotaram a Alemanha.
Daquela ausência brotam os nacionalismos doentios, os desejos de vingança que semeiam os totalitarismos em terreno alemão e italiano. Após a derrota do Eixo, surgem as Nações Unidas. Estas, dificilmente podem ser identificadas ao juiz supremo e imparcial sonhado pelos beatos pacifistas.
Diz Bobbio em página central da coletânea: "O reconhecimento de veto a algumas grandes potências já é por si só a demonstração de que as Nações Unidas, embora tendo dado um passo adiante além da Sociedade das Nações, além da pura e simples associação de Estados, não deram origem a um superestado, vale dizer, àquela forma de convivência cujas características fundamentais são o poder soberano, que consiste no direito de não reconhecer nenhuma potência superior (pode reconhecer como iguais, mas não como superiores), e o monopólio da força legítima". Frases mais claras e distintas, realistas em sentido nobre, impossível.
Quem deseja conversar com um sábio sobre assuntos essenciais escute as ponderações do autor no presente livro. Da leitura não brota felicidade nem encantamento nem idealismo hipócrita. As páginas em foco propiciam sólidos conceitos sobre o ente humano, perene misto de brilho espiritual e bestialidade. O volume, bem preparado pelo Centro de Estudos Norberto Bobbio, uma excelente instituição brasileira, tem profunda introdução de Celso Lafer, grande conhecedor, na prática e na teoria, das espinhosas armadilhas espalhadas no solo minado da ordem (ou desordem) internacional.
ROBERTO ROMANO é filósofo e professor titular de ética e filosofia política na Unicamp
O TERCEIRO AUSENTE - ENSAIOS E DISCURSOS SOBRE A PAZ E A GUERRA Autor: Norberto BobbioTradução: Daniela Beccaccia VersianiEditora: ManoleQuanto: R$ 38 (368 págs.)Avaliação: ótimo

Chico Cesar, Pensar em você



Não leu ainda? Então, leia!
XÔ, Sarney!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Do SOLDA
O multifacetado Luiz Antônio Solda se reinventou depois de enfrentar e superar uma depressão, publicou livros, mantém um blog e desenha muito. Foto de Daniel Castellano.

