TUCA PUC 1977
EU QUASE QUE NADA SEI. MAS DESCONFIO DE MUITA COISA. GUIMARÃES ROSA.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Vícios....


Minha amiga Regina enviou-me essa lista. Pegou-me na fase de correção de dissertação e artigos dos alunos. Sei que existem as hipérboles, as sinédoques... mas na redação científica é estresse puro! Ninguém lê o que escreveu. Joga para o orientador...e nós, uó...



- elo de ligação

- acabamento final

- certeza absoluta

- quantia exata

- nos dias 8, 9 e 10, inclusive

- juntamente com

- expressamente proibido

- em duas metades iguais

- sintomas indicativos

- há anos atrás

- vereador da cidade

- outra alternativa

- detalhes minuciosos

- a razão é porque

- anexo junto à carta

- planejar antecipadamente

- abertura inaugural

- continua a permanecer

- a última versão definitiva

- possivelmente poderá ocorrer

- comparecer em pessoa

- demasiadamente excessivo

- exceder em muito

Tropa de Elite, o filme


De um dos meus blogs favoritos, da MARY, A Feminista


Eu estou sob impacto de Tropa de Elite. Minha postura era tão na linha "não vi e não gostei" e agora eu fui obrigada a me render. Porque eu adorei. Tudo. Do filme em si. E do truque, que é disparado o meu favorito em qualquer filme. De começar pelo meio e deixar a gente confusa e depois retomar e tal e coisa. Eu faço oh, yeah pra QUALQUER filme que tenha isso.

Eu não tinha lido muito do filme, mas conhecia os dois pontos mais polêmicos. O primeiro. É o Capitão Nascimento um herói? Pra mim, é*. Porque ele adoece e pede pinico. Achei humano. Ele também resguarda o valor fundamental da honestidade. É tão interessante isso. Porque é o ÚNICO valor dele. Não tem outros. Então fica super apegado.

Mas tão apegado que só uma coisa veio à minha cabeça, durante os treinamentos. Ele está alienado. E o filme prova a alienação do Capitão o tempo todo. Ele também acaba entrando no parafuso "a classe média financia o tráfico" e tal. Eu conheço o parafuso do Nascimento. Porque tenho os meus. Um deles diz respeito à polícia ser tão corrupta e por isso problema nenhum é resolvido. A questão é se é possível emancipar-se e desalienar-se estando dentro da tal "guerra". Sendo membro do BOPE. Não é a primeira unidade da polícia ou do exército que a gente vê funcionar na base da lavagem cerebral**. E isso é pessimista e desolador. O incômodo da maneira como o BOPE opera. Que a gente fica pensando o tempo inteiro. Que merda que existe uma polícia assim. Melhor nem ficar sabendo? E alienamo-nos também. Mais, né? Porque eu só consigo flexibilizar um pouco quando vejo esses filmes e leio Abusado.

Eu não sei como funciona o tráfico. Tenho melhorado nisso porque alguma coisa tem sido produzida. Agora fico sabendo como o tráfico é combatido. Não achei que glorifica o BOPE. Pelo contrário. Ficou uma coisa nossa, até no Brasil eles recrutam homem-bomba.

O segundo ponto, nem é muito do filme. Mas eu vou me posicionar mesmo assim. Isso da classe média financiar o tráfico. Financia. E é até meio imbecil pensar que esse ponto de vista só começa a ganhar espaço agora. Porque é meio óbvio. E, quem fuma maconha, precisa assumir isso. Pra, também, desalienar-se. Se eu estou considerando simploriamente, aqui, que alienar-se significa perder a noção da totalidade, ignorar as várias etapas do processo para focar-se apenas naquela em que o próprio indivíduo participa. Bem. O maconheiro é alienado. Porque ele acende o cigarro e não contabiliza as mortes no morro nem o treinamento do BOPE. Acho que é responsabilidade social perceber-se como agente do processo. Estabelecer a cadeia de acontecimentos e colocar-se nela. Eu, inclusive, estou pensando seriamente em me retirar da cadeia da pirataria.
Essa é uma leitura. Mas tudo que vai, volta. E aí é possível pensar que também existe a questão da surdez do Estado. É dado que um número significativo de pessoas faz uso de maconha e que essas pessoas clamam pela liberação e tal. Daí que é um pouco anti-democrático ignorar isso. Eu me lembro daquele filme sobre Al Capone e quando ele consegue prender o gângster, liberam o consumo de bebida. E perguntam. O que o senhor vai fazer agora? e ele responde "tomar um drink". É mais do que legítimo lutar pelo direito de fumar maconha. E se é um pouco ingênuo passar por cima do processo de produção/distribuição do fumo. É bastante autoritário querer abolir a prática através de uma lei que não se justifica sob nenhum ponto de vista. E daí o maconheiro pode indignar-se. Ele pode perguntar. Por que o governo me OBRIGA a dar dinheiro pra traficante?
Mais ou menos essas duas coisas que eu acho que devem ser consideradas. Reiterando que. É fundamental que o usuário chame para si a responsabilidade. Porque ele tem que ser o agente. Mulheres fazem o feminismo. Maconheiros mudam a legislação sobre drogas. Tá todo mundo dizendo por aí que eles financiam o tráfico. Passou da hora de tomar providência. Porque embora digam que há DEBATE sobre a legalização. Não há. Não vejo um guarda-chuva que abrigue mesmo os defensores e tal. Falta organização. Falta tornar-se movimento. Não sai da fase da indignação. O máximo de "institucionalização" é entrevista da Soninha. Muito pouco. Veja que há uma acusação concreta. VOCÊS FINANCIAM O TRÁFICO. Acho que é hora de entrar na esfera pública como ator político. Garanta o seu direito de fumar maconha e blá.
O final do filme. Achei triste. Não há avanço nenhum e as coisas continuam como estão. Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre. Nossa. Não achei MESMO que glorifica. Não mesmo. Nada de bom resulta das ações do BOPE.
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*Porque não existe mais a separação entre herói e anti-herói, na minha humirde opinião.
**Tem um filme tão bão sobre isso. Aquele que o Jack Nicholson é General e o Tom Cruise é Advogado. Questão de Honra, é o nome. Acho.

Queria mandar um beijo pra Sociologia. Que me salvou de entrar pra ONGs que atuam em favelas. Obrigada, srta. Sociologia.
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Comentário:
Eu queria escrever sobre o filme. Tinha lido tanta coisa e discordado. Um ponto central - ficção ou não - é o nosso encontro com o ÚNICO valor que nos importa nesse país, a HONESTIDADE - e a Mary acerta no alvo (elite, a Mary). É o valor que não se tem mais nesse Brasiu. Quem é honesto?
Ando cabisbaixa. Nada funciona. Polícia, prisões, faculdades privadas (sic), públicas também, igrejas...e os políticos são o que há de MAIS enojante ... Algo muda? .... Não!
Cada vez que ouço ou leio algo sobre os vereadores, deputados, senadores.... aí, meu fígado dói. Putz, essa semana levantei adoecida.

Fim do leite sem soda....


Bebeu?


Sub natal na Má-ringa





Fotos da Julia. Foram feitas domingo em frente ao restaurante vegetariano, na Rua Santos Dumont. Ainda em outubro, os empresários (sic) locais enfeitam(sic) as ruas. Quero dizer: queimam o patrimônio cultural que são suas árvores, uma das únicas belezas da cidade (se vc acredita que os shoppings são patrimônios, fazer o quê). Plásticos chineses enrolados nas árvores: êta gosto brega! Dos pobres de espírito aos pobres de bolso, os "enfeites" chineses de Maringá! Além disso vejam a "phoda" feita na árvore! Em frente um comércio de carros. Huummmm....

Chuva na Má-ringa!



10h30

Brasília?

Capturada do Solda

...


Hein?!

Pancho

Empresariado amigo


segunda-feira, 29 de outubro de 2007

...