Solda faz fusão de desenho com letras, em estilo
inconfundível e traço solto.
Luiz Antônio Solda faz sucesso no Piauí, apesar de muita gente não acreditar que o estado nordestino seja real. O dramaturgo Nelson Ro­drigues costumava dizer que o Piauí não existe. Mas o artista paulista radicado em Curitiba participa todos os anos, desde 2002, do Salão Internacional de Humor do Piauí, um dos mais importantes do país, que chegou a sua 26.ª edição em julho passado.
Em Teresina, entre goles de suco de caju, em meio aos habituais 40ºC, Solda distribuiu autógrafos, posou para fotos, concedeu entrevistas, ministrou cursos e viveu no estado em que costuma viver: o estado de poesia.
O olhar dos outros Saiba o que cartunistas, desenhistas e outros profissionais da área falam do Solda
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Albert Piauí
Presidente da Fundação Nacional do Humor.“Desde 2002, o Solda participa do Salão Internacional de Humor do Piauí. É uma honra para o evento e para o estado do Piauí. O Solda é um dos mais importantes humoristas gráficos do Brasil. Tem um traço elegante. E escreve muito bem. O blog do Solda é um dos melhores do país. Ele é um ícone da cultura brasileira.”
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Ademir Paixão
Chargista da Gazeta do Povo.“Desde que comecei a fazer charge, cartum, desenho, sempre acompanhei o trabalho do Solda. Aprendi muito com ele. É um artista genial, brilhante. Depois, o conheci e hoje sou amigo do Solda. O talento dele é tão admirável quanto o caráter. É um exemplo, um mestre.”
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Pryscila Vieira
Chargista, desenhista e ilustradora.
“A primeira palavra que penso quando escuto o nome Solda é talento. Ele é um gênio. Na década de 1990, coordenei a Bienal de Humor do Mercosul, aqui em Curitiba, e ele participou. Tenho o maior orgulho de ter conhecido o Solda, que hoje é meu amigo.”
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Benett
Cartunista da Gazeta do Povo.
“O Solda é tão iluminado que seu DNA brilha no escuro.”
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Marco Jacobsen
Cartunista, chargista e ilustrador.“O Solda é o único cartunista que eu conheço que consegue fazer humor com poesia e poesia com humor.”
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Tiago Recchia
Cartunista da Gazeta do Povo.“O Solda, visto assim de lado, parece superficial. Visto de outro ângulo qualquer, é profundamente genial. Cartunista-poeta, ou vice-versa, corre o risco a torto e a direito para dizer aquilo que pensa (ele pensa sempre ontem o que vamos pensar amanhã). Kamikase que não se espanta, gasta de uma a três canetinhas diárias de nanquim como se fossem espadas para decepar/dissipar o mau humor.
Olha aí, mestre, fiz minhas as tuas palavras. Mas devolvo logo, porque todos precisam delas.” “Um poeta sentado/ é um poeta/ em pé de guerra”, escreve Solda em um de seus haicais (outros aparecerão ao longo deste texto).
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A esposa, Vera Prado, conta que o marido dorme das 13h32 às 14h37. “É a hora em que ele está em "estado de charge", diz Vera. Depois do almoço, Solda deita durante aproximados 60 minutos para pensar nas charges que tem de fazer diariamente. Mas da cama até o estúdio, que fica nos fundos de sua casa, tudo o que ele havia imaginado, as idéias para transformar em desenhos, se desmancham no ar, passo após passo. “Na verdade, eu faço mesmo uma siesta”, diz.
“Eu sou genial!/Sempre profundo em minha cultura/ superficial.”
Em 1965, Solda chegou, diretamente de Itararé (SP), para morar na Vila Hauer, com o seu pai, Eurides, já falecido. O que o menino mais gostava era comprar discos, livros e camisetas. Mas ele teve de fazer uma opção. O salário, que ganhava gastando sola de sapato como contínuo, teria de ser investido na mensalidade da escola ou na aquisição de discos, livros e camisetas. Ele optou pela segunda alternativa.
“Sensacional/ Minha amargura não sai/ no diário oficial.”
A formação oficial foi substituída, anos depois, por uma espécie de universidade livre, informal e, acima de tudo, divertida. O endereço: Rua São Francisco, 50, no Setor Histórico. Era a casa onde moravam os irmãos Luiz Antônio e Manoel Carlos Karam. Solda começou a frequentar o amplo casarão e não demorou para ganhar o direito a uma cama.
“A vida passa assim:/ na metade/ já estamos no fim.”
Em 1973, Karam fundou o grupo Margem, que viabilizou experiências inusitadas no palco do extinto Teatro de Bolso, na Praça Rui Barbosa. Solda atuava como ator, tocava baixo, fazia cenários, limpava o palco e colava cartazes em muros de Curitiba, quando era possível caminhar sem medo pelas ruas da cidade durante as madrugadas. Solda e Karam compravam um mesmo disco de vinil: cada um era dono de um dos lados.
“Este é um poeminha/ popular/ favor agitar/ antes de usar.”
O escritor Wilson Bueno conta que somente o Solda era chamado publicamente de gênio por Paulo Leminski. Solda e Leminski dividiram muitos momentos. Trabalharam lado a lado em diversas agências de publicidade nas décadas de 1970 e 1980. Leminski deixou o traço de Solda mais poético. Solda impregnou de humor a poesia de Leminski.
“Torta minha caneta/ o soneto me saiu/ meio Emiliano Perneta.”
Se, como diz o clichê, não existe almoço grátis e todo o excesso cobra o seu preço, um dia Solda recebeu de seu médico uma sentença: se continuasse bebendo, teria, no máximo, três meses de vida. Solda saiu do consultório, foi até um bar e tomou o seu último drinque. Isso há mais de duas décadas. Desde então, só bebe refrigerante em eventos sociais, e café descafeinado e água em casa. Parou de fumar faz três meses.
“Não se iluda, meu amigo/ nesta vida/ não tem poema para tudo.”
Solda saiu de cena durante a década de 1990. Submeteu-se a um tratamento para depressão em clínicas e hospitais. “Foi uma temporada no inferno”, lembra. Em 2002, Robert Amorim e Gilson Camargo bateram palmas na porta de sua casa, no final de uma avenida no Conjunto Solar, no Bacacheri, e o convidaram para fazer uma exposição no Beto Batata do Alto da XV.
“Lá em cima o céu,/ e eu aqui,/ debaixo do meu chapéu.”
O retorno foi, sem exagero, triunfal. Em 2002, Solda publicou os livros Almanaque do Professor Thimpor e Kamikase do Espanto. Dois anos depois, saiu o seu “Livro Branco”, com apresentação do Jaguar, que a partir do significado da palavra solda (ligar, unir) escreveu o seguinte: “Seu cartum fatalmente teria que desaguar nas letras. Ele (Solda) é um cartunista de letras.”
“Eu, assim de lado/ pareço/ um retrato falado.”
Ele tem um blog que recebe mais de 3 mil visitas por dia e alia textos poéticos, imagens, agenda cultural e difusão de ideias.
“Em verdade vos digo:/ nada tenho/ contra meu umbigo.”
No flamenco, quando a bailadora transcende, dizem que ela está com o duende. Há quem diga que, se está “inspirado”, é porque “baixou o santo”. Outros falam que, para “algo” acontecer, é preciso deixar o passarinho pousar no ombro.
Solda, aos 57 anos, é assim: nunca procurou o pote de ouro no fim do arco-íris, nem deseja a mala cheia de reais. Espera, sim, o passarinho (a poesia) pousar em seu ombro.
E quer mais discos, livros e camisetas.
Marcio Renato Santos/Caderno G/Gazeta do Povo.
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Comentário: Lindo, muito lindo.
Algo em comum: em 1980 a 1982, dois anos de pura e impura depressão. Sarei, mas tenho equelas.


Benett
Do Acir Vidal
Tucanos aumentam máquina pública em SP
Governos do PSDB, críticos da expansão do funcionalismo sob Lula, ampliam em 33 mil nº de servidores no Estado desde 2003
Governos do PSDB, críticos da expansão do funcionalismo sob Lula, ampliam em 33 mil nº de servidores no Estado desde 2003
Governo paulista, assim como o federal, diz que ampliação do quadro de pessoal ocorreu nas áreas de educação e segurança
Críticos da expansão da máquina do Estado promovida nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos também aumentaram, no mesmo período, o quadro de pessoal e os gastos com o funcionalismo em sua principal vitrine administrativa, o governo paulista.A partir de 2003, de acordo com dados fornecidos à Folha, a estrutura do Executivo estadual ganhou mais 33 mil servidores na ativa ao longo das gestões de Geraldo Alckmin e José Serra, os dois últimos candidatos do PSDB à Presidência -e, provavelmente, os próximos candidatos do partido ao Bandeirantes e ao Planalto, respectivamente.Trata-se de um contingente semelhante ao do Ministério da Fazenda, que conta com auditores fiscais distribuídos por todo o país e só perde, no aparato civil federal, para Educação, Saúde e Previdência.A alta das despesas com os funcionários dos Três poderes, apurada pela Secretaria da Fazenda, foi ainda mais acelerada, graças aos reajustes salariais concedidos às principais carreiras. Segundo as informações divulgadas por exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, a conta anual, incluindo aposentadorias e pensões, subiu 19% acima da inflação e chegou em 2008 a R$ 43,1 bilhões, ou a soma dos ministérios da Defesa e da Fazenda.Discrepâncias nas metodologias de apuração dos dados dificultam uma comparação precisa entre as políticas de pessoal de petistas, na área federal, e tucanos, em São Paulo. Os números permitem concluir que os primeiros superam os segundos, de fato, no impulso expansionista da máquina pública. Mas a diferença é de grau -não de orientação.Lula reverteu um processo de enxugamento do quadro da União que havia sido iniciado no governo Collor e aprofundado nos anos FHC. Com o argumento de que pretende recuperar a capacidade de ação do poder público, já elevou a quantidade de servidores civis ativos do Executivo em 12% até julho passado, quando o total chegou a 548,2 mil.Entre os 428,7 mil militares, as estatísticas podem mostrar expansão acima dos 50%, mas a contagem é distorcida pelas entradas e saídas de recrutas do serviço militar obrigatório, ampliado nos últimos anos.Já o boletim estatístico de pessoal do governo paulista mostrava um crescimento de 14%, consideradas as médias anuais, no total de ativos do Executivo entre 2002 a 2009, mas com a observação de que os critérios de quantificação foram alterados em 2007. Segundo os números considerados corretos pela Secretaria de Gestão Pública, a alta foi de 5% (veja quadro nesta página).Depois dos questionamentos feitos pela reportagem, o boletim foi retirado da página da secretaria na internet, para, segundo a assessoria de imprensa, revisão dos dados e uniformização de critérios.Embora também tenham sido contabilizadas com metodologias distintas, as despesas com pessoal na União têm aumento claramente superior às das despesas paulistas. Nos Três poderes federais, a expansão ficou em 30% acima do IPCA e atingiu R$ 144,5 bilhões. Se considerados apenas o Executivo e o período Serra, porém, a diferença é mínima: são 15% na União ante 14% em São Paulo, até 2008.
Educação e segurança"Nós crescemos nas áreas-fim, mas nas áreas-meio nós diminuímos, graças a medidas como o Poupatempo e o pregão eletrônico", afirma Sidney Beraldo, secretário paulista de Gestão Pública, que destaca o acréscimo de pessoal nas áreas de educação, ensino técnico e tecnológico (a cargo do Centro Paula Souza), administração penitenciária e segurança pública (polícias civil e militar).De 2002 para cá, relata, o número de alunos nas escolas técnicas e faculdades de tecnologia saltou de 91 mil para 192 mil; em outro exemplo, o número de detentos nas unidades prisionais passou de 83 mil para 151 mil. No ensino médio, o número médio de alunos por sala foi reduzido, o que favorece a qualidade do aprendizado. "O governo do Estado tem responsabilidades diferentes [das atribuídas ao governo federal]."Em documento enviado à Folha, o secretário de Gestão do Ministério do Planejamento, Marcelo Viana de Moraes, também aponta educação e segurança pública como os setores que encabeçam o crescimento do funcionalismo federal -no resto da lista estão advogados da União, Receita Federal, Controladoria Geral, Planejamento e Saúde. "São todos relativos a funções típicas do Estado contemporâneo", diz.Beraldo prevê mais contratações em educação e saúde, para a substituição de funcionários temporários, e na administração penitenciária, devido à ampliação do sistema prisional.
(*) GUSTAVO PATUDA SUCURSAL DE BRASÍLIA,DA FOLHA DE SÃO PAULO (ASSINANTES)

Do Acir Vidal

Huuum delicim comer dim dim do povão!


Mais um trecho do livro Honoráveis bandidos, de Palmério Dória, de 2009, sobre a saga dos Sarney. Geração Editorial. Páginas 119/120

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No jardim do memorial há um pátio externo cercado de palmeiras imperiais. No cenário bucólico destaca-se uma lápide de granito preto, com três metros de largura por sdeis de comprimento, cercada de correntes. Ela espera pela morte de José Sarney. Naquele espaço será erguido seu mausoléu.

Nos delírios de personagem de romances latino-americanos, ele imagina o túmulo como centro de peregrinação. Inveja cortejos fúnebres como os de Getúlio, um milhão de brasileiros nas ruas do Rio; aquela massa de paulistanos se despedindo de Tancredo; os milhares de baianos tomando as ruas de Salvador, entre o Palácio de Ondina e o Campo Santo, para dar um adeus a Antonio Carlos Magalhães; a comoção popular que tomou quatro quarteirões de Buenos Aires, gente à espera de passar pelo velório do presidente Raul Alfonsin que, sucedendo à ditadura militar, enquandrou os comandantes das torturas e mortes, ao contrário dele, que os abrigou.

O velho coronel sabe, no fundo, que seu passamento passará.


sábado, 17 de outubro de 2009

Escola, professor...