Charge de Benett





Memória




Enviado pelo meu querido amigo Giulio


...E ASSIM VIROU MONUMENTO

Joe Rosenthal nasceu em Washington DC (9/10/1911). Seu gosto por fotografias começou durante a Grande Depressão. Aos 19 anos foi trabalhar como profissional na Newspaper Interprise e, em 1932, no San Francisco News.
Com a chegada da Segunda Guerra, por deficiência na visão foi recusado para o serviço militar, mas empregou-se na Associated Press (AP) e, como fotógrafo, embarcou para o teatro de operações no Pacífico seguindo as tropas estadunidenses.
No inverno de 1945, por cinco semanas 30 mil marines combatiam os japoneses para conquistar Iwo Jima, ilha do Pacífico e fortificação das tropas imperiais do Sol Nascente. Uma batalha sangrenta e feroz, em que os soldados dos Estados Unidos deixaram 6,8 mil mortos (mais 20 mil japoneses). Na manhã de 23 de fevereiro o fim parecia próximo, os soldados do Mikado estavam derrotados e os marines prontos a tomar de assalto o monte Suribachi, o ponto mais alto da ilha.
Rosenthal estava indeciso, as notícias eram desencontradas: havia a informação de que um punhado de marines havia chegado ao cimo da colina e fincado a bandeira americana. A batalha já teria terminado. Era verdade, mas não de todo, e o instinto do repórter fotográfico convenceu Joe a tentar a breve escalada. Não teria se arrependido nunca. Vencendo próprio fôlego e o medo, chegou ao alto no momento em que seis marines da "Easy Company" estavam levantando uma enorme bandeira com "estrelas e listras" no topo do monte – a segunda, pois a primeira bandeira parecera muito pequena de ser vista das faldas do morro.
Rosenthal morreu numa segunda-feira (21/8/2006), pouco antes de completar 95 anos. De sua glória profissional carregou uma enorme mágoa: foi acusado mais de uma vez, sem provas, de ter pedido aos marines para posar. Em compensação, sua foto serviu como modelo para o memorial de Iwo Jima no cemitério militar de Arlington – uma das raríssimas fotografias no mundo que virou monumento.

domingo, 28 de outubro de 2007

Tucanato...Êta grupo de rapina!

Por Roberto Romano
Estou cobrando os direitos do enunciado: "petistas e tucanos sao primos". E cobro caro.
E por falar no caso familiar, que tal o não financiamento do curso do Cebrap pela Capes? Quando era a massa dos docentes e pesquisadores, os piores abusos foram abençoados pelos hoje perdedores de recursos federais. Quem reclamava, claro, além de neo bobo, era baixo nível em termos intelectuais.
Alto nível, nível Daslu do Espirito, mesmo, só na Rua Morgado de Mateus, onde sábios venezianos passeavam entre jovens aristocratas da Kultur. Quem criticava os procedimentos que favoreciam os tratos grupais, que se danasse. Numa situação clara de ataque ideológico e político, fui defenestrado do CNPq, com direito a carta respeitosa de seu dirigente máximo.
Calúnias, difamação, tudo foi cometido à sombra do covarde anonimato dos pareceristas e com as bençãos do colegiado. Ainda medito se não vale a pena entrar com um processo na justiça, para descobrir o nome dos tíbios anônimos.
O fato é que a defenestração me trouxe aborrecimentos com lobbistas de todos os setores criticados por mim em situações pregressas, os quais aproveitaram a canalhice cometida contra mim para tripudiar sem razões acadêmicas ou demais razões sérias.
Sempre que comentava o caso com tucanos, o olhar deles girava no espaço, quase sempre também seguido de um suspiro do tipo: "que cara chato, que coisa aborrecida". Repito : nada mais flexível no universo do que a espinha dos intelectuais. Ela se dobra segundo os poderosos da hora. E hoje, o tucanato não está com muita coisa nas agências de "fomento à pesquisa". Talvez retomem algo dos petistas, com o "é dando que se recebe" da CPMF e de outras traquitandas. Desejo-lhes a melhor sorte. Quanto a mim, não tenham a imprudência de pedir críticas, assinatura em manifestos de solidariedade, etc. Os primos que se entendam.
Roberto Romano

Deixa redondo..

Enviado pela Denise Mayer

..

Capturado do Blog do Solda

Frase de minha avó portuguesa, Dona Benedita


- Dinheiro faz cócegas em mãos de anjo!

Com ela acrescento:


- Cargos também!