Do Blog da Mary W.
Imagem: Gustave Igler. Left To Their Own Devices, 1881

Eu acho mais ou menos assim. Eu já falei isso outras vezes. Eu acho que "acabou" a escola. E os professores "acabaram" também. Mais ou menos como quando apareceu a imprensa e muitas pessoas começaram a ler etc. E aí várias coisas aconteceram. Tipo romantismo e todo um público leitor e, então, coisas escritas. Revolucionou tudo isso. Mas. Um monte de gente não aprendeu a ler. Um monte de gente não é leitor de nada. E agora isso acabou. Aconteceu outra coisa. A internet mesmo. E as pessoas estão se virando aqui sem saber ler ou escrever. E há uma preocupação em inseri-las e tal. Mas ao mesmo tempo a gente vê as campanhas do governo dizendo "Meu amigo livro" e sabe que não vai rolar. Já foi isso. E nunca todo mundo participou da cultura letrada. E ela já acabou. Eu acho que isso vai acontecer com o direito ao aborto também. Daqui a pouco vai haver uma tecnologia reprodutiva que vai colocar um fim em gravidez indesejada. E que bom, claro. E a luta pela legalização vai passar sem nunca ter conseguido fincar-se de fato. E a escola é assim, eu acho. Como esses dois exemplo aí. Um monte de gente não teve acesso. Um monte de gente não tem cultura escolar. E à medida em que pensamos estar caminhando para universalizar o direito à educação através da escola, ele escapa dela. Não tá mais na escola a educação. Acho que o Giddens que usa a expressão "crise das múltiplas autoridades". Pra falar de como pai e mãe não estão mais com essa corda toda por conta das várias referências que povoam o mundo da criança (e que antes não povoavam). Eu acho que o professor foi ferido de morte nessa crise aí. Ele não é mais referência. Ele não é mais respeitado. Ele não tem mais nada para ensinar. E assim por diante. Eu acho mesmo que o sistema escolar só fica em pé por conta dos laterais. Lugar pra mãe deixar o filho. Mercado de trabalho imenso. Sem qualquer mimimi de falsa modéstia. Hoje. Quem precisa de professor de sociologia? Quase ninguém. Não tô falando de mestrado e doutorado. Que aí eu acho necessário ainda. Mas graduação, não acho. As melhores experiências que eu tenho com aluno são todas de ordem "existencial". Você acaba "inspirando" o cara. Mas não ensina bulhufas. O que eu ensinei esse ano? De mais legal? Eu ensinei duas alunas a fazerem uma monografia sobre mulheres tratoristas numa usina de cana. Quebrou tudo o trabalho delas. Entrevistas incríveis e análises bastante boas. Elas vinham aqui na minha sala e eu ficava mostrando uns livros pra elas. Olha como essa fulana fez. Fiquei encadeando. Primeiro fala de trabalho, depois inserção da mulher no mercado e aí trabalho rural. Daí olhava e não gostava. E mudava. Daí ensinei a fazer entrevista. Com livro dos outros. Palpitei no questionário. E elas foram pra campo e arrebentaram. Deu tudo certo. Tudo. Mas quando que você pode fazer isso? Sentar com duas alunas e ler Heleieth Safiotti com elas? Nunca. E não quero cair naquela tonteira lá. Que educar é ensinar a fazer pesquisa. Porque eu acho que existiu um lugar para a docência pura etc. E tem muita monografia de DOER. Que você não consegue nem corrigir. Mas essas meninas conseguiram fazer algo. Tem uma outra que fez uma revisão de literatura sobre maioridade penal. Nossa. Ficou ótima também. Ela quis ver assim. Como os diferentes profissionais que lidam com menor infrator se posicionam. Daí entrevistou um monte de gente de conselho tutelar e autoridades etc. Pra ver como é o racha ali e tal. Eu não entendo nada desse assunto, ficava só corrigindo mesmo. Uma aluna bem mala, ela. Vinha todo dia encher com alguma coisa e pedir pra eu ler um negócio. Ela se empenhou um monte. Eu gostei do trabalho dela. Mas não tanto quando o das tratoristas. Por isso nem cito muito. Nem sei mais o que eu tô falando. Assim, acho. Claro que eu contribuo na vida dos meus alunos. Mas são poucos diante dessa estrutura toda. Dentre milhares, só um pingo está interessado em cultura escolar. Como se a cultura escolar fosse tipo querer estudar latim. Sei lá. Uma coisa desse tipo. E eu tenho cada vez mais certeza que não é realmente importante. Eu gosto de pessoas que têm cultura escolar. É meu tipo de gente. Mas não indica nada isso. Nem mais inteligência, nem mais dinheiro. Veja que tô falando de cultura escolar e não de anos de escolaridade. Que contam, claro. Porque o ÚNICO lugar que tem pra ir aprender alguma coisa é a escola. Daí conta no mercado e blá. Mas cultura escolar não rola mais. Professor de curso técnico tá em ascensão, Mary. Isso que você pode me dizer. Que existe um tipo de ensino nos moldes que conhecemos e que apenas o que está sendo ensinado é que mudou. O professor de filosofia me explicou isso maravilhosamente bem no dia em que ele foi demitido. Mas eu não quero falar sobre isso. Ele foi demitido em junho e eu não consigo falar sobre, aqui. Mas tem a ver com isso. De fim da filosofia e da sociologia como conhecimentos escolares. E aí pode enfiar esse post no buraco. Porque a cultura escolar está firme e forte. Só o conteúdo que eu sei é que saiu dela. Enfim. Eu discordo dele nisso aí. Mas não queria falar porque já comecei a chorar. Não lido bem com a demissão dele. E tô na faculdade agora. Tentando faz duas horas terminar esse post. Colocar os negritos e tal. Cada hora chega um.
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Eu estou certa de que conhecimento é sinônimo de tecnologia. Ou melhor. De conhecimento técnico. Então falam de Sociedade do Conhecimento. Eu truco. É Sociedade do Conhecimento Técnico.
A Informação também é técnica. Acho que informação tem mais a ver com capacidade de armazenar dados. Por isso prefiro o termo Sociedade do Conhecimento. Porque conhecimento guardado vira informação. Alguém diz que sempre tivemos conhecimento, que o quente agora é termos transformado o tal em informação. Não concordo com quem diz isso.
Tem o sentido senso comum da palavra Informação. E eu gosto demais disso, em tempos de twitter. Informação, no twitter, é saber de Katylene e de Maitê Proença e tal. Eu sempre tô correndo atrás dessa informação. Veja bem, se pegarmos por aí. Veja bem onde está a cultura escolar. Todo um mundo à nossa frente. Um bando de letrados. E a gente fica atrás de moça da laje. Essa que é a verdade.