Mike Davis comenta as chamas da Califórnia

O Katrina dos subúrbios Folha de São Paulo
O urbanista Mike Davis, morador de San Diego e crítico das implicações ambientais do capitalismo, fala sobre os incêndios na Califórnia
ERNANE GUIMARÃES NETO
Em sua casa em San Diego, uma das cidades mais atingidas pelo incêndio que causou mais de US$ 1 bilhão em prejuízos na Califórnia, Mike Davis diz que prefere ver as notícias pela TV de língua espanhola. "Só eles falam do que acontece fora dos EUA."
Para Davis, a incapacidade norte-americana de enxergar o mundo exterior explica inclusive o incêndio iniciado no domingo passado, que desalojou mais de 500 mil pessoas no Estado. Segundo ele, em vez de aprender com casos anteriores e com os prognósticos dos cientistas, os habitantes da região limitaram-se a eleger bodes expiatórios: os imigrantes. Na entrevista abaixo, feita por telefone na quarta-feira, no auge do incêndio, Davis explica a situação na Califórnia -e a crise ambiental mundial- por meio da interação entre política e pobreza. "O clima tira pessoas do campo, as cidades não estão preparadas para prover residência, trabalho e água. Essas coisas têm de ser vistas em conjunto."
FOLHA - O sr. não teve de deixar sua casa?
MIKE DAVIS - Vivo num bairro antigo perto do centro, predominantemente "latino". Estamos seguros, mas cobertos de fumaça. A área onde mais pessoas abandonaram suas residências e mais casas foram destruídas fica no norte. A metade norte de San Diego e seus subúrbios formam um padrão contínuo de comunidades cercadas, com a maior concentração geográfica de votos republicanos dos EUA. Por isso temos aqui o oposto de Nova Orleans [onde o furacão Katrina matou cerca de 1.800 pessoas e deixou centenas de milhares de desabrigados em 2005].
FOLHA - É o "Katrina dos Ricos"? DAVIS - É o Katrina Republicano ou o Katrina dos Subúrbios. É claro que muitas pessoas comuns vão sofrer mais, mas no momentos são invisíveis. A mídia enfatiza comunidades ricas. E, enquanto Tijuana [México], nossa cidade-irmã, enviou caminhões de bombeiro para ajudar, as pessoas daqui falam que saqueadores mexicanos vão levar nossas coisas. Estamos no meio da pior seca da história no sul da Califórnia; alguns dos maiores especialistas em clima nos EUA dizem que não é só uma seca, mas uma prévia de nosso novo clima.
FOLHA - Os incêndios deste ano na Europa têm a ver com o novo clima?
DAVIS - Os modelos elaborados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas prevêem seca e mais incêndios em regiões como a fronteira sudoeste dos EUA e o Mediterrâneo. Seja por causa de aquecimento global ou não, é exatamente o que foi previsto e o que será daqui para a frente. Os maiores incêndios ainda devem vir, e a região que sofre a seca mais inusitada da história é o sudeste dos EUA: Geórgia, Alabama e Carolina do Sul enfrentam a possibilidade de ficar sem água potável. As florestas de lá queimariam em tal escala que este incêndio ficaria parecendo uma fogueira.
FOLHA - Os EUA não estão preparados para isso?
DAVIS - No sul, já houve pequenas secas, alguns incêndios, mas as condições criadas para incêndios agora são inéditas. Imagine o clima do Rio de Janeiro ficando como o do Nordeste brasileiro: ninguém estava preparado, eles viviam com abundância de água. Aqui em San Diego, 80% da água vem de fora. Os pobres que dependem da agricultura vão enfrentar a seca. Somando tudo, aumentará a desigualdade e a histeria em relação aos imigrantes. As pessoas não percebem que estão à beira de uma seca sem precedentes. O que veremos serão "guerras por água": México contra EUA, Califórnia contra Arizona.
FOLHA - E assim a crise ambiental se tornará política?
DAVIS - É política desde o início. Afinal, dividimos mais recursos do que realmente existiam: a água do rio Colorado é dividida por todo o sudoeste americano, tomando-se por base o período de 20 anos de maior precipitação dos últimos 500 anos. E tudo isso antes da mudança climática.
FOLHA - Que acha dos incêndios para abrir pastagens no Brasil? DAVIS - É conveniente para os ecologistas do hemisfério Norte culpar a queima da Amazônia por tudo e não olhar para o que fazemos em nossos quintais. Não vou entrar nesse simplismo: os EUA têm mais responsabilidade que qualquer outro país. Nós é que dirigimos carros maiores que tanques.
FOLHA - É preciso parar de dirigir carrões?
DAVIS - Claro. Usávamos, 25 anos atrás, carros japoneses pequenos e mais eficientes. Agora são carros de inspiração militar, os jipes gigantes. Como o governo de George W. Bush e a CIA [agência de inteligência] não encontram Osama bin Laden, passam a caçar os "ecoterroristas": garotos que incendeiam lojas de jipes.
FOLHA - Esses são maus exemplos de consciência ambiental. Quais são os bons exemplos? DAVIS - São os grupos ambientalistas. O problema desses movimentos é a concentração em preocupações de classe média, sem saber como fazer do clima e do lixo temas populares. No mundo todo se criam soluções, enquanto nós estamos isolados. O americano comum não tem conhecimento sobre as inovações em ecologia urbana: compartilhar carros, fazer rodízio... Mesmo nos EUA há idéias boas, mas são raramente comentadas na mídia ou ensinadas na escola. Dá para avaliar os EUA por nossa reação a Nova Orleans, o abandono que sofreu uma das mais cidades do país mais importantes culturalmente.
FOLHA - Acha que o Katrina ensinou uma lição aos EUA?
DAVIS - Ensinou lições erradas: que afro-americanos pobres não têm peso político, que dá para esconder a inação quase criminosa. Eu havia escrito antes do Katrina sobre a ineficiência no resgate das pessoas. É como San Diego: já sabíamos que ia pegar fogo.
FOLHA - E o que os EUA aprenderão com este incêndio?
DAVIS - Essa é a questão. Esta é uma réplica ampliada do incêndio de 2003. Naquele ano não aprendemos nada. Foram destruídas 2.000 casas, as soluções surgiram nas cédulas de votação: criação de um novo distrito de bombeiros no condado, restrição do crescimento urbano em direção ao campo. Mas as propostas foram rejeitadas.
FOLHA - O que é preciso fazer para evitar a crise que se afigura?
DAVIS - O que precisamos entender é a relação entre mudança climática, agricultura de subsistência e organização da pobreza. Essas coisas interagem cada vez mais: o clima tira pessoas do campo, as cidades não estão preparadas para prover residência, trabalho e água. Essas coisas têm de ser vistas em conjunto para lidarmos com o problema.E fronteiras são atos de violência. A fronteira com o México é pior que o Muro de Berlim. Mas não se resolve esse problema sem atacar as questões de desenvolvimento no México. Deveríamos discutir uma idéia que assusta os conservadores deste país: algo como a União Européia, incluindo direitos aos cidadãos, seria a solução. É necessária uma verdadeira declaração de direitos humanos, que o Acordo de Livre Comércio da América do Norte não tem. Senão, o que fica é o direito à exploração.
FOLHA - E isso teria conseqüências boas para o ambiente?
DAVIS - Claro. Nossas soluções têm sido exportar os problemas para o México: as indústrias estão mudando para o outro lado da fronteira. E a questão não é a fronteira, são direitos verdadeiros para as pessoas.
Do Solda
O TUCANATO E SUA PRIVATARIA DA GIRAFA Elio Gaspari Folha de S. Paulo
A Agência Reguladora de Transportes de São Paulo, dirigida pelo doutor Carlos Eduardo Sampaio Dória, ex-presidente da Câmara Municipal da capital, ex-deputado federal e ex-presidente da falecida Telesp, contestou uma nota publicada aqui na semana passada. Nela, sob o título de "Girafa", o signatário considerava esquisitas as condições da prorrogação, em 2006, de dez contratos de concessões rodoviárias que venceriam em 2008. Um deles foi estendido até 2018. O mimo, sacramentado ao apagar das luzes do governo de Cláudio Lembo, assegurou às concessionárias a taxa média de lucro de 20% ao ano, fixado em 1998.A Agência oferece uma informação relevante a respeito dos critérios que orientaram as exigências e a taxa de lucro das concessionárias: "Foram ambos fixados unilateralmente pelo Estado na origem das concessões, independentemente da conjuntura econômica da época".Como a variável macroeconômica ficou de fora, o tucanato e as empreiteiras ficam dispensados de repetir que a taxa de lucro médio de 20%, contratada em 1998, deveu-se às incertezas da ocasião. Se entre 1998 e 2006 a taxa de juros caiu de 28% para 12%, azar da patuléia.
Os pedágios paulistas, prorrogados até 2018, continuarão a ser os mais caros do país, de longe.O texto da semana passada tinha o título de "Girafa" em homenagem ao ruminante de cabeça pequena e pescoço grande, que come no andar de cima das árvores. (É lenda a história segundo a qual ela usa a língua para limpar as orelhas.)

CPMF


CARLOS HEITOR CONY, Folha de S.Paulo

Uma sugestão cívica
RIO DE JANEIRO - O pessoal do governo e da base aliada encontrou um argumento para justificar a prorrogação da CPMF por mais alguns anos. Descobriu que nenhum país pode dispensar o reforço de 40 bilhões da moeda local em seu orçamento de cada ano. Convenhamos, é dinheiro pra burro, mas ainda pouco para atender às necessidades nem sempre necessárias de um governo caótico no que se refere às aplicações de verbas.
Não se precisa ter memória de elefante para lembrar o drama do ex-ministro Adib Jatene na aprovação de um imposto provisório destinado à área da saúde.
A situação dos hospitais era obscena, crianças nascendo em pias de enfermarias, doentes espalhados pelo chão, falta de material mais urgente, como algodão, esparadrapo e soro.O imposto foi aprovado e o ministro voltou à sua profissão de médico, mas a situação hospitalar continua a mesma.Aqui no Rio, um jornal divulgou nesta semana que, no setor da neurocirurgia, para operações no cérebro, usavam furadeiras, dessas de furar parede para colocar o prego que sustentará um quadro.
Verdade seja dita: já vi furarem o crânio de um paciente com uma dessas furadeiras, mas num filme dos Três Patetas (em sua primeira formação). A vida copia a arte, mas é bom que pare nas furadeiras.Um viajante do século 16 descobriu um reino perto das antigas ilhas Papuas. Para abastecer o tesouro real, o soberano criou o imposto do ar, quem respirasse pagava o tributo, calculado na base de três mil respirações por dia.O nosso espaço aéreo é enorme, como disse aquele marechal quando soube que o avião em que viajava estava a 12 mil metros de altitude: "Eu sabia que o Brasil era grande, mas não sabia que era tão alto!".Temos bastante ar para novo imposto.

...cruel



Solda
Candidatos de Lula em 2008 recebem o dobro em emendas
RANIER BRAGONJO HANNA NUBLAT, Folha de São Paulo

O governo Luiz Inácio Lula da Silva vem repetindo neste ano a prática adotada em 2004 de vitaminar com verbas do Orçamento da União os deputados federais e senadores aliados que pretendem trocar a cadeira no Congresso pelo comando de uma prefeitura.A cerca de um ano das eleições, os congressistas pré-candidatos do bloco governista foram contemplados neste ano com uma média de R$ 1 milhão, cada um, para obras e investimentos incluídos por eles no Orçamento. O valor é o dobro do destinado aos parlamentares candidatos da oposição, com média de R$ 500 mil cada um. Em 2004, 73 parlamentares candidatos governistas tiveram no primeiro semestre R$ 120 milhões em emendas empenhadas contra R$ 27 milhões dos 21 oposicionistas. As emendas incluídas no Orçamento têm o objetivo de destinar verba para obras como pavimentação de ruas e construção de postos de saúde nos redutos eleitorais dos congressistas. Como ficam carimbadas como "obra do deputado ou senador tal", tornam-se importante trunfo nas eleições. Porém, a liberação efetiva do dinheiro depende do governo. Com isso, é prática comum o benefício a aliados -assim como nos de Lula, os mandatos do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) também têm registro dessa prática."Para você falar grosso com o governo, tem de ter bons projetos e discutir sempre em favor do seu Estado", diz o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, o "campeão" de destinação neste ano, com R$ 4,3 milhões para obras como fábrica de tomate em Vassouras e obras de saneamento na Baixada Fluminense.

55 governistas
O cruzamento feito pela Folha -com base em dados coletados pela assessoria do DEM no Siafi- mostra que o grupo de 55 congressistas governistas tiveram suas emendas atendidas em 2007 em um total de R$ 55 milhões, com destaque para Crivella e os deputados Renildo Calheiros (PC do B-PE), pré-candidato em Olinda, e Nelson Pellegrino (PT-BA), pré-candidato em Salvador."Sou o deputado que mais manda emendas para Salvador", afirma Pellegrino. Ele disputa a pré-candidatura com o colega Walter Pinheiro (PT-BA), atendido com R$ 258 mil. Da oposição, os pré-candidatos em Salvador são Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), que teve atendimento zero, e José Carlos Aleluia (DEM), contemplado com R$ 150 mil."Creio que influencia sim [nas eleições]", diz o deputado Guilherme Menezes (PT-BA), duas vezes prefeito de Vitória da Conquista e cotado para 2008. Suas emendas estão na 12ª posição entre as mais contempladas, com R$ 1,7 milhão.Para Neucimar Fraga (PR-ES), pré-candidato em Vila Velha, as emendas não influenciam: "Vila Velha tem Orçamento de R$ 500 milhões. Emenda de R$ 2 milhões não é significativa para influenciar."Um exemplo do uso das emendas vem de Joinville (SC).

O prefeito Marco Tebaldi (PSDB) afirma que o pré-candidato do PT Carlito Merss não traz verbas federais com o intuito de prejudicá-lo. O petista diz que o prefeito é que prejudica a liberação de parte da verba ao não dispor contrapartidas.Dos 18 oposicionistas pré-candidatos, o mais contemplado é o tucano Luiz Carlos Hauly (PR), pré-candidato em Londrina, com R$ 1,6 milhão. A Folha não conseguiu localizá-lo.
Os dados se referem a emendas empenhadas, pagas, e de anos anteriores (2005 e 2006) liberadas neste ano. Embora haja 151 congressistas cotados para disputar a eleição de 2008, o levantamento só inclui os 73 que já exerciam mandato e puderam apresentar emendas.O Ministério das Relações Institucionais negou privilégio a governistas, afirmando que o Planalto liberará R$ 3,5 bilhões em emendas até o final do ano, e que os oposicionistas serão atendidos da mesma forma.

Políticos: um cretino atrás do outro


Elio Gaspari (Folha e Josias de Souza)

“Quando o governador Sérgio Cabral usou o trabalho do economista Steven Levitt (‘Freakonomics’) para defender o aborto como política de segurança pública, dizendo que a favela da Rocinha ‘é uma fábrica de produzir marginal’, juntou, num só ‘bonde’, oportunismo, impostura e ignorância.
Cabral é oportunista porque, em setembro de 1996, quando era candidato a prefeito do Rio, descascou seu adversário, Luiz Paulo Conde, por defender o aborto. Nas suas palavras: ‘Conde foi leviano. O que o Rio precisa é melhorar o atendimento na saúde’.
Continua oportunista ao tentar reescrever o que disse ao repórter Aluizio Freire, do portal G1, onde sua entrevista está conservada na íntegra.
Cabral praticou uma impostura quando embaralhou uma questão de direito -a decisão da Corte Suprema que, em 1973, legalizou o aborto nos Estados Unidos-, com as estatísticas do crime nos anos 90. A Corte decidiu uma dúvida constitucional: o direito da mulher de interromper a gravidez. Esse é o verdadeiro e único debate do aborto. Nada a ver com o propósito de fechar (ou abrir) ‘fábrica de produzir marginal’. Levitt, por sua vez, indicou que o aborto foi responsável por até 50% da queda na criminalidade americana. Em momento algum apresentou-o como alternativa de controle da natalidade.
Pelo contrário, qualificou-o como ‘um tipo de seguro rudimentar e drástico’. Cabral submeteu-se a uma vasectomia e não terá mais filhos (teve cinco). Tanto Levitt como a Corte Suprema não atravessaram a linha que o doutor transpôs, vendo no aborto uma modalidade de política pública capaz de produzir segurança. Uma coisa é dizer que houve uma relação de causa e efeito entre a liberação do aborto e a queda da criminalidade. Bem outra é associar o aborto às políticas de segurança pública. A teoria de Cabral sustentou-se na ignorância. Ele disse que a Rocinha tem taxas de fertilidade africanas. Besteira, elas equivalem à metade.
Em 2000, o número médio de filhos nas favelas cariocas (2,6) era superior ao dos outros bairros do Rio (1,7), mas ficava próximo da estatística nacional (2,1). Quem acha que o problema da segurança está na barriga das faveladas, deve pensar em mudar de planeta. A taxa dos morros do Rio é a mesma do mundo. Nos anos 70, muitos sábios sustentavam que o Brasil precisava baixar sua taxa de fertilidade (5,8) para distribuir melhor a riqueza. Passou-se uma geração, a fertilidade caiu a um terço (1,9) e o índice de Gini, que mede as desigualdades de renda, passou de 0,56 para 0,57, chegando ao padrão paraguaio. Nasceram menos brasileiros, mas não se reduziu o fosso social.
A tropa de elite pode acreditar que se aprimora a segurança pública com o capitão Nascimento cuidando dos morros e o governador Cabral dos ventres. As contas de Levitt são honestas, suas conclusões são rigorosas e "Freakonomics" é um ótimo livro. Aplicando-se a outros números de Pindorama o mesmo tipo de tortura cerebrina a que Cabral submeteu as conclusões do economista americano, seria possível dizer que a queda de 67% na taxa de fertilidade nacional provocou um aumento de 300% nos homicídios no Rio de Janeiro."

Serviço: o artigo "The Impact of Legalized Abortion on Crime", de Steven Levitt e John Donohue 3º, está na internet, infelizmente em inglês. É melhor do que o resumo publicado em "Freakonomics".

...

Tiago Recchia

Poesia e cultura em Curitiba...já na Má-ringa


Fotos: do Blog do Solda
150 anos de Biblioteca Municipal em Curitiba. A homenagem ao aniversário da biblioteca com poesias escritas na calçada. Que inveja! Na Má-ringa se fossemos escrever poesia nas calçadas, os políticos iriam zombar dos poetas, e depois não há biblioteca. Há uma oteca. Nem há calçadas. Há um sub calçada para um sub cultura (ATIs...). Vocês já repararam como não temos bibliotecas, museus, parques grandes...

Temos lojas, lojas , lojas e os empresários ainda aproveitam a cultura ecológica (as árvores) para enrolarem (nos dois sentidos) plásticos chineses para acender a chama do dinheiro. Pobre maringaense: submisso à cultura dos sem cultura!

Putz!


Ptucanos


Leite! Leite?



Dante Mendonça

Diga...

Solda

Farsa...


sábado, 27 de outubro de 2007

...quando estou angustiado....