Cap-tirado do Acir Vidal
Sarney é múltiplo. No Senado, um lorde. Nacademia, um príncipe. No Diário Oficial, um roedor. No Maranhão, um coronel. No Amapá, um sátrapa.
Sebastião Nery, jornalista.
Na contracapa do livro Honoráveis bandidos, de Plamério Dória, 2009.
Charge do Roque Sponholz!
Mais um trecho do livro de Palmério Doria, Honoráveis bandidos, da Geração Editorial, 2009, sobre a saga (cidade) dos Sarneys.
Fala Palmério:
Quando foi criado o programa Grande Carajás, com jurisdição sobre o Pará e o Maranhão, criou-se também um mecanismo de incentivo fiscal que permitiu à Camargo Corrêa, em vez de pagar imposto de renda sobre esse superlucro, plicar no projeto Alumar, na ilha de São luis. O truque beneficiou a principal controladora da empresa, a ALCOA, que não precisou botar seu dinheiro no negócio. (depois a Camargo Corrêa sairia do negócio). A Alumar recebeu um contrato de energia semelhante à da Albrás, ou seja, com subsídio, fazendo jus a um desconto bem camarada. O valor do subsídio, de 2 milhões de dólares, permitria comprar uma fábrica nova.
"Só aí você vê o que dá de 20%", arremata Lúcio Flávio, aludindo às comissões a que o clã tem acesso intermediando essas complexas operações".
Avaliando os percentuais de comissão em jogo no setor elétrico, pode-se deduzir que todos os outros negócios do clã Sarney são fichinha.
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CONCLUSÃO: Daí se vê porque não temos escolas. Elas estão no bolso do clã!
SPONHOLZ!

Cap-tirado do Acir Vidal
cap-tirada do Blog de Roberto Romano

''Visita de Lula foi mais uma de suas grandes mentiras''.


Entrevista com D. Luiz Flávio Cappio
Crítico da transposição das águas do rio São Francisco, o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, 63, disse que o projeto é um "tsunami" e que as obras de revitalização do rio promovidas pelo governo federal são "marolinhas" - termo que o presidente Lula usou para se referir aos reflexos da crise econômica global no Brasil. Cappio fez duas greves de fome contra a transposição, em 2005 e 2007. Nos últimos dias, quando uma comitiva presidencial visitou a região - passando também por Barra -, o bispo não estava na cidade. Mas organizou à distância um protesto no dia da visita de Lula.
A entrevista é de Matheus Magenta e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 17-10-2009.
Eis a entrevista.
O sr. acha que a visita do presidente a Barra foi provocação, para mostrar que as obras estão em andamento apesar das críticas?
Quero usar as próprias palavras do presidente, quando ele falou que a crise econômica era uma marolinha para o Brasil. O projeto de transposição segue como um tsunami violento. Está lá o Exército desmatando tudo, passando por cima de vilas e aldeias, de roças e de gado, para garantir o trabalho. E as obras de revitalização, que são essenciais para a vida do rio São Francisco, são marolinhas, coisas insignificantes.
A Presidência convidou o sr. para ir ao evento?
Se me ligaram, eu não sei porque não estava aqui. E, mesmo que eu fosse convidado, eu não iria porque não participaria de uma mentira.
Por que "mentira"?
O que o presidente veio fazer em Barra foi apenas um marketing de mídia para mostrar para o Brasil e para o mundo algo que não existe, uma farsa, uma mentira. O projeto de revitalização não acontece. Foi mais uma de suas grandes mentiras sobre esse projeto. Foi apenas um show.
Apesar de não estar no município, o sr. organizou um protesto. Por que os sinos da igreja tocaram o dobre fúnebre?
Foi a única maneira de homenagear aquele que está matando o rio em nome da ganância.
O presidente Lula?
Sim. Durante a minha vida toda fiz tudo para colocar Lula na Presidência. Mas, infelizmente, uma vez que ele se tornou presidente, ele passou a governar o Brasil pensando nas grandes elites, como esse projeto de transposição que garante apenas a segurança hídrica de grandes projetos de irrigação. Se o projeto realmente levasse água a quem precisa, eu seria o primeiro a apoiá-lo.
O andamento do projeto representa uma vitória do governo?
É vitória não da democracia, mas de uma postura ditatorial do presidente. A sociedade civil brasileira quis discutir o projeto, mas ele jamais aceitou. Ele impõe a transposição à revelia da sociedade.
O projeto de revitalização é suficiente para recuperar o rio?
É muito pouco, não atinge o essencial. Esses projetos de saneamento básico são importantes, mas não significam uma revitalização do rio. O que deveria ser feito é garantir a revitalização de todas as nascentes dos afluentes do rio, das lagoas, das regiões que geram vida ao rio. A maioria delas está morta. E não apenas em 300 km, mas em toda sua extensão. Quem fala sobre esses números não conhece realmente o rio.
Dilma Rousseff afirmou que os críticos não conhecem o rio.
Que conhecimento que a Dilma tem do rio São Francisco? O que ela sabe é de ouvir falar. Chega de mentir para o povo. Nós tivemos aqui na Barra um show. Foi um show de política em véspera de eleição. Tenho pena de pessoas que se deixam enganar com aquilo.