Enviado pelo meu querido Giulio, Itália


Diz o paciente carneiro ao psicanalista também carneiro:
"Quando estou angustiado, conto os lobos para pegar no sono", charge de Massimo Bucchi

É longo, mas os professores têm que ler....

do Blog O Biscoito fino e a massa, de Idelber Avelar
Monica Weinberg e suas “pesquisas”
A Revista Veja
publicou, em sua penúltima edição, uma entrevista até muito boa com o Ministro da Educação, Fernando Haddad (obrigado por reproduzir, Tão). Nela, a jornalista Monica Weinberg demonstrou mais uma vez que mente sempre que usa a palavra “pesquisas”. Em edições anteriores da revista, ela já havia se referido a “pesquisas” que “provam” (acreditem!) que produtos com fertilizantes e agrotóxicos são tão saudáveis como os orgânicos; já havia mentido sobre Cristovam Buarque; já havia mentido sobre as escolas do MST.
Na entrevista com Haddad, no entanto, ela se supera. Num dado momento, Monica Weinberg pergunta:
O governo estabeleceu um piso salarial para os professores, mas pesquisas internacionais mostram que o aumento de salário tem muitas vezes efeito zero sobre a qualidade de ensino...
Sim, leitor. É isso mesmo o que você leu. A jornalista Monica Weinberg afirma que “pesquisas internacionais” mostram que o aumento de salário dos professores não tem efeito sobre a qualidade de ensino. A citação é literal. Conhecedor das pesquisas – estas sim, sem aspas – de J.Stonge, C. Gareis e C. Little e também das de Lisa Banicky (pdf), que demonstram abundantemente a relação entre estes dois fatores, eu convido os leitores do blog a desafiarem a jornalista, enviando-lhe o link deste post: aponte-nos uma só pesquisa que mostre que “o aumento de salário tem muitas vezes efeito zero sobre a qualidade de ensino”.
Só para lembrar, cara jornalista, “pesquisa” quer dizer: coleta e organização de dados, explicitação de metodologia, dedução de conclusões e publicação dos resultados em periódicos ou monografias avaliados pelos pares. Não precisa ser "pesquisas". Mostre uma só. No singular. Quero ver.
PS: Excelente artigo na Boston Review sobre mais uma faceta do desastre americano no Iraque: a tragédia dos refugiados.