Li e recomendo! Honoráveis bandidos

Corram! Rápidos para as livrarias. Honoráveis bandidos. Vi uma foto conhecida no aeroporto de Brasilia. Mesmo com preço acima do mercado (já viram estava em Brasília e paguei R$ 34,90 e na Saraiva está R$29,90) comprei. Autor: Palmério Dória. Edição de setembro de 2009. Li na viagem de volta à Má-ringa.
Um trecho do livro, página 75 a 76:
Em 2001, sob o governo de Roseana, Ana Jansesn deu nome a uma lagoa entre Ponta de Areia e o Bairro de São Francisco. Inaugurada em 30 de dezembro, com festa, discurso e foguetório, O Parque Ambiental da Lagoa de Jansen, em São Luis, não resistiu á primeira chuva, duas semanas depois. Tendo custado R$70 milhões, enviado pelo mano Zequinha, Ministro do meio Ambiente de Fenando henrique Cardoso, o lago artificial, de pouco mais de um metro de fundura, transbordou, invadiu condomínios de classe média alta e casebres paupérrimos em volta. Dejetos de matéria vegetal desmoralizaram o que Roseana devia chamado antes de " a nossa lagoa Rodrigo de Freitas", compração que também era um despaupério, pois a carioca Rodrigo de Freitas volta e meia amanhecia cheia de peixes podres. Adespoluição da lagoa Jansen, item mais caro do dinheiro gasto, simplesmente não foi feita. Deu no jornal:
Governo Roseana desviou milhões na recuperação da Lagoa de Jansen (Jornal Pequeno, São Luis, 24 de julho de 2005).
O DNA de Roseana NÃO NEGA. Quando o pai se tornou governador, lá em 1966, ela estava com 12 anos e vivia no Rio de Janeiro. Sua volta à província prenunciou o que a vida lhe reservava no Maranhão. Declaradamente a preferida do pai, mimada, cercada de atenções e de carinho, isso talvez ajude a explicar uma faceta de sua personalidade. Ela é mandona, temperamental, e protagoniza memoráveis escândalos e faniquitos comentados à meia voz na alta roda de sua terra. Já vimos dois exemplos no capitulo 3: o caso do PMDB erecto e o caso do blindex do irmão Zequinha que ela estraçalhou com uma pedrada."
(Roseana Sarney: desde 1981 é funcionária do gabinete do pai no Senado. Foi o senador Jarbas Passarinho que a efetivou como funcionária. Ela morava no Rio. Trabalhava (sic) em Brasília e recebia pontualmente seu salário)

Na Má-ringa, os omens ruins...



ADMINISTRAÇÃO CIDADÃ. (Por Messias Mendes)


Pode acreditar, mas os médicos do SUS estão proibidos de dar atestado a trabalhadores consultados nas unidades de saúde de Maringá. A ordem é do secretário Nardi, que diz estar respaldado em portaria do Ministério da Saúde, mas uma portaria que ninguém conhece e nem ele revela qual. A negativa está deixando os presidentes de sindicatos obreiros fulos da via. O Jorge Moraes e o Rivail Assunção foram conversar com o secretário em nome da Coordenação Sindical. Em vão, porque Nardi foi enfático: “Acontece que se a gente for liberar atestado pra todo mundo, a prefeitura pára”.Na verdade, isso foi uma referência direta aos servidores municipais, que na visão dele, Nardi, se puderem justificar suas faltas com atestado médico, os servidores não trabalham.Os sindicalistas quiseram saber o que os trabalhadores do setor privado têm a ver com isso? Nardi foi evasivo, tentou se justificar mas nada explicou.No lugar dos atestados, os médicos dos postinhos são orientados a fornecer declarações de comparecimento. O problema é que poucos empregadores aceitam esta declaração e por isso não abonam faltas dos empregados que perderam dia e as vezes dias de trabalho para tratamento de saúde.Comentei este fato com a presidente do Sismmar, Solange Marega e ela disse que desconhecia, mas adiantou que ser isso for verdade, vai tomar providência. Sugeri que ela fosse conversar com o Presidente do Sindicato da Alimentação, o Rivail, um dos mais revoltados com essa irresponsabilidade da “administração cidadã”.
Em tempo: médico nenhum pode se recusar a assinar atestado para o paciente atendido que solicitar. A recusa significa desrespeito ao Código de Ética Médica (artigo 112), o que é passivo de punição do profissional pelo Conselho Regional de Medicina.(Fonte: blog do Messias Mendes).Meu comentárioSe realmente o secretário disse "que a prefeitura pararia se liberassem os atestados", fez um comentário equivocado, não pode generalizar assim. Uma afirmação que não vai soar nada bem aos servidores.Mas gostaria de aprofundar um pouco. Como anda a saúde do trabalhador?. O setor de medicina do trabalho não atende as necessidades dos trabalhadores. Vamos lá. Pergunte a algum servidor municipal sobre quando ele foi convocado pela medicina do trabalho para realizar exames de saúde. Servidores estaduais são obrigados a realizarem exames de saúde periódicamente.Vou mais além. As condições de trabalho e segurança em determinados setores, isso influi diretamente na saúde do trabalhador. E por falar nisso, alguém sabe do resultado da perícia daquele acidente de trabalho em que o servidor morreu ao cair da gaiola enquanto cortava galhos de uma árvore? E os garis que já foram atropelados em serviço, usavam material de segurança adequados?A administração deveria tratar essa questão de outra uma forma. Servidor é trabalhador. Não estou me referindo aqui aqueles cargos comissionados que ganham altos salários, simplesmente por terem cabos eleitorais.Dizem por aí que certos cargos de confiança têm medo de faltar ao trabalho.Eles tem medo que os servidores de carreira percebam que a sua falta não fez falta nehuma...
(Acesse: www.blogpaulovidigal.blogspot.com)
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COM,ENTÁRIO: Já pensaram se os vereadores tivessem que apresentar atestados médicos?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Dia do Professor!