Comentários
#1
Onde será que ela 'pesquisou' esses dados? Na noruega? Ou no próprio umbigo?
Meu, fico pensando o contexto da cabeça dela - e de seus partidários, o que é pior - para conseguir pensar esse dado.
Idem aos agrotóxicos...
O mais impressionante - torno a repetir - é como gente tão míope consegue voz tão ampliada.
Catatau em outubro 24, 2007 9:02 AM
#2
Pois é, Idelber, o ministro da educação holandês também ia adorar encontrar "pesquisas" com esse resultado. Em inglês: http://www.expatica.com/actual/article.asp?channel_id=1&story_id=43804
Márcia W. em outubro 24, 2007 9:06 AM
#3
Não sei de pesquisas internacionais, mas a pergunta parece ter sido inspirada num texto de um economista e colunista da Veja, o Gustavo Ioschpe. E já foi desmontada, de um jeito bem divertido, pelo Paulo Ghiraldelli:
http://www.educacao.pro.br/modules.php?name=News&file=article&sid=1&mode=thread&order=0&thold=0
O sofisma é bem curioso: os professores ganham mais do que a média salarial brasileira, e muita gente quer ser professor. Ergo, os professores já ganham bem, e não precisam de aumento de salário.
Eu convido qualquer pessoa que concorde com esse raciocínio a não só sobreviver com R$ 850 por mês, mas também a conseguir, com esse dinheiro, uma vida cultural mínima (ir ao cinema, comprar livros) que é essencial para um bom professor.
A única coisa que a entrevista tem de bom são as respostas do Haddad (que, junto com o Temporão, são dos poucos ministros do Lula pelos quais eu tenho sincera admiração) pq outras perguntas tbm são ridículas. Alguém avisou à Monica Weinberg que o tal livro de "posturas dogmáticas" que provocou toda essa discussão foi reprovado pelo próprio MEC, e não vai mais estar em escolas públicas no ano que vem?
Edson Alves Jr. em outubro 24, 2007 10:13 AM
#4
Puxa, virei fã do Paulo Ghiraldelli! Que texto espetacular. Como é bacana ver alguém desmontar asneiras com classe e elegância!
Eu nem sempre as tenho, pois me falta a paciência.
Idelber em outubro 24, 2007 1:04 PM
#5
Idelber
A relação de que aumento de salários não melhora a qualidade do ensino é bastante frequente em meios mais conservadores nos EUA:
http://www.fee.org/publications/the-freeman/article.asp?aid=2860http://www.csmonitor.com/2004/1213/p09s01-coop.htmlhttp://educationmatters.us/?p=737
Embora mesmo gente não-conservadora admite que não há necessarimente uma relação:
http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/05/17/AR2006051700035.html
Muita gente também gosta de apontar nos EUA de que o aumento dos gastos por aluno os resultados não refletiu nos resultados de forma proporcional:
http://www.effwa.org/highlighters/v14_n18.php
E claro, todo mundo gosta de apontar que Washington DC, apesar do seu alto gasto por aluno, tem resultados ruins:
http://www.usatoday.com/news/nation/2002/05/23/school-spending.htm
Dentro da realidade brasileira eu acho que o ponto é complexo. Aumentar salários poderia diminuir a falta de professores em áreas como matemática e física, mas por outro lado simplesmente aumentar atrairia somente gente sem vocação atrás de um salário alto e estabilidade(Foi o que eu senti em municípios que pagam bem aos professores).
E professores tendem a reclamar mais da superlotação das salas que do salário em si. Isto é bem mais complexo que parece, mas acho que *simplesmente* aumentar os salários por si só não ajuda. Ainda mais em países aonde professores com vinte e um, as vezes dezessete anos conseguem a estabilidade sem muitas dificuldades...
André Kenji em outubro 24, 2007 1:14 PM
#6
E sim, nunca me convenceram que alimentação orgânica é mais saudável a ponto de compensar o custo.
André Kenji em outubro 24, 2007 1:20 PM
#7
Pois é, André, que o argumento é freqüente me consta. Links para artigos de opinião, a estas alturas da internet, a gente encontra para qualquer coisa. Neste caso, todos parecem se basear no esforço tremendo que o Hoover Institute (sim, aquele do Kissinger) vem fazendo para demonstrar que "os professores já são muito bem pagos" (nos EUA, entenda-se!).
Por isso eu insisti no sentido da palavra "pesquisa" acima.
Idelber em outubro 24, 2007 1:37 PM
#8
Neste mundo em que basta 'googlar' para achar o que se quer, é preciso ter crítica para selecionar os argumentos mais bem construídos (sobre fatos, dados, número, qualidade dos respondentes, reprodutividade do experimento, follow-up de resultados, etc.). O 'achismo' é praga. O pior é quando pessoas se utilizam da pretensa credibilidade dos veículos de comunicação para impingir sofismas e 'meias-verdades' sobre o leitor. Bom post, Idelber. Pau nessa gente.
Cláudio Costa em outubro 24, 2007 1:45 PM
#9
Olha, o problema nem é dizer q o salário não influencia no ensino (o q é ridículo, claro), mas o fato de se defender o achatamento salarial de uma categoria enorme e vital para a sociedade. Professores não merecem ganhar bem pelo seu trabalho?
Bender em outubro 24, 2007 2:32 PM
#10
E o pior de tudo é que o argumento é requentado dos EUA, onde professores de escola secundária recebem 40, até 50 mil dólares por ano.
Adaptado ao Brasil, onde há professor ganhando 700 reais por mês, o argumento fica realmente obsceno.
Idelber em outubro 24, 2007 2:38 PM
#11
A imprensa munidal nunca viveu uma crise tão séria como agora e parece está num perigoso jogo de vale-tudo. A informação é mero detalhe.gd ab
JULIO CESAR CORREA em outubro 24, 2007 2:46 PM
#12
Idelber,
Off-topic: Você tem acompanhado a cobertura da imprensa americana sobre os incêndios na Califórnia? Dá para traçar algum paralelo com a cobertura do Katrina? Ou o viés é outro?
Luiz em outubro 24, 2007 4:55 PM
#13
Pois é, e nada garante que o baixo salário vá atrair vocações. Muito pelo contrário. Com o salário absurdamente baixo da rede pública, o professor costuma ser aquele que não consegue nada melhor para fazer. Acho que é preferível um professor sem vocação, mas bem remunerado!
Abraço
Guto em outubro 24, 2007 4:56 PM
#14
Pior do que citar pesquisas que não existem é inventar "pesquisas" a partir de dados aleatórios, como essa do economista Marcelo Néri de que os usuários de drogas são majoritariamente da classe alta.
Conforme demonstrei no meu último post, ele pegou um universo minúsculo de uma pesquisa imensa do IBGE que não perguntou aos pesquisados se eles usavam drogas...
Marcus em outubro 24, 2007 5:03 PM
#15
Luiz, impossível. Não tenho acompanhado. Já imagino quais seriam as diferenças, mas ao contrário da nossa jornalista citada acima, não falo sobre o que não vi.
Guto, você tem toda a razão, essa relação entre "vocação" e baixos salários é outra empulhação.
Márcia, obrigado pelo link -- alegro-me que o ministro da educação da Holanda, pelo menos, pensa diferente.
Marcus, essa "pesquisa" que você desconstrói no seu post bate qualquer uma da Weinberg. É um chutômetro de endoidar. Sem contar, claro, que qualquer pesquisa sobre o uso de drogas ilícitas já é, de cara, problemática, pelos motivos que qualquer um pode imaginar.
Abraços,
Idelber em outubro 24, 2007 5:22 PM
#16
Idelber!O assunto rendeu! Sinceramente, achei que todo mundo concordava que os professores no Brasil são mal pagos, mas parece que "há controvérsias".Venho de uma família de professores estaduais, minhas irmãs lecionam e com esta base faço algumas considerações.Professora de matemática e física, especialização em pedagogia, outra especialização em matemática, mestrado em organização escolar, 32 anos de exercício da profissão, dois contratos de 20 horas, recebe, em cada um, R$ 1.080,00, totalizando R$ 2.160,00. Faz as refeições no colégio, sai de casa as 7:00 horas e retorna às 18:30. Entre café da manhã, almoço e transporte gasta em torno de R$ 660,00, restando R$ 1.500,00. É separada, tem dois filhos na faculdade, que gastam em almoço, livros, transporte, próximo de R$ R$ 1.000,00, restando, portanto, mais ou menos R$ 500,00(por sorte, ela herdou uma casa de nossos pais, não paga aluguel). Nestas contas não estão as refeições dos fins de semana, a balada dos filhos, o cinema da professora, telefone, luz, água, roupas, sapatos, internet, cursos, e tantas outras coisas que nós, na maioria das vezes, em questionários de perfil, responderíamos que sem elas não saberíamos viver... Gente, é impossível viver dignamente, mas eles(professores) vivem e levam em frente o ideal maior da população, buscam atualizações, elevam a auto estima das crianças, brincam com os adolescentes, orientam... e são felizes, na maioria das vezes. Cada centavo de aumento para os professores, neste miserável país, significa, talvez, um professor melhor alimentado, mais informado, com mais auto estima e isto, é sim, melhoria de ensino.PS: Minha irmã tem uma loja de bombons caseiros, tortas, salgados e doces, que os filhos administram e que lhe possibilita um patamar de vida(monetária) melhor e sem sobressaltos.Abraço...
paulovilmar em outubro 24, 2007 7:23 PM
#17
Bacana o depoimento, paulo. E veja que sua irmã tem mestrado e décadas de exercício da profissão. Imagine o recém-formado, só com licenciatura. É aviltante.
Idelber em outubro 24, 2007 7:29 PM
#18
Sem tempo para comentar amplamente, porque sou professora, tenho dois filhos, dois empregos, faço doutorado e recebo bolsa mamãe (Mamãe, aposentada, me dá um dinheirinho todo mês, só vou colar uma tabela básica:1.3 – A Escassez de Professores no Ensino Médio – o desafio a ser vencidoa) Da Remuneração DocenteMais uma vez, o Brasil é um dos países que menos paga aos seus professores. É o que demonstrou um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), apresentado em Paris, durante as comemorações do Dia Internacional do Profes¬sor, realizadas em 38 países, entre eles, o Brasil. O levantamento revelou que um número cada vez menor de jovens está disposto a seguir a carreira do magistério. E os baixos salários praticados constituem uma das principais causas apontadas para isto, senão a mais importante. A pesquisa mostra que, no Brasil, o salário médio de um professor em início de carreira é dos menores: precisamente, é o antepenúltimo da lista dos mais baixos entre os 38 países pesquisados. A Tabela 6 apresenta os resultados para alguns dos países pesquisados.TABELA 6 — Remunerações anuais de professores no início e no topo da car¬reira do magistério no Ensino Médio (US$).
País Remuneração inicial/ano Remuneração no topo/anoAlemanha 35.546 49.445Coréia do Sul 23.613 62.135Estados Unidos 25.405 44.394Espanha 29.058 43.100Finlândia 21.047 31.325França 21.918 41.537Inglaterra 19.999 33.540Portugal 18.751 50.061Argentina 15.789 26.759Chile 14.644 19.597Malásia 13.575 29.822Brasil 12.598 18.556
OBS: Tenho 43 anos e muita vergonha de depender de mamãe!
maria Andréia em outubro 24, 2007 8:07 PM
#19
Obrigado, Maria Andréia. Segundo os dados da Organização Internacional do Trabalho que você apresenta, o professor de ensino médio brasileiro no topo da carreira está 8 mil dólares anuais, ou mais de 30%, abaixo da Argentina.
Essa pesquisa -- sem aspas -- a Monica Weinberg não conhece, com certeza.
Idelber em outubro 24, 2007 8:15 PM
#20
Idelber
Hmmm... Você é inteligente demais para ad hominens. Mas eu não estou falando se professores merecem ganhar mais ou não, mas sim de que a relação entre salários e qualidade do que é ensinado varia bastante. NESTE ponto, a pergunta da reporter é menos infundada que parece. E que há pesquisas neste ponto sim, por mais desonestas que elas pareçam.
Embora dentro da realidade brasileira eu tenho dificuldade enorme de achar qualquer estatística ou número confiável. Claro: se proíbissem acumúlo de cargos e as classes tivessem número de alunos próximas ao recomendado o sistema entraria em colapso por falta de pessoal. Mas o que eu estou defendendo é uma visão equilibrada do assunto.
Até por quê há professores e professores. Uma professora PEB I sem diploma de curso superior ou especialização em muitas cidades não vai achar remuneração melhor que sendo professora enquanto de fato um professor com mestrado(Que são minoria na rede) vai estar recebendo muito pouco.