Em uma reunião. De professores. Pensando a formação de professores de ciências. Huuummm.
Deixa para lá,
O que nós precisamos?
- Ousadia. Briguem com tudo e todos. Briguem por um país melhor.
- Indignação Não aceitem normas e regras de pregui;cosos.
- Estudar, estudar, estudar.....
Beijos para todos...
de Brasólia

terça-feira, 13 de outubro de 2009


AS MUITAS VOZES VERBAIS (II)
José Augusto Carvalho
, Professor de Linguística da Universidade Federal do Espírito Santo

A idéia da voz depoente parece-me solução adequada para explicar, graças às suas características de uma voz diferente, a impossibilidade de transformação passiva de frases como Antônio levou um soco, em que o verbo parece estar na voz ativa, com objeto direto, mas o sujeito é paciente. No inglês clássico, é possível voz passiva com objeto direto: I was stolen a pencil by him (literalmente: “Eu fui roubado um lápis por ele”). Em redações escolares, é possível encontrar voz passiva construída equivocadamente com objeto direto, como no exemplo seguinte: “O professor foi indagado pelos alunos se podia liberar a turma mais cedo”.
É interessante lembrar ou relembrar que a voz passiva não é necessariamente sinônima da voz ativa correspondente. Há casos em que a voz passiva é semanticamente distinta da voz ativa, contrariando a idéia de que aquela é apenas uma transformação desta. Uma frase como “A cidade viu Tancredo doente” tem sentido diferente do da sua correspondente passiva: “Tancredo foi visto doente pela cidade”, em que o sujeito metonímico da ativa se confunde com um adjunto adverbial de lugar, na passiva. A frase “Eu tirei esta foto” pode ser interpretada assim: “Posei para esta fotografia” ou “Eu fui o fotógrafo responsável por esta fotografia”. Mas a voz passiva correspondente – Esta foto foi tirada por mim – só tem uma interpretação possível: a de que eu fui o responsável pela foto, isto é, a de que fui o fotógrafo. A frase “Um só aluno não fez o dever” não diz o mesmo que “O dever não foi feito por um só aluno”.
A solução ideal seria considerar a voz passiva não como uma transformação da ativa (e ainda menos como uma espécie de advérbio de modo da voz ativa, explicação tentada por gerativistas), mas como uma construção paralela morfologicamente semelhante à voz ativa. A semelhança morfológica (mesmos itens lexicais) permite a conversão de uma em outra, mesmo que o sentido seja diferente. Assim, seria desnecessário, por não-pertinente, explicar a não-correspondência semântica que às vezes se observa entre as duas construções.
Só existem dois tipos de voz passiva: a analítica, construída com o verbo ser auxiliar, como em “A rosa foi vista por José”, e a sintética, construída com o pronome apassivador, como em “Viu-se a rosa”. Uns poucos gramáticos mais ousados, confundindo análise semântica com análise sintática, apresentam, equivocadamente, um terceiro tipo de voz passiva: a de infinitivo, como na frase “osso duro de roer”, pretensamente passiva, porque pode ser parafraseada em “osso duro de ser roído”. Ora, nos predicados adjetivais desse tipo (difícil de fazer, duro de roer, fácil de ler, ruim de dizer, etc.), a voz é ativa; pressupõe a existência de um sujeito ativo: osso duro de alguém roer, livro fácil de alguém ler, trabalho difícil de alguém fazer, etc. Por isso é possível dizer: coisas difíceis de fazer (voz ativa), coisas difíceis de se fazerem (voz passiva sintética) e coisas difíceis de serem feitas (voz passiva analítica).
Em frases como “dar a mão a beijar”, a idéia é ainda de voz ativa: dar a mão para alguém beijar, dar a mão a alguém que a beije. Raciocinar com comutações sintáticas é deixar-se enganar pela semântica. A comutação, isto é, a troca de um elemento por outro para verificar se o sentido permanece ou não o mesmo, funciona adequadamente na fonologia, mas fracassa na sintaxe. Por exemplo: pode-se dizer “de tarde”, “de noite”, “de manhã”. Mas, se se pode dizer “à tarde” e “à noite”, não se pode dizer *”à manhã”. A comutação não funciona. (Conclui na próxima semana.)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Não sei de quem é a foto. Esqueci.
VIAJANDO....


... estou viajando. Para Onde? Adivinhem! Estou levando uma mala cheia de sapatos para jogar em políticos. Então, a cidade é...?! Brasília! Acertaram. O Blog fica meio parado até sexta-feira.


duke

Duke

Zizi Possi e Ivan Lins - Bilhete

paixao



Dilma visita Jader Barbalho. Eu, hein...
Do Acir Vidal
Do Acir Vidal
Governo Lula tem 45 dias para regularizar obra do Palácio do Planalto
O Tribunal de Contas da União deu prazo de 45 dias para a Presidência da República apresentar alvará de construção da reforma do Palácio do Planalto, em Brasília. As obras, estimadas em R$ 100 milhões, começaram em maio com documentação irregular.
Além da apresentação do alvará, o TCU também determinou que até o início de novembro sejam retirados do contrato da obra itens como poltronas, persianas e tapetes, que somam R$ 761,8 mil.
Ao licitar a reforma, a Casa Civil incluiu os itens que, segundo os auditores do Tribunal de Contas, devem ser licitados separadamente.
O ministro Aroldo Cedraz, relator do processo, pediu ainda explicações para o fato de o contrato levar em conta que a empreiteira recolhe 5% de ISS (Imposto Sobre Serviços) quando a alíquota cobrada no Distrito Federal é de 2%.
Apesar de as irregularidades detectadas pelo TCU não terem sido consideradas graves o suficiente para interromper a obra, a Agência de Fiscalização do Distrito Federal não apenas multou em R$ 2.689,11 a Presidência da República como deu ordem de paralisação no final de junho.
Para não atrapalhar os planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de inaugurar a reforma do Palácio do Planalto às vésperas da campanha eleitoral em abril do próximo ano, a Casa Civil recorreu e conseguiu impedir que as obras fossem interrompidas. O ministério alegou que se tratava de uma área "de uso especial".
"O ideal é começar qualquer obra com todos os documentos. Como nosso código não prevê sanção de imediato, chamamos o responsável pela construção a regularizar a situação", disse Georgeano Trigueiro, diretor da Agência de Fiscalização do Distrito Federal.
Segundo ele, Presidência apresentou toda a documentação solicitada e o alvará deve ser liberado nos próximos dias.
(*) Da Folha Online.


Esta foto do artista Bert Lahr (por Ricahrd Averdon) em Esperando Godot, 1956, cap-tirei-a do Blog do Leonardo Ferrari há algum tempo. Tem um sentido imenso para mim. O sentido da angústia mais profunda, mais difícil de nos deixar. Mais intensa, mais e mais e mais próxima da morte. Solidão, abandono...

sábado, 10 de outubro de 2009

Mina...

... a gata de casa.



AS MUITAS VOZES VERBAIS (I)
José Augusto Carvalho
Professor Dr de Linguística da Universidade Federal do Espírito santo.

Voz é a forma com que o verbo se apresenta para indicar a relação entre ele e o sujeito.
As vozes verbais constituem um assunto difícil que nossas gramáticas nem sempre analisam com a devida profundidade. A rigor, só os verbos transitivos diretos ou os adequadamente chamados bitransitivos (na antiga nomenclatura) podem ter voz ativa, passiva ou reflexiva, pela Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). Em frases como José saiu, Antônio foi ao Rio ou Preciso de dinheiro e quejandas, os verbos estariam no que se deveria chamar de voz medial, de que também é exemplo a voz reflexiva, mas seria uma solução conveniente para a análise de frases como José morreu, em que o sujeito, na verdade, é paciente, e seria, como é, disparate falar em voz ativa. Falar em “passividade” em casos como Carlos levou um tiro para justificar que se trata de voz ativa e não de outro tipo de voz, como veremos oportunamente, é escamotear o problema, e não resolvê-lo. Vale dizer: Pela NGB em vigor, uma frase como Ele caiu não estaria em voz nenhuma.
As gramáticas que estudam a diátese (voz verbal) levam em conta apenas as vozes ativa, passiva e reflexiva. Mas há, ainda, a voz medial (de que a reflexiva pode ser um exemplo, embora não único) e uma quinta espécie de voz, que os estudiosos de latim conhecem bem, posto que nem sempre com essa classificação de voz: a depoente. Um verbo latino se chama depoente quando tem forma passiva e significado ativo, como sequor, sequeris, secutus sum, sequi (“seguir”). São semidepoentes os verbos que têm forma ativa no sistema do infectum (conjunto dos tempos de ação incompleta, como os presentes e imperfeitos) e forma passiva no sistema do perfectum (conjunto dos tempos de ação completa, como os perfeitos e mais-que-perfeitos), como fido, es, fisus sum, fidere (“fiar-se”). Há autores que, com alguma razão, consideram depoentes construções portuguesas com o particípio, como Ele chegou aqui almoçado. Ele é um homem lido. “Porém já cinco Sóis eram passados”(Os Lus. V, 37).
Em português, há um tipo diferente de verbo depoente, com forma ativa e significado passivo. Trata-se de verbos transitivos diretos com objeto direto, mas com sujeito paciente, como em José levou um tiro, Carlos ganhou um tapa, Jorge pegou sarampo, Antônio recebeu um soco, etc. Embora teoricamente se possa transformar na voz passiva os verbos que tenham objeto direto, o significado passivo das frases acima impede esse tipo de transformação. Falar em “passividade” não resolve casos em que, embora o sujeito seja agente, a ação verbal recai sobre ele, como se a voz fosse reflexiva (mas é voz medial) sem o pronome adequado tornando impossível a transformação passiva, como em “José pesa apenas trinta quilos.” Ou como em: “Carlos perdeu o ônibus.”
A gramática gerativa, na teoria padrão, considerava a voz passiva uma simples transformação facultativa da voz ativa. Ora, a diátese é uma categoria gramatical, realizada no verbo, que indica se o sujeito é ou não exterior ao processo ou à ação verbal. Historicamente, a voz passiva se origina não da voz ativa, mas da voz dita medial, que se
realiza ora com verbo transitivo que coocorra com um pronome reflexivo (Ele se feriu) ou com objeto duplo em que o sujeito (agente) exerce a ação sobre um objeto distinto, mas em seu benefício (Ele se deu esse luxo), ora com verbo intransitivo cujo sujeito não é necessariamente o agente da ação ou do processo (A montanha tremeu). (Continua na próxima semana.)
Do Acir Vidal

Braziu!

Braziu!

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