E eu não tenho essa visão romantizada de professores que vocês têm. Talvez por já ter vistos salas de terceira série, em que a professora monta a sala, em que curiosamente todas as crianças negras estavam sentadas juntas no fundo da sala. Ou talvez por ter percebido que a grande maioria das professoras de inglês da rede(que tem dificuldades para ler um texto de jornal em inglês, um New York Post da vida) incentivam um dos piores comportamentos para se aprender uma língua estrangeira, que é a dependência canina de um dicionário.
Aliás, dinheiro extra na minha conta é bom, mas se a questão é qualidade de ensino isso não é uma coisa exatamente correlata. Até por quê eu gostaria que se percebesse que o centro da escola é o aluno, não o professor.
André Kenji em outubro 24, 2007 9:36 PM
#21
Mas eu não estou falando se professores merecem ganhar mais ou não, mas sim de que a relação entre salários e qualidade do que é ensinado varia bastante.
André, e você é inteligente demais para não entender a diferença, simples, aristotélica, entre condição suficiente e condição necessária. Eu não disse que a relação entre salário e qualidade não varia. Eu disse que a jornalista mente ao dizer que existem pesquisas que provam que, e eu cito, o aumento de salário tem muitas vezes efeito zero sobre a qualidade de ensino. Que existam professores ruins não muda em nada a discussão.
Tentando desenhar para ver se dá para entender: eu não disse que se o professor ganhar bem, o ensino será bom. Eu disse que a afirmação de que o aumento de salário "tem efeito zero" sobre a qualidade do ensino é uma mentira. Se você conhece pesquisas que provem isso, mostre. Pesquisas: com coleta de dados, metodologia, conclusões e publicação especializada. Texto de opinião não é pesquisa.
Ah, outra coisa: você também é inteligente demais para não saber o que são argumentos ad hominem. Eu os teria usado se tivesse dito, por exemplo, que alguém que não sabe quando usar "por que" ou "porque" ou "por quê" não poderia criticar professor de inglês que abusa do dicionário. Mas isso, claro, eu jamais faria, porque não uso argumento ad hominem.
Idelber em outubro 24, 2007 9:59 PM
#22
Que bom seria se simplificássemos a língua portuguesa. O uso incorreto dos "Por que / Por quê / Porque / Porquê", não deixa a frase mais feia e muito menos causa confusão quanto a mensagem pretendida.Fico imaginando quanto tempo perdemos aprendendo esse monte de regrinhas esdrúxulas(com várias exceções para cada regra) que tem um fim em si mesmo.
Marcos em outubro 24, 2007 11:40 PM
#23
Idelber
Eu não estou negando que a pergunta de que jornalista seja imbecil. A pergunta da Mônica Weinberg é mal-colocada por que ela coloca pesquisas *internacionais* dentro de um contexto nacional, o que não faz sentido. São realidades diferentes. Aliás, o Brasil tem realidades diferentes e é esse ponto que eu sempre critiquei nas análises do Ischiope, por exemplo.
Mas o fato de que a remuneração dos professores em certos estados americanos não equivaler ao desempenho dos alunos em exames padronizados(Ou ainda de que em muitos estados, como Novo México, aumentos de salário não venham acompanhados de aumentos de desempenho, numa análise rápida) me parece indicar que em *certas* realidades isso tem efeito próximo ao do zero. Agora, se isso foi colocado em pesquisas, bem, isso é problema da jornalista.
O que eu estou apontando é que isso não é *tão* ridículo quanto possa parecer. É uma pergunta distorcida, mas com uma base mais plausível que parece. That´s my point. E creio que o fato do Kissinger ter trabalhado no Hoover não desqualifica automaticamente tudo que saia de lá. Foi esse o ponto que eu critiquei na sua resposta. Se isso não é ad hominem, não sei o que é.
Agora, o que eu reclamei quando falei dos "maus" professores é que eu acho que a categoria é excessivamente endeusada(O que geralmente se reflete em exigências que não são da competência da escola), mas que cria uma visão mistificada do próprio processo de aprendizado.
E bem, meus erros de português em caixas de comentários são uma coisa, práticas em sala de aula outra. Até porque sou professor de artes, não de português.
De qualquer forma, desculpas se minhas objeções soaram grosseiras. Não o farei mais.
André Kenji em outubro 25, 2007 12:11 AM
#24
André, meu caro, você sabe que é sempre bem-vindo, e que o que move este blog é a polêmica.
Agora eu entendi o sentido em que você percebeu argumento ad hominem no que eu escrevi. A menção ao Kissinger era supérflua. O problema não é que o argumento venha do Hoover. O problema é que esse argumento não foi -- que eu saiba, se eu estiver errado me corrija -- sustentado por nenhuma pesquisa.
Tomemos o exemplo que você cita: sim, podemos encontrar casos de estados que pagam mais aos professores e cujos alunos tem performance mais fraca. Mas isso só prova que a remuneração não é o único fator determinando a qualidade do produto final (a performance dos alunos). Esta dependerá, como me parece óbvio, de vários outros fatores (preparação anterior dos alunos, por exemplo). Este fato não prova que a remuneração "tem efeito zero" sobre o resultado dos alunos. Isolar um dado da realidade que é produto de vários fatores, postular uma correlação entre um desses fatores e o produto final, verificar que a correlação não é automática, para depois concluir que esse fator "tem peso zero", ora, isso é sociologia de péssima qualidade, não lhe parece?
Também me desculpo se exagerei na resposta. O importante é que o debate siga.
Idelber em outubro 25, 2007 12:35 AM
#25
Li o post, concordei minuciosamente com ele, mas ia fazer uma brincadeira inconseqüente com teu "academicismo".
Mas broxei ao ler os comentários acima. À questão não cabem brincadeiras.
Abraços a todos.
Milton Ribeiro em outubro 25, 2007 9:17 AM
#26
Estou cansado de debate com esse povo. Chega. Paredão neles!
Bruno Ribeiro em outubro 25, 2007 9:23 AM
#27
professor, seus argumentos são irretocáveis, mas a discussão me soa meio sobrenatural, já que, em minha modestíssima opinião, sempre julguei o salário dos professores uma vergonha. este, ponto número um. ponto número dois: na minha modesta opinião, ainda, impossível esperarmos qualquer coisa desse país, além dos escândalos políticos de praxe, se a educação for não for prioridade. vejo na frança, onde se acredita o papel da escola é ‘formar cidadãos’. e não quero dizer que tudo aqui é uma maravilha, porque não é. mas fico profundamente decepcionada, ao ver que no brasil, o debate é assim: demasiado rasteiro...
larissa em outubro 25, 2007 11:26 AM
#28
Pois é, Larissa, eu sempre imaginei que algumas questões -- a absurda, urgente necessidade de aumento salarial para professores brasileiros -- fossem ponto pacífico.
Mas como vê, não existe ponto pacífico neste mundo. Talvez seja melhor assim.
Idelber em outubro 25, 2007 12:57 PM
#29
Muito bom comentario Idelber... tenho certeza que existem muitas Monicas por ai...
Thi Marques em outubro 25, 2007 3:00 PM
#30
se as perpectivas de uma licenciatura em história ou sociologia fosse a mesma de uma pessoa que se formasse em direito, eu teria insistido em um vestibular para uma dessas licenciaturas. Mas pensei: o ápice da carreira de alguém formado em história ou ciências sociais é fazer um mestrado e/ou doutorado e ser professor universitária, mas alguém formado em direito também pode fazer mestrado e/ou doutorado em ciências sociais ou história e ser professora universitária, além de várias outras opções. Assim, não precisaria decidir o que fazer da vida assim que saísse do colégio. (desculpa se ficou incompreensível, é q fui escrevendo aos poucos, no trabalho..hehe)
viajandona em outubro 25, 2007 4:43 PM
#31
Esse vício é também do Gustavo Ioschpe (saúde!), que trabalha na Veja assim como a mocinha entrevistadora.
Certa vez, ele resolveu dar uma de "guru" e falou quais seriam os "4 Mitos da Educação", ou algo do gênero. Lá pelas tantas, também entre aspas, lá estavam as "pesquisas internacionais" informando que aumento salarial não significam melhoria alguma no ensino público.
Se você tiver saquinho, leia aqui:
http://imprensamarrom.com.br/?p=588
Tive a paciência de desmontar, um a um, todos os "argumentos" do Gustavinho. Até aí, grande porcaria, porque ele é uma merda.
Abraço, Idelber!
Gravatai Merengue em outubro 26, 2007 2:00 AM
#32
Bem, eu tenho um estudo a citar que de certa forma vai na contra-corrente de quase todos os comentários aqui e do próprio post (mas não estou afirmando que remuneração de professor nunca influencia qualidade do ensino, pelo amor de Deus). Infelizmente, não posso colocar o link, porque só tenho o texto comigo em arquivo Word, e é um cartapácio de muitas páginas (que, vou avisando, não li inteiro - mas conversei com o autor sobre quais são os principais resultados).
Trata-se de "Os Determinantes do Desempenho Escolar do Brasil", do economista Naercio Menezes-Filho, do Instituto Futuro Brasil, Ibmec-SP e FEA-USP. Ele faz exercícios econométricos com base no SAEB.
Há um sumário executivo, do qual vou destacar alguns trechos. Reparem no penúltimo deles, no qual coloco em caixa alta o que tem a ver com o tema em discussão aqui:
"Este estudo utiliza principalmente dados do Sistema de Avaliação do Ensino Básico (SAEB) para examinar o desempenho dos alunos da 4ª e 8ª séries do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio nos testes de proficiência em Matemática."
"Os exercícios econométricos mostram que as variáveis que mais explicam o desempenho escolar são as características familiares e do aluno, tais como educação da mãe, cor, atraso escolar e reprovação prévia, número de livros e presença de computador em casa e trabalho fora de casa. Uma variável importante é a idade de entrada no sistema escolar: os alunos que fizeram pré-escola têm um desempenho melhor em todas as séries do que os que entraram a partir da 1ª série. Isto indica que investimentos públicos na infância têm chances maiores de terem sucesso."
"As variáveis ao nível de escola, tais como número de computadores na escola, processo de seleção do diretor e dos alunos, escolaridade, idade e salário dos professores têm efeitos muito reduzidos sobre o desempenho dos alunos, como ocorre nos EUA, por exemplo. O SALÁRIO DOS PROFESSORES SÓ EXPLICA O DESEMPENHO DOS ALUNOS NA REDE PRIVADA."
"Uma das únicas variáveis da escola que afetam consistentemente o desempenho do aluno é o número de horas-aula, ou seja, o tempo que o aluno permanece na escola. Assim, uma política educacional que poderia ter um efeito grande de aumentar a qualidade do ensino seria a de aumentar o número de horas-aula, mesmo que para isto seja necessário aumentar o número de alunos por classe, pois esta o tamanho da turma não parece afetar o desempenho do aluno em nenhuma série."
Meu comentário final. Naércio me explicou que o trabalho parece sugerir que o salário conta na escola privada, onde está ligado a uma meritocracia competiviva (haveria algum grau de competição das escolas pelos melhores professores), mas não na rede pública, onde as promoções obedeceriam a regras mais burocráticas e desvinculadas dos resultados.
Bem, eu garanto a vocês que ele é um cara ponderado e que não busca saltar deste trabalho para afirmar regras universais sobre a relação entre salário do professor/qualidade de ensino. Mas é um trabalho que indica que, no caso específico das escolas públicas, no Fundamental e Médio, o nível salarial parece não ter influenciado o aproveitamento (medido pelo Saeb)
F. Arranhaponte em outubro 26, 2007 12:32 PM
#33
Bem, esqueci de frisar que o trabalho é só para o desempenho em Matemática
F. Arranhaponte em outubro 26, 2007 12:38 PM
#34
Falando em pesquisa...Um vídeo interessante sobre a manipulação destas:http://www.youtube.com/watch?v=If9EWDB_zK4
Pedro em outubro 26, 2007 4:10 PM

..


En sí mismo do Matéria do Tempo
Talvez não nos tenha chegado do castelhano palavra mais bonita que ensimesmado. E não é apenas bonita: é útil.

... na contramão do Brasiu



Jotta, Teresina, Piaui (capturei do Blog do Solda)

Natal cruel


Ai, se a moda pega!


...


Renan, ainda Renan


Por Josias de Souza


Vai abaixo a entrevista concedida por José Amilton Barbosa dos Santos ao repórter Alexandre Oltramari, de Veja (só assinantes). Entre 1999 e 2005, José Amilton trabalhou como contador das empresas de comunicação adquiridas em sociedade secreta por Renan Calheiros e pelo usineiro alagoano João Lyra. Foi demitido no último mês de maio, dois anos depois de a sociedade ter sido desfeita. Antes, testemunhou a participação de Renan no negócio.

-O que sabe sobre a venda do grupo ‘O Jornal’?
Entrei na empresa no dia 1º de julho de 1999 e saí em maio passado. Quando ocorreu a negociação, eu era supervisor contábil das empresas.
-Sabia para quem o grupo ‘O Jornal’ estava sendo vendido?

Sim. Para o senador Renan Calheiros e para o grupo João Lyra.
- Como ficou sabendo disso?

Depois da venda, em 1999, O Jornal passou a ter dois diretores administrativos e financeiros. Um deles, que representava o grupo João Lyra, era Sérgio Luís Ferreira. O outro, do lado do senador Renan Calheiros, era José Queiroz de Oliveira. Os dois me falaram que os donos do negócio eram o senador e o grupo João Lyra.
-O empresário Nazário Pimentel, antigo dono do grupo ‘O Jornal’ chegou a revelar ao sr. que o empreendimento estava sendo vendido a Renan Calheiros e a João Lyra?
Sim. Nazário Pimentel, José Queiroz, Sérgio Luís...Todo mundo sabia que o senador era dono de metade do jornal e da rádio.
-Existem recibos que mostram que um primo de Renan Calheiros, Tito Uchoa, fez pagamentos a Nazário Pimentel em razão da compra do grupo. O sr. conhece ele?Sim. Um dia ele ligou e me pediu que entregasse a ele toda a documentação contábil das empresas. Fui lá e a entreguei pessoalmente.
- Está disposto a contar ao senador Jefferson Peres, relator do processo contra Renan Calheiros no Conselho de Ética, tudo o que sabe?Com certeza.

Renan e companhia fedem

Josias de Souza
Tropa de Renan usa vídeo contra Jefferson Peres
O jogo sujo que permeia o julgamento de Renan Calheiros atingiu o seu ápice na semana que passou. Relator do processo mais espinhoso contra o presidente licenciado do Senado, Jefferson Peres (PDT-AM) é vítima de uma sórdida tentativa de constrangimento. Deve-se ao repórter Otavio Cabral, de Veja (só assinantes) a descoberta de que milicianos de Renan fizeram chegar aos senadores um dossiê com ataques acerbos à idoneidade de Peres, visto como espécie de reserva moral do Senado.

Desde que foi sitiado por um cipoal de suspeição, Renan vem insinuando, reservadamente, que dispõe de munição contra os seus algozes. Em várias oportunidades, referiu-se a Jefferson Peres como “flor do lodo”. O vídeo é a materialização do veneno que Renan vinha destilando entre quatro paredes.

Chegou aos gabinetes do Senado pelo Correio, num envelope pardo. Dentro, havia um DVD. Tem cinco minutos de duração. Insinua que Jefferson Peres teria tomado parte de uma fraude financeira contra uma siderúrgica, na década de 70. Uma acusação que vinha sendo espalhada pelos corredores do Senado desde que o senador amazonense começou a defender o afastamento de Renan da cadeira de presidente da Casa.

Atribui-se a Egberto Batista a responsabilidade pelo vídeo, produzido em 2004. Egberto é irmão do ex-senador Gilberto Miranda, que esteve em Brasília, em setembro, para fazer corpo-a-corpo a favor de Renan no processo em que era acusado de servir-se de verbas da Mendes Júnior para pagar a pensão da filha que tivera com a ex-amante Mônica Veloso.

Egberto é o mesmo personagem que, em 1989, a serviço do então candidato à presidência Fernando Collor de Mello, produziu a entrevista em que Mirian Cordeiro mentira, acusando Lula de ter tentado convencê-la a interromper a gravidez da filha Lurian.

Jefferson Peres diz ter sido investigado no caso mencionado no vídeo apenas porque era, na ocasião, um dos diretores da empresa que transacionou com a siderúrgica. Não foi nem mesmo indiciado no processo judicial aberto para apurar o episódio. Em meio ao pântano em que se transformou o Senado, o relator tratou de tomar as suas precauções.

Requisitou certidões negativas à Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e à direção do Senado. Da Agência Brasileira de Inteligência, recebeu um ofício atestando que não há nos arquivos do órgão vestígios de apuração que possa tisnar-lhe a idoneidade moral. Do Senado, recebeu documento informando que jamais pediu passagens aéreas para terceiros e que não emprega parentes em seu gabinete.

De resto, Jefferson Peres apressou-se em avisar: "Essas baixarias não vão mudar uma linha do meu relatório. Não tenho nada para esconder e, por isso, ninguém vai conseguir me constranger." Coube ao senador relatar o caso em que Renan é acusado de comprar, com verbas de má origem e valendo-se de laranjas, duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas. Dos cinco processos ainda pendentes de julgamento é o que reúne mais elementos para encalacrar Renan. Daí o desespero.

Afora os documentos, recibos e testemunhos já coletados, surge agora um novo personagem: José Hamilton Barbosa. Vem a ser um ex-contador do grupo de comunicação adquirido, em sociedade secreta, por Renan e pelo usineiro João Lyra. Ele confirma que, de fato, o presidente licenciado do Senado participava da administração do grupo que diz não ter comprado. Leia no texto a seguir

Se fugir o bicho pega....

...se ficar o bicho come.

A Califórnia é aqui


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